Neste capítulo você vai completar o grupo dos acordes abertos essenciais com três novos integrantes: Lá maior, Mi maior e Ré menor. Depois vai descobrir por que os acordes que você já toca combinam tão bem entre si, usando duas ideias simples, a tônica e o campo harmônico, sempre com o violão no colo. Tudo aqui usa a frase padrão dedo, corda, casa, a checagem corda por corda e o tempo de preparação dos capítulos anteriores.
Lá maior: três dedos em fila na casa dois
O acorde de Lá maior aparece na cifra como a letra A sozinha. Sem a letra m, ele é maior, como você aprendeu no capítulo anterior. Monte assim: dedo 1 na corda 4 casa 2, dedo 2 na corda 3 casa 2, dedo 3 na corda 2 casa 2. As cordas 5 e 1 ficam soltas. A corda 6 não é tocada, então comece o toque para baixo pela corda 5.
A dificuldade do Lá maior é que três dedos precisam caber lado a lado dentro da mesma casa. Duas dicas ajudam. Primeiro, deixe os dedos bem em pé, apoiados na ponta, encostados um no outro como três soldados em fila. Segundo, coloque o dedo 3 o mais perto possível do traste e deixe os dedos 1 e 2 um pouco atrás dele, em leve diagonal, em vez de tentar alinhar os três perfeitamente. Se a corda 1 sair abafada, o culpado quase sempre é o dedo 3 deitado sobre ela; levante mais a articulação do meio desse dedo.
Compare com o Lá menor que você já conhece. Nos dois acordes, as cordas 4 e 3 são pressionadas na casa 2. A única nota que muda é a da corda 2: no Lá menor ela fica na casa 1, no Lá maior ela sobe para a casa 2. Uma casa de diferença em uma única corda transforma um acorde triste em um acorde alegre. Toque Am, depois A, e ouça essa mudança de humor.

Mi maior: o Mi menor com um dedo a mais
Mi maior aparece na cifra como E. Monte primeiro o Mi menor, que você já domina: dedo 2 na corda 5 casa 2 e dedo 3 na corda 4 casa 2. Agora acrescente o dedo 1 na corda 3 casa 1. Pronto, esse é o Mi maior. Toque as seis cordas, da 6 até a 1. É um dos acordes mais cheios e brilhantes do violão, porque usa todas as cordas e três delas soltas.
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Repare em uma coincidência valiosa. Olhe para a sua mão no Mi maior: dedo 1 na casa 1, dedos 2 e 3 na casa 2, um na corda vizinha do outro. Agora mova essa forma inteira uma corda para baixo, em direção ao chão: o dedo 2 vai para a corda 4, o dedo 3 vai para a corda 3 e o dedo 1 vai para a corda 2. Isso é exatamente o Lá menor. Mi maior e Lá menor têm a mesma forma, apenas deslocada de corda. Sua mão já sabia fazer o Mi maior antes de você conhecê-lo. Do mesmo modo, Mi menor e Mi maior diferem por um único dedo, o dedo 1. Nas trocas de Em para E, mantenha os dedos 2 e 3 parados como dedos-âncora e apenas pouse ou levante o dedo 1 no tempo de preparação.
Ré menor: o irmão sério do Ré maior
Ré menor aparece como Dm. Monte assim: dedo 1 na corda 1 casa 1, dedo 2 na corda 3 casa 2, dedo 3 na corda 2 casa 3. Assim como no Ré maior, a corda 4 fica solta e é a mais grave do acorde; as cordas 5 e 6 não são tocadas. Comece o toque para baixo pela corda 4.
A forma lembra um pequeno triângulo, com o dedo 3 na ponta mais afastada da cabeça do violão. Compare com o Ré maior: lá a nota da corda 1 fica na casa 2, aqui ela desce para a casa 1. Os dedos se reorganizam, porque o dedo 1 assume a corda 1 e o dedo 2 vai para a corda 3, mas a lógica é a mesma que você viu em Am e A: uma casa em uma corda muda o acorde de maior para menor. O erro típico no Ré menor é o dedo 3 abafar a corda 1. Curve bem esse dedo e faça a checagem corda por corda, tocando a corda 4, depois a 3, a 2 e a 1 separadamente.
Tônica: a casa onde a música descansa
Você já tem nove acordes nas mãos. Agora um pouco de teoria, só o suficiente para tocar melhor. Toque a sequência C, G, Am, G, um compasso cada, e pare no G. Sinta como a música parece suspensa, como uma frase sem ponto final. Agora toque a mesma sequência e termine no C. O ouvido relaxa, a frase se fecha. Esse acorde de repouso, onde a música parece chegar em casa, chama-se tônica. Quase toda música popular começa ou termina na tônica, e ela dá nome ao tom da música. Quando alguém diz que uma canção está em Dó, quer dizer que a tônica é o acorde de Dó maior.
