O que é renda variável (e por que não há garantia de retorno)
Renda variável é a classe de investimentos em que a rentabilidade futura não é conhecida no momento da aplicação. Diferente de um título com taxa definida, o preço do ativo pode subir ou cair ao longo do tempo, e o investidor pode ter ganhos ou perdas.
Não há garantia de retorno porque o resultado depende de fatores que mudam continuamente, como: expectativas do mercado, desempenho da empresa, cenário econômico, taxas de juros, câmbio, notícias e comportamento de compra e venda dos participantes. Assim, o investidor assume risco de mercado: o preço pode se mover contra a sua posição.
Ações: o que são e como o investidor ganha dinheiro
Ação é uma fração do capital de uma empresa. Ao comprar ações, o investidor passa a ser sócio (acionista) e participa dos resultados de duas formas principais:
- Valorização (ganho de capital): comprar por um preço e vender depois por um preço maior. Se vender por um preço menor, há prejuízo.
- Proventos: distribuição de parte do resultado ao acionista, geralmente na forma de dividendos (e, em alguns casos, juros sobre capital próprio). O recebimento de proventos não elimina o risco: o preço da ação pode cair, e a empresa pode reduzir ou suspender pagamentos.
Exemplo simples de retorno total
Você compra uma ação por R$ 20. Depois de um ano, ela está em R$ 22 e você recebeu R$ 0,80 em dividendos no período. Seu retorno aproximado (ignorando custos e impostos) seria: valorização de R$ 2 (10%) + dividendos de R$ 0,80 (4%) = cerca de 14% no ano. Se a ação caísse para R$ 18, mesmo com dividendos, o resultado poderia ser negativo.
Oferta e demanda: por que o preço da ação muda
O preço de uma ação na bolsa é formado pelo encontro entre oferta (vendedores) e demanda (compradores). Em termos práticos:
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- Se há mais gente querendo comprar do que vender, o preço tende a subir.
- Se há mais gente querendo vender do que comprar, o preço tende a cair.
Essa dinâmica é influenciada por expectativas. Mesmo uma empresa “boa” pode ter queda de preço se o mercado passar a esperar resultados piores, e uma empresa pode subir se as expectativas melhorarem.
Como funciona a negociação em bolsa (visão simplificada)
Na bolsa, as negociações acontecem em um ambiente eletrônico, com regras padronizadas. O investidor envia uma ordem de compra ou venda, e a execução ocorre quando há contraparte (alguém do outro lado aceitando o preço).
Termos recorrentes que você precisa reconhecer
- Ticker: código de negociação do ativo (ex.: PETR4, VALE3). É como a “placa” da ação.
- Lote: quantidade padrão de ações negociadas no mercado “lote”. No Brasil, com frequência o lote padrão é 100 ações, mas isso pode variar por ativo. Existe também o fracionário, para negociar quantidades menores.
- Ordem: instrução enviada ao mercado (comprar/vender, quantidade e condições de preço).
- Liquidez: facilidade de comprar ou vender sem grande impacto no preço. Ações muito líquidas costumam ter mais negócios e menor dificuldade para executar ordens.
- Dividend yield: indicador que relaciona dividendos pagos e preço da ação. Em termos simples, mostra quanto a ação pagou de dividendos em relação ao seu preço em um período.
Tipos de ordem (básico)
- Ordem a mercado: executa pelo melhor preço disponível no momento. Pode ser rápida, mas o preço final pode variar em momentos de baixa liquidez ou alta volatilidade.
- Ordem limitada: você define o preço máximo para comprar ou o preço mínimo para vender. Só executa se o mercado atingir aquele preço.
Passo a passo prático: simulando uma compra e venda (sem entrar em plataforma)
1) Defina o objetivo e o horizonte
Exemplo: investir para um objetivo em 5 anos. Em renda variável, horizontes mais longos tendem a ajudar a atravessar oscilações, mas não eliminam risco.
2) Escolha o ativo pelo ticker e verifique liquidez
Você identifica o ticker e observa se há volume de negociação. Maior liquidez geralmente significa maior facilidade para entrar e sair.
3) Decida a quantidade: lote ou fracionário
Se o lote padrão for 100 ações e você quiser menos, pode usar o fracionário. Exemplo: comprar 20 ações em vez de 100.
4) Escolha o tipo de ordem
- Se você quer controlar o preço, use ordem limitada.
- Se a prioridade é executar rapidamente, use ordem a mercado (com atenção à volatilidade e liquidez).
5) Entenda o que pode acontecer após enviar a ordem
- Execução total: a ordem é atendida integralmente.
- Execução parcial: apenas parte da quantidade encontra contraparte.
- Não execução: o preço não foi atingido (no caso de ordem limitada) ou não houve liquidez suficiente.
6) Acompanhe o investimento com foco em risco e prazo
O preço pode oscilar diariamente. O investidor deve avaliar se a oscilação faz parte do risco esperado para o horizonte definido, evitando decisões impulsivas baseadas apenas em movimentos de curto prazo.
Volatilidade: o “vai e vem” dos preços
Volatilidade é a intensidade e frequência das oscilações de preço. Em renda variável, é normal ver variações diárias, semanais e mensais. Volatilidade não é sinônimo de prejuízo, mas aumenta a incerteza no curto prazo.
Como a volatilidade se conecta ao horizonte de investimento
- Curto prazo: maior chance de precisar vender em um momento ruim (preço baixo) por necessidade de dinheiro.
- Médio/longo prazo: mais tempo para atravessar ciclos de alta e baixa, embora ainda exista risco de perdas.
Por isso, renda variável costuma ser mais adequada para objetivos em que o investidor tolera oscilações e não depende do resgate imediato.
Dividendos e dividend yield (noções básicas)
Dividendos são parte do lucro distribuída aos acionistas. O pagamento depende de resultados, política de distribuição e decisões da empresa. Não é garantido.
Dividend yield é uma forma de comparar dividendos pagos em relação ao preço da ação. Uma forma comum de visualizar é:
Dividend yield (%) ≈ (Dividendos por ação no período / Preço da ação) × 100Exemplo: se uma ação custa R$ 25 e pagou R$ 1,00 de dividendos em 12 meses, o dividend yield aproximado é 4% no período.
Atenção: dividend yield alto não significa automaticamente “melhor”. O preço pode ter caído (aumentando o yield) por piora no cenário, e dividendos podem variar no futuro.
Riscos típicos em ações (exemplos práticos)
- Risco de mercado: a ação cai por mudança de expectativas (ex.: aumento de juros, aversão a risco, crise).
- Risco do negócio: queda de lucro, aumento de custos, perda de competitividade, problemas de gestão.
- Risco de liquidez: dificuldade de vender rapidamente sem conceder desconto no preço, mais comum em ações pouco negociadas.
- Risco de concentração: investir em poucas ações ou em um único setor aumenta o impacto de eventos negativos específicos.
- Risco de volatilidade no curto prazo: necessidade de resgatar em momento desfavorável pode transformar oscilação temporária em perda realizada.
Mini-glossário aplicado (para fixação)
| Termo | O que significa na prática |
|---|---|
| Ticker | Código da ação usado para negociar (identifica o ativo). |
| Lote | Quantidade padrão de negociação; fracionário permite comprar menos. |
| Ordem | Instrução de compra/venda com quantidade e condições de preço. |
| Liquidez | Facilidade de negociar sem grande impacto no preço. |
| Dividend yield | Relação entre dividendos pagos e preço da ação em um período. |