Solda TIG do Zero: Polaridade, corrente e modos de abertura do arco

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

Polaridade e o que muda na prática

CCEN (DCEN) — eletrodo negativo: padrão para aços e inox

Em TIG com corrente contínua, a configuração mais comum para aços carbono e inox é CCEN (Corrente Contínua Eletrodo Negativo), também chamada de DCEN. Na prática, isso significa: o tungstênio fica no polo negativo e a peça no positivo.

  • O que o operador percebe: arco mais estável e concentrado, poça mais “direta” e boa penetração com menor aquecimento do tungstênio.
  • Por que importa: a maior parte do calor se concentra na peça, ajudando a fundir com eficiência sem “cozinhar” a ponta do eletrodo.
  • Uso típico: aços carbono, inox e a maioria das ligas ferrosas em TIG.

Noções de CA (AC) — quando entra o alumínio

Para alumínio, é comum usar corrente alternada (CA/AC). O ponto principal não é decorar teoria, e sim entender o que muda para você durante o cordão:

  • Arco e poça ficam mais “largos” do que em CCEN, exigindo mais atenção para não espalhar demais a poça em chapas finas.
  • O tungstênio tende a aquecer mais, então a ponta pode arredondar com mais facilidade; isso altera o foco do arco e a sensação de controle.
  • O alumínio “pede” limpeza de óxido durante a soldagem; na prática, você observa uma zona mais “brilhante” ao redor da poça quando o ajuste está adequado.

Se sua fonte permite ajustes de AC (como balanço e frequência), trate isso como um refinamento: primeiro garanta abertura de arco estável, poça controlável e corrente adequada. Depois, ajuste para melhorar limpeza e controle do arco.

Como escolher a corrente inicial (ponto de partida)

A corrente em TIG é o “acelerador” do tamanho da poça e da penetração. Um bom ponto de partida evita dois problemas comuns: poça que não abre (corrente baixa) e perfuração/afundamento (corrente alta), especialmente em chapas finas.

Regras práticas rápidas

  • Espessura manda: quanto mais espessa a chapa, maior a corrente para abrir e sustentar a poça.
  • Posição muda a necessidade: fora da posição plana (vertical, sobrecabeça), geralmente você trabalha com menos corrente e mais controle (poça menor) para não escorrer.
  • Junta e folga influenciam: folga maior ou borda muito fina pede menos corrente e mais cuidado para não “sumir” a borda.

Tabela prática — ponto de partida para chapas finas (CCEN em aço/inox)

Use como referência inicial e ajuste na prática (material, dissipação e técnica variam). Para chapas finas, é comum configurar um máximo de corrente e controlar o calor com pedal/controle na tocha.

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EspessuraPosição plana (A)Vertical / sobrecabeça (A)Observação prática
0,6 mm20–35 A15–25 APoça abre rápido; priorize pulsos curtos no pedal e avanço constante.
0,8 mm25–45 A20–35 ASe a borda “derrete”, reduza 5–10 A e encurte o tempo na poça.
1,0 mm35–60 A25–45 ABom para treinar cordão sem adição; controle para não afundar no centro.
1,2 mm45–75 A35–60 ASe a poça demora a formar, aumente 5–10 A ou reduza velocidade de avanço.
1,5 mm60–95 A45–75 AMais tolerante; dá para estabilizar poça antes de iniciar o avanço.

Dica de ajuste inicial: se você usa pedal, configure o máximo dentro da faixa e trabalhe normalmente usando 60–80% desse máximo durante o cordão. Isso dá “reserva” para abrir a poça no início e compensar dissipação em trechos mais frios.

Passo a passo: definindo a corrente inicial em 3 minutos

  1. Escolha a faixa pela espessura na tabela e selecione um valor no meio.
  2. Se for fora de posição, reduza para a faixa indicada (poça menor = mais controle).
  3. Faça um teste de 2–3 cm em retalho do mesmo material: observe tempo para abrir poça e tendência a perfurar.
  4. Ajuste em passos pequenos (5 A por vez em chapas finas) até a poça abrir com facilidade sem “afundar”.

Modos de abertura do arco e impacto na contaminação

A forma de iniciar o arco influencia diretamente: contaminação do tungstênio, marcas na peça e consistência do início do cordão. Abaixo, o que você precisa saber para operar com segurança e repetibilidade.

1) HF (Alta Frequência) — abertura sem tocar

No modo HF, o arco inicia sem encostar o tungstênio na peça. Para o operador, é o método mais “limpo” de início.

  • Vantagens: reduz muito a chance de contaminar a ponta do tungstênio; evita risco de riscar/marcar a peça no início.
  • O que observar: mantenha a distância de abertura consistente (curta) para o arco “pegar” de forma previsível.
  • Quando é especialmente útil: chapas finas e acabamento aparente, onde qualquer marca inicial aparece.