Campo harmônico: a família que soa bem junta
Cada tônica tem uma família de acordes que combinam com ela. Essa família se chama campo harmônico. Não vamos estudar de onde ela vem, pois isso envolve escalas e fica fora deste livro. O que interessa é saber quem faz parte de cada família, porque a imensa maioria das músicas que você vai tocar usa só esses acordes.
O campo harmônico de Dó tem seis acordes usados no dia a dia: Dó maior, Ré menor, Mi menor, Fá maior, Sol maior e Lá menor. Em cifra: C, Dm, Em, F, G, Am. O campo harmônico de Sol tem: Sol maior, Lá menor, Si menor, Dó maior, Ré maior e Mi menor. Em cifra: G, Am, Bm, C, D, Em. Repare que quatro acordes aparecem nas duas famílias: C, G, Am e Em. Por isso as sequências do capítulo anterior soavam tão naturais.
Os músicos dão a cada acorde da família um número de posição, escrito em algarismos romanos, contando a partir da tônica. A tônica é o grau um. O quarto acorde da família é o grau quatro, o quinto é o grau cinco, e o sexto, que é sempre menor, é escrito em letra minúscula e chamado seis menor. Em Dó: um é C, quatro é F, cinco é G, seis menor é Am. Em Sol: um é G, quatro é C, cinco é D, seis menor é Em. Esses quatro graus sustentam milhares de canções. Saber os números permite reconhecer a mesma música em tons diferentes, o que será essencial mais adiante, no capítulo de transposição.
Dois acordes dessas famílias ainda não estão nas suas mãos: o Fá maior, da família de Dó, e o Si menor, da família de Sol. Ambos exigem a pestana, a técnica do dedo 1 deitado sobre várias cordas, que tem capítulo próprio. Por enquanto, quando uma música pedir F, use o Dm no lugar: o Dm é o grau dois da família de Dó, mas compartilha duas de suas três notas com o F, por isso passa uma sensação parecida e funciona como substituto provisório. Quando pedir Bm, aguarde o capítulo da pestana.

Exercícios: as progressões que sustentam o mundo
Uma progressão é uma sequência de acordes que se repete. Use a batida simples do capítulo de pulso, um toque para baixo por tempo, com o metrônomo em sessenta bpm. Conte em voz alta, um, dois, três, quatro, dizendo o nome do acorde no lugar do um. Prepare a troca no tempo quatro e nunca pare a mão direita.
- Um, cinco, seis menor, quatro em Dó (com o Dm no lugar do F): C, G, Am, Dm, um compasso cada. Lembre-se de que o grau quatro de verdade é o F; o Dm entra como substituto até você aprender a pestana. Fale assim: Dó, dois, três, quatro, Sol, dois, três, quatro, Lá menor, dois, três, quatro, Ré menor, dois, três, quatro. De Am para Dm, o dedo 1 sai da corda 2 e vai para a corda 1; treine só esse par antes do ciclo completo.
- Um, cinco, seis menor, quatro em Sol: G, D, Em, C. É a mesma progressão, na outra família, agora com o grau quatro verdadeiro, o C. Toque as duas versões em seguida e perceba que elas soam como a mesma música cantada mais alto ou mais baixo; a pequena diferença de cor no último acorde vem da substituição do F pelo Dm na versão em Dó.
- Um, quatro, cinco em Lá: A, D, E, dois compassos em A, um em D, um em E, e volta. É a base de incontáveis sertanejos, rocks e louvores. Na troca de A para D, o dedo 1 sai da corda 4 e vai para a corda 3 casa 2, quase no mesmo lugar. Na troca de D para E, prepare a forma no ar durante o tempo quatro.
Aplique o método do minuto aos pares novos: A e D, D e E, E e A, Am e Dm, Em e E. Anote quantas trocas limpas consegue em sessenta bpm e suba cinco bpm quando a contagem estiver estável. Respeite o limite de dez a quinze minutos por sessão se as pontas dos dedos ainda estiverem sensíveis.
Resumo
Você montou Lá maior, com os dedos 1, 2 e 3 em fila na casa 2 das cordas 4, 3 e 2, sem a corda 6; Mi maior, que é o Mi menor mais o dedo 1 na corda 3 casa 1, em seis cordas; e Ré menor, com dedo 1 na corda 1 casa 1, dedo 2 na corda 3 casa 2 e dedo 3 na corda 2 casa 3, da corda 4 para baixo. Viu que Mi maior e Lá menor são a mesma forma deslocada de corda. Aprendeu que a tônica é o acorde de repouso que dá nome ao tom, e que o campo harmônico é a família de acordes que soa bem com ela: em Dó, C, Dm, Em, F, G e Am; em Sol, G, Am, Bm, C, D e Em. Os graus um, quatro, cinco e seis menor nomeiam as posições dessa família, e as progressões um, cinco, seis menor, quatro e um, quatro, cinco já estão nas suas mãos, faltando apenas F e Bm, que virão com a pestana; até lá, o Dm substitui o F.