Separação e Expedição: Picking Organizado com Endereçamento e Setorização

Capítulo 9

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que muda na saída quando existe endereçamento e setorização

Separação (picking) e expedição funcionam melhor quando o estoque “fala” com o operador por meio de endereços e setores. Em vez de procurar produto, o separador executa uma rota: ele percorre ruas e módulos em uma sequência planejada, coleta itens nos endereços indicados e entrega os volumes em uma área de expedição (staging) organizada por destinos/transportadoras/rotas, também com endereços temporários. O objetivo é reduzir deslocamentos, evitar retornos ao mesmo corredor, diminuir erros de troca e eliminar retrabalho na conferência.

Conceitos essenciais aplicados à saída

  • Lista de separação orientada por endereço: cada item do pedido deve vir com o endereço exato (rua/módulo/nível) e, quando aplicável, lote/validade. A ordem da lista deve seguir a rota planejada, não a ordem do pedido.
  • Rota de picking: sequência de ruas e módulos que minimiza caminhada e cruzamentos. Uma rota bem definida reduz “vai e volta” e melhora a produtividade.
  • Setores como “zonas de trabalho”: a setorização vira uma regra operacional: quem separa, por onde começa, onde termina e como consolida.
  • Staging com endereços temporários: a área de expedição precisa de posições identificadas (ex.: baias, faixas no chão, racks) para guardar volumes prontos sem misturar pedidos.

Como montar rotas de separação seguindo ruas e módulos

Princípio operacional

Uma rota é um “caminho padrão” que o separador repete. Ela deve respeitar o layout real: entradas/saídas, sentido de circulação, restrições de empilhadeira e pontos de consolidação. O endereçamento permite ordenar a coleta de forma lógica (por rua, depois por módulo, depois por nível), reduzindo deslocamentos e evitando que o operador volte ao mesmo corredor.

Passo a passo prático para desenhar a rota

  1. Defina o ponto de partida e chegada: normalmente, partida no staging (ou área de carrinhos) e chegada no ponto de consolidação/embalagem.
  2. Escolha um sentido padrão por rua: por exemplo, sempre entrar pela ponta A e sair pela ponta B, evitando cruzamentos.
  3. Crie uma regra de ordenação por endereço: ordenar por Rua (crescente), depois Módulo (crescente), depois Nível (do mais baixo ao mais alto, ou conforme ergonomia e equipamentos).
  4. Separe rotas por tipo de operação: rota “leve” (carrinho), rota “pesada” (paleteira/empilhadeira), rota “fracionado” (picking unitário). Misturar tudo na mesma rota aumenta tempo e risco.
  5. Defina pontos de consolidação: se houver muitas zonas, determine onde os itens serão reunidos (ex.: mesa de consolidação por transportadora).
  6. Teste com 5–10 pedidos reais: meça tempo, distância e ocorrências de retorno. Ajuste a ordem de ruas e a regra de níveis.

Exemplo de ordenação por endereço (conceitual)

Se os endereços seguem o padrão RUA-MOD-NIV, uma lista de separação pode ser ordenada assim:

R01-M01-N01  (coletar primeiro) R01-M01-N02 R01-M02-N01 ... R01-M10-N03 R02-M01-N01 ... R05-M08-N02  (coletar por último)

Essa lógica evita que o operador “pingue” entre ruas diferentes para buscar itens do mesmo pedido.

Métodos de picking conectados ao endereçamento (conceito e operação)

1) Picking por pedido (um pedido por vez)

Quando usar: baixo volume de pedidos, pedidos pequenos, alta variabilidade, necessidade de rastreabilidade simples.

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Como operar com endereçamento:

  1. Imprimir/gerar a lista do pedido já ordenada por endereço (rua/módulo/nível).
  2. Separador percorre a rota padrão e coleta os itens.
  3. Ao coletar, faz a confirmação (manual ou por leitura) do endereço e do item para evitar troca.
  4. Leva o pedido completo ao staging/embalagem.

Pontos de atenção: se o pedido tiver itens em muitos setores, o tempo de deslocamento cresce. Para reduzir, use rotas bem definidas e, se necessário, migre para picking por zona ou por onda.

2) Picking por zona (cada operador separa uma zona/setor)

Quando usar: estoque setorizado, volume médio/alto, corredores longos, necessidade de reduzir deslocamento individual.

