Rotinas administrativas do INSS: visão operacional
Nas rotinas do INSS, o Técnico do Seguro Social atua no ciclo do requerimento e na manutenção do benefício, garantindo que o processo tenha documentos mínimos, dados coerentes e decisão fundamentada. Na prática, o trabalho envolve: recepcionar e qualificar o pedido, instruir o processo com documentos e consultas a bases, emitir exigências quando faltar informação, apoiar a decisão (deferimento/indeferimento), comunicar o resultado e orientar sobre recurso e revisões quando cabíveis.
Conceitos essenciais para o dia a dia
Requerimento: pedido formal do cidadão para obter um serviço/benefício. Pode ser inicial (concessão), de manutenção (ex.: reativação, atualização cadastral, prova de vida quando aplicável) ou de revisão (revisar ato já praticado).
Instrução do processo: conjunto de atos para tornar o processo “decidível”, reunindo documentos, declarações, consultas a sistemas e registros, e organizando a análise.
Exigência: solicitação formal ao requerente para complementar documentos/informações indispensáveis. É usada quando há lacuna, inconsistência ou necessidade de esclarecimento que impeça a decisão segura.
Deferimento: decisão favorável, com implantação do benefício/serviço e registro dos parâmetros (DIB, DIP, RMI, espécie, dependentes, etc., conforme o caso).
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Indeferimento: decisão desfavorável por ausência de requisito, documentação insuficiente não sanada, inconsistências não esclarecidas ou vedação legal. Deve ser motivado e comunicável.
Manutenção de benefício: rotinas para manter pagamento correto e regularidade cadastral (atualizações, bloqueios/desbloqueios, cessação, reativação, acertos pós-concessão).
Revisão: reanálise de ato de concessão/manutenção para corrigir erro material, incluir informação relevante, adequar parâmetros ou atender decisão administrativa/judicial, observadas regras internas e prazos aplicáveis.
Fluxograma textual do ciclo do requerimento
Entrada do requerimento → Triagem/qualificação → Instrução (documentos + consultas a bases) → Exigência (se necessário) → Análise final → Decisão (deferimento/indeferimento) → Comunicação ao requerente → Recurso (se interposto) / Cumprimento de decisão recursal1) Entrada do requerimento (protocolo)
Objetivo: registrar o pedido e vincular ao CPF/NIT, definindo o tipo de serviço e o canal de atendimento.
- Confirmar dados básicos: identificação, contatos, endereço, dados bancários quando aplicável.
- Verificar se o serviço solicitado corresponde ao pedido (evitar “assunto errado” que atrasa a análise).
- Checar se há representante legal/procurador e se a representação está válida.
Exemplo prático: o cidadão solicita “auxílio por incapacidade” mas anexa documentos de “salário-maternidade”. Providência: orientar a correção do serviço e registrar adequadamente para evitar indeferimento por falta de objeto.
2) Triagem e qualificação do pedido
Objetivo: identificar rapidamente se há documentação mínima e se existem alertas de inconsistência que exigirão diligência.
- Documentos mínimos de identificação: documento oficial com foto e CPF (ou dados equivalentes), e documentos específicos do serviço.
- Checagem de legibilidade e completude dos anexos.
- Verificação de duplicidade: pedido idêntico em andamento ou benefício ativo que conflite com o requerimento.
Exemplo prático: há requerimento anterior do mesmo benefício “em análise”. Providência: orientar sobre o andamento e evitar novo protocolo, salvo orientação interna para complementação por exigência no processo já existente.
3) Instrução: análise documental e consultas a bases
Objetivo: formar convicção administrativa com base em documentos e registros oficiais, reduzindo risco de erro.
Fontes típicas de instrução (exemplos):
- Documentos do requerente: RG/CPF, certidões, comprovantes, declarações, laudos, CTPS, contratos, termos de rescisão, procurações/curatela.
- Registros e bases: vínculos e remunerações, contribuições, benefícios anteriores, dados cadastrais, e cruzamentos para detectar inconsistências.
- Documentos de terceiros: documentos do instituidor (pensão), documentos do empregador, documentos de dependentes.
Boas práticas na instrução:
- Conferir coerência entre datas (nascimento, casamento, óbito, início de incapacidade, início de união, início de vínculo).
- Conferir autenticidade aparente e integridade (páginas faltantes, rasuras, divergência de nomes).
- Registrar no processo o que foi considerado e por quê (rastreabilidade).
4) Exigência: quando usar e como formular
Objetivo: permitir que o requerente complemente o processo com itens indispensáveis, evitando indeferimento por falta de prova.
Quando a exigência é adequada:
- Falta documento essencial para comprovar fato constitutivo (ex.: certidão de óbito em pensão).
