O que são derivativos (visão conceitual)
Derivativos são contratos cujo valor deriva (depende) do preço de um ativo de referência, chamado ativo-objeto (ex.: dólar, ações, índice, taxa de juros, commodities). Em vez de comprar o ativo diretamente, as partes negociam um contrato que define como será o ganho ou perda conforme o preço do ativo-objeto varia.
Na prática, derivativos são usados principalmente para:
- Proteção (hedge): reduzir ou travar um risco de preço, taxa ou câmbio.
- Especulação: assumir risco para tentar lucrar com a variação do preço.
Ponto central para prova: derivativo não é “sempre arriscado”. Ele pode reduzir risco quando usado como hedge. O risco aumenta quando há exposição maior que a necessidade (ex.: alavancagem e posições “apostadas”).
Termos-chave (definições curtas)
- Ativo-objeto: referência do contrato (dólar, taxa DI, ação, índice).
- Posição comprada (long): tende a ganhar se o preço do ativo-objeto subir.
- Posição vendida (short): tende a ganhar se o preço cair.
- Hedge: operação para compensar um risco existente.
- Especulação: operação para buscar ganho assumindo risco.
- Alavancagem: controlar uma exposição grande com um desembolso inicial relativamente pequeno (potencializa ganhos e perdas).
Risco e alavancagem: como interpretar
Derivativos podem envolver margem (um depósito/garantia) e ajustes (ganhos/perdas reconhecidos ao longo do tempo). Isso faz com que o investidor possa ter:
- Perdas rápidas em movimentos adversos.
- Chamadas de margem (necessidade de aportar mais garantia).
- Perdas superiores ao valor inicialmente depositado em alguns tipos de operação (especialmente em posições vendidas em opções e em contratos futuros, dependendo da estrutura e da gestão de garantias).
Alerta comum em prova: “margem” não é custo nem “entrada” do contrato; é garantia para cobrir oscilações e risco de inadimplência.
- Ouça o áudio com a tela desligada
- Ganhe Certificado após a conclusão
- + de 5000 cursos para você explorar!
Baixar o aplicativo
Principais tipos de derivativos
1) Contrato a termo (forward/termo)
Conceito: acordo entre duas partes para comprar/vender um ativo em uma data futura por um preço previamente combinado. Em geral, é negociado de forma mais personalizada (OTC/balcão), com condições definidas entre as partes.
Para que serve: travar preço futuro (hedge) ou apostar na direção do preço (especulação).
Riscos típicos:
- Risco de mercado: o preço pode ir contra a posição.
- Risco de crédito/contraparte: uma das partes pode não honrar o contrato (mais relevante em balcão).
- Liquidez: pode ser difícil “sair” antes do vencimento, dependendo do contrato.
Passo a passo prático (exemplo de hedge com termo)
- 1. Identifique o risco: uma empresa sabe que precisará comprar US$ 100.000 em 60 dias para pagar um fornecedor.
- 2. Defina o objetivo: evitar que o dólar suba e encareça o pagamento.
- 3. Trave a taxa: firma um contrato a termo para comprar US$ 100.000 em 60 dias a uma taxa combinada hoje.
- 4. Resultado: se o dólar subir, o termo compensa (protege). Se o dólar cair, a empresa abre mão do benefício da queda, mas ganhou previsibilidade.
Armadilha de prova: hedge não “gera lucro garantido”; ele troca incerteza por previsibilidade.
2) Contratos futuros
Conceito: semelhante ao termo (preço futuro), mas com padronização (quantidade, vencimentos) e negociação em ambiente organizado, com mecanismos de garantias e ajustes periódicos (marcação a mercado).
Para que serve: hedge e especulação com maior liquidez e transparência de preços.
Riscos típicos:
- Risco de mercado elevado por oscilações diárias (ajustes).
- Risco de liquidez geralmente menor que no termo, mas pode variar por contrato.
- Risco operacional: gestão de margem, limites e controles.
Passo a passo prático (entendendo a alavancagem no futuro)
- 1. Exposição: o investidor assume uma posição cujo valor nocional é grande.
- 2. Margem: deposita uma garantia menor que o nocional.
- 3. Ajustes: se o preço andar contra, há perda diária e pode haver chamada de margem.
- 4. Consequência: pequenas variações do ativo-objeto podem gerar grandes variações percentuais sobre a margem depositada.
Alerta comum em prova: “futuro” não significa “compra para receber o ativo”. Muitas posições são encerradas antes do vencimento e o foco é o resultado financeiro da variação do preço.
3) Opções (calls e puts)
Conceito: opção é um contrato que dá ao comprador um direito, mas não uma obrigação, de comprar ou vender um ativo por um preço predeterminado (preço de exercício/strike) até uma data ou em uma data. Para ter esse direito, o comprador paga um prêmio.
- Call: direito de comprar o ativo-objeto.
- Put: direito de vender o ativo-objeto.
Assimetria de risco (muito cobrada):
- Comprador da opção: perda máxima geralmente limitada ao prêmio pago.
- Vendedor (lançador) da opção: pode ter perdas grandes (em alguns casos, muito elevadas), pois assume a obrigação se o comprador exercer.
Passo a passo prático (hedge com opção)
- 1. Identifique o risco: investidor tem ações e teme queda no curto prazo.
