Ventiladores e turbina do split: limpeza, balanceamento e cuidados com ruídos

Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que são turbina e ventilador e por que eles geram ruído e vibração

No split, a turbina (unidade interna) é o rotor cilíndrico que “puxa” o ar através do evaporador e o distribui no ambiente. Na unidade externa, o ventilador da condensadora força a passagem de ar pela serpentina externa para rejeitar calor. Em ambos os casos, o conjunto gira em alta rotação e depende de três condições para operar silenciosamente: limpeza (sem massa de sujeira aderida), alinhamento (eixo e rotor centrados) e folgas corretas (sem tocar em carenagens, suportes ou aletas).

Ruídos e vibrações aparecem quando há desbalanceamento (sujeira acumulada em um lado, pás deformadas, trincas), folga mecânica (buchas/rolamentos gastos, parafusos soltos) ou interferência (rotor raspando em carenagem, chicotes e mangueiras encostando, grelhas mal encaixadas). A manutenção preventiva foca em identificar cedo esses sinais e limpar sem criar novos problemas (como molhar motor/placa, entortar pás ou deslocar a turbina).

Inspeção da turbina (unidade interna): o que observar

1) Sinais de acúmulo de sujeira e impacto na vazão

  • Pó “feltrado” nas pás da turbina: reduz vazão e aumenta ruído aerodinâmico (assobio/“vento forte”).
  • Manchas escuras irregulares em um lado do rotor: indicam acúmulo assimétrico, favorecendo desbalanceamento.
  • Respingos/umidade com poeira formando crostas: aumentam massa e dificultam limpeza, exigindo escovação cuidadosa.

2) Folgas, trincas e desalinhamento

  • Folga axial/radial: com o equipamento desligado, gire a turbina manualmente e observe se há “jogo” perceptível no eixo ou se o rotor se desloca para frente/trás. Jogo excessivo sugere desgaste de bucha/rolamento do motor da evaporadora.
  • Trincas: procure fissuras no cubo (região de fixação) e nas extremidades do cilindro. Trinca costuma gerar vibração crescente e ruído intermitente.
  • Desalinhamento: observe se a turbina gira “ovalizando” (excentricidade). Isso pode ocorrer por rotor empenado, montagem fora de centro ou eixo torto.
  • Raspagem: marcas brilhantes na carenagem/defletor ou no próprio rotor indicam contato durante a rotação.

3) Vibração e ruído: como perceber sem desmontagens grandes

  • Teste de rotação em baixa e alta: após recolocar tampas e garantir que nada encosta, avalie se o ruído aumenta proporcionalmente à rotação (típico de desbalanceamento) ou aparece em “pontos” (típico de raspagem).
  • Toque leve na carcaça (sem forçar): vibração transmitida para a tampa frontal pode indicar rotor desbalanceado ou fixação frouxa do conjunto do motor.
  • Ruído metálico: geralmente não é “vento”; costuma ser contato mecânico, parafuso solto, suporte vibrando ou rolamento danificado.

Inspeção do ventilador da condensadora (unidade externa): o que observar

1) Sujeira e deformações

  • Pás com poeira/oleosidade: além de reduzir fluxo, cria massa irregular e vibração.
  • Pás empenadas (curvatura diferente entre elas): causa desbalanceamento e pode reduzir rendimento.
  • Trincas no cubo e na raiz das pás: risco de falha mecânica; não adie encaminhamento.

2) Folgas e fixações

  • Parafusos do ventilador (fixação no eixo): se soltos, geram batida e vibração. Verifique aperto conforme especificação do fabricante (evite excesso para não trincar o cubo).
  • Grade/carenagem: grade torta ou mal fixada pode encostar na hélice em alta rotação.
  • Jogo no eixo do motor: com o equipamento desligado, tente movimentar a hélice para frente/trás e para os lados. Jogo perceptível sugere rolamento comprometido.

3) Vibração transmitida para a estrutura

  • Vibração no suporte: pode ser desbalanceamento do ventilador, mas também base desnivelada, coxins ressecados ou parafusos de fixação frouxos. Diferencie observando se a vibração muda muito com a rotação do ventilador.
  • Ruído de “ressonância”: ocorre quando a vibração excita a chapa da condensadora ou o suporte. Às vezes, um simples reaperto e reposicionamento de chapas resolve; outras vezes é sintoma de desbalanceamento real.

