CPA-10: Renda Fixa — Conceitos, Rentabilidade e Principais Títulos

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

O que caracteriza a Renda Fixa

Renda fixa é o conjunto de investimentos em que as regras de remuneração são definidas no momento da aplicação (ou são determináveis por um índice de referência). Na prática, você empresta dinheiro a um emissor e recebe de volta o principal acrescido de juros, conforme condições do título: taxa, indexador, prazo, forma de pagamento e regras de resgate.

Apesar do nome, “fixa” não significa que o valor do investimento não muda no caminho. Em muitos títulos, o preço pode variar antes do vencimento por causa da marcação a mercado (explicada mais adiante). O que é “fixo” é a regra de remuneração.

Quem emite títulos de renda fixa

  • Governo: emite títulos públicos para financiar suas atividades (ex.: Tesouro Direto).
  • Bancos: captam recursos via títulos bancários (ex.: CDB, LCI, LCA).
  • Empresas: captam recursos no mercado via títulos corporativos (ex.: debêntures).

Formas de remuneração: prefixada, pós-fixada e híbrida (inflação)

1) Prefixada

A taxa é conhecida no momento da aplicação. Exemplo: 12% ao ano. Se você levar até o vencimento, a rentabilidade contratada é aquela (desconsiderando impostos e custos, quando houver).

Quando costuma fazer sentido: quando você acredita que as taxas de juros vão cair no futuro e quer “travar” uma taxa alta hoje, ou quando precisa de previsibilidade para um objetivo com data.

2) Pós-fixada

A remuneração acompanha um indexador, geralmente a taxa DI/CDI (muito comum em produtos bancários) ou a Selic (no caso de alguns títulos públicos). Exemplo: 100% do CDI ou CDI + 0,20% a.a..

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Como interpretar: se o CDI subir, sua rentabilidade tende a subir; se cair, tende a cair. É comum em investimentos com foco em liquidez e menor oscilação de preço quando comparados a prefixados longos.

3) Híbrida (inflação)

Combina um índice de inflação (geralmente IPCA) com uma taxa fixa adicional. Exemplo: IPCA + 6% a.a.. A ideia é proteger o poder de compra, pois parte do retorno acompanha a inflação.

Quando costuma fazer sentido: objetivos de médio e longo prazo (ex.: aposentadoria, faculdade), em que a inflação é um risco relevante.

Marcação a mercado (introdução): por que o preço varia quando os juros mudam

Marcação a mercado é a atualização do preço de um título pelo valor que ele teria se fosse negociado “hoje” no mercado, considerando as taxas de juros vigentes. Mesmo que você não venda, a corretora/banco pode mostrar oscilações no valor do seu investimento.

Intuição do porquê isso acontece

Imagine um título prefixado que paga 10% a.a.. Se, depois que você comprou, o mercado passar a exigir 12% a.a. para títulos semelhantes (mesmo prazo e risco), o seu título de 10% fica menos atrativo. Para alguém querer comprá-lo, o preço precisa cair, de forma que a rentabilidade implícita se aproxime de 12%.

O inverso também ocorre: se as taxas de mercado caem, um título antigo com taxa maior fica mais valioso, e o preço tende a subir.

Como isso afeta o investidor

  • Se você leva até o vencimento: em geral, o efeito da marcação a mercado não altera a regra de remuneração contratada (você tende a receber conforme a taxa/indexador do título, respeitando as condições e riscos do emissor).
  • Se você vende antes do vencimento: o preço do dia importa. Você pode ter ganho (se o preço subiu) ou perda (se o preço caiu), mesmo em renda fixa.
  • Quanto maior o prazo e quanto mais “travada” a taxa (prefixada ou inflação longa), maior tende a ser a sensibilidade do preço às mudanças de juros.

Exemplo prático (sem matemática pesada)

  • Você compra um título prefixado para 3 anos a 11% a.a..
  • Depois de alguns meses, as taxas para 3 anos sobem para 13% a.a..
  • Seu título antigo (11%) tende a aparecer com valor menor na marcação a mercado.
  • Se você precisar vender nesse momento, pode realizar prejuízo. Se puder manter até o vencimento, a oscilação tende a se “dissipar” ao longo do tempo, convergindo para o valor de resgate.

Principais títulos no contexto CPA-10

Tesouro Direto (títulos públicos)

São títulos emitidos pelo governo federal. Em geral, são referência de menor risco de crédito no mercado local, pois o emissor é o Tesouro Nacional (ainda assim, há risco de mercado se vender antes do vencimento).

  • Tipos comuns (por remuneração): prefixados, pós-fixados (ligados à Selic) e híbridos (inflação + taxa).
  • Liquidez: normalmente alta, com possibilidade de venda antes do vencimento (sujeita a preço de mercado).
  • Uso típico: reserva com menor oscilação tende a ser associada a pós-fixados; objetivos com data podem usar prefixados; proteção de longo prazo pode usar inflação + taxa.

CDB (Certificado de Depósito Bancário)

Título emitido por bancos para captação. O investidor empresta ao banco e recebe juros. É comum encontrar CDB pós-fixado (percentual do CDI), mas existem prefixados e híbridos.

  • Risco de crédito: depende do banco emissor (em geral, bancos menores pagam mais para captar).
  • Liquidez: varia muito. Pode ter liquidez diária ou vencimento com carência.
  • Tributação: geralmente incide Imposto de Renda sobre os rendimentos, seguindo tabela regressiva conforme prazo.
  • Uso típico: objetivos de curto a médio prazo, especialmente quando há opção de liquidez diária e boa taxa.

