Documentação e autorização na captação de imóveis: segurança e conformidade

Capítulo 12

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

O que é documentação e autorização na captação (e por que isso protege você e o proprietário)

Na captação, “documentação e autorização” é o conjunto de provas, permissões e registros que permitem divulgar, visitar e negociar um imóvel com segurança jurídica e operacional. Na prática, isso evita três problemas comuns: (1) anunciar imóvel sem legitimidade do solicitante, (2) prometer condições que não podem ser cumpridas por falta de documentos e (3) gerar conflitos por uso de imagens, chaves e visitas.

O objetivo não é burocratizar: é reduzir risco, acelerar a negociação e dar previsibilidade ao proprietário sobre o que será divulgado, para quem, em quais canais e sob quais regras.

Como explicar ao proprietário a importância (sem soar desconfiado)

Mensagem-base (curta e objetiva)

Use uma explicação simples: “Para anunciar e conduzir visitas com segurança, eu preciso formalizar a autorização e validar alguns documentos. Isso protege o senhor(a) contra divulgação indevida, garante que eu só repasse informações corretas e evita atrasos quando aparecer um interessado pronto para fechar.”

Três benefícios que o proprietário entende rápido

  • Velocidade: quando o comprador/locatário pede comprovações, você já tem tudo organizado.
  • Controle: o proprietário define regras de visita, uso de imagens e acesso às chaves.
  • Segurança: reduz risco de golpes, anúncios duplicados e exposição de dados pessoais.

Checklist por tipo de imóvel e transação: o que solicitar e para quê

Abaixo está um guia prático. Ajuste conforme a realidade local e sempre valide com o jurídico/contábil quando necessário. Quando o proprietário não tiver algum item, registre como pendência com prazo.

1) Documentos do proprietário (pessoa física)

  • Documento de identificação (RG/CPF ou CNH): confirma identidade de quem autoriza a divulgação.
  • Comprovante de estado civil (certidão de casamento/união estável/divórcio, quando aplicável): ajuda a identificar necessidade de anuência do cônjuge em venda e em algumas situações de locação.
  • Comprovante de endereço: útil para cadastro e diligências.

2) Documentos do proprietário (pessoa jurídica)

  • CNPJ e contrato/estatuto social: comprova existência e poderes.
  • Documento do representante legal: identifica quem assina autorizações.
  • Procuração (se quem trata não for o representante do contrato social): define poderes para autorizar divulgação, visitas e negociação.

3) Documentos do imóvel (base para venda e locação)

  • Matrícula atualizada (quando aplicável): confirma titularidade e características registradas; indica ônus/averbações relevantes.
  • IPTU (capa/espelho e situação): confirma endereço fiscal, área, inscrição e eventuais débitos.
  • Condomínio (se houver): valor, regras, e se há pendências; peça declaração de quitação quando necessário.
  • Planta/medidas (se disponível): melhora precisão do anúncio e evita divergências.
  • Contas de consumo (água/luz/gás, quando relevante): ajudam a orientar transferência de titularidade e custos médios.

4) Específicos por tipo de imóvel

Apartamento em condomínio

  • Convenção/regulamento (ou principais regras): restrições de mudança, pets, locação por temporada, uso de áreas comuns.
  • Última ata (se disponível): pode sinalizar obras, rateios e temas que impactam decisão.
  • Vaga de garagem: matrícula/vinculação (vaga fixa, rotativa, autônoma).

Casa (rua ou condomínio)

  • Informações de reformas/ampliações: alinhar o que é “área construída” e o que é “área não averbada” (se existir).
  • Regras do condomínio (se for condomínio): obras, fachada, horários de visita, acesso.

Terreno

  • Medidas e confrontações: para evitar anúncio com metragem incorreta.
  • Zoneamento/uso permitido (se o comprador for investir): informação crítica para viabilidade.

Imóvel comercial

  • Habite-se/alvarás (quando aplicável): dependendo da atividade, pode ser decisivo.
  • Regras de condomínio comercial (se houver): horários, carga/descarga, fachada.

5) Específicos por transação

Venda

  • Comprovação de propriedade (matrícula/registro): base para anunciar com segurança.
  • Informação sobre financiamento/alienação (se houver): define fluxo de quitação e prazos.
  • Certidões (quando entrar em fase de proposta): alinhe que algumas serão solicitadas mais adiante para não travar o fechamento.

Locação

  • Comprovante de titularidade ou posse legítima: evita locação por quem não pode.
  • Regras de visitação e entrega: vistoria, estado do imóvel, itens que ficam/saem.
  • Condições de despesas: quem paga IPTU/condomínio/seguro, e como será comprovado.

