Identificação de sinais de desgaste e anomalias em ar-condicionado split durante a manutenção preventiva

Capítulo 10

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Conceito: o que são sinais de desgaste e anomalias na preventiva

Durante a manutenção preventiva, além de limpar e inspecionar, você deve interpretar sinais que indicam desgaste natural, instalação inadequada, uso fora do padrão ou falhas em desenvolvimento. Um sinal isolado pode ser apenas consequência de sujeira ou de condições do ambiente; já padrões recorrentes (mesmo após ajustes simples) costumam apontar para causas mais profundas, exigindo monitoramento ou suporte especializado.

O objetivo desta etapa é transformar observações em decisões: corrigir na rotina, monitorar e registrar ou interromper e acionar suporte.

Lista detalhada de sinais comuns e como interpretá-los

1) Odores persistentes

Como se manifesta: cheiro de mofo, “pano úmido”, esgoto, queimado ou químico, que permanece mesmo após alguns minutos de funcionamento.

  • Mofo/pano úmido: geralmente associado a umidade retida e contaminação biológica em áreas internas. Se o odor volta rapidamente após limpeza de rotina, pode haver foco em pontos menos acessíveis ou drenagem com retorno de odores.
  • Esgoto: pode indicar retorno de gases pelo dreno (instalação/vedação/declividade inadequadas) ou conexão em ponto com mau cheiro.
  • Queimado/eletrônico: pode indicar aquecimento anormal em componentes elétricos/eletrônicos, mau contato ou sobrecarga. Trate como sinal crítico.
  • Químico forte: pode estar relacionado a produtos inadequados aplicados anteriormente ou contaminação externa (ambiente). Se houver irritação, interrompa e investigue.

Interpretação prática: odores que diminuem após limpeza e secagem tendem a ser resolvidos na rotina; odores que persistem ou são de queimado exigem escalonamento.

2) Manchas de umidade (parede, teto, carenagem ou ao redor)

Como se manifesta: marcas amareladas, bolhas de tinta, gotejamento, trilhas de água, mofo ao redor da unidade interna.

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  • Mancha recente e localizada: pode indicar transbordo pontual, condensação excessiva ou respingo.
  • Mancha recorrente (mesmo após desobstrução do dreno): sugere inclinação inadequada, isolamento térmico deficiente na tubulação, vazamento interno ou condensação em superfícies frias.
  • Umidade na carenagem: pode ser condensação por baixa temperatura de insuflação, ambiente muito úmido ou isolamento comprometido.

Interpretação prática: se a mancha aumenta com o uso e há gotejamento, priorize identificar a origem e registrar condições (modo, temperatura, umidade, tempo de operação).

3) Formação de gelo (evaporador, tubulação ou unidade externa)

Como se manifesta: gelo visível, “placas” de gelo, fluxo de ar reduzido, queda de desempenho.

  • Gelo na unidade interna: frequentemente associado a fluxo de ar insuficiente, sensor/controle inadequado, ou condição de operação fora do esperado. Se ocorrer após limpeza e com filtros ok, pode indicar problema de refrigeração (ex.: carga/expansão) e deve ser escalonado.
  • Gelo na tubulação: pode indicar superaquecimento fora do padrão, isolamento deficiente ou condição de baixa pressão no circuito (necessita avaliação técnica).
  • Gelo na unidade externa (em aquecimento, se houver): pode ser parte do ciclo, mas gelo persistente e sem degelo adequado indica anomalia.

Interpretação prática: gelo é um sinal de risco de dano e deve ser tratado com prioridade. Se reaparecer após correções simples, interrompa e acione suporte.

4) “Suor” excessivo na tubulação (condensação)

Como se manifesta: gotas de água na linha frigorígena, isolamento encharcado, pingos ao longo do caminho da tubulação.

  • Condensação leve em dias muito úmidos: pode ocorrer, mas não deve encharcar o isolamento.
  • Suor intenso e constante: geralmente indica isolamento térmico danificado, mal dimensionado ou com emendas abertas, permitindo que a umidade do ar condense na superfície fria.
  • Condensação em pontos específicos (curvas/emendas): sugere falha localizada na fita/isolamento.

Interpretação prática: costuma ser corrigível na rotina com recomposição/vedação do isolamento e ajuste de fixação, desde que não haja indícios de gelo ou falha de refrigeração.

5) Ruídos novos ou mudança no padrão de ruído

Como se manifesta: estalos, vibração, zumbido, assobio, “borbulhar”, batidas ao ligar/desligar.