LCI e LCA

LCI (crédito imobiliário) e LCA (crédito do agronegócio) são títulos bancários lastreados nesses segmentos. Para a pessoa física, um ponto central é que costumam ser isentos de Imposto de Renda sobre os rendimentos (regras podem variar conforme legislação vigente e condições do produto).

  • Risco de crédito: do banco emissor (como no CDB).
  • Liquidez: frequentemente possuem carência (período mínimo sem resgate). Após a carência, pode haver liquidez no vencimento ou em janelas definidas.
  • Remuneração: comum em pós-fixado (ex.: % do CDI) e também prefixado.
  • Uso típico: objetivos em que você pode deixar o dinheiro parado até a carência/vencimento e quer eficiência tributária.

Debêntures (nível conceitual)

São títulos de dívida emitidos por empresas (não financeiras, em geral) para financiar projetos e operações. Podem ser prefixadas, pós-fixadas ou híbridas.

  • Risco de crédito: da empresa emissora (tende a ser maior que o de títulos públicos e pode variar bastante).
  • Liquidez: pode ser menor do que títulos públicos e bancários, dependendo da emissão e do mercado secundário.
  • Tributação: em geral há IR; algumas debêntures incentivadas (ligadas a infraestrutura, conforme regras) podem ter isenção para pessoa física.
  • Uso típico: busca de retorno maior aceitando mais risco de crédito e, muitas vezes, menor liquidez.

Comparações objetivas: liquidez, risco de crédito, tributação e adequação por objetivo

ProdutoLiquidez (típica)Risco de créditoTributação (pessoa física)Adequação por objetivo
Tesouro DiretoGeralmente alta (venda antes do vencimento possível, com preço de mercado)Governo federal (referência de menor risco)Em geral, IR sobre rendimentosReserva (pós-fixado), objetivos com data (prefixado), longo prazo com proteção (inflação)
CDBVaria: pode ser diária ou no vencimento/carênciaBanco emissorEm geral, IR sobre rendimentosCurto/médio prazo; liquidez diária para caixa; travar taxa para objetivos com prazo
LCI/LCAFrequentemente com carência; depois pode variarBanco emissorGeralmente isento de IRQuando pode respeitar carência e busca eficiência tributária
DebênturesEm geral menor e depende do mercado secundárioEmpresa emissoraEm geral, IR; incentivadas podem ser isentasRetorno potencial maior aceitando risco de crédito e menor liquidez

Passo a passo prático: como escolher um título de renda fixa (roteiro de prova e de atendimento)

Passo 1 — Defina o objetivo e o prazo

  • Reserva/curto prazo: priorize liquidez e menor oscilação de preço.
  • Objetivo com data definida: alinhe o vencimento do título à data do objetivo.
  • Longo prazo: considere proteção contra inflação e tolerância a oscilações no caminho.

Passo 2 — Escolha a forma de remuneração adequada

  • Pós-fixado: tende a ser mais estável no curto prazo e acompanha juros.
  • Prefixado: dá previsibilidade, mas pode oscilar mais se juros mudarem.
  • Inflação + taxa: foca em preservar poder de compra no longo prazo.

Passo 3 — Verifique liquidez e regras de resgate

  • carência?
  • O resgate é apenas no vencimento ou existe mercado/venda antecipada?
  • Se houver venda antecipada, o preço é por marcação a mercado?

Passo 4 — Avalie risco de crédito do emissor

  • Títulos públicos: foco maior em risco de mercado (se vender antes) do que em risco de crédito.
  • Títulos bancários: risco ligado ao banco emissor; compare instituições e condições.
  • Títulos corporativos: analise a empresa, garantias e classificação de risco quando disponível.

Passo 5 — Considere a tributação na rentabilidade líquida

  • Compare produtos com e sem IR (ex.: CDB vs LCI/LCA) usando a rentabilidade líquida.
  • Em produtos com IR, o prazo pode melhorar a alíquota efetiva (tabela regressiva).

Passo 6 — Faça uma checagem final de adequação (perfil x produto)

  • Se o cliente pode precisar do dinheiro antes, evite produtos com carência longa ou com grande sensibilidade à marcação a mercado.
  • Se o objetivo é preservar poder de compra, priorize títulos atrelados à inflação.
  • Se a prioridade é previsibilidade de valor em data certa, alinhe vencimento e prefira estrutura que reduza surpresas no resgate.

Mini-casos para fixação

Caso 1: dinheiro para uma emergência

Necessidade: acesso rápido e baixo risco de oscilação. Direção típica: pós-fixado com alta liquidez (ex.: título público pós-fixado ou CDB com liquidez diária), observando custos e regras de resgate.

Caso 2: pagamento de uma viagem em 18 meses

Necessidade: data definida. Direção típica: título com vencimento próximo da data (prefixado ou pós-fixado, conforme cenário e preferência por previsibilidade), evitando depender de venda antecipada.

Caso 3: objetivo de longo prazo e preocupação com inflação

Necessidade: preservar poder de compra. Direção típica: títulos híbridos (inflação + taxa) com prazo compatível, aceitando oscilações de marcação a mercado no caminho se houver intenção de manter até o vencimento.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao avaliar um investimento de renda fixa, o que significa dizer que a remuneração é “fixa”?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Em renda fixa, o “fixo” é a regra de remuneração (taxa e/ou indexador) definida na aplicação. Mesmo assim, o preço do título pode oscilar antes do vencimento por marcação a mercado.

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