O que é um catálogo B2B orientado à compra recorrente
Um catálogo B2B online orientado à compra recorrente é um conjunto de produtos estruturado para que o cliente empresarial consiga recomprar com rapidez e pouca fricção, com informações suficientes para tomar decisão sem depender de trocas de e-mail para tirar dúvidas técnicas, confirmar embalagem, disponibilidade, prazo e regras de venda. Diferente de um catálogo “vitrine”, o foco aqui é reduzir retrabalho de cotação e erros de pedido, padronizando dados e governança.
Na prática, isso significa: categorias e filtros que refletem como o cliente compra, unidades e embalagens claras, MOQ (quantidade mínima), lead time, disponibilidade, dados fiscais quando necessários (ex.: NCM), ficha técnica, aplicações e substitutos. Tudo com descrições, imagens e atributos consistentes.
Estrutura do catálogo: como organizar para recompra
1) Taxonomia (categorias e subcategorias) baseada em uso e reposição
Crie categorias que correspondam ao “mapa mental” do comprador e ao consumo recorrente. Evite categorias internas (ex.: nomes de departamentos) e prefira agrupamentos por aplicação, família e especificação.
- Por família: “Parafusos”, “Porcas”, “Arruelas”, “Fixadores químicos”.
- Por aplicação: “Manutenção industrial”, “Linha de produção”, “Instalação elétrica”.
- Por especificação (quando faz sentido): “Aço inox”, “Zincado”, “Classe 8.8”.
Dica prática: limite a profundidade a 2–3 níveis para não esconder produtos. Use páginas de categoria com filtros fortes (facetas) para refinar.
2) Filtros (facetas) que eliminam dúvidas antes do pedido
Defina filtros que respondem às perguntas típicas do comprador: “serve?”, “qual medida?”, “qual material?”, “qual embalagem?”, “tem em estoque?”, “qual prazo?”.
- Ouça o áudio com a tela desligada
- Ganhe Certificado após a conclusão
- + de 5000 cursos para você explorar!
Baixar o aplicativo
Exemplos de filtros por tipo de produto:
- Consumíveis: volume/concentração, compatibilidade, validade, certificações, embalagem.
- Componentes: dimensões, material, norma, acabamento, tolerância, tensão/potência.
- EPIs: tamanho, CA (quando aplicável), material, nível de proteção.
Regra de ouro: só crie filtro se ele for preenchido de forma consistente em pelo menos 80–90% dos itens daquela categoria. Caso contrário, vira ruído e aumenta suporte.
3) Unidades de venda, embalagens e conversões (para evitar erro de quantidade)
Em B2B, o mesmo item pode ser comprado por unidade, caixa, fardo, metro, kg, litro, bobina. O catálogo precisa deixar explícito:
- Unidade de venda (o que o cliente adiciona ao carrinho): ex.: “Caixa”.
- Conteúdo da embalagem: ex.: “Caixa com 200 un”.
- Unidade de consumo (opcional): ex.: “unidade”, “metro”, “kg”.
- Conversão: ex.: 1 caixa = 200 unidades.
Quando houver múltiplas formas de compra, trate como SKUs distintos (ex.: “Cabo 2,5mm – rolo 100m” e “Cabo 2,5mm – metro”) para evitar ambiguidade de preço e MOQ.
4) MOQ (quantidade mínima) e múltiplos de compra
MOQ e múltiplos devem estar no nível do item (SKU) e aparecer de forma clara no catálogo:
- MOQ: quantidade mínima por pedido (ex.: mínimo 5 caixas).
- Múltiplo: incrementos permitidos (ex.: vender apenas em múltiplos de 10 unidades).
Boas práticas:
- Se o MOQ for por embalagem, expresse no mesmo padrão da unidade de venda (ex.: “MOQ: 2 caixas”).
- Se houver MOQ diferente por cliente/canal, mantenha a regra no cadastro comercial, mas exiba no catálogo do cliente já logado para evitar surpresa.
5) Lead time e disponibilidade (promessa de entrega confiável)
Para reduzir idas e voltas, padronize como o catálogo informa prazos e disponibilidade:
- Disponibilidade: “Em estoque”, “Sob encomenda”, “Pré-venda”, “Descontinuado”.
