Segurança e preparação da bancada para montagem de estruturas metálicas leves

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

Objetivo da segurança e da preparação da bancada

Na montagem e no ponteamento de estruturas metálicas leves, a segurança e a organização do posto de trabalho não são “etapas paralelas”: elas determinam a qualidade do alinhamento, a repetibilidade das medidas e a redução de retrabalho. Uma bancada mal nivelada, suja ou com pontos altos cria falsos apoios, induz empenos e faz o ponteamento “travar” a peça fora de esquadro. Ao mesmo tempo, fumos, ruído, respingos e risco de incêndio exigem rotinas padronizadas antes de energizar equipamentos e iniciar qualquer ponto de solda.

EPIs essenciais e quando usar

Óculos de segurança

Use óculos de segurança com proteção lateral durante corte, esmerilhamento, escovação e manuseio de peças. Mesmo durante a montagem “a frio”, partículas metálicas e rebarbas podem se soltar ao ajustar grampos ou bater levemente para assentar perfis.

Luvas

Use luvas adequadas ao risco: luvas de raspa/couro para manuseio de peças com rebarba e para soldagem; luvas mais finas (com boa aderência) podem ser úteis em marcações e ajustes finos, desde que não comprometam a proteção. Evite luvas soltas perto de partes girantes (esmerilhadeira, furadeira), pois podem enroscar.

Máscara de solda

Para ponteamento e soldagem, utilize máscara de solda com tonalidade apropriada ao processo e à corrente. Preferencialmente, use máscara autoescurecedora regulada e testada antes do início. A máscara deve cobrir bem o rosto e permitir visão clara da junta para posicionar o ponto com precisão.

Proteção auditiva

Esmerilhamento, corte e martelamento geram níveis de ruído que podem causar dano auditivo. Use plug ou concha, e mantenha um par reserva no posto. A proteção auditiva também ajuda a reduzir fadiga, melhorando a atenção durante medições e ajustes.

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Ventilação e controle de fumos

Conceito prático

Fumos metálicos e gases da soldagem se acumulam principalmente em áreas fechadas e em cantos sem circulação. O objetivo é manter o ar respirável e afastar os fumos da zona de respiração do operador sem “soprar” diretamente sobre o arco (o que pode afetar a estabilidade e a proteção gasosa em alguns processos).

Rotina recomendada

  • Ventilação geral: garanta renovação de ar (portas/janelas abertas ou exaustão mecânica).
  • Exaustão localizada: quando possível, use captor/exaustor próximo ao ponto de solda, posicionado lateralmente e levemente acima da junta para puxar o fumo.
  • Posicionamento do corpo: trabalhe de modo que o fumo se afaste do rosto (evite ficar “em cima” da junta).
  • Checagem rápida: antes de soldar, faça um teste de fluxo: observe se o fumo tende a subir e ser puxado para fora da área, sem turbulência excessiva sobre a poça.

Prevenção de incêndio e posicionamento do extintor

Riscos típicos no ponteamento

Respingos e escória podem atingir papel, panos com óleo, solventes, serragem, embalagens e poeira. Mesmo um ponteamento curto pode lançar partículas incandescentes a vários metros, principalmente ao esmerilhar ou cortar.

Medidas práticas

  • Área limpa e “sem combustível”: retire papelão, panos, aerossois, solventes e recipientes plásticos da zona de trabalho.
  • Proteção do entorno: use manta antichama ou anteparos metálicos quando houver risco de respingos atingirem materiais próximos.
  • Inspeção pós-trabalho: após soldar/esmerilhar, faça uma verificação visual do chão e cantos por 5–10 minutos para identificar brasa ou material fumegando.

Extintor: onde e como deixar pronto

  • Posicionamento: deixe o extintor em local visível, desobstruído e a poucos passos do posto (sem ficar “atrás” do foco de risco).
  • Acesso: não encoste o extintor no chão sob a bancada nem atrás de chapas; mantenha corredor livre até ele.
  • Condição: verifique lacre, pressão (manômetro na faixa) e validade. Confirme se o tipo de extintor é adequado ao ambiente (incêndio envolvendo equipamentos elétricos e materiais comuns).

Preparação da superfície de referência (bancada/mesa de montagem)

Conceito: por que a bancada é uma “referência”

Durante a montagem, você encosta perfis e módulos na bancada para definir plano, esquadro e paralelismo. Se a superfície estiver empenada, desnivelada ou com sujeira, a peça se apoia em pontos aleatórios. Isso cria leituras falsas ao medir diagonais, usar esquadros e ajustar grampos, levando a ponteamentos que “congelam” o erro.

