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Bombeiros Militares: Guia Completo de Preparação para Concursos Públicos

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Salvamento e resgate: técnicas essenciais para Bombeiros Militares

Capítulo 11

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

Salvamento e resgate, no contexto operacional dos Bombeiros Militares, envolve um conjunto de técnicas para localizar, acessar, estabilizar e retirar vítimas de cenários com risco (terrestre, veicular e em altura), preservando a segurança da equipe e reduzindo a piora do quadro da vítima. Em nível de edital, o foco recai sobre: avaliação e gerenciamento de riscos, estabilização de cenários, extricação básica, nós e amarrações, ancoragens, sistemas simples de vantagem mecânica, busca e salvamento (varredura, marcação e comunicação) e uso seguro de EPI/EPC.

1) Gerenciamento de riscos e segurança (equipe, cena e vítima)

1.1 Princípios operacionais

  • Prioridade de segurança: 1) equipe, 2) vítima(s), 3) patrimônio/ambiente.
  • Zona quente, morna e fria: delimitar áreas conforme o risco (tráfego, queda de objetos, instabilidade estrutural, energia elétrica, materiais perigosos).
  • Comando e comunicação: definir líder, funções (segurança, estabilização, acesso, extração, logística), canal de rádio e sinais manuais quando necessário.
  • Gerenciamento de energia: identificar e controlar fontes de energia (movimento, gravidade, elétrica, combustível, pressão, tensão em cabos/cordas).

1.2 Check-list rápido de cena (modelo prático)

Use um roteiro curto para não “pular” etapas sob estresse:

  • Ver: o que está instável? há tráfego? fumaça? fios? risco de queda? terreno cede?
  • Ouvir: ruídos de estalos, vazamentos, motor ligado, gritos, alarmes.
  • Cheirar: combustível, gás, queimado (sem se aproximar indevidamente).
  • Isolar: cones, fitas, viaturas em proteção, controle de curiosos.
  • Controlar: desligar ignição, calçar/estabilizar, bloquear energia, ancorar, ventilar quando aplicável.

1.3 EPI e EPC: uso seguro e coerente com o risco

  • EPI típico em salvamento: capacete com jugular, óculos/visor, luvas adequadas (corte/impacto), botas, vestimenta de proteção, colete refletivo em via, cinturão/cadeirinha para altura quando aplicável.
  • EPC típico: cones, sinalização, iluminação, calços, estabilizadores, escoras, linhas de vida, ancoragens redundantes, mantas de proteção, protetores de aresta, cobertores/lençóis para proteção de vítima contra estilhaços.
  • Regra prática: EPI não “compensa” cena descontrolada. Primeiro reduza o risco (EPC/isolamento), depois execute a técnica.

2) Salvamento terrestre: acesso, busca e retirada em ambientes variados

2.1 Noções de busca e salvamento (varredura, marcação e comunicação)

Busca e salvamento (B&S) envolve localizar vítimas e perigos, manter orientação e registrar o que foi verificado. Em provas, costuma aparecer como conceitos de varredura, comunicação e marcação.

  • Varredura: método sistemático para cobrir área sem lacunas. Exemplos: varredura em linha (equipe lado a lado), varredura por setores (dividir área em quadrantes), varredura em espiral (quando há ponto central de referência).
  • Comunicação: mensagens curtas e padronizadas (local, achado, necessidade). Ex.: “Setor B, vítima localizada, consciente, presa por membro inferior, solicitando estabilização e ferramenta de corte”.
  • Marcação: sinalizar áreas já verificadas e condições encontradas (conforme protocolo local). Em estudo, memorize o princípio: marcar para evitar retrabalho e reduzir risco, sem criar confusão (marcação visível, consistente e comunicada).

2.2 Passo a passo: varredura em ambiente com baixa visibilidade (modelo didático)

Objetivo: manter orientação, cobrir área e voltar com segurança.