- Lead time: prazo de expedição/produção (ex.: “Expedição em até 48h” ou “Produção: 10–15 dias úteis”).
- Data estimada (quando aplicável): “Disponível a partir de DD/MM”.
Evite promessas vagas (“rápido”, “a combinar”). Se o estoque oscila, prefira faixas (ex.: “2–5 dias úteis”) e mantenha a regra consistente.
6) NCM/tributação quando necessário (sem sobrecarregar o catálogo)
Nem todo catálogo precisa exibir NCM na vitrine, mas em muitos segmentos isso reduz atrito com compras e fiscal. Recomendações:
- Armazene NCM e, quando relevante, origem, unidade tributável e observações fiscais.
- Exiba NCM na ficha do produto ou em área “Dados fiscais”, especialmente se o cliente precisa validar antes de aprovar compra.
- Padronize o formato (ex.: NCM com 8 dígitos, sem variações).
Importante: o catálogo deve suportar o dado; a regra fiscal aplicada na venda depende do contexto (UF, regime, etc.). O objetivo aqui é reduzir dúvidas e retrabalho, não substituir a apuração.
7) Ficha técnica, aplicação e substitutos (para decisão rápida)
Em B2B, “o produto certo” é o que atende especificação e uso. Por isso, além do básico (nome, preço, embalagem), inclua:
- Ficha técnica: características mensuráveis (dimensões, material, norma, tolerância, potência, viscosidade, etc.).
- Aplicações: onde usar, limitações, compatibilidades.
- Substitutos: itens equivalentes (mesma aplicação) e itens compatíveis (acessórios/consumíveis).
Substitutos devem ser governados com critério: defina se são “equivalentes” (substituição direta) ou “alternativos” (exige validação). Isso evita devolução e disputa.
Padronização de dados: como reduzir dúvidas e retrabalho de cotação
Campos obrigatórios por tipo de produto (matriz de atributos)
Crie uma matriz simples: para cada categoria, quais atributos são obrigatórios, recomendados e opcionais. Exemplo:
| Categoria | Obrigatórios | Recomendados | Opcionais |
|---|---|---|---|
| Fixadores | Diâmetro, comprimento, material, acabamento, norma, embalagem, unidade de venda, MOQ | Classe de resistência, tipo de rosca, aplicação | Desenho técnico, substitutos |
| Químicos | Volume, concentração, compatibilidade, validade, embalagem, lead time | FISPQ, instruções de uso | Certificações |
Isso evita que cada pessoa cadastre “do seu jeito” e garante filtros úteis.
Padrão de nomes e descrições (consistência e busca)
Defina um padrão de nomenclatura para o título do produto e para a descrição curta. Um modelo comum e eficiente:
- Título: [Família] + [Especificação principal] + [Dimensão/Capacidade] + [Material/Acabamento] + [Norma/Modelo] + [Embalagem]
- Descrição curta: 1 frase com aplicação + 3–5 bullets com diferenciais e restrições
Exemplo:
Título: Parafuso sextavado M8 x 30 mm Aço inox A2 DIN 933 — Caixa c/ 200 unDescrição curta: Fixação para ambientes úmidos e corrosivos, uso industrial e manutenção. • Rosca métrica M8 • Comprimento 30 mm • Inox A2 • Norma DIN 933 • Venda: caixa com 200 unRegras de padronização:
- Use sempre a mesma unidade (mm, m, kg, L) e o mesmo formato (ex.: “M8 x 30 mm”).
- Evite adjetivos vagos (“premium”, “top”). Prefira especificação.
- Não misture informações comerciais (ex.: “frete grátis”) no texto técnico do produto.
Imagens: padrão para reduzir perguntas e devoluções
Padronize imagens para que o comprador reconheça rapidamente o item e a embalagem:
- Imagem principal: produto em fundo neutro, ângulo consistente, alta nitidez.
- Imagem secundária: embalagem/etiqueta (quando relevante), mostrando unidade de venda.
- Imagem técnica: desenho com medidas (quando aplicável).
