Solda TIG do Zero: Abertura do arco e primeiros cordões em chapa fina (sem e com vareta)

Capítulo 12

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

Objetivo do treino: transformar “abrir arco” em um roteiro repetível

Neste capítulo você vai executar seus primeiros cordões em chapa fina seguindo sempre a mesma sequência: posicionarpré-fluxoabrir arcoformar poçadeslocarencerrar (com pós-fluxo). A ideia é reduzir variáveis: primeiro com cordões autógenos (sem vareta) para treinar calor e velocidade; depois com adição de vareta usando uma cadência simples e constante.

Parâmetros iniciais sugeridos (ponto de partida)

Use estes valores como “primeira tentativa” e ajuste observando a poça. Eles não substituem testes: pequenas mudanças de distância, ângulo e velocidade alteram muito o resultado em chapa fina.

ItemPonto de partida (chapa fina)O que observar
Corrente (DC)30–60 A (autógeno) / 40–80 A (com vareta)Poça deve formar em 0,5–2 s sem “afundar” a chapa
Vazão de gás6–10 L/minPoça brilhante e bordas limpas; sem “soprar” a poça
Extensão do tungstênio3–6 mm (com gas lens pode ser maior)Arco estável sem escurecer a ponta e sem perder proteção
Bocal#6 a #8Cobertura suficiente sem turbulência
Pré-fluxo0,3–0,8 sEvita iniciar com poça “suja”/oxidada
Pós-fluxo5–10 sProtege a poça e o tungstênio ao apagar o arco

Como ajustar rapidamente pela aparência da poça

  • Poça demora a aparecer: aumente um pouco a corrente, reduza levemente a velocidade ou aproxime um pouco o arco (sem encostar).
  • Poça cresce demais e “cai”/fura: diminua a corrente, acelere o deslocamento, faça pausas menores, ou aumente a distância do arco muito levemente.
  • Poça “fosca”/com bordas sujas: revise cobertura de gás (vazão, correntes de ar, distância do bocal) e mantenha pós-fluxo.
  • Arco instável: confira distância do arco consistente e ponta do tungstênio limpa (contaminação muda tudo).

Roteiro repetível do cordão (use sempre a mesma ordem)

1) Posicionamento antes de acionar

  • Apoio: encoste o antebraço ou a lateral da mão na bancada/peça para estabilizar. Tremor é inimigo de chapa fina.
  • Ponto de partida: marque mentalmente onde vai iniciar e onde vai terminar (um risco leve com marcador ajuda).
  • Distância do arco: antes de abrir, “simule” a distância do tungstênio à chapa e memorize a altura.
  • Direção: escolha uma linha reta curta (ex.: 50–80 mm) para o primeiro treino.

2) Pré-fluxo

Acione o comando e espere o pré-fluxo acontecer antes de tentar formar poça. Em chapa fina, iniciar sem proteção suficiente costuma deixar o começo do cordão mais escuro e irregular.

3) Abertura do arco

Abra o arco e não se mova ainda. O primeiro erro comum é “sair andando” antes de existir poça. Mantenha a mão firme e observe o metal reagir.

4) Formação da poça (o “relógio” do seu cordão)

Espere surgir uma poça pequena e controlada, como uma lente oval. Em chapa fina, a poça deve ser pequena e aparecer rápido. Se você precisar de muito tempo para formar poça, provavelmente está com pouca corrente, arco longo demais ou velocidade mental “travada” (hesitação).

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5) Deslocamento (movimento contínuo)

Quando a poça estiver estável, comece a avançar mantendo:

  • Arco curto e constante (altura repetível).
  • Velocidade constante (evite acelerar e frear).
  • Poça do mesmo tamanho: ela é seu indicador. Se aumentar, você está colocando calor demais (ou andando devagar). Se diminuir e “sumir”, está frio (ou rápido demais).

6) Encerramento com pós-fluxo (sem cratera)

O final do cordão é onde aparecem crateras e microtrincas em chapa fina. O objetivo é reduzir energia e preencher o final antes de apagar totalmente.

  • Com pedal: nos últimos 10–15 mm, reduza gradualmente a corrente (como um “fade out”), mantendo o arco curto. Isso diminui a cratera.
  • Com downslope na máquina: use uma rampa de descida (ex.: 1–3 s) e continue apontando para a poça até apagar.
  • Sem pedal e sem downslope: planeje o final. Diminua levemente a velocidade por 1–2 s para “fechar” a poça e então apague com cuidado, mantendo o gás protegendo (não levante a tocha rápido).
  • Pós-fluxo: segure a tocha sobre o final do cordão até terminar o pós-fluxo. Retirar cedo oxida a poça quente e pode contaminar o tungstênio.

Treino 1 — Cordões autógenos (sem vareta): controle de calor e velocidade

O cordão autógeno é o melhor professor: ele mostra imediatamente se você está com calor demais (poça afunda) ou de menos (poça some). O objetivo aqui não é “encher” metal, e sim manter uma poça pequena e constante.