Passo a passo: checar empenos e nivelamento básico

  1. Remova tudo da bancada: ferramentas, sobras de corte, grampos soltos e chapas pequenas.
  2. Limpeza inicial: varra e passe escova de aço onde houver respingo antigo; retire rebarbas e pontos altos que possam virar calço involuntário.
  3. Verificação de plano (empeno): use uma régua longa/linha reta (ou perfil retificado) apoiada em diferentes direções (longitudinal, transversal e diagonais). Observe folgas e “balanço”. Marque com giz os pontos altos.
  4. Correção de pontos altos: esmerilhe respingos e saliências. Se houver deformação estrutural da mesa, registre a área “não confiável” e evite usar aquele trecho como referência de alinhamento.
  5. Nivelamento básico: com um nível, verifique a bancada em dois eixos. Ajuste pés niveladores ou calços firmes sob os apoios da mesa (nunca sob o tampo em pontos aleatórios). O objetivo é estabilidade e repetibilidade; não é necessário “nível perfeito” para todas as tarefas, mas a mesa não pode balançar.
  6. Teste de estabilidade: force levemente os cantos da bancada. Se houver oscilação, corrija antes de montar (oscilação muda medidas e abre folgas durante o ponteamento).

Limpeza final para evitar falsos apoios

  • Remover partículas: limalhas e grãos de escória funcionam como “esferas” sob o perfil, alterando altura e esquadro.
  • Seco e sem óleo: óleo e graxa aumentam deslizamento e dificultam manter a peça posicionada sob grampo. Se precisar de desengraxe, faça antes e seque.
  • Zona de referência marcada: delimite uma área limpa onde as peças serão montadas; mantenha o restante para ferramentas e consumíveis.

Organização do posto de trabalho para montagem e ponteamento

Layout mínimo recomendado

  • Área de montagem: superfície limpa e livre para posicionar perfis e módulos.
  • Área de ferramentas: lateral da bancada ou carrinho, com esmerilhadeira, trena, esquadro, marcadores e grampos.
  • Área de apoio de módulos: cavaletes ou suportes para deixar subconjuntos prontos sem encostar no chão e sem empenar.
  • Corredor de manuseio: faixa livre para girar peças longas sem bater em cilindros, paredes ou cabos.

Boas práticas com cabos e mangueiras

Cabos no caminho causam tropeço e podem puxar a tocha/porta-eletrodo, deslocando a peça já alinhada. Organize cabos por cima (gancho/suporte) ou por lateral, com folga suficiente para movimentação sem tensão.

Checklist operacional antes de iniciar

Use a lista abaixo como rotina fixa. A ideia é reduzir falhas repetitivas (mau contato, grampo frouxo, bancada suja, risco de incêndio) antes do primeiro ponteamento.

ItemVerificaçãoAção se não estiver OK
EPIsÓculos, luvas, máscara de solda e proteção auditiva disponíveis e em bom estadoSubstituir/ajustar antes de energizar e iniciar corte/solda
VentilaçãoRenovação de ar ativa; exaustão/captor posicionado sem soprar diretamente no arcoAbrir vãos, ligar exaustor, reposicionar captor
Prevenção de incêndioSem papel, panos, solventes e combustíveis próximos; manta antichama prontaRemover materiais e proteger entorno
ExtintorVisível, desobstruído, pressão ok, acesso livreReposicionar e checar condição
Bancada (plano e limpa)Sem respingos altos, sem limalha/escória, sem óleo; área de referência definidaEsmerilhar pontos altos, varrer/escovar, desengraxar
Empeno/estabilidadeSem balanço; verificação com régua/linha reta sem “pontos altos” críticosAjustar pés/calços; evitar área deformada
Cabos e conexõesCabos sem cortes, conectores firmes, sem aquecimento prévio; rota sem risco de tropeçoTrocar cabo/conector; reorganizar percurso
Aterramento (garra de retorno)Garra presa em metal limpo, próximo da junta; contato firmeLimpar ponto de contato e reposicionar
Grampos e fixaçãoGrampos compatíveis com a peça; superfícies de contato limpas; aperto suficienteTrocar grampo, limpar mordentes, reapertar
Área livre para manuseioEspaço para girar/virar perfis e retirar módulo sem bater em obstáculosReorganizar layout e retirar obstáculos
Apoio para módulosCavaletes/suportes nivelados e firmes; local definido para subconjuntosAjustar altura, travar suportes e liberar área

Exemplos práticos de falhas comuns e como evitar

Exemplo 1: “A diagonal não fecha” após ponteamento

Causa frequente: perfil apoiado sobre respingo/limalha, criando torção imperceptível antes do ponteamento. Prevenção: limpeza final da área de referência e teste de apoio (deslizar levemente o perfil e sentir se “balança” em algum ponto).

Exemplo 2: arco instável e aquecimento do cabo

Causa frequente: aterramento preso em área pintada/oxidada ou com contato fraco. Prevenção: preparar um ponto de contato metálico limpo e prender a garra o mais próximo possível da região de ponteamento.

Exemplo 3: peça sai do lugar ao iniciar o ponto

Causa frequente: grampo mal posicionado, bancada oleosa ou cabo tensionando a tocha/porta-eletrodo. Prevenção: posicionar grampos para “travar” contra o sentido de contração esperado e organizar cabos com folga, sem puxar a mão do operador.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao preparar a bancada para montar e ponteiar uma estrutura metálica leve, qual prática reduz o risco de falsos apoios que podem “congelar” o erro de alinhamento no ponteamento?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Partículas e respingos criam apoios involuntários que alteram altura, esquadro e diagonais. Limpar e eliminar pontos altos, mantendo a área seca e sem óleo, evita leituras falsas e ponteamentos que travam o erro.

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