Serigrafia caseira: técnica de puxada com rodo, flood e camadas para cobertura uniforme no tecido

Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Conceitos essenciais: flood (carregamento) x puxada (impressão)

Na serigrafia, você faz dois movimentos diferentes com o rodo, cada um com uma função:

  • Flood (carregamento): espalha e “carrega” tinta por cima da área vazada da tela, preenchendo os poros do mesh. O objetivo é manter a tela abastecida e pronta para imprimir. Normalmente é feito com pressão baixa e ângulo mais aberto (rodo mais “deitado”).
  • Puxada (impressão): é o movimento que transfere a tinta para o tecido. Exige pressão controlada, ângulo mais fechado (rodo mais “em pé”) e contato consistente para depositar a camada correta.

Pense assim: flood prepara; puxada imprime. Misturar as intenções (fazer flood com muita pressão ou imprimir com rodo deitado demais) é uma das causas mais comuns de falhas, borrões e chapados manchados.

Guia de execução: sequência de movimentos para imprimir com consistência

1) Antes de começar: organize a tinta na tela

  • Coloque a tinta do lado de cima da tela (lado do rodo), formando um “cordão” contínuo acima da arte, sem encostar diretamente na área vazada.
  • Mantenha quantidade suficiente para que o flood seja contínuo; pouca tinta obriga a aumentar pressão e cria falhas.

2) Flood (carregamento) correto

Objetivo: preencher o mesh com tinta sem empurrar tinta para o tecido.

  • Ângulo: mais aberto (aprox. 10–20° em relação à tela), rodo mais deitado.
  • Pressão: leve, só o suficiente para espalhar e preencher a área.
  • Velocidade: média e constante; rápido demais pode “pular” e deixar áreas sem carga.
  • Dica prática: no flood, você deve ver a área da arte “brilhando” de tinta por cima, mas sem excesso escorrendo pelas bordas.

3) Puxada (impressão) correta

Objetivo: depositar tinta no tecido com cobertura uniforme.

  • Ângulo: mais fechado (aprox. 30–45°), rodo mais em pé.
  • Pressão: firme e controlada, sem esmagar o tecido. A pressão deve ser suficiente para “cortar” a tinta e atravessar o mesh, não para forçar a tela contra a peça.
  • Velocidade: constante; muito lento tende a depositar tinta demais e aumentar borrões/empastamento; rápido demais pode falhar cobertura.
  • Trajeto: uma passada contínua, sem “trancos”. Evite parar no meio do desenho.

4) Quando usar 1 passada, 2 passadas ou “flood + 2 puxadas”

SituaçãoRecomendaçãoPor quê
Detalhes finos, linhas, textos pequenosFlood + 1 puxadaMenos tinta reduz risco de empastar e fechar detalhes.
Chapado médio com boa coberturaFlood + 1 puxada (ajuste pressão/ângulo antes de repetir)Uma passada bem regulada costuma ser mais limpa e uniforme.
Chapado grande ou cor clara sobre tecido escuroFlood + 2 puxadas leves e consistentes (sem aumentar demais a pressão)Duas camadas finas tendem a cobrir melhor do que uma camada grossa.
Quando a primeira puxada “puxa falhado”Faça flood novamente e repita a puxadaRecarregar evita imprimir “a seco” e criar textura irregular.

Regra prática: se você precisa de 3 ou mais puxadas para cobrir, geralmente há algo errado (tinta, mesh, rodo, pressão, contato ou técnica).

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Como manter a tinta “viva” na tela e evitar secagem

Secagem na tela causa falhas pontilhadas, serrilhado e necessidade de pressão excessiva. Para evitar:

  • Faça flood entre impressões: ao pausar, deixe a tela “floodada” (camada de tinta cobrindo a arte). Isso reduz contato do ar com o mesh.
  • Ritmo de trabalho: evite longas pausas com a tela aberta e sem tinta cobrindo a área vazada.
  • Controle de ambiente: corrente de ar e calor aceleram a secagem. Posicione ventilação para não soprar diretamente na tela.
  • Quantidade de tinta: pouca tinta na tela seca mais rápido e obriga a “raspar” com o rodo.
  • Limpeza rápida de bordas: se começar a formar “pele” nas bordas do cordão de tinta, remova com espátula e misture a tinta novamente para manter consistência.