- Documento está ilegível/incompleto (ex.: CTPS sem páginas de identificação e contratos).
- Há divergência de dados que precisa ser esclarecida (ex.: nome de casada diferente do RG, datas conflitantes).
- Há necessidade de detalhamento (ex.: declaração de atividade, comprovação de dependência econômica quando exigida).
Como redigir uma exigência eficaz:
- Especificar exatamente o que falta (documento, período, informação).
- Indicar formato aceito (cópia legível, frente e verso, páginas completas).
- Relacionar o item ao requisito que precisa ser comprovado (sem jargão excessivo).
- Evitar exigências genéricas (“juntar documentos”) e evitar pedir o que o INSS pode obter por consulta interna.
Exemplos de documentos e situações que geram exigência:
- Identificação: documento com foto vencido e sem dados suficientes; CPF divergente do cadastro; ausência de documento do representante legal.
- Tempo/vínculo: CTPS sem páginas de identificação; contrato de trabalho sem assinatura; divergência entre datas da CTPS e declaração do empregador; ausência de TRCT quando necessário para esclarecer data de desligamento.
- Dependentes: certidão de nascimento do filho ilegível; certidão de casamento com averbação ausente; necessidade de comprovar união estável (ex.: documentos em nome do casal, declaração com firmas, contas conjuntas, etc., conforme o caso).
- Óbito: certidão de óbito ausente; divergência de nome do instituidor entre certidão e documentos; necessidade de comprovar qualidade de dependente.
- Incapacidade: atestado/laudo sem CID ou sem data; documento médico sem assinatura/CRM; ausência de exames complementares quando o documento é insuficiente para subsidiar encaminhamento pericial.
- Dados bancários: conta de titularidade divergente; ausência de comprovante quando exigido pelo procedimento; dados incompletos (agência/conta).
5) Análise final e decisão (deferimento/indeferimento)
Objetivo: concluir o processo com decisão motivada, baseada nos elementos constantes dos autos.
Deferimento: ocorre quando os requisitos estão comprovados e não há pendências. Rotinas típicas:
- Conferir dados finais (qualificação, dependentes, datas relevantes, forma de pagamento).
- Registrar parâmetros do benefício/serviço e providenciar implantação.
- Gerar comunicação clara do resultado e dos próximos passos (ex.: acompanhamento, atualização cadastral, obrigações do beneficiário).
Indeferimento: ocorre quando, após instrução e eventual exigência, permanece ausência de requisito ou prova. Pontos de atenção:
- Motivar com base no que faltou ou no que ficou inconsistente.
- Indicar que documentos foram analisados e por que não foram suficientes.
- Evitar indeferir por “falta de documento” se não houve exigência quando cabível e possível.
Exemplo prático: pedido de pensão por morte sem certidão de óbito anexada. Providência adequada: emitir exigência solicitando a certidão. Indeferir diretamente tende a ser falha procedimental se a exigência era viável.
6) Comunicação ao requerente
Objetivo: dar ciência do resultado e orientar sobre providências seguintes.
- Comunicação deve ser compreensível: o que foi decidido, a partir de quando, e quais documentos/razões fundamentaram.
- Em caso de exigência: informar itens, prazo e como cumprir.
- Em caso de indeferimento: informar possibilidade de recurso e meios de apresentação.
7) Recurso: noções operacionais
Objetivo: garantir tramitação adequada quando o cidadão contesta a decisão.
- Receber e protocolar o recurso no processo correto, evitando duplicidade.
- Conferir se o recurso traz documentos novos e anexá-los corretamente.
- Encaminhar para a instância responsável, mantendo rastreabilidade e comunicação ao interessado.
Manutenção de benefícios: rotinas mais cobradas em prática administrativa
Atualização cadastral e dados de pagamento
- Atualização de endereço e contatos para evitar perda de comunicações e exigências.
- Alteração de dados bancários: conferir titularidade e consistência para prevenir pagamentos indevidos.
- Representação legal: inclusão/atualização de procurador, curador ou representante, com verificação de validade documental.
Bloqueio, suspensão, cessação e reativação
Essas rotinas aparecem quando há indício de irregularidade, falta de comprovação, óbito, acúmulo indevido, ou necessidade de recadastramento.
- Bloqueio/suspensão: medida cautelar/administrativa para interromper pagamento até regularização, quando previsto.
- Cessação: encerramento do benefício por motivo definitivo (ex.: óbito do titular, término de condição, decisão final).
- Reativação/desbloqueio: retorno do pagamento após saneamento (ex.: apresentação de documento, correção cadastral).
Exemplo prático: benefício bloqueado por divergência cadastral. Providência: orientar atualização de dados e anexação de documento de identificação legível; após validação, proceder ao desbloqueio conforme rotina.