Checklist de imagem:
- Sem marcas d’água, sem textos promocionais.
- Proporção consistente (ex.: 1:1), resolução mínima definida.
- Nome do arquivo padronizado (ex.: SKU_1.jpg, SKU_2.jpg).
Atributos e valores: dicionário para evitar variações
Crie um dicionário de atributos com:
- Nome do atributo (ex.: “Material”).
- Tipo (texto, número, lista, booleano).
- Unidade (mm, kg, V).
- Lista de valores permitidos (ex.: “Aço carbono”, “Aço inox A2”, “Aço inox A4”).
Isso evita variações que quebram filtros e busca (ex.: “Inox”, “Aço Inox”, “INOX A2”).
Passo a passo: montando o catálogo B2B na prática
Passo 1 — Defina o escopo e a unidade de gestão (SKU)
- Liste as famílias de produtos e identifique quais são recorrentes.
- Defina o que é um SKU: cada combinação de especificação + unidade de venda + embalagem deve ser um SKU único.
- Crie um padrão de código/SKU (sem caracteres ambíguos, com lógica de família).
Passo 2 — Desenhe categorias e filtros (taxonomia + facetas)
- Rascunhe 2–3 níveis de categoria.
- Para cada categoria, defina 5–12 filtros realmente decisivos.
- Valide com 5–10 pedidos reais: os filtros ajudam a encontrar o item sem suporte?
Passo 3 — Crie a matriz de atributos obrigatórios por categoria
- Monte a tabela “Obrigatórios/Recomendados/Opcionais”.
- Transforme em regra de cadastro: produto não publica sem obrigatórios.
- Defina formatos (unidades, casas decimais, padrão de texto).
Passo 4 — Padronize descrições e imagens
- Crie templates de título e descrição curta.
- Defina guia de imagens (ângulo, fundo, resolução, quantidade).
- Revise 20 SKUs e ajuste o padrão antes de escalar.
Passo 5 — Inclua regras de compra: MOQ, múltiplos, embalagem e lead time
- Preencha MOQ e múltiplos por SKU.
- Garanta que a unidade de venda e o conteúdo da embalagem estejam visíveis.
- Defina o padrão de disponibilidade e lead time (valores permitidos).
Passo 6 — Dados fiscais e compliance (quando aplicável)
- Cadastre NCM e demais campos fiscais necessários.
- Padronize formato e validações (ex.: NCM 8 dígitos).
- Crie um campo de “observações fiscais” para exceções controladas.
Passo 7 — Substitutos e compatíveis (regras claras)
- Defina tipos de relacionamento: “equivalente”, “alternativo”, “compatível/acessório”.
- Crie critérios mínimos para equivalência (ex.: mesma norma + material + dimensão).
- Evite substituto “genérico” sem justificativa técnica.
Passo 8 — Publique com controle de qualidade e monitore dúvidas
- Rode o checklist de qualidade (abaixo) antes de publicar.
- Monitore perguntas recorrentes e transforme em atributo, imagem ou FAQ do produto.
- Crie um fluxo de correção rápida (SLA) para itens com erro.
Padrão de ficha de produto B2B (modelo)
Use este padrão como base e adapte por categoria. A ideia é ter um “mínimo publicável” consistente.
Identificação
- SKU/Código:
- Nome do produto (padrão):
- Marca/Fabricante (se aplicável):
- Categoria:
- Status: Em estoque | Sob encomenda | Pré-venda | Descontinuado
Compra e logística
- Unidade de venda:
- Embalagem: (ex.: caixa com X un / rolo com Y m)
- Conversão: (ex.: 1 caixa = 200 un)
- MOQ:
- Múltiplo de compra:
- Lead time:
- Disponibilidade/estoque: (quantidade ou faixa, se aplicável)
Especificações técnicas (atributos)
- Material:
- Dimensões: (padrão de unidade)
- Norma/Modelo:
- Acabamento:
- Tolerância/Classe (se aplicável):
- Compatibilidade (se aplicável):
Aplicação e uso
- Aplicações recomendadas:
- Restrições/limitações:
- Instruções de uso (se aplicável):
- Documentos: ficha técnica, FISPQ, manual (links/arquivos)
Dados fiscais (quando aplicável)
- NCM:
- Origem (se aplicável):
- Unidade tributável (se aplicável):
Relacionamentos
- Substitutos equivalentes:
- Alternativos:
- Compatíveis/acessórios:
Mídia
- Imagem principal:
- Imagens secundárias:
- Imagem técnica (se aplicável):
Governança do catálogo: atualização sem caos
Papéis e responsabilidades (RACI simplificado)
Defina claramente quem cria, quem aprova e quem publica. Um modelo comum:
- Dono do Catálogo (responsável final): define padrões, prioriza melhorias, aprova mudanças estruturais.
