Perfis e fixações no drywall: guia completo de montantes, guias e acessórios

Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

O que são perfis e por que eles determinam o desempenho

No drywall, os perfis metálicos formam a “estrutura” que recebe as chapas e transfere cargas para o substrato (laje, parede existente, estrutura metálica). A escolha correta de guias, montantes e perfis de forro influencia diretamente: prumo e alinhamento, resistência a impactos, controle de vibração/ruídos, estabilidade contra flambagem (empenamento do montante sob compressão) e durabilidade das fixações.

Tipos de perfis: guias, montantes, canaletas e perfis de forro

Guias (U): função e variações

As guias são perfis em “U” usados como base e topo de paredes (piso e teto) e também como contorno em forros. Elas definem o perímetro e recebem os montantes. Principais variações:

  • Largura (alma): compatível com a espessura da parede (ex.: 48, 70, 90 mm, conforme linha do fabricante). Larguras maiores ajudam quando há necessidade de passagem de instalações, maior rigidez ou melhor desempenho acústico (quando combinado com demais camadas e detalhes).
  • Espessura do aço: perfis mais espessos aumentam rigidez e capacidade de fixação, sendo preferíveis em paredes altas, com portas, cargas suspensas ou maior solicitação.
  • Guia com furos/ranhuras: facilita passagem de fixações e alinhamento, mas não substitui a verificação de espaçamento e tipo de bucha/chumbador.

Montantes (C): função e variações

Os montantes são perfis em “C” posicionados verticalmente (paredes) ou usados como elementos estruturais em alguns arranjos de forro. Eles suportam as chapas e recebem parafusos. Variações importantes:

  • Largura: deve casar com a guia (mesma linha/largura). Montante mais largo tende a reduzir vibração e melhorar estabilidade em alturas maiores.
  • Espessura: quanto maior, maior resistência à flambagem e melhor “pegada” de parafuso. Em regiões com portas, reforços e cargas, é comum adotar espessura superior ou reforços locais.
  • Tipo de borda/rigidez: alguns perfis têm nervuras que aumentam rigidez. Isso ajuda a reduzir “batimento” e ruídos por vibração.

Canaletas e perfis complementares

  • Canaleta/Perfil de amarração: usado como travessa horizontal, reforço em vãos, contorno e amarrações. Ajuda a controlar flambagem e a criar pontos de fixação para chapas e reforços.
  • Perfis de reforço: perfis mais robustos (ou duplos) para regiões com cargas (armários, bancadas, suportes) e para vãos de portas.

Perfis de forro (estrutura suspensa)

Em forros, a estrutura costuma ser composta por perfis principais e secundários (conforme sistema do fabricante). O objetivo é criar uma malha rígida, nivelada e com pontos de suspensão bem distribuídos.

  • Perfil perimetral: contorna o ambiente e define o nível do forro.
  • Perfis principais: recebem as suspensões (tirantes) e distribuem carga.
  • Perfis secundários/travessas: conectam aos principais e criam o espaçamento para fixação das chapas.

Acessórios: quando usar e o que cada um resolve

Tirantes (suspensões)

São elementos que penduram a estrutura do forro na laje/estrutura superior. Podem ser arame, barra roscada, fita perfurada ou tirantes específicos do sistema. Critérios práticos:

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  • Quanto maior a carga (múltiplas chapas, lã mineral, luminárias), mais importante usar tirantes com melhor controle de alongamento e fixação robusta no substrato.
  • Quanto maior o plenum (distância até a laje), maior a tendência a vibração: prefira soluções com regulagem firme e travamento.

Reguladores/esticadores/niveladores

Permitem ajustar o nível do forro com precisão. Boas práticas:

  • Travar o regulador após nivelar para evitar “cedimento” com o tempo.
  • Evitar reguladores subdimensionados para a carga prevista.

Conectores, uniões e emendas

Peças que unem perfis (principal-secundário, emendas longitudinais, cruzamentos). Elas garantem transferência de carga e evitam folgas que viram ruído.

  • Conector rígido: preferível quando há risco de vibração (salas com tráfego, equipamentos, portas batendo).
  • União de emenda: deve manter alinhamento e evitar degrau entre perfis.

Travessas e contraventamentos

Travessas (bloqueios horizontais) em paredes e contraventamentos em forros aumentam rigidez e reduzem vibração.

  • Em paredes altas, travessas intermediárias ajudam a controlar flambagem e “tamborilar” das chapas.
  • Em forros grandes, contraventamento ajuda a evitar deslocamentos laterais da malha.