  • Vibração/trepidação: pode ser fixação frouxa, contato de carenagem, suporte/borracha ressecada, tubulação encostando em alvenaria.
  • Assobio: pode indicar passagem de ar restrita, vazamento de ar em dutos/carenagem, ou ruído de expansão (se persistente e acompanhado de perda de desempenho, escalar).
  • Borbulhar: pode ocorrer em transientes, mas se for constante e houver oscilação térmica, pode sugerir anomalia no circuito frigorígeno (avaliar tecnicamente).
  • Zumbido elétrico forte: pode indicar componente elétrico sob estresse (sinal crítico).

Interpretação prática: ruído novo deve ser comparado com o histórico do equipamento. Se o ruído vier acompanhado de cheiro de queimado, falhas, desligamentos ou aquecimento anormal, interrompa e chame suporte.

6) Oscilação de temperatura (não mantém setpoint)

Como se manifesta: ambiente alterna entre muito frio e pouco frio, demora excessiva para atingir a temperatura, ciclos curtos (liga/desliga frequente).

  • Oscilação com fluxo de ar irregular: pode ser distribuição inadequada, obstrução de retorno/insuflação, ou sensor influenciado por corrente de ar.
  • Ciclos curtos: pode ser dimensionamento, sensor mal posicionado, ou proteção atuando por condição anormal.
  • Demora para resfriar: pode ser carga térmica elevada, sujeira remanescente, ou falha de refrigeração.

Interpretação prática: se após ajustes simples (direcionamento de aletas, verificação de obstruções e configuração) a oscilação permanecer, registre condições e considere suporte técnico.

7) Aumento de consumo percebido

Como se manifesta: conta de energia maior, equipamento “trabalhando mais”, tempo de funcionamento prolongado para o mesmo conforto.

  • Consumo sobe junto com queda de desempenho: pode indicar troca de calor prejudicada, ventilação inadequada na condensadora, ou anomalia no sistema.
  • Consumo sobe sem mudança de conforto: pode estar ligado a mudanças no uso (mais horas), temperatura externa mais alta, infiltração de calor no ambiente, ou degradação gradual.

Interpretação prática: consumo é um sinal indireto; precisa de comparação com histórico e condições do período. A ação típica é monitorar e registrar por algumas semanas após a preventiva, salvo se houver outros sintomas associados.

8) Códigos de erro e padrões de falha

Como se manifesta: códigos no display, piscadas de LED, desligamentos com retorno automático, travamentos.

  • Erro intermitente: pode ser mau contato, sensor instável, variação de tensão, ou condição de operação limite.
  • Erro recorrente (mesmo após reset): indica falha persistente que requer diagnóstico com procedimento do fabricante.
  • Erro acompanhado de ruído anormal, cheiro de queimado ou aquecimento: sinal de risco e deve ser tratado como crítico.

Interpretação prática: sempre registrar o código exatamente como aparece e as condições (modo, setpoint, temperatura ambiente, tempo até falhar). Não “apagar” o histórico sem anotar.

Passo a passo prático: como coletar evidências durante a preventiva

Passo 1 — Padronize a observação (antes e depois)

  • Observe o equipamento em operação por alguns minutos e anote: modo (frio/auto), setpoint, velocidade do ventilador e sensação de fluxo de ar.
  • Identifique se o sintoma ocorre na partida, em regime (após 10–20 min) ou na parada.
  • Após os ajustes/limpezas de rotina, repita a observação nas mesmas condições para comparar.

Passo 2 — Use um checklist de sinais (marque intensidade e frequência)

Em vez de registrar apenas “tem cheiro”, use uma escala simples:

  • Intensidade: leve / moderado / forte
  • Frequência: raro / às vezes / sempre
  • Condição: só no início / após aquecer / contínuo

Isso ajuda a decidir entre corrigir, monitorar ou interromper.

Passo 3 — Verifique correlações (sintomas que aparecem juntos)

  • Gelo + fluxo de ar fraco + oscilação de temperatura → alta chance de anomalia relevante (não apenas sujeira).
  • Suor na tubulação + mancha de umidade → provável falha de isolamento/condensação em rota da tubulação.
  • Ruído novo + código de erro → aumenta a criticidade; priorize diagnóstico especializado.
  • Odor de queimado + desligamentos → interromper e acionar suporte.

