Sistemas em drywall: paredes, forros e shafts com critérios de aplicação

Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

+ Exercício

O que é um “sistema” em drywall e por que isso muda a obra

Em drywall, “sistema” não é apenas a chapa: é o conjunto estrutura (perfis) + fechamento (chapas) + isolantes + tratamentos de juntas + detalhes de borda e fixações. A escolha do sistema define o desempenho (acústico e fogo), a robustez, a facilidade de manutenção e a compatibilidade com instalações e vãos.

Critérios práticos para escolher:

  • Uso do ambiente (privacidade acústica, risco de impacto, umidade).
  • Exigência de fogo (rotas de fuga, áreas técnicas, shafts).
  • Necessidade de manutenção (acesso a registros, válvulas, cabos).
  • Movimentações da edificação (juntas, encontros com estrutura, fachadas e lajes).
  • Compatibilização com portas, vãos, mobiliário e instalações.

Paredes em drywall

Parede simples (uma estrutura, uma chapa por face)

Conceito: uma linha de montantes e guias, com chapas em ambos os lados. Pode receber lã mineral no miolo para melhorar acústica e fogo.

Quando aplicar:

  • Divisórias internas com exigência acústica moderada (salas, quartos em residências, escritórios comuns).
  • Ambientes com baixa carga de fixação (sem armários pesados contínuos) ou com reforços pontuais previstos.
  • Obras com necessidade de rapidez e custo controlado.

Limitações:

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  • Menor isolamento acústico que sistemas duplos/desacoplados.
  • Maior sensibilidade a impacto se não houver chapas mais resistentes ou reforços.
  • Passagens de instalações limitadas pela largura do montante; cruzamentos complexos podem exigir caixas maiores ou replanejamento.

Impactos em desempenho:

  • Acústico: melhora significativamente com lã mineral e com cuidado em vedação perimetral; piora com tomadas “costas com costas” e frestas.
  • Fogo: depende do tipo/quantidade de chapas e do preenchimento; atenção especial a selagens em passagens.
  • Manutenção: fácil para instalações simples; intervenções futuras exigem recortes e recomposição.

Passo a passo prático (parede simples)

  1. Marcação e modulação: marque eixos, vãos e posição de portas. Planeje a modulação para reduzir recortes (largura de chapa e paginação das juntas).
  2. Fixação das guias: instale guias no piso e teto/laje, com fita de vedação/acústica sob as guias quando o objetivo incluir desempenho acústico e controle de vibração.
  3. Montantes: coloque montantes no espaçamento previsto em projeto. Garanta prumo e alinhamento, e preveja montantes duplos nas laterais de portas e em encontros críticos.
  4. Reforços: antes de fechar, instale reforços para cargas (bancadas, armários, TVs) e travessas para fixação de batentes quando necessário.
  5. Instalações: passe elétrica/hidráulica conforme compatibilização. Evite “costas com costas” em caixas elétricas; desencontre ou use caixas acústicas.
  6. Isolante: aplique lã mineral sem compressão excessiva (preenchimento contínuo, sem vazios).
  7. Fechamento com chapas: parafuse as chapas, respeitando afastamentos de borda e espaçamento de parafusos. Desencontre juntas entre faces quando aplicável.
  8. Detalhes perimetrais: mantenha folgas técnicas onde especificado e faça selagem com material adequado (especialmente em requisitos acústicos/fogo).

Parede dupla (duas estruturas ou uma estrutura mais larga, com múltiplas chapas)

Conceito: aumenta massa e/ou separação interna. Pode ser feita com duas chapas por face na mesma estrutura ou com duas estruturas próximas (dependendo do objetivo).

Quando aplicar:

  • Ambientes que exigem maior privacidade acústica (salas de reunião, consultórios, quartos geminados).
  • Quando há exigência de maior resistência ao fogo.
  • Quando há muitas instalações e necessidade de mais espaço interno.

Limitações:

  • Maior custo e tempo de execução.
  • Maior espessura final, impactando área útil e compatibilização com esquadrias/rodapés.
  • Mais peso: verificar capacidade de suporte do forro/estrutura quando aplicável.