Revisões: hipóteses e tratamento administrativo
Revisão é a reanálise de um ato (concessão ou manutenção) para corrigir ou ajustar. No cotidiano, as hipóteses mais comuns envolvem:
- Erro material: digitação de data, nome, número de documento, dados bancários, dependente lançado incorretamente.
- Documentos novos: o requerente apresenta prova que não constava no processo e que pode alterar o resultado.
- Inconsistência detectada por cruzamento: divergência de vínculo/remuneração, duplicidade de benefício, indício de acúmulo indevido.
- Determinação administrativa/judicial: cumprimento de decisão que manda revisar parâmetros ou reprocessar.
Passo a passo prático para tratar um pedido de revisão:
- Identificar o ato a ser revisado (qual benefício/serviço e qual decisão anterior).
- Delimitar o objeto: “o que exatamente o cidadão quer revisar?” (ex.: incluir dependente, corrigir DIB, ajustar dados bancários).
- Checar se há documentos novos e se são pertinentes ao ponto revisional.
- Reinstruir apenas o necessário (evitar reabrir tudo quando o objeto é pontual).
- Decidir: manter, alterar ou anular o ato, com motivação e registro.
- Comunicar o resultado e orientar sobre recurso, se cabível.
Checklist operacional: antes de decidir
- O serviço está correto e o pedido está claro?
- Identificação e representação estão regulares?
- Documentos essenciais estão presentes, legíveis e completos?
- Datas e nomes estão coerentes entre documentos e cadastros?
- Se faltava algo, foi emitida exigência objetiva e suficiente?
- O processo está bem documentado para permitir auditoria e eventual recurso?
Questões situacionais (escolha a providência administrativa correta)
Questão 1
Em um requerimento de pensão por morte, o dependente anexou RG, CPF e certidão de casamento, mas não anexou a certidão de óbito do instituidor. Não há como confirmar o óbito por consulta interna no processo naquele momento.
- A) Indeferir por falta de documento essencial.
- B) Emitir exigência solicitando a certidão de óbito legível e completa.
- C) Arquivar o processo sem decisão.
- D) Solicitar apenas “documentos diversos” sem especificar.
Questão 2
Em pedido de atualização de dados bancários, o requerente informa conta de titularidade de terceiro, sem procuração ou termo de representação, e sem justificativa documental.
- A) Efetuar a alteração, pois é mera atualização cadastral.
- B) Emitir exigência solicitando comprovação de titularidade/representação e documentação que autorize o crédito.
- C) Indeferir imediatamente por suspeita de fraude, sem oportunidade de regularização.
- D) Encerrar o processo por “falta de interesse”.
Questão 3
Em um requerimento, a CTPS foi anexada, mas faltam as páginas de identificação e a página do contrato referente ao vínculo alegado. O cidadão anexou apenas uma foto parcial da página de anotações.
- A) Emitir exigência pedindo CTPS completa (páginas de identificação e do contrato), legível, frente e verso quando aplicável.
- B) Deferir com base na foto parcial, pois há indício do vínculo.
- C) Indeferir por ausência de prova, sem exigência.
- D) Solicitar “qualquer documento” sem indicar quais páginas.
Questão 4
Após a concessão, o beneficiário solicita revisão alegando erro de digitação na data de nascimento, apresentando documento oficial legível que confirma a data correta.
- A) Orientar a fazer novo requerimento de concessão.
- B) Tratar como revisão por erro material, corrigir o cadastro/ato e registrar a motivação no processo.
- C) Indeferir porque “benefício já foi concedido e não pode ser alterado”.
- D) Encaminhar diretamente para recurso, sem análise administrativa.
Questão 5
O requerente apresentou atestado médico sem assinatura e sem identificação do profissional, com data, mas sem elementos mínimos para subsidiar a análise e eventual encaminhamento pericial.
- A) Aceitar o atestado como está e seguir sem diligência.
- B) Emitir exigência solicitando documento médico com identificação do profissional (assinatura/registro), data e informações mínimas necessárias.
- C) Indeferir imediatamente por “documento inválido”, sem exigência.
- D) Solicitar apenas “laudos e exames” sem indicar o problema do documento atual.
Questão 6
Há dois requerimentos idênticos do mesmo serviço, protocolados em datas próximas, e um deles já está em fase de análise com exigência pendente.
- A) Manter os dois em paralelo para acelerar.
- B) Orientar o cumprimento da exigência no processo em andamento e evitar duplicidade, vinculando/encaminhando conforme rotina interna.
- C) Indeferir ambos por duplicidade.
- D) Arquivar o mais antigo e analisar apenas o mais novo.