Passo 4 — Registre evidências objetivas

  • Fotos de manchas, gelo e pontos de condensação na tubulação.
  • Vídeo curto do ruído (5–10 s) e em que momento ocorre.
  • Registro do código de erro (foto do display/LED).

Essas evidências aceleram o diagnóstico quando o caso precisar ser escalonado.

Quadro de decisão: corrigir, monitorar ou interromper

Sinal observadoInterpretação provávelDecisãoAção prática
Odor leve de mofo que reduz após rotinaUmidade/contaminação superficialCorrigir na rotina preventivaRepetir verificação após funcionamento; registrar “antes/depois”
Odor de mofo retorna em poucos diasFoco persistente ou drenagem com retornoMonitorar e registrarAnotar prazo de retorno, condições de uso e intensidade; se persistir, escalar
Cheiro de queimado, plástico ou eletrônicoRisco elétrico/sobreaquecimentoInterromper e chamar suporte especializadoDesligar e não insistir em ligar; registrar momento e sintomas associados
Mancha pequena e recente sem gotejamento ativoCondensação pontual ou evento isoladoMonitorar e registrarMarcar data, tirar foto e acompanhar evolução após alguns dias de uso
Gotejamento recorrente / mancha aumentandoFalha persistente (inclinação, isolamento, vazamento interno)Interromper e chamar suporte especializadoEvitar danos ao ambiente; registrar quando ocorre e volume aproximado
Gelo visível na unidade interna ou tubulaçãoCondição anormal de operação/refrigeraçãoInterromper e chamar suporte especializadoDesligar para evitar dano; registrar tempo até formar gelo e condições
Suor leve na tubulação em dia muito úmidoCondensação ambientalMonitorar e registrarVerificar se há encharcamento do isolamento; acompanhar em dias secos
Suor intenso, isolamento encharcado, pingos na rotaIsolamento comprometido/emendas abertasCorrigir na rotina preventivaRecompor/vedar isolamento e emendas; confirmar cessação do “suor”
Ruído de vibração/trepidação sem falhasFixação/contato mecânicoCorrigir na rotina preventivaAjustar fixações e afastamentos; confirmar redução do ruído
Ruído novo + perda de desempenho ou falhasPossível falha de motor/rolamento/controleInterromper e chamar suporte especializadoRegistrar vídeo do ruído e momento de ocorrência; não prolongar operação
Oscilação leve de temperatura após mudanças de usoCondição operacional/ambienteMonitorar e registrarAnotar setpoint, horários, ocupação e clima; comparar por 1–2 semanas
Oscilação forte, ciclos curtos frequentesAnomalia de controle/sensoriamento ou refrigeraçãoInterromper e chamar suporte especializadoRegistrar padrão (tempo ligado/desligado) e códigos se houver
Aumento de consumo percebido sem outros sintomasVariação de uso/clima ou degradação gradualMonitorar e registrarComparar kWh/horas de uso; registrar por período definido
Código de erro intermitente sem outros sinaisEvento ocasional/instabilidadeMonitorar e registrarAnotar código, data/hora, modo e condições; observar recorrência
Código de erro recorrente ou associado a cheiro/ruído/aquecimentoFalha persistente (placa, motor, sensores, etc.)Interromper e chamar suporte especializadoRegistrar código e evidências; evitar resets repetidos sem diagnóstico

Modelo de registro rápido (para usar em campo)

Equipamento: ____________  Local: ____________  Data: ___/___/____  Técnico: ____________ Modo/Setpoint: ____________  Tempo em operação até o sintoma: ________ Sinais (marcar): [ ] odor  [ ] umidade/mancha  [ ] gelo  [ ] suor na tubulação  [ ] ruído novo  [ ] oscilação temp.  [ ] consumo percebido  [ ] código de erro Detalhes do sinal: Intensidade: leve / moderado / forte Frequência: raro / às vezes / sempre Condição: partida / regime / parada Evidências: ( ) foto  ( ) vídeo  ( ) código anotado: ________ Decisão: ( ) corrigir na rotina  ( ) monitorar e registrar  ( ) interromper e chamar suporte Ação executada/encaminhamento: ____________________________________________

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Durante a manutenção preventiva de um split, qual situação deve levar à interrupção do funcionamento e ao acionamento de suporte especializado?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Cheiro de queimado indica possível aquecimento anormal ou risco elétrico. Nessa condição, a prática recomendada é desligar, não insistir em ligar e acionar suporte especializado, registrando os sintomas.

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