Unidade externa (condensadora) do ar-condicionado split: inspeção e limpeza preventiva

Capítulo 9

Tempo estimado de leitura: 7 minutos

+ Exercício

O que é a unidade externa (condensadora) e por que a limpeza preventiva importa

A unidade externa (condensadora) é o conjunto instalado fora do ambiente climatizado, responsável por rejeitar o calor retirado do interior. Para isso, ela depende de troca térmica eficiente na serpentina do condensador e de fluxo de ar livre atravessando as aletas. Quando há acúmulo de poeira, folhas, gordura ambiental, maresia ou obstruções ao redor, a troca de calor piora, o equipamento tende a trabalhar mais tempo e pode apresentar sintomas como aumento de consumo, perda de desempenho e aquecimento excessivo.

Neste capítulo, o foco é a inspeção e limpeza preventiva do lado externo: avaliar o local, checar carenagem e suportes, limpar a serpentina sem amassar aletas, observar cabos/conexões acessíveis e verificar o isolamento das tubulações.

Avaliação do local de instalação

1) Ventilação e recirculação de ar

A condensadora precisa “respirar”. Se o ar quente expelido retorna para a entrada de ar (recirculação), a unidade perde eficiência. Avalie:

  • Espaço livre ao redor (laterais e traseira) e principalmente na direção de saída do ar do ventilador.
  • Instalação em nichos, varandas fechadas, áreas com grade muito próxima ou paredes que “prendem” o ar quente.
  • Presença de fontes de calor próximas (exaustores, churrasqueiras, dutos de coifa) que elevem a temperatura do ar de entrada.

Boa prática: se houver barreiras (plantas, móveis, telas, objetos), reorganize para manter o fluxo de ar desobstruído.

2) Obstruções e sujeira recorrente

Identifique o tipo de sujeira predominante, pois isso orienta a frequência e o método de limpeza:

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  • Folhas, sementes e poeira grossa: comum em áreas externas com árvores e jardins.
  • Poeira fina/terra: comum em ruas movimentadas, obras e áreas rurais.
  • Maresia: regiões litorâneas aceleram corrosão e “grudam” sujeira nas aletas.

Boa prática: em maresia, a limpeza preventiva tende a ser mais frequente e deve ser mais cuidadosa para não remover proteções superficiais nem forçar aletas já fragilizadas.

3) Exposição a chuva, gotejamento e respingos

Verifique se há:

  • Gotejamento constante de calhas/condensado de outros equipamentos sobre a condensadora.
  • Respingo de lama em dias de chuva (instalação muito baixa).
  • Acúmulo de água no piso ao redor, favorecendo corrosão e sujeira.

Boa prática: manter a área ao redor limpa e com drenagem adequada reduz corrosão e facilita inspeções.

Inspeção de carenagem, grelhas e suportes

O que observar

  • Carenagem e grelhas: amassados, trincas, parafusos faltando, pontos de ferrugem, telas deformadas.
  • Fixações: parafusos frouxos podem gerar vibração e ruídos.
  • Suportes (mão francesa) e base: sinais de corrosão, empeno, buchas/ancoragens comprometidas, borrachas/coxims ressecados.
  • Alinhamento: unidade desnivelada pode aumentar vibração e favorecer acúmulo de sujeira em pontos específicos.

Cuidados para não danificar componentes

  • Evite apoiar ferramentas ou o corpo sobre a serpentina (aletas amassam com facilidade).
  • Não force grelhas/tampas: se estiverem travadas, verifique parafusos e encaixes antes.
  • Ao reapertar parafusos, não exceda torque: chapa fina espana e vibra mais depois.

Limpeza preventiva da serpentina do condensador (passo a passo)

A serpentina do condensador é formada por tubos e aletas finas. O objetivo é remover sujeira sem deformar as aletas e sem encharcar/atingir componentes sensíveis com jato direto.

Materiais recomendados

  • Escova macia (cerdas de nylon) ou pincel largo
  • Aspirador (opcional) para poeira seca
  • Mangueira com bico de pressão controlada (sem “jato concentrado”)
  • Protetor plástico para cobrir partes elétricas expostas (quando aplicável)
  • Pente de aletas (opcional) para correções leves

1) Remoção de folhas e detritos maiores

  • Remova manualmente folhas, sementes e detritos presos na grade e na serpentina.
  • Use escova macia para soltar sujeira superficial, sempre com movimentos leves.

Dica prática: se houver muita sujeira seca, aspirar antes de molhar reduz a formação de “barro” nas aletas.

2) Limpeza com água: pressão controlada e direção correta

Ao usar água, o ponto crítico é a direção do jato. Aletas amassam quando o jato é muito forte ou quando é aplicado “de frente” de forma agressiva.