Sinal de alerta: se a puxada começa a exigir mais força do que no início, pare e verifique se há secagem parcial no mesh.

Regulagens do rodo: dureza, borda, pressão, ângulo e velocidade

Dureza (durometer): escolha pelo objetivo

  • Rodo mais macio (menor dureza): deposita mais tinta, ajuda em chapados e tecidos mais texturizados, mas aumenta risco de borrão e perda de detalhe.
  • Rodo mais duro (maior dureza): deposita menos tinta, melhora definição em detalhes finos e reduz “espalhamento”, mas pode falhar cobertura se a tinta/mesh exigirem mais depósito.

Atalho prático: chapado grande pedindo cobertura uniforme costuma aceitar rodo mais macio ou médio; detalhe fino costuma pedir rodo mais duro ou médio-duro.

Borda do rodo: o “corte” da tinta

  • Borda viva (afiada): imprime com mais definição e menos depósito; ideal para detalhes.
  • Borda arredondada/gasta: deposita mais tinta e tende a “empurrar” em vez de cortar; aumenta borrões, serrilhado e chapado irregular.

Se você sente que precisa aumentar pressão para imprimir, muitas vezes o problema é borda gasta, não falta de força.

Pressão: o mínimo necessário

Pressão demais não “melhora cobertura”; ela pode:

  • forçar a tela a encostar demais no tecido, gerando borrão;
  • deformar o mesh, causando serrilhado e perda de registro;
  • empurrar tinta para fora do desenho, criando bordas “gordas”.

Teste rápido: reduza a pressão e compense com um pouco mais de ângulo (rodo mais em pé) e uma segunda passada leve, se necessário.

Ângulo: controla depósito x definição

  • Mais deitado (ângulo aberto): tende a depositar mais tinta, bom para flood e para aumentar cobertura (com cuidado).
  • Mais em pé (ângulo fechado): tende a depositar menos tinta e aumentar definição, bom para detalhes.

Evite variar o ângulo durante a puxada; variação cria “faixas” no chapado.

Velocidade: consistência acima de tudo

  • Muito lenta: deposita mais tinta e aumenta chance de sangrar/empastar.
  • Muito rápida: pode falhar cobertura e deixar textura irregular.

Busque uma velocidade que você consiga repetir igual em todas as peças. A repetibilidade é o que dá padrão de produção.

Técnicas para chapados grandes sem marcas (sem “faixas” e sem emendas)

1) Puxada única longa e contínua

Chapado grande sofre quando você “serra” o rodo (vai e volta curto) ou para no meio. Faça:

  • Flood completo cobrindo toda a área do chapado.
  • Uma puxada longa, do início ao fim, com pressão e ângulo constantes.
  • Se precisar de segunda passada, repita com a mesma trajetória e parâmetros (evite mudar o sentido no meio do trabalho).

2) Controle de depósito: duas camadas finas em vez de uma grossa

Para evitar marcas de rodo:

  • Use duas puxadas leves com flood entre elas, mantendo o rodo mais em pé do que você usaria para “entupir” de tinta.
  • Se a tinta estiver muito “pesada”, você tende a marcar. Ajuste técnica: menos pressão, velocidade um pouco maior e duas passadas.

3) Evite “borda de tinta” no final da puxada

No final do curso, é comum formar um acúmulo (uma “parede” de tinta) que vira marca no chapado. Para reduzir:

  • Mantenha o rodo com pressão constante até sair totalmente da área de impressão.
  • Não “freie” em cima do desenho; finalize fora da arte sempre que possível.

4) Chapado uniforme em tecido com textura

Se o tecido “engole” tinta em pontos (textura/porosidade):

  • Prefira duas passadas leves.
  • Use rodo um pouco mais macio ou ângulo um pouco mais aberto, sem exagerar na pressão.

Técnicas para detalhes finos sem empastar

1) Depósito mínimo e rodo mais em pé

  • Flood leve (só para carregar).
  • Puxada com ângulo mais fechado e pressão moderada.
  • Evite repassar várias vezes: repetição é o caminho mais rápido para fechar detalhes.

