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Escriturário do Banco do Brasil - Agente Comercial: Preparação para Aprovação

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Sistema Financeiro Nacional e instituições: base para o Escriturário do Banco do Brasil – Agente Comercial

Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é o conjunto de órgãos e instituições que viabilizam a circulação de recursos na economia, conectando quem tem dinheiro disponível (poupadores) com quem precisa de recursos (tomadores), além de organizar regras, fiscalização e execução de políticas para manter estabilidade, confiança e funcionamento do sistema.

1) Estrutura do SFN: quem faz o quê

Para prova, pense no SFN como um “sistema de três camadas”: (1) quem define diretrizes, (2) quem regula e fiscaliza, (3) quem opera (intermedia e executa serviços financeiros).

1.1 Conselho Monetário Nacional (CMN): diretrizes e normas gerais

Função central: órgão máximo normativo do SFN. Define diretrizes da política monetária, creditícia e cambial, estabelecendo regras gerais para o funcionamento do sistema.

  • O que cai muito: CMN não atende público e não executa operações; ele define normas e diretrizes.
  • Exemplos de decisões típicas (conceituais): diretrizes para crédito, regras gerais para instrumentos de política monetária, orientação para atuação do sistema financeiro.

1.2 Banco Central do Brasil (BCB): executor da política monetária e supervisor do sistema bancário

Funções centrais: executar a política monetária, zelar pela estabilidade do poder de compra da moeda e pela solidez do sistema financeiro. Atua como regulador e supervisor de instituições financeiras (especialmente as bancárias) e como autoridade monetária.

  • O que cai muito: BCB executa (opera) instrumentos de política monetária e supervisiona instituições financeiras sob seu escopo.
  • Exemplos práticos do papel do BCB: ajustar liquidez via operações de mercado aberto; definir e administrar recolhimentos compulsórios; supervisionar bancos e cooperativas de crédito (no que couber); autorizar funcionamento de instituições dentro de sua competência.

1.3 Comissão de Valores Mobiliários (CVM): regulador e fiscal do mercado de capitais

Função central: disciplinar, normatizar e fiscalizar o mercado de valores mobiliários, protegendo investidores e garantindo transparência e integridade do mercado.

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  • O que cai muito: CVM é “mercado de capitais”; BCB é “sistema bancário/monetário”.
  • Exemplos práticos do papel da CVM: fiscalizar companhias abertas, ofertas públicas, fundos de investimento (no âmbito do mercado de capitais), condutas de administradores e intermediários do mercado.

1.4 Instituições financeiras: quem intermedia e presta serviços

Função central: captar recursos (depósitos, emissão de títulos, captação no mercado) e aplicar/emprestar recursos (crédito, investimentos), além de prestar serviços financeiros.

  • Bancos comerciais e múltiplos: foco em depósitos, crédito, serviços de pagamento e atendimento a pessoas físicas e jurídicas.
  • Cooperativas de crédito: intermediação financeira com base associativa (cooperados), oferecendo produtos e crédito conforme regras do cooperativismo.
  • Caixas econômicas (quando aplicável): atuação com foco em poupança, crédito e serviços, conforme legislação.
  • Instituições de pagamento (arranjos e emissores): viabilizam pagamentos e movimentação de recursos em contas de pagamento; não são bancos, mas integram o ecossistema de pagamentos e são reguladas conforme seu enquadramento.

1.5 Banco do Brasil (BB): banco comercial com papel relevante no crédito e serviços

Função central: como instituição financeira, o BB atua na intermediação financeira (captação e concessão de crédito), prestação de serviços e atendimento ao público. Em provas, é comum cobrarem a distinção entre “órgãos normativos/fiscalizadores” e “instituições operadoras”.

  • Ponto de atenção: BB não é órgão regulador do SFN; ele é agente operador (instituição financeira) sujeito a regras e supervisão dos órgãos competentes.
  • Exemplo prático: capta depósitos de clientes e concede crédito (ex.: capital de giro, crédito pessoal), precificando risco e observando normas prudenciais.

2) Intermediação financeira: conceito e lógica de prova

Intermediação financeira é o processo em que uma instituição financeira capta recursos de agentes superavitários (poupadores) e os direciona a agentes deficitários (tomadores), cobrando uma remuneração pelo serviço e pelo risco.