Limpeza preventiva segura da turbina (unidade interna): passo a passo

Objetivo: remover sujeira das pás sem molhar componentes sensíveis e sem deslocar o rotor do centro, evitando desbalanceamento.

Materiais recomendados

  • Escova macia (nylon) e pincel para cantos.
  • Panos de microfibra levemente umedecidos (não encharcados).
  • Proteção plástica para cobrir motor e placa (filme plástico ou capa própria).
  • Bandeja/coletor para conter sujeira desprendida (quando aplicável).
  • Aspirador com bocal escova (opcional, útil para reduzir dispersão de pó).

Passo a passo (sem desmontagem profunda)

  1. Acesso permitido: abra a tampa frontal e remova apenas peças de acesso simples (quando o modelo permitir), sem forçar travas. Evite desmontar carenagens estruturais se você não tiver procedimento do fabricante.
  2. Proteja motor e placa: identifique a região do motor da evaporadora e a placa eletrônica. Cubra com plástico bem posicionado para impedir respingos e poeira úmida. Garanta que o plástico não encoste na turbina.
  3. Inspeção antes de limpar: gire a turbina manualmente e procure raspagens, pontos de contato e excentricidade. Se já houver contato mecânico, priorize corrigir a causa (encaixe de carenagem, chicote encostando) antes de escovar.
  4. Remoção a seco do excesso: use aspirador com bocal escova ou pincel para soltar o pó superficial. Isso reduz a formação de “lama” ao usar pano úmido.
  5. Escovação controlada: com a turbina girada manualmente aos poucos, escove as pás no sentido do comprimento do rotor, sem pressionar a ponto de deformar. Trabalhe por setores para manter uniformidade.
  6. Limpeza com pano: passe microfibra levemente umedecida nas áreas acessíveis, sempre evitando gotejamento. Se o pano começar a soltar fiapos, troque (fiapos podem aderir e gerar novo desbalanceamento).
  7. Checagem de centragem: após limpar, gire novamente a turbina e observe se ficou livre, sem “pegar” em nenhum ponto. Qualquer raspagem nova pode indicar que algo foi deslocado durante a limpeza.
  8. Remoção das proteções: retire o plástico com cuidado para não derrubar sujeira sobre placa/motor.
  9. Teste de funcionamento: ligue e teste em baixa e alta velocidade. Ruído e vibração devem reduzir; se piorarem, suspeite de sujeira remanescente irregular, rotor deslocado ou folga mecânica.

Erros comuns que causam desbalanceamento após a limpeza

  • Limpar apenas “um lado” da turbina (acúmulo residual assimétrico).
  • Pressionar demais a escova e deformar pás.
  • Usar pano encharcado e criar crostas ao secar (massa irregular nas pás).
  • Deixar resíduos (fiapos, fita, pedaços de plástico) presos ao rotor.

Limpeza preventiva do ventilador da condensadora: passo a passo

Objetivo: remover sujeira das pás e verificar integridade sem alterar o balanceamento e sem danificar o motor.

Materiais recomendados

  • Pincel e escova macia.
  • Pano de microfibra levemente umedecido.
  • Chave adequada para reaperto de grade/carenagem (quando aplicável).

Passo a passo

  1. Inspeção visual: verifique trincas, empenos e marcas de contato na grade/carenagem.
  2. Verifique folgas: com a hélice parada, teste jogo no eixo. Jogo perceptível é sinal de rolamento e deve ser tratado como critério de encaminhamento.
  3. Limpeza a seco: pincele e escove a poeira das pás e do cubo. Se houver sujeira aderida, use pano levemente umedecido, sem encharcar.
  4. Limpeza uniforme: limpe todas as pás de forma equivalente. Se uma pá ficar mais “pesada” por sujeira residual, o conjunto vibra.
  5. Revisão de fixações: confirme que parafusos da grade e carenagens estão firmes e que nada encosta na hélice.
  6. Teste em operação: observe vibração e ruído. Vibração que aumenta muito com a rotação do ventilador sugere desbalanceamento ou rolamento.