- 2. Escolha o instrumento: compra uma put (direito de vender) com strike próximo ao preço atual.
- 3. Paga o prêmio: esse é o “custo do seguro”.
- 4. Cenários: se a ação cair muito, a put tende a valorizar e ajuda a compensar a perda; se a ação subir, a put pode virar pó e a perda fica limitada ao prêmio.
Armadilha de prova: o prêmio não é devolvido; é o preço do direito. Opção é frequentemente comparada a um seguro (paga-se para reduzir um risco específico).
4) Swaps
Conceito: swap é um contrato de troca de fluxos financeiros entre duas partes, com base em indexadores diferentes. Não é “troca do principal” necessariamente; o mais comum é trocar a forma de remuneração.
Exemplos conceituais:
- Troca de taxa: uma parte paga taxa fixa e recebe taxa flutuante (ou vice-versa).
- Troca com câmbio: uma parte fica exposta à variação do dólar e a outra assume essa variação, em troca de outro indexador.
Para que serve: ajustar o perfil de risco (ex.: reduzir incerteza de juros) ou assumir exposição (especulação).
Riscos típicos:
- Risco de mercado: variação do indexador pode gerar perdas.
- Risco de crédito/contraparte: relevante em contratos de balcão.
- Risco de base: o indexador do swap pode não compensar perfeitamente o risco original (proteção imperfeita).
Alerta comum em prova: swap não é “investimento com rentabilidade”; é um contrato de troca de indexadores para gestão de risco/exposição.
Tabela-resumo: derivativos e pontos de atenção
| Instrumento | Ideia central | Uso típico | Risco/alerta clássico |
|---|---|---|---|
| Termo | Preço futuro combinado entre partes | Travar preço | Risco de contraparte e liquidez |
| Futuro | Preço futuro padronizado com ajustes | Hedge e especulação | Margem e ajustes podem acelerar perdas |
| Opções | Direito (comprador) vs obrigação (vendedor) | Proteção com custo (prêmio) | Comprador perde no máximo o prêmio; vendedor pode perder muito |
| Swap | Troca de fluxos/indexadores | Trocar risco de taxa/câmbio | Risco de base e contraparte |
Noções essenciais de câmbio
Moeda e taxa de câmbio
Moeda é o meio de pagamento de um país (ex.: real, dólar, euro). Taxa de câmbio é o preço de uma moeda em relação a outra (ex.: quantos reais por 1 dólar).
Quando se diz que o dólar subiu, normalmente significa que é preciso mais reais para comprar 1 dólar. Quando o dólar caiu, é preciso menos reais.
Como o câmbio influencia preços e investimentos
- Produtos importados: tendem a ficar mais caros quando o dólar sobe (efeito direto no custo).
- Empresas exportadoras: podem se beneficiar quando a moeda estrangeira sobe, pois receitas em dólar valem mais em reais (depende de custos e hedge).
- Investimentos com exposição internacional: o retorno em reais depende de dois fatores: variação do ativo lá fora e variação do câmbio.
Armadilha de prova: retorno de investimento no exterior não é só a rentabilidade do ativo. Mesmo que o ativo suba em dólar, o investidor pode ter retorno menor (ou até negativo) em reais se o dólar cair no período.
Risco cambial: quando o cliente está exposto
Risco cambial é a possibilidade de ganho ou perda devido à variação da taxa de câmbio. Situações comuns de exposição:
- Viagem internacional: gastos em moeda estrangeira (cartão, espécie) ficam mais caros se o câmbio subir.
- Compras em sites do exterior: preço final em reais varia com o câmbio e pode incluir impostos/encargos.
- Investimentos no exterior: ações, ETFs, fundos internacionais ou BDRs (dependendo da estrutura) podem ter impacto do câmbio.
- Empresas: importadoras (custo em moeda estrangeira) e exportadoras (receita em moeda estrangeira).
- Dívidas indexadas ao câmbio: parcelas podem aumentar se a moeda estrangeira valorizar.
Passo a passo prático: identificando risco cambial no atendimento
- 1. Pergunte “em que moeda”: a receita, o custo ou o investimento está em real ou em moeda estrangeira?
- 2. Mapeie a sensibilidade: se o dólar subir 10%, o que acontece com o gasto, a dívida ou o patrimônio?
- 3. Verifique se há hedge natural: por exemplo, empresa que recebe em dólar e paga em dólar pode ter parte do risco compensado.
- 4. Avalie a necessidade de proteção: o objetivo é previsibilidade (hedge) ou o cliente aceita oscilações?
- 5. Reforce limites e entendimento: proteção reduz incerteza, mas pode ter custo e não elimina todos os riscos (ex.: risco de base).
Alertas de interpretação comuns em prova (checklist)
- Derivativo não é sinônimo de especulação: pode ser instrumento de hedge.
- Alavancagem: pequena variação do ativo-objeto pode gerar grande variação sobre o capital em garantia.
- Margem: é garantia, não rentabilidade e não “taxa” do produto.
- Opções: comprador tem direito e risco limitado ao prêmio; vendedor assume obrigação e pode ter risco elevado.
- Swap: troca de indexadores/fluxos, não “aplicação” com retorno garantido.
- Risco cambial: retorno em reais de ativos no exterior depende também do câmbio; dólar em queda pode reduzir retorno mesmo com ativo subindo em moeda estrangeira.