O que caracteriza a solda TIG (GTAW)
A solda TIG é um processo de soldagem por arco elétrico em que o arco é formado entre um eletrodo de tungstênio não consumível e a peça. O tungstênio não “derrete para virar solda”; ele apenas sustenta o arco e concentra calor. A região do arco é protegida por um gás de proteção (geralmente argônio), que evita contaminação do metal líquido pelo ar.
A adição de material (vareta) é opcional: você pode apenas fundir as bordas (solda autógena) ou adicionar vareta para preencher e reforçar. Na prática, isso dá ao operador um controle muito fino sobre quanto metal entra na junta.
O que a TIG entrega na prática
- Controle de calor: dá para “dosar” o calor com precisão, útil para não furar chapas finas e para controlar empeno.
- Acabamento: cordões mais limpos e uniformes, com menos respingos e menos necessidade de retrabalho.
- Precisão: excelente para juntas pequenas, cantos, detalhes e peças com tolerâncias apertadas.
- Versatilidade de materiais: muito usada em inox e alumínio quando se busca qualidade visual e controle.
Quando a TIG costuma ser a melhor escolha (aplicações típicas para iniciantes)
1) Chapas finas (aço carbono e inox)
Em espessuras finas, o risco de perfurar e deformar é alto. A TIG permite avançar devagar, manter poça pequena e controlar a penetração.
- Exemplos: carenagens, suportes leves, caixas metálicas, dutos finos, pequenos reforços em chapas.
- Por que é boa para iniciantes: você enxerga a poça com clareza e aprende a “ler” o metal derretendo.
2) Inox (quando estética e limpeza importam)
No inox, contaminação e oxidação prejudicam aparência e resistência à corrosão. A proteção gasosa da TIG e o controle de calor ajudam a manter o cordão mais limpo e com coloração mais controlada (dependendo do ajuste e da proteção).
- Exemplos: corrimãos, suportes aparentes, peças de cozinha, pequenos tanques e tubulações leves.
3) Alumínio (peças finas e reparos)
O alumínio dissipa calor rapidamente e tem camada de óxido superficial. A TIG é muito usada quando se quer controle e acabamento em peças de menor espessura.
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- Exemplos: suportes, carcaças, peças de bicicleta/moto, tampas, pequenos perfis.
4) Reparos delicados e soldas em áreas pequenas
Quando a peça é pequena, tem geometria complexa ou não pode receber muito calor, a TIG permite trabalhar com poça mínima e deposição controlada.
- Exemplos: trincas pequenas, pontos de fixação, recuperação de bordas, solda próxima a componentes sensíveis (com proteção e preparação adequadas).
Quando a TIG não é a melhor escolha
Ambiente com vento ou corrente de ar
A TIG depende fortemente da proteção gasosa. Vento “varre” o gás, causando porosidade, oxidação e cordão opaco/contaminado.
- Sinal prático: mesmo com regulagem correta, o cordão fica áspero, com poros e coloração irregular.
- Alternativa prática: processos menos sensíveis ao vento (ou usar barreiras/cortinas e melhorar a proteção, quando possível).
Alta produtividade em espessuras grandes
Em materiais mais espessos e longos cordões, a TIG tende a ser mais lenta e com menor taxa de deposição. Isso aumenta tempo de execução e custo.
- Exemplos: estruturas pesadas, longas soldas em chapas grossas, produção seriada com metas de tempo apertadas.
- Alternativa prática: MIG/MAG para velocidade e deposição, ou eletrodo revestido para robustez em campo.
Juntas com acesso ruim para tocha e vareta
A TIG normalmente exige coordenar tocha e (muitas vezes) vareta. Se o acesso é limitado, fica difícil manter ângulo, distância e proteção gasosa adequados.
- Exemplo: cantos muito fechados, cavidades profundas, locais onde a vareta não entra com conforto.
Comparação prática: TIG vs MIG/MAG vs eletrodo revestido
| Critério (prático) | TIG | MIG/MAG | Eletrodo revestido |
|---|---|---|---|
| Controle do arco e do calor | Muito alto; excelente para poça pequena e ajustes finos | Alto a médio; bom, mas tende a “entregar” mais metal por tempo | Médio; depende muito da mão e do eletrodo, com variação maior |
| Acabamento e limpeza | Excelente; quase sem respingos, cordão bem definido | Bom; pode ter respingos e exigir limpeza dependendo do ajuste | Mais retrabalho; escória e respingos são comuns |
| Taxa de deposição / velocidade | Baixa; processo mais lento | Alta; ótimo para produtividade | Média; varia com diâmetro e posição, paradas para troca de eletrodo |
| Chapas finas | Excelente | Boa (com ajuste fino), mas pode ser mais “agressiva” | Mais difícil; maior risco de perfurar e deformar |
| Uso em campo (vento) | Ruim sem proteção contra vento | Médio; ainda sensível ao vento, mas costuma tolerar mais que TIG | Bom; geralmente mais tolerante ao ambiente |
Passo a passo prático: como decidir se TIG é a escolha certa antes de começar
Passo 1 — Identifique o material e o objetivo do cordão
- É inox aparente? TIG costuma ser forte candidata.
- É alumínio fino com exigência de acabamento? TIG costuma ser forte candidata.
- É aço carbono estrutural sem exigência estética? talvez MIG/MAG ou eletrodo sejam mais práticos.
Passo 2 — Avalie a espessura e o risco de deformação
- Fino: TIG ajuda a controlar penetração e reduzir empeno.
- Grosso e longo: TIG pode ficar lenta; considere processos de maior deposição.
Passo 3 — Verifique o ambiente (proteção gasosa)
- Há vento ou corrente de ar? se sim, TIG tende a falhar sem barreiras.
- Você consegue criar uma zona protegida (cortina, anteparo, box)? se não, reconsidere.
Passo 4 — Cheque acesso e ergonomia da junta
- Você consegue posicionar a tocha com estabilidade e manter ângulo constante?
- Se precisar de vareta, há espaço para alimentar a vareta sem encostar no tungstênio?
- Você consegue manter a proteção gasosa cobrindo a poça durante o avanço?
Passo 5 — Defina se a adição de material é necessária
- Junta bem ajustada e peça fina: pode ser possível soldar autógeno (sem vareta) em trechos curtos, dependendo do caso.
- Folga, chanfro, necessidade de reforço: provavelmente vai precisar de vareta; isso aumenta a exigência de coordenação e tempo.
Checklist: “vale a pena TIG aqui?”
- Material: é inox ou alumínio (ou aço fino) com necessidade de controle e limpeza?
- Espessura: é fino o suficiente para justificar controle de calor (ou há risco de empeno/furo)?
- Estética: o cordão ficará aparente e precisa de acabamento superior com pouco retrabalho?
- Produtividade: o tempo de solda é aceitável ou a prioridade é velocidade/deposição?
- Ambiente: dá para garantir proteção gasosa (sem vento/correntes de ar)?
- Acesso à junta: há espaço para tocha e, se necessário, vareta, mantendo ângulo e distância estáveis?
- Tipo de junta: o ajuste é bom e a geometria favorece poça pequena e controle fino?