Passo a passo (autógeno em linha reta)

  1. Prepare uma linha guia na chapa (reta de 60–100 mm).
  2. Posicione e estabilize a mão, simule a distância do arco.
  3. Acione e respeite o pré-fluxo.
  4. Abra o arco e espere a poça aparecer.
  5. Avance mantendo a poça do mesmo tamanho. Pense em “arrastar” a poça, não em “desenhar” com a ponta.
  6. Finalize reduzindo corrente (pedal/downslope) e mantenha pós-fluxo.

Metas simples para avaliar

  • Largura constante do cordão do começo ao fim.
  • Cor uniforme (sem escurecer no início ou no final).
  • Sem mordedura nas bordas (sinal de calor alto e/ou velocidade errada).

Erros comuns e correções rápidas (autógeno)

  • “Serpenteando”: falta de apoio. Reposicione o corpo e use um ponto de apoio fixo para a mão.
  • Começo irregular: você se moveu antes da poça estabilizar. Pare, forme poça e só então avance.
  • Furo no meio: calor acumulado. Acelere um pouco, reduza corrente, ou faça cordões mais curtos (30–50 mm) até ganhar consistência.

Treino 2 — Primeiros cordões com vareta: cadência simples e repetível

Ao adicionar vareta, o foco vira sincronizar três coisas: poça, movimento e alimentação. A regra prática: tocha cria e mantém a poça; vareta só entra para alimentar. Se a poça não existe, a vareta só vai “grudar” ou esfriar demais.

Cadência recomendada (ritmo básico)

Use um padrão simples: avança → toca a vareta na borda da poça → retira a vareta → avança. A vareta deve entrar na zona protegida pelo gás e tocar a borda frontal da poça (não “cutucar” o tungstênio).

Passo a passo (com vareta em linha reta)

  1. Forme a poça como no autógeno.
  2. Primeira adição: encoste a ponta da vareta na borda da poça por um instante e retire.
  3. Avance um pequeno passo (alguns milímetros) mantendo a poça viva.
  4. Repita a cadência sempre igual. Se perder o ritmo, pare o avanço, estabilize a poça e retome.
  5. Finalização sem cratera: nos últimos milímetros, reduza corrente e faça uma ou duas adições menores para “tampar” o final antes de apagar.

Sinais de que a cadência está correta

  • O cordão fica com “escamas” regulares (padrão repetido).
  • A poça não apaga quando a vareta encosta (não está frio demais).
  • A vareta não “explode” nem forma bolinhas grandes (não está quente demais ou com excesso de adição).

Problemas típicos ao usar vareta (e como ajustar)

  • Vareta grudando: poça pequena/fria ou você está tocando fora da poça. Aumente levemente a corrente ou espere a poça estabilizar antes de adicionar.
  • Poça some a cada toque: você está adicionando demais ou muito rápido. Reduza a quantidade por toque e aumente um pouco o intervalo.
  • Cordão alto e “gordo”: excesso de vareta ou velocidade baixa. Diminua a adição ou avance mais.
  • Contaminação do tungstênio: vareta encostou na ponta ou você aproximou demais. Pare, corrija e retome com distância de arco consistente.

Sequência de prática (15 a 30 minutos) para ganhar consistência

Bloco A — Linhas retas curtas (autógeno)

  • Faça 6 cordões de 40–60 mm, com pausa entre eles para a chapa perder calor.
  • Objetivo: mesma largura e mesmo brilho do início ao fim.

Bloco B — Linhas retas longas (autógeno)

  • Faça 3 cordões de 80–120 mm.
  • Objetivo: aprender a compensar acúmulo de calor (normalmente exige leve aumento de velocidade no final).

Bloco C — Curvas suaves (autógeno)

  • Desenhe uma curva ampla (tipo “S” aberto) e faça 4 cordões seguindo a linha.
  • Objetivo: manter a poça estável enquanto muda a direção, sem variar a distância do arco.

Bloco D — Repetir A e C com vareta (cadência básica)

  • Faça 4 cordões retos e 2 cordões em curva com a mesma cadência de adição.
  • Objetivo: “escamas” regulares e final sem cratera (redução de corrente + pequena adição final).

Checklist rápido antes de cada cordão (para não “reinventar” o processo)

  • Tenho apoio firme para a mão?
  • Se eu abrir o arco agora, consigo manter a mesma altura por 5 segundos?
  • Vou esperar a poça aparecer antes de andar?
  • Se for com vareta: minha cadência está definida (avança → toca → retira → avança)?
  • No final: vou reduzir corrente (pedal/downslope) e preencher o término antes de apagar?
  • Vou segurar a tocha no pós-fluxo até terminar?

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao iniciar um cordão TIG em chapa fina, qual atitude ajuda a evitar um começo escuro e irregular e melhora a repetibilidade do processo?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Em chapa fina, esperar o pré-fluxo garante proteção de gás no início, e aguardar a poça estabilizar antes de deslocar evita um começo irregular e escurecido.

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