  • Use baixa pressão: prefira leque aberto, evitando jato concentrado.
  • Mantenha distância da serpentina para reduzir impacto.
  • Direção do jato: aplique a água no sentido que empurre a sujeira para fora sem “cravar” detritos nas aletas. Em geral, é mais seguro lavar de dentro para fora quando há acesso (após remover a tampa/grade conforme o modelo). Se não houver acesso interno, lave por fora com ainda mais cuidado, em ângulo, com baixa pressão.
  • Evite atingir diretamente motor do ventilador, caixa de ligação e conectores com jato.

Exemplo prático: se a serpentina está “tapada” por poeira fina, comece com um enxágue leve para umedecer, aguarde alguns minutos para amolecer, e então repita o enxágue com leque aberto. Isso reduz a necessidade de força.

3) Aletas amassadas: correção leve (quando necessário)

Se houver áreas com aletas amassadas que prejudiquem o fluxo de ar:

  • Use pente de aletas compatível com o espaçamento (fins per inch) do modelo.
  • Faça movimentos curtos e suaves, apenas para desobstruir o caminho do ar.

Cuidado: não tente “perfeição estética”. O objetivo é recuperar passagem de ar, sem rasgar aletas ou danificar tubos.

4) Organização e secagem

  • Remova excesso de água acumulada em bandejas/partes inferiores da carenagem (quando aplicável).
  • Recoloque tampas e parafusos corretamente, sem deixar folgas.

Verificação visual de cabos, conexões acessíveis e isolamento das tubulações

1) Cabos e conexões acessíveis (inspeção visual)

Sem desmontagens complexas, observe o que estiver acessível:

  • Cabos ressecados, com capa rachada, esmagados por quinas ou presos sob a carenagem.
  • Conectores com sinais de aquecimento: escurecimento, derretimento, odor característico.
  • Fixação: cabos soltos podem vibrar e desgastar a isolação com o tempo.

Boa prática: se notar aquecimento, oxidação severa ou isolação danificada, registre e encaminhe para correção por profissional habilitado, pois envolve risco elétrico e falhas intermitentes.

2) Isolamento das tubulações (linha de sucção e líquido)

O isolamento térmico (principalmente na linha de sucção) evita ganho de calor e condensação indesejada. Verifique:

  • Rasgos, ressecamento e esfarelamento do isolamento.
  • Emendas abertas ou fita solta, deixando trechos expostos.
  • Umidade constante no isolamento: pode indicar perda de vedação ou degradação.

Exemplo prático: se o isolamento está aberto perto da condensadora, é comum aparecer “suor” e pingos na tubulação em dias úmidos. A correção preventiva é recompor o isolamento e vedar emendas para evitar condensação e corrosão.

Cuidados essenciais para não causar danos durante a limpeza

  • Não use lavadora de alta pressão diretamente na serpentina: amassa aletas e pode deslocar sujeira para dentro.
  • Não use objetos metálicos (chave de fenda, arame) para “raspar” a serpentina.
  • Evite produtos químicos agressivos sem orientação: podem atacar alumínio/cobre e acelerar corrosão, especialmente em ambiente de maresia.
  • Proteja componentes sensíveis de jatos diretos e excesso de água (conexões, placas, caixa elétrica).
  • Não force a carenagem ao recolocar: desalinhamento gera vibração e ruído.

Checklist pós-limpeza da condensadora

ItemO que verificarOK/Observações
Fluxo de ar livreSem objetos, plantas, telas amassadas ou barreiras na entrada/saída de ar
Serpentina desobstruídaAletas sem “tapamento” por poeira; sem áreas grandes amassadas
Detritos removidosFolhas e sujeira fora da base e da carenagem; sem acúmulo no piso
Carenagem e parafusosTampas bem encaixadas; parafusos presentes e firmes
Suportes e nivelamentoSem folgas; sem corrosão crítica aparente; unidade estável
Vibração e ruídoSem vibração anormal perceptível; nada encostando na carenagem
Cabos visíveisSem capa danificada; sem sinais de aquecimento; cabos presos/organizados
Isolamento das tubulaçõesSem trechos expostos; emendas vedadas; sem umidade constante
Área ao redor organizadaSem ferramentas/entulho; caminho de acesso livre para futuras inspeções

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao realizar a limpeza preventiva da serpentina da condensadora com água, qual prática reduz o risco de amassar as aletas e melhora a remoção da sujeira?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A limpeza deve preservar as aletas: use água com pressão baixa, leque aberto e distância. Quando houver acesso, lavar de dentro para fora ajuda a empurrar a sujeira para fora, reduzindo o risco de amassamento e de “cravar” detritos na serpentina.

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