2) “Menos tinta na tela” (mas sem imprimir a seco)

Detalhe fino não precisa de cordão enorme de tinta. Use o suficiente para floodar sem falhar. Excesso aumenta a chance de tinta “escorrer” para dentro de linhas pequenas.

3) Ajuste de velocidade para definição

Uma puxada muito lenta tende a depositar mais tinta e “arredondar” cantos. Aumente um pouco a velocidade mantendo controle, e priorize consistência.

4) Atenção à borda do rodo

Se os detalhes começam a “engordar” mesmo com pouca pressão, verifique desgaste. Borda ruim faz a tinta ser empurrada em vez de cortada.

Problemas comuns e soluções (diagnóstico rápido)

Falhas de cobertura (áreas claras, “furinhos”, chapado irregular)

Causas típicas:

  • Pouca tinta na tela ou flood incompleto.
  • Pressão insuficiente na puxada (ou ângulo aberto demais na impressão).
  • Mesh inadequado para a tinta/efeito: malha muito fechada pode limitar depósito; malha muito aberta pode perder definição e ainda assim falhar se a técnica estiver “raspando”.
  • Secagem parcial no mesh durante pausas.

Correções práticas (em ordem):

  • Faça flood completo e repita com segunda puxada leve (sem aumentar muito a pressão).
  • Ajuste o ângulo da puxada para mais em pé (30–45°) e mantenha velocidade constante.
  • Se estiver secando, pause e limpe a área afetada; retome mantendo a tela floodada entre peças.
  • Se a falha é recorrente em chapados claros, reavalie combinação de mesh/rodo para permitir depósito suficiente sem esmagar.

Borrões (contorno duplicado, tinta “espalhada”, perda de borda)

Causas típicas:

  • Pressão excessiva na puxada, forçando contato demais.
  • Contato incorreto entre tela e tecido (tela encostando e arrastando durante a puxada).
  • Rodo muito macio ou ângulo aberto demais na impressão.

Correções práticas:

  • Reduza a pressão e aumente um pouco o ângulo (rodo mais em pé).
  • Faça uma puxada mais rápida e contínua (sem “paradas”).
  • Se estiver usando duas passadas, faça duas leves em vez de uma pesada.

Serrilhado (bordas “denteadas”, vibração, linhas tremidas)

Causas típicas:

  • Tensão baixa na tela: o mesh vibra e deforma durante a puxada.
  • Rodo gasto (borda irregular) ou rodo flexionando demais.
  • Velocidade/pressão inconsistentes (puxada “aos solavancos”).

Correções práticas:

  • Use rodo com borda em bom estado; se necessário, substitua ou refile a borda.
  • Reduza pressão e faça a puxada mais estável, com velocidade constante.
  • Se o problema aparece principalmente em linhas longas, evite “acelerar e frear” no meio do traço.

Rotina de treino (exercício rápido para dominar a mão)

Para ganhar consistência sem desperdiçar peças, treine repetição de parâmetros:

  • Escolha um desenho com um chapado grande e um bloco de linhas finas.
  • Faça séries de 5 impressões mantendo o mesmo ângulo e variando apenas pressão (leve, média, firme).
  • Depois faça séries mantendo a pressão e variando apenas velocidade (lenta, média, rápida).
  • Anote o que muda na cobertura e na definição; o objetivo é encontrar o “ponto doce” que você consegue repetir.

Checklist de consistência antes de imprimir uma tiragem

  • Flood leve e completo antes da primeira puxada.
  • Puxada com ângulo estável (sem variar durante o curso).
  • Pressão mínima necessária (evitar esmagar).
  • Velocidade repetível (mesmo ritmo em todas as peças).
  • Entre peças: manter a tela floodada para evitar secagem.
  • Inspecionar borda do rodo: se estiver arredondada, espere perda de definição e mais problemas.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao imprimir um chapado grande com falhas de cobertura, qual abordagem tende a melhorar a uniformidade sem aumentar demais o risco de borrões?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Em chapados grandes, duas camadas finas (com flood adequado) costumam cobrir melhor do que uma camada grossa. Aumentar demais a pressão e "raspar" tende a gerar borrões e irregularidades; manter ângulo e velocidade constantes melhora a uniformidade.

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