2.1 Como a intermediação acontece (passo a passo conceitual)

  • 1) Captação: o banco obtém recursos (ex.: depósitos à vista, depósitos a prazo, poupança, captações no mercado).
  • 2) Transformação: transforma prazos, valores e riscos (ex.: muitos depósitos pequenos e de curto prazo podem financiar empréstimos maiores e mais longos, com gestão de liquidez).
  • 3) Aplicação: concede crédito, compra títulos, realiza operações permitidas.
  • 4) Gestão de riscos: controla risco de crédito (inadimplência), risco de liquidez (saques), risco de mercado (taxas), risco operacional.
  • 5) Remuneração: ganha via spread (diferença entre custo de captação e taxa cobrada no crédito) e tarifas/serviços (quando aplicável).

2.2 Depósitos: noções essenciais para concurso

Depósitos são formas de captação. Em nível conceitual, o que mais importa é entender o impacto na liquidez e no custo de captação.

  • Depósitos à vista: alta liquidez para o cliente; custo e gestão de liquidez relevantes para o banco.
  • Depósitos a prazo: recursos com prazo definido; em geral, maior previsibilidade para o banco.
  • Poupança: captação tradicional, com regras próprias de remuneração e uso típico em funding.

2.3 Crédito: noções essenciais e pontos cobrados

Crédito é a entrega de recursos hoje com promessa de pagamento futuro, envolvendo risco e precificação.

  • Elementos do crédito: prazo, taxa, garantias, capacidade de pagamento, risco do tomador, finalidade.
  • Precificação (visão de prova): taxa tende a refletir custo de captação + risco + custos + margem.
  • Garantias: reduzem risco esperado, podendo influenciar taxa e limite.

3) Política monetária: objetivos e instrumentos (nível conceitual)

Política monetária é o conjunto de ações da autoridade monetária para influenciar a quantidade de moeda e as condições de crédito na economia, afetando juros, inflação e atividade econômica.

3.1 Objetivos mais cobrados

  • Controle da inflação: preservar poder de compra da moeda.
  • Estabilidade do sistema financeiro: reduzir riscos sistêmicos e manter confiança.
  • Suavização do ciclo econômico: influenciar nível de atividade e crédito (sem prometer “crescimento garantido”).

3.2 Instrumentos clássicos (o que são e como funcionam)

Em provas, costuma cair a associação “instrumento → efeito esperado”.

  • Operações de mercado aberto (open market): compra e venda de títulos para ajustar liquidez. Compra de títulos tende a injetar liquidez; venda tende a retirar liquidez.
  • Depósito compulsório (recolhimento compulsório): parcela dos depósitos que deve ser recolhida/retida conforme regra. Aumentar compulsório tende a reduzir liquidez e capacidade de concessão de crédito; reduzir compulsório tende a aumentar liquidez.
  • Taxa básica de juros (referência): influencia custo do dinheiro e a estrutura de taxas. Elevar juros tende a desacelerar crédito e demanda; reduzir juros tende a estimular crédito e atividade (com efeitos sobre inflação).
  • Redesconto/assistência de liquidez: mecanismo para prover liquidez a instituições em situações específicas, com regras e custos, visando estabilidade.

3.3 Leitura prática para o dia a dia do escriturário

Mesmo sem executar política monetária, o escriturário percebe efeitos no atendimento:

  • Juros sobem → clientes perguntam sobre custo de empréstimos e renegociação.
  • Crédito mais restrito → maior foco em análise e documentação.
  • Liquidez e taxas mudam → produtos de captação ficam mais/menos atrativos.

4) Mercado de crédito x mercado de capitais: diferenças que mais caem

4.1 Mercado de crédito

É o ambiente em que recursos são emprestados por instituições financeiras a tomadores, com contratos de dívida (empréstimos, financiamentos). Intermediação bancária é típica aqui.

  • Característica-chave: relação credor-devedor com instituição financeira como intermediária.
  • Exemplo: empresa toma capital de giro no banco; pessoa física contrata crédito pessoal.

4.2 Mercado de capitais

É o ambiente de captação direta (ou mais direta) de recursos por empresas e emissores junto a investidores, via instrumentos como ações e títulos/valores mobiliários, com regras e fiscalização específicas.

  • Característica-chave: financiamento via emissão de valores mobiliários, com foco em transparência e proteção ao investidor.
  • Exemplo: companhia realiza oferta de ações; emissão de valores mobiliários distribuídos ao público investidor.