Como selecionar fixações conforme o substrato e a carga

Princípios rápidos para não errar

  • Substrato manda na bucha/chumbador: concreto, alvenaria e aço exigem soluções diferentes.
  • Carga e solicitação: não é só “peso”; considere vibração, impacto, tração (puxando) e cisalhamento (cortando).
  • Qualidade do suporte: concreto fraco, alvenaria oca ou revestimentos soltos reduzem drasticamente a capacidade.
  • Fixação do perfil ≠ fixação de carga: para pendurar armário, não confie apenas na chapa; planeje reforço e ancoragem na estrutura.

Fixação em concreto (laje/viga/pilar)

Usos típicos: tirantes de forro, guias no piso/teto, suportes de carga.

  • Chumbador mecânico (expansão/parabolt): bom para cargas médias/altas, exige furo bem executado e profundidade correta. Evite em bordas muito próximas sem critério.
  • Chumbador químico: indicado quando se busca alta capacidade, melhor desempenho em bordas/zonas críticas (conforme projeto) e em situações onde expansão é indesejada. Exige limpeza rigorosa do furo e tempo de cura.
  • Bucha de nylon (uso leve): pode servir para guias com baixa solicitação, desde que o concreto esteja íntegro e o espaçamento de fixações seja adequado.

Fixação em alvenaria (bloco cerâmico, bloco de concreto, tijolo maciço)

Usos típicos: guias laterais, amarrações, reforços.

  • Alvenaria maciça: bucha de nylon de boa qualidade pode funcionar para guias e fixações leves; para cargas maiores, considerar chumbadores específicos.
  • Bloco oco/cerâmico: prefira buchas próprias para oco (expansão controlada, tipo basculante ou química com tela, conforme o caso). Bucha comum tende a “girar” ou esmagar o bloco.
  • Reboco fraco: não ancorar apenas no revestimento. O furo deve atingir o material resistente (bloco/tijolo) com profundidade adequada.

Fixação em estrutura metálica (aço)

Usos típicos: fixar guias em vigas metálicas, prender acessórios e perfis a estruturas existentes.

  • Parafuso autobrocante/autoperfurante: solução comum quando a espessura do aço permite. Escolha ponta e rosca compatíveis com a espessura do metal base.
  • Rebite: útil em algumas ligações de perfis/acessórios quando não se deseja rosca, mas deve ser aplicado com critério para não criar folgas.
  • Chumbadores específicos: quando há chapa grossa ou necessidade de alta capacidade, avaliar soluções de ancoragem adequadas ao aço e ao acesso disponível.

Fixações entre perfis e parafusos de chapas

  • Perfil-perfil: normalmente feito com parafuso ponta broca (autobrocante) adequado à espessura do perfil. Evite parafuso curto demais (rosca “não pega”) ou longo demais (sobra e atrapalha).
  • Chapa-perfil: usar parafuso específico para drywall (ponta agulha ou broca, conforme espessura do perfil). O parafuso deve penetrar e “morder” o aço sem espanar.

Passo a passo prático: montagem de parede (guias e montantes) com foco em alinhamento e rigidez

1) Marcação e esquadro

  • Marque o eixo da parede no piso e transfira para o teto com prumo/laser.
  • Confira esquadro em cantos e encontros. Um pequeno erro no início vira folga e desalinhamento na fixação das chapas.

2) Fixação das guias (piso e teto)

  • Posicione a guia na marcação e faça pré-furos conforme o tipo de substrato.
  • Selecione bucha/chumbador compatível (concreto/alvenaria/aço) e aplique no espaçamento previsto para evitar “barriga” na guia.
  • Garanta que a guia fique reta: se o piso for irregular, corrija o apoio (sem “forçar” a guia a acompanhar ondulações).

3) Inserção e posicionamento dos montantes

  • Corte montantes com medida correta, evitando folga excessiva (folga vira vibração) e evitando travamento (travamento pode empenar).
  • Posicione montantes no espaçamento definido (conforme paginação das chapas e exigências de desempenho).
  • Oriente todos os montantes no mesmo sentido para facilitar passagem de instalações e padronizar fixações.

4) Travamento, reforços e pontos de carga

  • Instale travessas horizontais onde houver emendas de chapas, encontros, alturas elevadas ou necessidade de rigidez adicional.
  • Planeje reforços para cargas (armários, TV, barras): use travessas, perfis duplos ou reforço estrutural, evitando depender apenas da chapa.

5) Conferência final antes das chapas

  • Cheque prumo, alinhamento e esquadro.
  • Verifique se há perfis “soltos” (sem travamento) que possam vibrar.
  • Confirme se as fixações das guias estão firmes e sem giro.

Passo a passo prático: estrutura de forro com tirantes e perfis

1) Definir nível e instalar perfil perimetral

  • Marque o nível do forro com laser/mangueira de nível.
  • Fixe o perfil perimetral no contorno com buchas adequadas ao substrato (alvenaria/concreto). Evite fixar em revestimento fraco.

