O que muda na saída quando existe endereçamento e setorização
Separação (picking) e expedição funcionam melhor quando o estoque “fala” com o operador por meio de endereços e setores. Em vez de procurar produto, o separador executa uma rota: ele percorre ruas e módulos em uma sequência planejada, coleta itens nos endereços indicados e entrega os volumes em uma área de expedição (staging) organizada por destinos/transportadoras/rotas, também com endereços temporários. O objetivo é reduzir deslocamentos, evitar retornos ao mesmo corredor, diminuir erros de troca e eliminar retrabalho na conferência.
Conceitos essenciais aplicados à saída
- Lista de separação orientada por endereço: cada item do pedido deve vir com o endereço exato (rua/módulo/nível) e, quando aplicável, lote/validade. A ordem da lista deve seguir a rota planejada, não a ordem do pedido.
- Rota de picking: sequência de ruas e módulos que minimiza caminhada e cruzamentos. Uma rota bem definida reduz “vai e volta” e melhora a produtividade.
- Setores como “zonas de trabalho”: a setorização vira uma regra operacional: quem separa, por onde começa, onde termina e como consolida.
- Staging com endereços temporários: a área de expedição precisa de posições identificadas (ex.: baias, faixas no chão, racks) para guardar volumes prontos sem misturar pedidos.
Como montar rotas de separação seguindo ruas e módulos
Princípio operacional
Uma rota é um “caminho padrão” que o separador repete. Ela deve respeitar o layout real: entradas/saídas, sentido de circulação, restrições de empilhadeira e pontos de consolidação. O endereçamento permite ordenar a coleta de forma lógica (por rua, depois por módulo, depois por nível), reduzindo deslocamentos e evitando que o operador volte ao mesmo corredor.
Passo a passo prático para desenhar a rota
- Defina o ponto de partida e chegada: normalmente, partida no staging (ou área de carrinhos) e chegada no ponto de consolidação/embalagem.
- Escolha um sentido padrão por rua: por exemplo, sempre entrar pela ponta A e sair pela ponta B, evitando cruzamentos.
- Crie uma regra de ordenação por endereço: ordenar por Rua (crescente), depois Módulo (crescente), depois Nível (do mais baixo ao mais alto, ou conforme ergonomia e equipamentos).
- Separe rotas por tipo de operação: rota “leve” (carrinho), rota “pesada” (paleteira/empilhadeira), rota “fracionado” (picking unitário). Misturar tudo na mesma rota aumenta tempo e risco.
- Defina pontos de consolidação: se houver muitas zonas, determine onde os itens serão reunidos (ex.: mesa de consolidação por transportadora).
- Teste com 5–10 pedidos reais: meça tempo, distância e ocorrências de retorno. Ajuste a ordem de ruas e a regra de níveis.
Exemplo de ordenação por endereço (conceitual)
Se os endereços seguem o padrão RUA-MOD-NIV, uma lista de separação pode ser ordenada assim:
R01-M01-N01 (coletar primeiro) R01-M01-N02 R01-M02-N01 ... R01-M10-N03 R02-M01-N01 ... R05-M08-N02 (coletar por último)Essa lógica evita que o operador “pingue” entre ruas diferentes para buscar itens do mesmo pedido.
Métodos de picking conectados ao endereçamento (conceito e operação)
1) Picking por pedido (um pedido por vez)
Quando usar: baixo volume de pedidos, pedidos pequenos, alta variabilidade, necessidade de rastreabilidade simples.
- Ouça o áudio com a tela desligada
- Ganhe Certificado após a conclusão
- + de 5000 cursos para você explorar!
Baixar o aplicativo
Como operar com endereçamento:
- Imprimir/gerar a lista do pedido já ordenada por endereço (rua/módulo/nível).
- Separador percorre a rota padrão e coleta os itens.
- Ao coletar, faz a confirmação (manual ou por leitura) do endereço e do item para evitar troca.
- Leva o pedido completo ao staging/embalagem.
Pontos de atenção: se o pedido tiver itens em muitos setores, o tempo de deslocamento cresce. Para reduzir, use rotas bem definidas e, se necessário, migre para picking por zona ou por onda.