Impactos em desempenho:

  • Acústico: melhora por aumento de massa e possibilidade de melhor preenchimento com lã; atenção a pontes rígidas (fixações que conectam faces indevidamente).
  • Fogo: melhora com camadas adicionais e selagens corretas.
  • Manutenção: semelhante à parede simples, porém recortes e recomposições podem ser mais trabalhosos.

Parede desacoplada (duas estruturas independentes)

Conceito: duas estruturas separadas, cada uma suportando sua própria face de chapa, reduzindo a transmissão de vibração (ponte sonora). É um dos sistemas mais eficientes para acústica quando bem executado.

Quando aplicar:

  • Exigência acústica alta (estúdios, salas técnicas, dormitórios com alto ruído externo, consultórios).
  • Quando se deseja reduzir transmissão estrutural entre ambientes.

Limitações:

  • Espessura maior e detalhamento mais rigoroso.
  • Exige cuidado extremo com pontes rígidas (parafusos longos, travamentos indevidos, eletrocalhas conectando as duas estruturas).
  • Compatibilização de portas e vãos fica mais crítica (batentes especiais ou soluções de encontro).

Impactos em desempenho:

  • Acústico: muito superior quando há desacoplamento real + lã mineral + selagem perimetral.
  • Fogo: pode atender bem, desde que o sistema seja especificado e as passagens sejam seladas corretamente.
  • Manutenção: boa para instalações se houver planejamento de rotas; intervenções devem preservar o desacoplamento.

Pontos críticos em paredes (vale para simples, dupla e desacoplada)

  • Juntas perimetrais: encontros com laje, pilares e paredes existentes devem prever folgas e selagens compatíveis com o desempenho requerido. Em acústica, pequenas frestas comprometem o resultado.
  • Movimentações da edificação: em estruturas sujeitas a deformações (lajes mais esbeltas, grandes vãos), prever detalhes que evitem fissuras: juntas, perfis adequados e tratamento correto no encontro com elementos estruturais.
  • Áreas molhadas: usar chapas apropriadas para umidade, impermeabilização onde necessário e evitar que a parede “puxe” umidade do piso. Planejar pontos de inspeção para registros.
  • Portas e vãos: prever reforços, montantes duplos, travessas e dimensionamento do vão conforme o batente. Evitar que juntas de chapa coincidam com cantos de vãos; deslocar juntas para fora das regiões de concentração de tensões.
  • Passagens de instalações: evitar cortes excessivos em montantes; usar furos previstos e reforçar quando necessário. Em hidráulica, prever isolamento de vibração e dilatação; em elétrica/dados, separar rotas para reduzir interferências.

Forros em drywall

Forro fixo (direto na laje/estrutura superior)

Conceito: estrutura de perfis fixada diretamente na laje (ou em elementos superiores) com tirantes curtos ou fixações diretas, formando um plano para receber chapas.

Quando aplicar:

  • Pé-direito menor e necessidade de perder pouca altura.
  • Ambientes com baixa interferência de instalações acima do forro.
  • Quando a laje oferece boa condição de fixação e pouca movimentação diferencial.

Limitações:

  • Menor espaço para instalações e manutenção.
  • Mais sensível a irregularidades da laje se não houver nivelamento adequado.
  • Se a laje tiver movimentação significativa, pode aumentar risco de fissuras se detalhes perimetrais não forem bem resolvidos.

Impactos em desempenho:

  • Acústico: pode melhorar com lã mineral acima do forro e vedação perimetral; porém, o desempenho depende muito de frestas e passagens (luminárias, dutos).
  • Fogo: depende do sistema especificado e do tratamento de aberturas (luminárias, grelhas, sprinklers).
  • Manutenção: acesso limitado; considerar alçapões de inspeção para registros e equipamentos.