  • 1) Preparação: definir ponto de entrada/saída, tempo de permanência, equipe em duplas, rádio testado, iluminação e EPI.
  • 2) Linha-guia/Referência: usar parede, corrimão, corda guia ou referência fixa. Evitar “soltar” a referência.
  • 3) Progressão: deslocamento lento, varrendo com mãos/pés e iluminação; checar portas/obstáculos antes de avançar.
  • 4) Comunicação periódica: reportar posição e progresso por tempo ou por setor.
  • 5) Achado de vítima: avaliar riscos imediatos (queda, esmagamento, atmosfera), proteger a vítima, sinalizar e solicitar recursos.
  • 6) Retirada: retornar pela referência, mantendo a equipe coesa e sem ultrapassar o limite de segurança definido.

2.3 Técnicas básicas de retirada (sem detalhar atendimento clínico)

  • Arrasto por roupas/axilas: útil em risco iminente (ex.: desabamento, explosão). Prioriza rapidez; exige cuidado com obstáculos.
  • Transporte a dois socorristas: quando o terreno permite e a vítima colabora parcialmente.
  • Uso de maca/lençol: reduz atrito e melhora controle em corredores/escadas, quando disponível.

3) Salvamento veicular: estabilização, acesso e extricação básica

3.1 Conceitos essenciais

Salvamento veicular é o conjunto de ações para tornar o veículo e o entorno seguros, criar acesso e retirar a vítima com o mínimo de movimentação desnecessária. Em edital, o núcleo é: estabilização, controle de riscos e extricação básica.

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3.2 Gerenciamento de riscos em ocorrências veiculares

  • Tráfego: posicionar viatura como barreira, sinalizar com cones, iluminação e coletes refletivos; criar corredor de segurança.
  • Incêndio/combustível: observar vazamentos, odor, fumaça; manter extintor/linha pronta conforme protocolo local.
  • Energia do veículo: desligar ignição, retirar chave, acionar freio de estacionamento quando possível; atenção a sistemas elétricos e airbags (risco residual).
  • Estabilidade: risco de tombamento/rolagem; estabilizar antes de entrar ou apoiar peso no veículo.
  • Vidros e arestas: estilhaços e cortes; usar proteção ocular e coberturas.

3.3 Passo a passo: estabilização de veículo (cenário padrão em via)

Objetivo: impedir movimentos do veículo durante o acesso e a retirada.

  • 1) Isolamento e posicionamento: delimitar zona de trabalho; viatura em proteção; cones e sinalização.
  • 2) Avaliação do veículo: posição (sobre rodas, lateral, teto), pontos de contato com o solo, risco de escorregamento.
  • 3) Imobilização primária: calçar rodas (quando aplicável), travar movimento com cunhas/calços.
  • 4) Estabilização estrutural: usar estabilizadores, escoras ou calços em pontos firmes do chassi/estrutura, criando “triangulação” de apoio.
  • 5) Controle de energia: desligar ignição, remover chave, desconectar fonte conforme procedimento local; manter atenção a airbags não deflagrados.
  • 6) Checagem: testar estabilidade com empurrão controlado (sem colocar-se em zona de esmagamento). Se houver movimento, reforçar estabilização.

3.4 Extricação básica: acesso e retirada com mínima agressão

Extricação básica prioriza acesso rápido e seguro e retirada controlada, usando técnicas simples e ferramentas disponíveis, sem depender de manobras complexas.

  • Acesso por portas: após estabilização, avaliar se abre normalmente; se travada, criar folga com ferramenta de alavanca e proteger a vítima de estilhaços.
  • Gerenciamento de vidros: controlar estilhaçamento, cobrir vítima, remover fragmentos com técnica e proteção.
  • Criação de espaço: rebatimento de banco, ajuste de encosto, remoção de obstáculos internos quando possível.
  • Retirada: coordenar equipe (comando único), manter alinhamento corporal da vítima conforme necessidade operacional, evitar tração em membros presos.

