Solda TIG do Zero: Entendendo o processo e quando usar

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 6 minutos

+ Exercício

O que caracteriza a solda TIG (GTAW)

A solda TIG é um processo de soldagem por arco elétrico em que o arco é formado entre um eletrodo de tungstênio não consumível e a peça. O tungstênio não “derrete para virar solda”; ele apenas sustenta o arco e concentra calor. A região do arco é protegida por um gás de proteção (geralmente argônio), que evita contaminação do metal líquido pelo ar.

A adição de material (vareta) é opcional: você pode apenas fundir as bordas (solda autógena) ou adicionar vareta para preencher e reforçar. Na prática, isso dá ao operador um controle muito fino sobre quanto metal entra na junta.

O que a TIG entrega na prática

  • Controle de calor: dá para “dosar” o calor com precisão, útil para não furar chapas finas e para controlar empeno.
  • Acabamento: cordões mais limpos e uniformes, com menos respingos e menos necessidade de retrabalho.
  • Precisão: excelente para juntas pequenas, cantos, detalhes e peças com tolerâncias apertadas.
  • Versatilidade de materiais: muito usada em inox e alumínio quando se busca qualidade visual e controle.

Quando a TIG costuma ser a melhor escolha (aplicações típicas para iniciantes)

1) Chapas finas (aço carbono e inox)

Em espessuras finas, o risco de perfurar e deformar é alto. A TIG permite avançar devagar, manter poça pequena e controlar a penetração.

  • Exemplos: carenagens, suportes leves, caixas metálicas, dutos finos, pequenos reforços em chapas.
  • Por que é boa para iniciantes: você enxerga a poça com clareza e aprende a “ler” o metal derretendo.

2) Inox (quando estética e limpeza importam)

No inox, contaminação e oxidação prejudicam aparência e resistência à corrosão. A proteção gasosa da TIG e o controle de calor ajudam a manter o cordão mais limpo e com coloração mais controlada (dependendo do ajuste e da proteção).

  • Exemplos: corrimãos, suportes aparentes, peças de cozinha, pequenos tanques e tubulações leves.

3) Alumínio (peças finas e reparos)

O alumínio dissipa calor rapidamente e tem camada de óxido superficial. A TIG é muito usada quando se quer controle e acabamento em peças de menor espessura.

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  • Exemplos: suportes, carcaças, peças de bicicleta/moto, tampas, pequenos perfis.

4) Reparos delicados e soldas em áreas pequenas

Quando a peça é pequena, tem geometria complexa ou não pode receber muito calor, a TIG permite trabalhar com poça mínima e deposição controlada.

  • Exemplos: trincas pequenas, pontos de fixação, recuperação de bordas, solda próxima a componentes sensíveis (com proteção e preparação adequadas).

Quando a TIG não é a melhor escolha

Ambiente com vento ou corrente de ar

A TIG depende fortemente da proteção gasosa. Vento “varre” o gás, causando porosidade, oxidação e cordão opaco/contaminado.

  • Sinal prático: mesmo com regulagem correta, o cordão fica áspero, com poros e coloração irregular.
  • Alternativa prática: processos menos sensíveis ao vento (ou usar barreiras/cortinas e melhorar a proteção, quando possível).

Alta produtividade em espessuras grandes

Em materiais mais espessos e longos cordões, a TIG tende a ser mais lenta e com menor taxa de deposição. Isso aumenta tempo de execução e custo.

  • Exemplos: estruturas pesadas, longas soldas em chapas grossas, produção seriada com metas de tempo apertadas.
  • Alternativa prática: MIG/MAG para velocidade e deposição, ou eletrodo revestido para robustez em campo.

Juntas com acesso ruim para tocha e vareta

A TIG normalmente exige coordenar tocha e (muitas vezes) vareta. Se o acesso é limitado, fica difícil manter ângulo, distância e proteção gasosa adequados.

  • Exemplo: cantos muito fechados, cavidades profundas, locais onde a vareta não entra com conforto.

Comparação prática: TIG vs MIG/MAG vs eletrodo revestido

Critério (prático)TIGMIG/MAGEletrodo revestido
Controle do arco e do calorMuito alto; excelente para poça pequena e ajustes finosAlto a médio; bom, mas tende a “entregar” mais metal por tempoMédio; depende muito da mão e do eletrodo, com variação maior
Acabamento e limpezaExcelente; quase sem respingos, cordão bem definidoBom; pode ter respingos e exigir limpeza dependendo do ajusteMais retrabalho; escória e respingos são comuns
Taxa de deposição / velocidadeBaixa; processo mais lentoAlta; ótimo para produtividadeMédia; varia com diâmetro e posição, paradas para troca de eletrodo
Chapas finasExcelenteBoa (com ajuste fino), mas pode ser mais “agressiva”Mais difícil; maior risco de perfurar e deformar
Uso em campo (vento)Ruim sem proteção contra ventoMédio; ainda sensível ao vento, mas costuma tolerar mais que TIGBom; geralmente mais tolerante ao ambiente

Passo a passo prático: como decidir se TIG é a escolha certa antes de começar

Passo 1 — Identifique o material e o objetivo do cordão

  • É inox aparente? TIG costuma ser forte candidata.
  • É alumínio fino com exigência de acabamento? TIG costuma ser forte candidata.
  • É aço carbono estrutural sem exigência estética? talvez MIG/MAG ou eletrodo sejam mais práticos.

Passo 2 — Avalie a espessura e o risco de deformação

  • Fino: TIG ajuda a controlar penetração e reduzir empeno.
  • Grosso e longo: TIG pode ficar lenta; considere processos de maior deposição.

Passo 3 — Verifique o ambiente (proteção gasosa)

  • vento ou corrente de ar? se sim, TIG tende a falhar sem barreiras.
  • Você consegue criar uma zona protegida (cortina, anteparo, box)? se não, reconsidere.

Passo 4 — Cheque acesso e ergonomia da junta

  • Você consegue posicionar a tocha com estabilidade e manter ângulo constante?
  • Se precisar de vareta, há espaço para alimentar a vareta sem encostar no tungstênio?
  • Você consegue manter a proteção gasosa cobrindo a poça durante o avanço?

Passo 5 — Defina se a adição de material é necessária

  • Junta bem ajustada e peça fina: pode ser possível soldar autógeno (sem vareta) em trechos curtos, dependendo do caso.
  • Folga, chanfro, necessidade de reforço: provavelmente vai precisar de vareta; isso aumenta a exigência de coordenação e tempo.

Checklist: “vale a pena TIG aqui?”

  • Material: é inox ou alumínio (ou aço fino) com necessidade de controle e limpeza?
  • Espessura: é fino o suficiente para justificar controle de calor (ou há risco de empeno/furo)?
  • Estética: o cordão ficará aparente e precisa de acabamento superior com pouco retrabalho?
  • Produtividade: o tempo de solda é aceitável ou a prioridade é velocidade/deposição?
  • Ambiente: dá para garantir proteção gasosa (sem vento/correntes de ar)?
  • Acesso à junta: há espaço para tocha e, se necessário, vareta, mantendo ângulo e distância estáveis?
  • Tipo de junta: o ajuste é bom e a geometria favorece poça pequena e controle fino?

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em qual situação a solda TIG tende a NÃO ser a melhor escolha, principalmente por depender da proteção gasosa?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A TIG depende do gás de proteção para evitar contaminação. Com vento, o gás é “varrido”, aumentando porosidade, oxidação e deixando o cordão opaco/irregular.

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