Passo a passo prático (forro fixo)

  1. Definir cota e nível: marque o nível do forro em todo o perímetro com nível a laser.
  2. Perfil perimetral: instale o perfil de contorno nas paredes, prevendo junta perimetral conforme necessidade (acústica/movimentação).
  3. Estrutura principal: fixe perfis principais na laje, garantindo alinhamento e espaçamento conforme paginação das chapas.
  4. Travamento: instale perfis secundários para formar a malha e evitar flambagem.
  5. Instalações: antes de fechar, posicione eletrodutos, dutos e suportes de luminárias. Luminárias e equipamentos devem ser suportados pela estrutura, não apenas pela chapa.
  6. Isolante (se previsto): coloque lã mineral sobre o forro, sem obstruir ventilação de equipamentos e sem encostar em fontes de calor não compatíveis.
  7. Fechamento: parafuse as chapas, desencontrando juntas e evitando emendas em regiões de recorte de luminárias.

Forro estruturado (suspenso com tirantes, maior plenum)

Conceito: forro suspenso por tirantes/pendurais, criando um espaço (plenum) maior entre laje e forro para instalações e correções de nível.

Quando aplicar:

  • Ambientes com muitas instalações (HVAC, elétrica, dados, sprinklers).
  • Necessidade de nivelar grandes áreas com laje irregular.
  • Quando se deseja inserir isolamento acústico no plenum ou criar barreira de fogo conforme especificação.

Limitações:

  • Perde mais altura útil.
  • Exige planejamento de cargas (equipamentos, dutos) e pontos de fixação na laje.
  • Maior risco de patologias se houver pendurais mal distribuídos ou sem travamento contra esforços horizontais.

Impactos em desempenho:

  • Acústico: pode ser muito bom com lã mineral e controle de flancos; atenção a passagens e grelhas.
  • Fogo: depende do sistema e do tratamento de aberturas; o plenum pode atuar como caminho de fumaça se não houver compartimentação quando exigida.
  • Manutenção: melhor para passagem e organização de instalações; ainda assim, prever acessos (alçapões) onde houver válvulas, caixas de passagem e equipamentos.

Alturas usuais e modulação básica em forros

  • Altura (plenum): definir pela maior interferência (duto, viga, luminária embutida) + folga de montagem/manutenção. Em áreas com ar-condicionado dutado, o plenum tende a ser maior.
  • Modulação: planeje a paginação para que recortes fiquem em bordas e não concentrem emendas próximas a luminárias e grelhas. Distribua aberturas evitando cortar perfis principais sem reforço.
  • Junta perimetral: em áreas extensas e/ou sujeitas a movimentação, prever detalhes que evitem fissuras no encontro forro-parede (folga e selagem conforme requisito).

Shafts técnicos em drywall

Conceito e função

Shaft é o fechamento vertical (ou enclausuramento) para passagem de instalações prediais: prumadas hidráulicas, esgoto/ventilação, elétrica, dados, exaustão e dutos. Em drywall, o shaft pode ser fixo (fechado) ou com acesso (painéis removíveis/alçapões), conforme a necessidade de manutenção.

Quando aplicar

  • Prumadas com necessidade de compartimentação e organização das instalações.
  • Edifícios com exigência de resistência ao fogo em áreas técnicas e rotas verticais.
  • Quando se deseja reduzir interferências em áreas úteis, concentrando instalações.

Limitações

  • Exige coordenação rigorosa com projetos (hidráulica, elétrica, HVAC, incêndio).
  • Sem ventilação adequada, shafts podem acumular umidade/odores (especialmente em prumadas sanitárias).
  • Sem acessos planejados, a manutenção vira demolição localizada e recomposição frequente.

Impactos em desempenho (acústico, fogo, manutenção)

  • Acústico: prumadas de esgoto são fontes de ruído; o desempenho melhora com desacoplamento de tubulações (abraçadeiras com isolação), lã mineral no fechamento e vedação de frestas. Evitar contato rígido tubo-chapa.
  • Fogo: shafts frequentemente exigem sistemas com maior resistência ao fogo e selagem corta-fogo em todas as passagens entre pavimentos. A continuidade do sistema é tão importante quanto a chapa.
  • Manutenção: prever painéis removíveis/alçapões em registros, válvulas, medidores, caixas de inspeção e pontos de limpeza. Dimensionar acessos para permitir troca de componentes.