2) Picking por zona (cada operador separa uma zona/setor)
Quando usar: estoque setorizado, volume médio/alto, corredores longos, necessidade de reduzir deslocamento individual.
Formas comuns:
- Zona com consolidação: cada zona separa sua parte e envia para um ponto de consolidação/embalagem.
- Zona com “passagem” (pick-and-pass): o pedido (caixa/carrinho) passa de zona em zona, cada operador adiciona seus itens.
Como operar com endereçamento:
- Definir claramente quais ruas/módulos pertencem a cada zona (ex.: Zona A = R01 a R03; Zona B = R04 a R06).
- Gerar listas por zona, com itens ordenados por endereço dentro da zona.
- Padronizar o ponto de entrega da zona (ex.: “Entrega Zona A” com posição identificada no staging).
- Consolidar e conferir o pedido completo antes de embalar.
Risco típico: itens “fora de zona” por erro de cadastro/localização. Mitigação: bloquear separação sem endereço válido e tratar exceções com um fluxo específico (ver seção de exceções).
3) Picking por onda (wave picking)
Quando usar: alto volume, expedições com horários de corte, necessidade de agrupar pedidos por transportadora/rota/horário.
Conceito: em vez de separar pedido a pedido, você separa um “lote” de pedidos (onda) com critérios de expedição. O endereçamento permite que a onda seja separada em rotas eficientes por ruas e módulos.
Como operar (passo a passo):
- Definir critérios da onda: por exemplo, “Transportadora X – coleta 16h”, ou “Rota cidade A”, ou “Pedidos até 5 volumes”.
- Congelar a onda: após liberar, não adicionar pedidos no meio do caminho (evita retrabalho).
- Gerar tarefas de separação: por rota (ruas/módulos) e, se aplicável, por zona.
- Separar por endereços em sequência: o operador coleta quantidades totais por item/endereço (ou por pedido, dependendo do método de consolidação).
- Consolidar por pedido: separar os itens da onda em pedidos individuais em uma área de consolidação com posições identificadas.
- Conferir, embalar e direcionar ao staging conforme destino.
Dois modelos operacionais de onda:
- Onda com separação por pedido: o operador ainda monta cada pedido, mas a liberação e o controle são por onda (bom para transição).
- Onda com separação por item (batch): coleta quantidades agregadas e depois “quebra” por pedido na consolidação (maior produtividade, exige disciplina na consolidação).
Como reduzir deslocamentos e evitar retrabalho (regras práticas)
Regras de ouro para a lista de separação
- Ordenar por endereço (rua/módulo/nível) e não por SKU ou por ordem de compra.
- Agrupar por setor/zona quando houver múltiplas áreas físicas.
- Separar tarefas por tipo de manuseio: fracionado vs. caixa fechada vs. palete.
- Evitar “quebra de rota”: exceções devem ir para um fluxo separado, não interromper a rota padrão.
Fluxo de exceções (sem travar a operação)
Exceções comuns: endereço vazio, produto não encontrado, divergência de quantidade, embalagem danificada. Padronize um fluxo:
- Operador sinaliza a exceção e não fica procurando indefinidamente.
- Pedido vai para status “pendência” e segue para uma posição de staging de pendências (endereço temporário).
- Responsável verifica: reposição, ajuste de cadastro, inventário pontual, substituição autorizada.
- Após resolver, o pedido retorna para a fila de conferência/embalagem.
Isso evita que um pedido problemático gere atrasos em todos os demais.
Padrões de conferência final (qualidade antes de embalar)
Objetivo da conferência
Confirmar que o que foi separado corresponde ao pedido: item, quantidade, unidade, lote/validade (quando aplicável) e integridade. A conferência é onde o endereçamento ajuda a rastrear a origem do erro: se houver divergência, você sabe de qual endereço saiu.
Modelos de conferência
- Conferência cega: o conferente não vê a quantidade esperada; ele conta e registra. Reduz vícios e aumenta acuracidade (mais lenta).
- Conferência guiada: o conferente vê o esperado e confirma. Mais rápida, boa para operações maduras.