2) Marcar pontos de suspensão e instalar chumbadores

  • Distribua os pontos de tirante conforme a malha e as cargas (chapas, isolantes, luminárias).
  • Em concreto, execute furo com diâmetro/profundidade corretos e limpe antes de instalar chumbador (principalmente no químico).

3) Montar perfis principais e secundários

  • Instale tirantes e reguladores, deixando pré-nivelado.
  • Monte perfis principais, depois secundários com conectores apropriados, evitando folgas.
  • Faça contraventamento quando necessário para evitar deslocamento lateral e ruídos.

4) Nivelamento e travamento

  • Nivele toda a malha e trave reguladores/conectores.
  • Reconfira alinhamento antes de fechar com chapas, pois correção depois é mais difícil e gera tensões.

Boas práticas de corte, emendas, alinhamento e esquadro

Corte de perfis

  • Use tesoura de corte para perfil ou serra adequada. Evite deformar a alma do perfil.
  • Remova rebarbas que podem rasgar luvas, danificar instalações ou impedir encaixes.

Emendas de perfis

  • Evite emendar montante “no vazio” sem reforço. Prefira emendas com sobreposição e fixação suficiente, ou use união própria do sistema.
  • Não concentre emendas na mesma linha (efeito “dobradiça”). Distribua para manter rigidez.

Alinhamento e esquadro

  • Trabalhe com linha/laser para manter guias retas e montantes alinhados.
  • Em vãos de porta, garanta montantes reforçados e travessa superior bem fixada para evitar trinca e ruído.

Como reduzir flambagem, vibração e ruídos

  • Flambagem: use montantes mais rígidos/espessos quando necessário, reduza vão livre com travessas e evite montante “folgado” dentro da guia.
  • Vibração: aumente rigidez com travessas/contraventamento, conectores firmes e espaçamentos corretos de suspensão no forro.
  • Ruídos: elimine folgas em conexões, evite perfis empenados, e garanta fixações bem apertadas (sem espanar). Folga metálica costuma virar estalo com variação térmica e uso.

Erros comuns (e como evitar)

1) Espaçamento inadequado de montantes ou suspensões

  • Problema: chapa fica “mole”, surgem vibrações, trincas em juntas e sensação de parede fraca.
  • Como evitar: seguir paginação das chapas e critérios do sistema; em áreas com impacto/carga, reduzir espaçamentos e reforçar.

2) Fixação insuficiente das guias no substrato

  • Problema: guia “anda”, perde alinhamento, gera ruído e compromete portas e acabamentos.
  • Como evitar: escolher bucha/chumbador correto e aplicar quantidade/posição de fixações que impeça flambagem da guia e deslocamentos.

3) Uso de parafuso incorreto (tipo, comprimento ou ponta)

  • Problema: parafuso espana no perfil, não fixa, cria folga e ruído; ou perfura demais e atrapalha instalações.
  • Como evitar: compatibilizar ponta (agulha/broca) e rosca com a espessura do aço; testar em amostra quando houver dúvida; evitar reaperto excessivo.

4) Perfis subdimensionados para altura, vãos e cargas

  • Problema: montantes empenam, portas desalinhadas, trincas em cantos e baixa resistência a impacto.
  • Como evitar: aumentar largura/espessura do perfil, usar reforços locais (duplagem, travessas), e prever pontos de carga antes de fechar as chapas.

5) Emendas mal executadas e conexões com folga

  • Problema: “batimento” metálico, degraus no plano, dificuldade na fixação das chapas e patologias em juntas.
  • Como evitar: usar conectores/uniões adequadas, sobreposição com fixação suficiente e travamento para eliminar jogo.
DecisãoO que observarEscolha prática
Perfil (largura)Altura da parede, necessidade de passagem de instalações, rigidezLarguras maiores quando há maior altura/carga ou necessidade de rigidez
Perfil (espessura)Risco de flambagem, portas, cargas suspensasEspessura maior em regiões críticas e paredes altas
Fixação no concretoCarga e segurançaChumbador mecânico/químico para cargas maiores; bucha nylon apenas em usos leves e concreto íntegro
Fixação em bloco ocoRisco de esmagar/girarBucha específica para oco ou química com tela, conforme necessidade
Forro (vibração)Plenum alto, luminárias/equipamentosTirantes e reguladores mais rígidos, conectores firmes e contraventamento

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao selecionar a fixação para instalar a estrutura do drywall, qual princípio ajuda a evitar falhas e perda de desempenho?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A fixação correta depende do substrato e da solicitação da carga. Considerar vibração, impacto, tração e cisalhamento evita folgas, ruídos e falhas. Para cargas, deve-se prever reforços e ancoragem na estrutura, não apenas na chapa.

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Chapas de drywall ST, RU e RF: seleção por ambiente e desempenho

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