Passo a passo prático (shaft técnico com acesso)

  1. Compatibilização: confirme dimensões do shaft com todas as disciplinas. Reserve folgas para dilatação de tubulações, isolamento acústico e montagem de abraçadeiras.
  2. Estrutura: monte guias e montantes, reforçando cantos e regiões onde haverá portas de inspeção.
  3. Tratamento de tubulações: instale suportes independentes para tubulações (não pendurar na chapa). Use isoladores para reduzir vibração e ruído.
  4. Ventilação do shaft: quando necessário, preveja grelhas/aberturas compatíveis com o sistema e com requisitos de fogo (quando aplicável). Evite criar caminho de fumaça em shafts que exigem compartimentação.
  5. Fechamento: aplique chapas conforme especificação de desempenho. Em shafts críticos, é comum usar múltiplas camadas e lã mineral.
  6. Acessos: instale alçapões/painéis removíveis alinhados à modulação e com reforço perimetral. Garanta que o acesso não comprometa o desempenho (vedações, fechos, guarnições).
  7. Selagens: execute selagem perimetral e selagem corta-fogo nas passagens entre pavimentos e em atravessamentos de dutos/tubos, conforme exigência.

Compatibilização com portas, vãos e instalações (regras práticas)

Portas e vãos

  • Estrutura do vão: usar montantes reforçados/duplos nas laterais e travessa superior dimensionada para o vão.
  • Posição de juntas: não deixar juntas de chapa coincidirem com cantos de portas/janelas; deslocar as emendas para reduzir risco de fissuras.
  • Espessura final: conferir se o batente atende a espessura do sistema (parede simples vs dupla/desacoplada).

Passagens de instalações

  • Elétrica e dados: planejar rotas para evitar cruzamentos desnecessários. Evitar caixas opostas na mesma cavidade; desencontrar ou usar soluções específicas.
  • Hidráulica: prever acesso a registros e conexões. Isolar vibração e permitir dilatação. Em áreas molhadas, coordenar impermeabilização e pontos de fixação.
  • HVAC e exaustão: dutos e grelhas devem ter reforços e não podem depender apenas da chapa. Planejar recortes para não enfraquecer a malha do forro.

Modulação básica e dimensões usuais (orientação de projeto e obra)

A modulação busca reduzir recortes, alinhar juntas e facilitar reforços e aberturas. Regras práticas:

  • Paginação de chapas: planeje para que as juntas caiam sobre perfis e evite “tiras” estreitas.
  • Alinhamento com vãos: alinhe montantes com laterais de portas e com pontos de fixação de cargas.
  • Alturas usuais: paredes normalmente acompanham o pé-direito do ambiente; em forros, a cota é definida por interferências e estética. Sempre validar com instalações e luminotécnico.
  • Juntas de movimentação: em áreas grandes e em encontros com estruturas sujeitas a deformação, prever juntas conforme necessidade do projeto para evitar fissuras.

Pontos críticos de desempenho que mais geram retrabalho

Ponto críticoRiscoComo prevenir
Frestas perimetrais e em passagensPerda de acústica e falhas em fogoSelagem adequada, fita sob guias, detalhamento de atravessamentos
Caixas elétricas opostas“Vazamento” sonoroDesencontrar caixas, usar caixas específicas e vedar
Equipamentos apoiados na chapaTrincas, deformações e ruídoSuportar na estrutura/laje, reforçar perfis
Encontro forro-parede sem detalheFissuras por movimentaçãoJunta perimetral, folgas e tratamento correto
Shaft sem acessoManutenção destrutivaAlçapões/painéis removíveis dimensionados e bem posicionados
Áreas molhadas sem coordenaçãoUmidade, mofo, degradaçãoChapa adequada, impermeabilização, ventilação e acessos a registros

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao definir um sistema de drywall para uma parede com alta exigência acústica, qual combinação de decisão e cuidado de execução tende a oferecer o melhor desempenho?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A parede desacoplada reduz a transmissão de vibração entre ambientes. Com lã mineral bem aplicada e selagem perimetral (sem frestas) e sem pontes rígidas, o desempenho acústico tende a ser superior.

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Perfis e fixações no drywall: guia completo de montantes, guias e acessórios

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