Modelo de coleta: ficha de documentos e informações (para não perder nada)

Use uma ficha única por imóvel com três blocos: (1) Identificação, (2) Documentos, (3) Autorizações e operação. Exemplo de estrutura:

Continue em nosso aplicativo e ...
  • Ouça o áudio com a tela desligada
  • Ganhe Certificado após a conclusão
  • + de 5000 cursos para você explorar!
ou continue lendo abaixo...
Download App

Baixar o aplicativo

FICHA DO IMÓVEL (resumo operacional) 1) Identificação Endereço completo + referência Tipo (apto/casa/terreno/comercial) Matrícula/inscrição IPTU Condomínio (nome/contato/valor) 2) Documentos recebidos (anexos) Proprietário: ID / estado civil / comprovante endereço Imóvel: matrícula / IPTU / condomínio / planta Outros: procuração / regras do condomínio 3) Autorizações e operação Autorização de divulgação: (sim/não) data e validade Autorização de imagens: (sim/não) restrições Regras de visita: dias/horários/antecedência Chaves: local/controle/retirada/devolução Responsável por acompanhar visitas: (nome) Observações e pendências: (lista + prazos)

Termos essenciais: como estruturar autorizações e regras (com itens obrigatórios)

Os termos abaixo podem ser documentos separados ou um único “Termo de Autorização de Divulgação e Visitação” com anexos. O importante é que sejam claros, datados e assinados (físico ou eletrônico, conforme prática local).

1) Termo de autorização de divulgação (anúncio)

Finalidade: formalizar que o proprietário autoriza você a divulgar o imóvel e a intermediar contatos.

CláusulaO que precisa constar
Identificação das partesNome/CPF ou CNPJ, endereço, contato; identificação do imóvel (endereço, matrícula/inscrição).
Escopo da autorizaçãoDivulgação em canais definidos; atendimento a interessados; agendamento de visitas.
Condições comerciaisPreço/condições autorizadas; margem de negociação (se houver); vigência da autorização.
Exclusividade (se aplicável)Se é exclusiva ou não; prazo; como rescindir; como tratar leads gerados durante a vigência.
ResponsabilidadesQuem fornece informações; compromisso de veracidade; atualização de mudanças (preço, disponibilidade).

2) Termo de autorização de imagem e divulgação de mídia

Finalidade: evitar conflito por fotos/vídeos, especialmente em imóveis ocupados.

  • O que pode ser captado: ambientes internos/externos, fachada, áreas comuns.
  • O que não pode: itens pessoais, documentos, fotos de família, placas com nomes, números de medidores, chaves em close.
  • Tratamento de dados: remover metadados sensíveis quando possível; não divulgar número do apartamento/casa se isso aumentar risco (defina regra com o proprietário).
  • Prazo de uso: enquanto o imóvel estiver disponível + prazo curto para retirada após encerramento.

3) Regras de visitação (protocolo de acesso)

Finalidade: padronizar visitas e reduzir atritos.

  • Agendamento: antecedência mínima (ex.: 2–24h), confirmação no dia.
  • Horários permitidos: dias úteis/finais de semana; restrições do condomínio.
  • Limite de pessoas: por visita; necessidade de identificação na portaria.
  • Imóvel ocupado: regras de convivência (não abrir armários pessoais, não fotografar sem autorização).
  • Registro: nome do visitante, horário de entrada/saída, corretor responsável.

4) Termo de chaves e responsabilidade

Finalidade: definir guarda, retirada e devolução de chaves e responsabilidade por perdas/danos.

  • Descrição do conjunto: quantidade de chaves, tags, controles, cartões de acesso.
  • Local de guarda: imobiliária/cofre/portaria/proprietário; proibição de cópias sem autorização.
  • Retirada e devolução: registro com data/hora, quem retirou, para qual visita.
  • Perda/dano: procedimento (comunicação imediata) e responsabilidade conforme acordado.
  • Chaves com terceiros: se permitido, em quais condições (ex.: zelador/porteiro) e como registrar.

Boas práticas de proteção de dados (LGPD na rotina de captação)

Na captação, você lida com dados pessoais (documentos, contatos, endereço, estado civil) e dados sensíveis do patrimônio (rotina de ocupação, fotos internas). A regra prática é: coletar o mínimo necessário, usar apenas para a finalidade combinada e proteger o acesso.