Formas comuns:

  • Zona com consolidação: cada zona separa sua parte e envia para um ponto de consolidação/embalagem.
  • Zona com “passagem” (pick-and-pass): o pedido (caixa/carrinho) passa de zona em zona, cada operador adiciona seus itens.

Como operar com endereçamento:

  1. Definir claramente quais ruas/módulos pertencem a cada zona (ex.: Zona A = R01 a R03; Zona B = R04 a R06).
  2. Gerar listas por zona, com itens ordenados por endereço dentro da zona.
  3. Padronizar o ponto de entrega da zona (ex.: “Entrega Zona A” com posição identificada no staging).
  4. Consolidar e conferir o pedido completo antes de embalar.

Risco típico: itens “fora de zona” por erro de cadastro/localização. Mitigação: bloquear separação sem endereço válido e tratar exceções com um fluxo específico (ver seção de exceções).

3) Picking por onda (wave picking)

Quando usar: alto volume, expedições com horários de corte, necessidade de agrupar pedidos por transportadora/rota/horário.

Conceito: em vez de separar pedido a pedido, você separa um “lote” de pedidos (onda) com critérios de expedição. O endereçamento permite que a onda seja separada em rotas eficientes por ruas e módulos.

Como operar (passo a passo):

  1. Definir critérios da onda: por exemplo, “Transportadora X – coleta 16h”, ou “Rota cidade A”, ou “Pedidos até 5 volumes”.
  2. Congelar a onda: após liberar, não adicionar pedidos no meio do caminho (evita retrabalho).
  3. Gerar tarefas de separação: por rota (ruas/módulos) e, se aplicável, por zona.
  4. Separar por endereços em sequência: o operador coleta quantidades totais por item/endereço (ou por pedido, dependendo do método de consolidação).
  5. Consolidar por pedido: separar os itens da onda em pedidos individuais em uma área de consolidação com posições identificadas.
  6. Conferir, embalar e direcionar ao staging conforme destino.

Dois modelos operacionais de onda:

  • Onda com separação por pedido: o operador ainda monta cada pedido, mas a liberação e o controle são por onda (bom para transição).
  • Onda com separação por item (batch): coleta quantidades agregadas e depois “quebra” por pedido na consolidação (maior produtividade, exige disciplina na consolidação).

Como reduzir deslocamentos e evitar retrabalho (regras práticas)

Regras de ouro para a lista de separação

  • Ordenar por endereço (rua/módulo/nível) e não por SKU ou por ordem de compra.
  • Agrupar por setor/zona quando houver múltiplas áreas físicas.
  • Separar tarefas por tipo de manuseio: fracionado vs. caixa fechada vs. palete.
  • Evitar “quebra de rota”: exceções devem ir para um fluxo separado, não interromper a rota padrão.

Fluxo de exceções (sem travar a operação)

Exceções comuns: endereço vazio, produto não encontrado, divergência de quantidade, embalagem danificada. Padronize um fluxo:

  1. Operador sinaliza a exceção e não fica procurando indefinidamente.
  2. Pedido vai para status “pendência” e segue para uma posição de staging de pendências (endereço temporário).
  3. Responsável verifica: reposição, ajuste de cadastro, inventário pontual, substituição autorizada.
  4. Após resolver, o pedido retorna para a fila de conferência/embalagem.

Isso evita que um pedido problemático gere atrasos em todos os demais.

Padrões de conferência final (qualidade antes de embalar)

Objetivo da conferência

Confirmar que o que foi separado corresponde ao pedido: item, quantidade, unidade, lote/validade (quando aplicável) e integridade. A conferência é onde o endereçamento ajuda a rastrear a origem do erro: se houver divergência, você sabe de qual endereço saiu.

Modelos de conferência

  • Conferência cega: o conferente não vê a quantidade esperada; ele conta e registra. Reduz vícios e aumenta acuracidade (mais lenta).
  • Conferência guiada: o conferente vê o esperado e confirma. Mais rápida, boa para operações maduras.
  • Conferência por amostragem: para pedidos de baixo risco ou clientes internos, com regra clara de quando aplicar.