Práticas para evitar desbalanceamento e danos

  • Limpeza simétrica: sempre trate o rotor por completo, evitando “ilhas” de sujeira.
  • Não use ferramentas rígidas (chaves, espátulas metálicas) para raspar pás; isso cria rebarbas e altera o perfil aerodinâmico.
  • Evite solventes agressivos em plásticos (podem ressecar e trincar o cubo/pás).
  • Não force o rotor para “centralizar” sem referência; se estiver desalinhado, o correto é revisar fixação e montagem conforme procedimento técnico.
  • Controle de chicotes e mangueiras: garanta que nada fique solto próximo ao rotor; contato intermitente gera ruído e desgaste.
  • Após qualquer intervenção, faça teste em diferentes velocidades e escute mudanças: ruído novo após limpeza é sinal de algo deslocado ou de sujeira residual irregular.

Tabela de sintomas, causas prováveis e ações iniciais

SintomaCausas prováveisAções iniciais (preventivas)
Ruído metálico (batida/“tec-tec”)Rotor raspando na carenagem; parafuso solto; grade encostando; chicote/mangueira tocando; folga em rolamentoInspecionar marcas de contato; reapertar fixações acessíveis; reposicionar chicotes; girar manualmente para localizar ponto de raspagem
Vibração forte (principalmente em alta)Desbalanceamento por sujeira irregular; pá empenada; turbina/ventilador fora de centro; rolamento gasto; cubo trincadoLimpeza uniforme completa; inspeção de empeno/trinca; verificar jogo no eixo; testar em baixa/alta para comparar
Assobio/ruído de “vento” agudoAcúmulo de sujeira alterando perfil das pás; obstrução parcial; rotor raspando levemente; carenagem desalinhadaLimpar pás e áreas próximas; checar encaixe de tampas/defletores; confirmar ausência de contato durante rotação
Redução de vazão de ar (sem outros sintomas evidentes)Turbina com sujeira aderida; rotor girando com esforço; folga/atrito; ventilador externo com baixa eficiência por sujeiraInspecionar e limpar turbina/ventilador; verificar se o rotor gira livre; observar se há aquecimento anormal do motor (indício de esforço)
Ruído contínuo tipo “ronco”/“zumbido” que aumenta com o tempoRolamento deteriorando; eixo desalinhado; vibração transmitida para chapasChecar jogo no eixo; identificar ressonância em chapas; se persistir, encaminhar para avaliação de motor/rolamentos

Critérios para encaminhamento à assistência técnica (quando não insistir na preventiva)

  • Jogo perceptível no eixo do motor (evaporadora ou condensadora) ou ruído típico de rolamento (ronco constante, áspero).
  • Trincas no cubo da turbina/hélice ou nas pás, mesmo pequenas (risco de ruptura e dano maior).
  • Rotor empenado ou excentricidade visível (giro “ovalizado”) que não se resolve com limpeza uniforme.
  • Raspagem persistente após conferir encaixes e ausência de objetos/chicotes encostando.
  • Necessidade de desmontagem maior para acesso (remoção completa da turbina, retirada do motor, abertura de condensadora além de tampas simples) sem procedimento e ferramental adequados.
  • Vibração forte que permanece após limpeza e reapertos acessíveis, especialmente se a unidade externa treme o suporte.
  • Suspeita de motor aquecendo ou perdendo torque (ventilador demora a partir, oscila rotação, para sozinho): pode envolver capacitor, motor ou placa e requer diagnóstico técnico.

Checklist rápido (uso em campo)

  • Turbina interna: sujeira uniforme? há crostas? há marcas de raspagem? rotor gira livre? há jogo no eixo?
  • Condensadora: pás íntegras (sem trinca/empeno)? grade/carenagem encostando? parafusos firmes? vibração aumenta com rotação?
  • Após limpeza: ruído diminuiu? surgiu ruído novo? há assobio? há vibração transmitida para a carcaça?

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao limpar a turbina da unidade interna, qual prática ajuda a reduzir o risco de desbalanceamento e ruídos após a manutenção?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A limpeza deve ser simétrica e controlada: remover pó a seco reduz lama, e pano levemente umedecido evita crostas. Resíduos, limpeza parcial ou excesso de pressão podem criar massa irregular e deformações, gerando desbalanceamento e ruídos.

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Unidade externa (condensadora) do ar-condicionado split: inspeção e limpeza preventiva

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