- Cadastro/Operações: cria e mantém SKUs, atributos, imagens, status (ativo/descontinuado).
- Time Técnico/Engenharia/Qualidade (quando aplicável): valida ficha técnica, equivalências e substitutos.
- Fiscal/Contábil (quando aplicável): valida NCM e campos fiscais.
- Comercial: reporta lacunas, dúvidas recorrentes e necessidades de informação para conversão.
Periodicidade de revisão (cadência)
- Semanal: correções rápidas (erros de unidade, embalagem, imagem, status de descontinuação).
- Quinzenal/Mensal: revisão de itens críticos (top SKUs), ajustes de atributos e filtros.
- Trimestral: auditoria de qualidade do catálogo (com checklist), revisão de taxonomia e dicionário de atributos.
Controle de versões: preços, descrições e itens
Mesmo sem entrar em política de preços, o catálogo precisa de rastreabilidade. Mantenha:
- Versão do item: data da última alteração + responsável + motivo.
- Histórico de preço: vigência (início/fim), motivo da mudança (reajuste, custo, campanha), referência interna.
- Histórico de status: quando virou “sob encomenda” ou “descontinuado”.
Campos mínimos recomendados para auditoria:
last_updated_at, last_updated_by, change_reason, price_valid_from, price_valid_to, item_status, status_changed_atGestão de itens descontinuados (sem quebrar recompra)
Quando um item sai de linha, o catálogo deve evitar “beco sem saída”:
- Não apague o SKU: marque como Descontinuado.
- Exiba substituto equivalente (se existir) e/ou alternativas.
- Mantenha histórico para pedidos recorrentes e notas fiscais antigas.
- Defina regra de visibilidade: aparece na busca? aparece apenas via link? depende do seu processo, mas seja consistente.
Checklist de qualidade do catálogo (redução de atrito no pedido)
Checklist por SKU (antes de publicar)
- SKU/código único e sem duplicidade.
- Título no padrão definido (família + especificações + embalagem).
- Unidade de venda e conteúdo da embalagem preenchidos e coerentes.
- MOQ e múltiplo preenchidos (ou explicitamente “sem MOQ” quando aplicável).
- Lead time e status de disponibilidade preenchidos com valores padronizados.
- Atributos obrigatórios da categoria 100% preenchidos.
- Valores de atributos seguem o dicionário (sem variações de escrita).
- Descrição curta objetiva, sem termos vagos e sem informação comercial indevida.
- Aplicação e restrições preenchidas quando o uso incorreto gera devolução/risco.
- Substitutos/compatíveis revisados (se aplicável) e classificados corretamente.
- Imagem principal conforme padrão (fundo, nitidez, proporção) e sem textos promocionais.
- Documentos anexados/links válidos (ficha técnica, FISPQ, manual), quando aplicável.
- NCM preenchido e validado (quando aplicável) no formato correto.
Checklist por categoria (saúde do catálogo)
- Pelo menos 80–90% dos SKUs com atributos obrigatórios completos.
- Filtros da categoria retornam resultados úteis (sem “filtros vazios”).
- Não há atributos duplicados com nomes diferentes (ex.: “Comprimento” e “Tamanho”).
- Top SKUs (por recorrência) têm imagens e ficha técnica completas.
- Itens descontinuados têm substitutos mapeados (quando possível).
- Taxonomia não tem categorias com poucos itens sem justificativa.