3.5 Comunicação e funções na equipe (modelo de organização)

  • Líder: decide estratégia e comanda tempos.
  • Segurança: monitora tráfego, fogo, vazamentos, estabilidade e zona de risco.
  • Acesso/Extricação: executa abertura/criação de espaço e retirada.
  • Estabilização: calços/escoras/ancoragens e checagem contínua.

4) Salvamento em altura: nós, ancoragens e sistemas simples

4.1 Conceitos operacionais

  • Trabalho em altura: envolve risco de queda e exige redundância, ancoragens confiáveis, proteção de arestas e comunicação clara.
  • Sistema pessoal: cadeirinha/cinturão apropriado, talabarte, conectores, capacete com jugular, luvas e calçado aderente.
  • Linhas: linha de trabalho (principal) e linha de segurança (backup), conforme procedimento e material disponível.

4.2 Nós e amarrações fundamentais (o que saber e como treinar)

Em edital, é comum cobrar identificação, finalidade e aplicação básica. Treine sempre com inspeção visual e teste de carga progressivo (sem choque).

  • Oito (figure-eight) e oito duplo: formar laço seguro para encordamento e pontos de ancoragem.
  • Azelha (bowline): laço que não corre, útil para amarração em vítima/ancoragem quando permitido pelo protocolo.
  • Pescador duplo: unir cordas/fitas ou fazer nós de bloqueio em cordins.
  • Prusik (autoblocante): fricção para progressão, backup e captura de carga em sistemas simples.
  • Volta do fiel / nó de ancoragem simples: fixação rápida em ponto robusto (varia conforme doutrina local; foque no princípio: fixar sem escorregar e com fácil inspeção).

4.3 Passo a passo: montagem de ancoragem segura (princípios)

Objetivo: criar ponto confiável para suportar carga, com redundância e direção correta.

  • 1) Escolha do ponto: estrutura sólida (viga/coluna/árvore saudável/olhal certificado). Evitar pontos cortantes, corroídos ou com risco de arrancamento.
  • 2) Direção da carga: alinhar a ancoragem para que a força puxe no sentido mais favorável ao ponto.
  • 3) Redundância: quando possível, usar dois pontos independentes equalizados (se um falhar, o outro sustenta).
  • 4) Proteção de arestas: usar protetores, mantas ou roletes para evitar corte/abrasão da corda.
  • 5) Conectores: usar mosquetões/travas adequadas, com carga no eixo principal e trava fechada.
  • 6) Checagem cruzada: dupla conferência (socorrista A confere o de B e vice-versa) antes de carregar o sistema.

4.4 Sistemas simples de vantagem mecânica (VM): noções e aplicação

Vantagem mecânica reduz o esforço necessário para içar/arrastar uma carga, ao custo de maior quantidade de corda e mais atrito. Em nível básico, memorize os arranjos mais comuns:

  • 1:1 (sem VM): puxada direta.
  • 2:1: uma roldana móvel na carga (ou arranjo equivalente), reduz esforço aproximadamente pela metade (descontando atrito).
  • 3:1 (tipo “Z-rig”): combinação comum com prusik para captura de progresso; muito cobrada por ser simples e eficiente.

4.5 Passo a passo: sistema 3:1 (Z-rig) com captura de progresso (modelo conceitual)

Objetivo: tracionar carga (ex.: elevar vítima em maca em pequeno desnível) com controle e sem perder progresso.

  • 1) Ancoragem principal: montar ponto seguro e proteger arestas.
  • 2) Linha até a carga: conectar a corda à carga (maca/triângulo de resgate) com nó adequado.
  • 3) Roldana móvel: instalar roldana na carga (ou no ponto móvel) e retornar a corda para a ancoragem.
  • 4) Captura de progresso: instalar prusik/ bloqueador na linha de tração para impedir retorno quando a equipe soltar.
  • 5) Puxada coordenada: comando único (“puxar”, “parar”, “segurar”), evitando trancos; monitorar arestas e aquecimento por atrito.
  • 6) Reposicionamento: quando o curso de puxada acabar, travar o progresso, resetar o sistema e continuar.