Passo a passo de conferência padronizada

  1. Identificar o pedido (número do pedido/nota/romaneio) e a área de destino.
  2. Conferir item a item: SKU, descrição curta, unidade e quantidade.
  3. Validar restrições: lote/validade, série, ou qualquer requisito do cliente.
  4. Registrar divergências com motivo (falta, sobra, troca, avaria) e, quando possível, o endereço de separação associado.
  5. Liberar para embalagem somente após “OK” ou após ajuste autorizado.

Embalagem e identificação de volumes (padrão para evitar trocas)

Regras práticas de embalagem

  • Padronizar tipos de embalagem por faixa de peso/volume (ex.: caixa P/M/G, envelope, filme stretch para paletes).
  • Proteger itens frágeis com material adequado e regra de empilhamento.
  • Não misturar pedidos na mesma caixa, salvo quando houver regra explícita (ex.: pedido consolidado por cliente com múltiplas notas).

Identificação de volumes (o que precisa constar)

Defina um padrão único de etiqueta de volume para expedição. Exemplo de campos:

  • Pedido/nota
  • Cliente/destino
  • Transportadora/rota
  • Volume: 1/3, 2/3, 3/3
  • Peso (quando aplicável)
  • Data/hora de fechamento

O controle de “volume X de Y” reduz extravio e facilita conferência no carregamento.

Staging (área de expedição) com endereços temporários e sinalização

Por que staging precisa de endereçamento

Sem endereços temporários, volumes prontos viram “pilhas” e o risco de troca aumenta. Com staging endereçado, cada pedido/rota ocupa uma posição definida, e qualquer pessoa consegue localizar rapidamente o que está pronto, o que está pendente e o que já foi carregado.

Como estruturar endereços temporários no staging

Crie um padrão simples e visual, por exemplo:

STG-A-01 a STG-A-10  (Transportadora A) STG-B-01 a STG-B-10  (Transportadora B) STG-RET-01          (Pendências/retorno) STG-URG-01          (Urgentes)

Esses endereços devem estar sinalizados no piso e/ou em placas, com delimitação física (faixas, baias, grades, racks).

Passo a passo operacional do staging

  1. Alocar posição: ao finalizar a embalagem, atribuir um endereço temporário de staging (ex.: STG-B-03).
  2. Depositar volumes somente na posição atribuída, mantendo “um pedido por posição” quando possível. Se o pedido tiver muitos volumes, reservar posições contíguas (ex.: STG-B-03 e STG-B-04).
  3. Sinalizar status: pronto para carregar, pendente, aguardando documento, aguardando coleta. Pode ser por cor de etiqueta, tag plástica ou cartão na posição.
  4. Controle de carregamento: no momento do embarque, conferir volumes pelo identificador (pedido e 1/3, 2/3, 3/3) e dar baixa da posição de staging.

Regras para evitar trocas e extravios no staging

  • Proibir “estacionar” volumes fora de posição, mesmo que por poucos minutos.
  • Separar fisicamente por transportadora/rota (corredores, baias ou áreas marcadas).
  • Área de pendências endereçada: qualquer pedido incompleto vai para um endereço específico (ex.: STG-RET-01), nunca misturado com prontos.
  • Auditoria rápida por varredura: rotina de checagem visual/contagem por posição antes do horário de coleta.

Checklist operacional (para treinar equipe e manter disciplina)

EtapaPadrão mínimoErro comum evitado
Liberação de pickingLista ordenada por endereço e agrupada por zona/rotaVai e volta, perda de tempo
ColetaConfirmar item + endereço (e lote/validade quando aplicável)Troca de produto e divergência
ExceçõesEnviar para staging de pendências endereçadoOperador “caçando” item e travando a onda
ConferênciaModelo definido (cega/guiada) + registro de divergênciaRetrabalho na expedição e reclamações
EmbalagemPadrão de caixa + etiqueta de volume X/YExtravio de volumes e avarias
StagingEndereço temporário + segregação por destinoMistura de pedidos e carregamento errado

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual prática mais contribui para reduzir deslocamentos e evitar retornos ao mesmo corredor durante o picking em um estoque com endereçamento e setorização?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Ao ordenar por endereço e seguir uma rota planejada, o separador percorre ruas e módulos em sequência lógica, reduzindo caminhada, evitando “vai e volta” e diminuindo erros e retrabalho.

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