Checklist de proteção de dados (aplicável já hoje)

  • Minimização: peça documentos por etapa. Ex.: para anunciar, muitas vezes basta comprovar legitimidade e autorização; documentos mais completos entram na fase de proposta.
  • Finalidade e transparência: informe por que está coletando e por quanto tempo manterá.
  • Controle de acesso: pastas com permissão por função (não “todo mundo vê tudo”).
  • Envio seguro: evite documentos em grupos; prefira link com acesso restrito ou canal dedicado.
  • Armazenamento: arquivos criptografados quando possível; backup; antivírus; bloqueio de tela e senha forte.
  • Retenção e descarte: ao encerrar a captação, defina prazo para apagar/anonimizar o que não é mais necessário.
  • Imagens: revise fotos antes de publicar (remover itens pessoais, placas, correspondências, chaves).

Fluxo de validação: conferência inicial, pendências e prazos

Um fluxo simples evita que o imóvel “entre no funil” com risco ou com anúncio frágil. Abaixo está um modelo em 4 etapas, com critérios objetivos.

Etapa 1 — Conferência inicial (no recebimento)

  • Identidade e legitimidade: quem está autorizando é o proprietário/representante? Há procuração?
  • Coerência do imóvel: endereço do IPTU bate com o informado? Condomínio e unidade estão corretos?
  • Autorização assinada: sem termo de divulgação, não publicar anúncio.

Etapa 2 — Classificação do status documental

StatusCritérioAção
Apto para divulgarAutorização assinada + identificação do autorizante + dados mínimos do imóvelProduzir anúncio e iniciar visitas conforme regras
Divulgação condicionadaFalta item relevante (ex.: regra de chaves/visitas, confirmação de condomínio, restrição de imagens)Publicar com limitações e prazo para regularizar; registrar restrições
Não divulgarDúvida de titularidade/representação, conflito entre partes, ausência de autorizaçãoSuspender captação até validação

Etapa 3 — Gestão de pendências (com prazos e responsável)

Crie uma lista objetiva de pendências com: o que falta, por que importa, quem vai providenciar e prazo. Exemplo:

  • Pendência: matrícula atualizada. Motivo: confirmar titularidade e ônus. Responsável: proprietário. Prazo: até DD/MM.
  • Pendência: declaração de quitação de condomínio. Motivo: reduzir risco de objeção na proposta. Responsável: proprietário/síndico. Prazo: até DD/MM.

Etapa 4 — Revalidação antes de proposta/contrato

  • Reconfirmar condições: preço, itens inclusos, disponibilidade de visitas e entrega.
  • Atualizar documentos críticos: se algum documento “vence” (ex.: certidões), alinhar nova emissão na fase correta.
  • Checar consistência do anúncio: metragem, vagas, taxas e regras — tudo deve bater com o que será contratado.

Passo a passo prático: do “ok para captar” ao “ok para negociar”

  1. Solicite autorização de divulgação + autorização de imagens (assinadas) e registre regras de visita e chaves.
  2. Receba identificação do autorizante e valide se é proprietário/representante (procuração quando necessário).
  3. Peça documentos-base do imóvel (IPTU, matrícula quando aplicável, condomínio) e confira coerência de endereço/inscrição.
  4. Classifique o status (apto, condicionado, não divulgar) e registre no controle do imóvel.
  5. Abra pendências com prazo e acompanhe semanalmente (mensagem curta com lista e data).
  6. Antes de aceitar proposta, revalide dados e atualize documentos que impactam fechamento.

Mini-roteiro de conversa para pedir documentos e autorizações

Você: “Para eu divulgar e agendar visitas com segurança, preciso de duas autorizações: uma para divulgação e outra para uso de imagens. Também combinamos regras de visita e como vou controlar as chaves.”

Proprietário: “Mas precisa mesmo?”

Você: “Sim, porque isso evita anúncio indevido e garante que só vou publicar o que o senhor(a) aprovou. E quando aparecer alguém pronto para fechar, a documentação já estará encaminhada, sem atrasos.”

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao captar um imóvel, qual combinação mínima de itens define que ele está “apto para divulgar” com segurança, segundo o fluxo de validação?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O status “apto para divulgar” exige o básico para legitimidade e previsibilidade: termo de divulgação assinado, identificação do autorizante e informações mínimas do imóvel. Documentos mais completos podem entrar por etapas conforme o caso.

Próximo capitúlo

Cadastro, mídia e apresentação do imóvel captado com padrão profissional

Arrow Right Icon
Capa do Ebook gratuito Como Captar Imóveis do Zero: Estratégias Éticas e Consistentes
71%

Como Captar Imóveis do Zero: Estratégias Éticas e Consistentes

Novo curso

17 páginas

Baixe o app para ganhar Certificação grátis e ouvir os cursos em background, mesmo com a tela desligada.