5) Exercícios operacionais para fixação (descrições práticas)

Exercício 1: Estabilização e acesso em veículo sobre rodas

Cenário: colisão frontal leve, veículo em via, vítima consciente no banco do motorista.

  • Objetivo: montar zona segura, estabilizar e criar acesso sem agravar riscos.
  • Passos: (1) sinalizar e isolar; (2) designar funções; (3) desligar ignição e controlar energia; (4) calçar rodas e estabilizar; (5) checar vazamentos; (6) proteger vítima de estilhaços; (7) abrir porta ou criar acesso com alavanca; (8) coordenar retirada.
  • Pontos de avaliação: veículo não pode se mover durante a operação; comunicação clara; proteção ocular e de vítima; ferramentas usadas com controle.

Exercício 2: Busca por setores com marcação e comunicação

Cenário: galpão com corredores, baixa visibilidade simulada, duas “vítimas” (manequins) em setores diferentes.

  • Objetivo: cobrir área sem lacunas e registrar progresso.
  • Passos: (1) dividir em setores A/B/C; (2) definir ponto de entrada e tempo; (3) varredura por dupla mantendo referência; (4) comunicar achados; (5) marcar setor verificado conforme padrão combinado; (6) retirar vítima pelo caminho seguro.
  • Pontos de avaliação: ninguém perde contato com referência; setores não se sobrepõem; mensagens de rádio objetivas; marcação consistente.

Exercício 3: Nós fundamentais e inspeção

Cenário: bancada com cordas e mosquetões.

  • Objetivo: executar nós com rapidez e inspeção correta.
  • Passos: (1) fazer oito duplo; (2) fazer azelha; (3) unir cordas com pescador duplo; (4) montar prusik e testar fricção; (5) inspeção cruzada (parceiro confere acabamento, folgas e direção de carga).
  • Pontos de avaliação: nós “vestidos” (bem assentados), com sobra adequada; prusik segura sob carga e desliza quando aliviado; conectores travados.

Exercício 4: Ancoragem redundante e proteção de arestas

Cenário: ponto alto com quina (simulada) e dois pontos de ancoragem disponíveis.

  • Objetivo: montar ancoragem com redundância e reduzir abrasão.
  • Passos: (1) selecionar dois pontos independentes; (2) equalizar de forma simples; (3) instalar protetor de aresta; (4) passar corda e checar alinhamento; (5) teste de carga progressivo; (6) revisão final por outro socorrista.
  • Pontos de avaliação: ausência de contato direto da corda com quina; carga distribuída; sistema fácil de inspecionar.

Exercício 5: Montagem de 3:1 (Z-rig) e tração controlada

Cenário: içamento de carga simulada (saco de areia) em desnível curto.

  • Objetivo: aplicar VM com captura de progresso e comando único.
  • Passos: (1) montar ancoragem; (2) conectar carga; (3) instalar roldanas; (4) instalar prusik de captura; (5) puxar em ciclos curtos, sem trancos; (6) travar, resetar e repetir.
  • Pontos de avaliação: prusik captura sem escorregar; equipe não fica em linha de carga; comunicação de “parar/segurar” respeitada; arestas protegidas.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em uma ocorrência de salvamento veicular em via pública, qual sequência de ações melhor reflete o princípio de que a segurança da equipe depende do controle do cenário antes da técnica de extricação?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A operação deve reduzir riscos antes da técnica: isolar e sinalizar, controlar energia e estabilizar o veículo. Somente com o cenário controlado a equipe cria acesso e executa a retirada com comando e coordenação, diminuindo perigo para socorristas e vítima.

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