4.3 Atalho de prova

  • Crédito: banco empresta (intermediação forte).
  • Capitais: emissor capta do investidor via mercado (CVM no radar).

5) Mapas mentais de responsabilidades (quem regula, fiscaliza, executa)

MAPA 1 — VISÃO GERAL (prova: associação rápida)  CMN  → define diretrizes e normas gerais (normativo)  BCB  → executa política monetária + regula/supervisiona instituições sob seu escopo  CVM  → regula/fiscaliza mercado de valores mobiliários (mercado de capitais)  IFs (ex.: BB) → operam: captam, emprestam, prestam serviços (intermediação)
MAPA 2 — TRÊS PERGUNTAS-CHAVE  1) Quem define as diretrizes gerais do SFN? → CMN  2) Quem executa instrumentos de política monetária e supervisiona bancos? → BCB  3) Quem fiscaliza o mercado de capitais/valores mobiliários? → CVM
MAPA 3 — “REGULA x FISCALIZA x EXECUTA” (resumo)  Regula (normas gerais): CMN  Fiscaliza/supervisiona (sistema bancário/monetário): BCB  Fiscaliza (valores mobiliários): CVM  Executa operações financeiras com clientes: Bancos e demais instituições (ex.: BB)

6) Exercícios de associação (com gabarito)

6.1 Associe a instituição à função principal

  • (A) CMN
  • (B) BCB
  • (C) CVM
  • (D) Banco do Brasil (instituição financeira)

1) ( ) Define diretrizes e normas gerais da política monetária e creditícia.

2) ( ) Executa instrumentos de política monetária e supervisiona instituições financeiras no seu escopo.

3) ( ) Regula e fiscaliza o mercado de valores mobiliários, com foco em proteção ao investidor e transparência.

4) ( ) Capta depósitos e concede crédito ao público, operando a intermediação financeira.

Gabarito: 1-A; 2-B; 3-C; 4-D.

6.2 Associe o instrumento ao efeito esperado (conceitual)

1) Aumentar compulsório → ( )

2) Comprar títulos no mercado aberto → ( )

3) Elevar taxa básica de juros → ( )

  • (A) Injetar liquidez no sistema
  • (B) Reduzir liquidez e, em geral, restringir crédito
  • (C) Desestimular crédito e demanda, ajudando a conter inflação

Gabarito: 1-B; 2-A; 3-C.

7) Verdadeiro/Falso (com justificativas curtas)

1) ( ) O CMN executa operações de mercado aberto para controlar a liquidez.

Resposta: F. Justificativa: CMN define diretrizes; quem executa instrumentos é o BCB.

2) ( ) A CVM está diretamente associada à regulação e fiscalização do mercado de capitais.

Resposta: V. Justificativa: valores mobiliários e proteção ao investidor são seu foco.

3) ( ) O Banco do Brasil, por ser banco, é órgão regulador do SFN.

Resposta: F. Justificativa: BB é instituição operadora; segue normas e supervisão dos reguladores.

4) ( ) Aumentar o compulsório tende a reduzir a capacidade de concessão de crédito dos bancos.

Resposta: V. Justificativa: retém mais recursos, reduzindo liquidez disponível.

5) ( ) No mercado de crédito, a intermediação bancária é típica, com contratos de dívida entre banco e tomador.

Resposta: V. Justificativa: empréstimos e financiamentos são formas clássicas de crédito bancário.

6) ( ) No mercado de capitais, a captação ocorre tipicamente por emissão de valores mobiliários para investidores.

Resposta: V. Justificativa: ações e outros valores mobiliários viabilizam captação junto ao público investidor.

7) ( ) Vender títulos em operações de mercado aberto tende a aumentar a liquidez do sistema.

Resposta: F. Justificativa: venda tende a retirar liquidez; compra tende a injetar.

8) ( ) Elevação da taxa básica de juros tende a encarecer o crédito e reduzir a demanda por empréstimos, ceteris paribus.

Resposta: V. Justificativa: juros mais altos aumentam custo do dinheiro e desestimulam tomada de crédito.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em uma situação de aumento da inflação, qual medida de política monetária tende a desestimular o crédito e a demanda, contribuindo para conter a inflação?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Elevar a taxa básica de juros tende a aumentar o custo do crédito, reduzindo a demanda por empréstimos e ajudando a conter pressões inflacionárias. Já comprar títulos injeta liquidez, e reduzir o compulsório tende a aumentar liquidez.

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