- Conferência por amostragem: para pedidos de baixo risco ou clientes internos, com regra clara de quando aplicar.
Passo a passo de conferência padronizada
- Identificar o pedido (número do pedido/nota/romaneio) e a área de destino.
- Conferir item a item: SKU, descrição curta, unidade e quantidade.
- Validar restrições: lote/validade, série, ou qualquer requisito do cliente.
- Registrar divergências com motivo (falta, sobra, troca, avaria) e, quando possível, o endereço de separação associado.
- Liberar para embalagem somente após “OK” ou após ajuste autorizado.
Embalagem e identificação de volumes (padrão para evitar trocas)
Regras práticas de embalagem
- Padronizar tipos de embalagem por faixa de peso/volume (ex.: caixa P/M/G, envelope, filme stretch para paletes).
- Proteger itens frágeis com material adequado e regra de empilhamento.
- Não misturar pedidos na mesma caixa, salvo quando houver regra explícita (ex.: pedido consolidado por cliente com múltiplas notas).
Identificação de volumes (o que precisa constar)
Defina um padrão único de etiqueta de volume para expedição. Exemplo de campos:
- Pedido/nota
- Cliente/destino
- Transportadora/rota
- Volume:
1/3,2/3,3/3 - Peso (quando aplicável)
- Data/hora de fechamento
O controle de “volume X de Y” reduz extravio e facilita conferência no carregamento.
Staging (área de expedição) com endereços temporários e sinalização
Por que staging precisa de endereçamento
Sem endereços temporários, volumes prontos viram “pilhas” e o risco de troca aumenta. Com staging endereçado, cada pedido/rota ocupa uma posição definida, e qualquer pessoa consegue localizar rapidamente o que está pronto, o que está pendente e o que já foi carregado.
Como estruturar endereços temporários no staging
Crie um padrão simples e visual, por exemplo:
STG-A-01 a STG-A-10 (Transportadora A) STG-B-01 a STG-B-10 (Transportadora B) STG-RET-01 (Pendências/retorno) STG-URG-01 (Urgentes)Esses endereços devem estar sinalizados no piso e/ou em placas, com delimitação física (faixas, baias, grades, racks).
Passo a passo operacional do staging
- Alocar posição: ao finalizar a embalagem, atribuir um endereço temporário de staging (ex.:
STG-B-03). - Depositar volumes somente na posição atribuída, mantendo “um pedido por posição” quando possível. Se o pedido tiver muitos volumes, reservar posições contíguas (ex.:
STG-B-03eSTG-B-04). - Sinalizar status: pronto para carregar, pendente, aguardando documento, aguardando coleta. Pode ser por cor de etiqueta, tag plástica ou cartão na posição.
- Controle de carregamento: no momento do embarque, conferir volumes pelo identificador (pedido e
1/3,2/3,3/3) e dar baixa da posição de staging.
Regras para evitar trocas e extravios no staging
- Proibir “estacionar” volumes fora de posição, mesmo que por poucos minutos.
- Separar fisicamente por transportadora/rota (corredores, baias ou áreas marcadas).
- Área de pendências endereçada: qualquer pedido incompleto vai para um endereço específico (ex.:
STG-RET-01), nunca misturado com prontos. - Auditoria rápida por varredura: rotina de checagem visual/contagem por posição antes do horário de coleta.
Checklist operacional (para treinar equipe e manter disciplina)
| Etapa | Padrão mínimo | Erro comum evitado |
|---|---|---|
| Liberação de picking | Lista ordenada por endereço e agrupada por zona/rota | Vai e volta, perda de tempo |
| Coleta | Confirmar item + endereço (e lote/validade quando aplicável) | Troca de produto e divergência |
| Exceções | Enviar para staging de pendências endereçado | Operador “caçando” item e travando a onda |
| Conferência | Modelo definido (cega/guiada) + registro de divergência | Retrabalho na expedição e reclamações |
| Embalagem | Padrão de caixa + etiqueta de volume X/Y | Extravio de volumes e avarias |
| Staging | Endereço temporário + segregação por destino | Mistura de pedidos e carregamento errado |