2) Lift-arc — encosta e levanta (com controle eletrônico)

No Lift-arc, você encosta levemente o tungstênio e levanta para iniciar o arco. A fonte controla a corrente nesse momento para reduzir o “grude” e a contaminação.

  • Vantagens: boa alternativa quando HF não está disponível; menor risco de contaminar do que “raspar” manualmente.
  • Riscos: ainda pode deixar uma micro marca na peça se você pressionar demais; pode contaminar se o tungstênio “arrastar” ou se houver sujeira na superfície.
  • Boa prática: toque leve, levante reto e inicie com a tocha já na posição correta do cordão.

3) Toque controlado / “scratch start” (raspagem) — último recurso

Alguns setups mais simples usam abertura por toque/raspagem. Funciona, mas é o método com maior chance de problemas no início.

  • Vantagens: simplicidade.
  • Desvantagens: maior chance de contaminar o tungstênio (encostar e “puxar” material), e maior chance de marcar a peça com risco/arranhão.
  • Quando usar: apenas quando não houver HF ou Lift-arc, e preferencialmente em peças onde marca inicial não é crítica.

Passo a passo: abertura do arco com mínimo de contaminação

  1. Posicione a tocha no ponto de início com ângulo e distância consistentes.
  2. Escolha o modo (HF > Lift-arc > toque/raspagem, em termos de limpeza).
  3. Inicie o arco e espere 1–2 segundos para formar uma poça pequena e controlada (em chapa fina, menos tempo).
  4. Se encostou sem querer e suspeita de contaminação: pare, reprepare a ponta do tungstênio e reinicie. Insistir costuma piorar o cordão.

Ajuste fino de corrente: controlando poça, penetração e perfuração

Depois do ponto de partida, o ajuste fino é o que transforma “derreter metal” em cordão controlado. Pense em três sinais: tamanho da poça, profundidade (penetração) e estabilidade do arco.

Se a poça não abre ou fica “dura”

  • Sintoma: você fica parado e a superfície só “brilha”, mas não forma poça definida.
  • Ação: aumente a corrente em 5–10 A (chapas finas) ou reduza um pouco a velocidade de avanço.
  • Checagem: a poça deve aparecer com bordas claras e controláveis, sem precisar “cozinhar” o ponto.

Se a poça cresce demais e ameaça perfurar

  • Sintoma: a poça fica grande, a borda afina e o metal parece “ceder” de repente.
  • Ação imediata: reduza a corrente (ou alivie o pedal) e avance um pouco para tirar calor do ponto.
  • Ajuste de setup: diminua o máximo em 5–10 A e repita o teste. Em chapas muito finas, pequenos ajustes fazem grande diferença.

Se há pouca penetração (cordão “alto” e sem fusão)

  • Sintoma: cordão parece depositado por cima, com pouca ligação nas bordas.
  • Ação: aumente levemente a corrente e/ou reduza a velocidade para dar tempo de fusão nas laterais.
  • Meta: poça que “molha” as bordas da junta antes de você seguir adiante.

Usando pedal ou controle na tocha para modular calor

O controle de corrente durante o cordão é uma das maiores vantagens do TIG. Em vez de escolher uma corrente fixa “perfeita”, você define um máximo seguro e modula conforme a peça aquece.

Estratégia prática com pedal (ou controle na tocha)

  1. Configure um máximo dentro da faixa recomendada para a espessura.
  2. Para iniciar: use um pouco mais de corrente por um instante para abrir a poça rapidamente (sem exagerar).
  3. Durante o cordão: alivie levemente conforme a peça acumula calor. Em chapas finas, isso evita perfuração no meio do percurso.
  4. Ao aproximar de bordas/cantos: reduza antes de chegar, porque a borda aquece e perde sustentação mais rápido.
  5. Se a poça “foge”: diminua corrente primeiro; se ainda assim estiver grande, aumente a velocidade de avanço.

Exemplo de ajuste fino em chapa fina (1,0 mm, posição plana)

Setup inicial: máximo 55 A no pedal (CCEN) Início: abre poça com ~45–50 A por 0,5–1 s Meio do cordão: mantém ~35–45 A conforme a peça aquece Aproximando do fim/borda: cai para ~30–35 A para evitar afundar

Use esse raciocínio como “mapa”: mais corrente para abrir poça, menos corrente para manter controle quando o calor acumulado começa a dominar.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao soldar TIG em chapa fina, qual prática ajuda a reduzir a contaminação do tungstênio e evitar marcas no início do cordão?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O modo HF inicia o arco sem encostar o tungstênio na peça, reduzindo a chance de contaminação e evitando riscos/marcas no início. Manter uma distância curta e consistente ajuda o arco a “pegar” de forma previsível.

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