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Bombeiros Militares: Guia Completo de Preparação para Concursos Públicos

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21 páginas

Operações com produtos perigosos para Bombeiros Militares

Capítulo 12

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

+ Exercício

Conceito e objetivo das operações com produtos perigosos

Operações com produtos perigosos (PP) são ações de reconhecimento, avaliação e controle de ocorrências envolvendo substâncias que podem causar danos à vida, ao meio ambiente e ao patrimônio por toxicidade, inflamabilidade, corrosividade, reatividade, radioatividade ou risco biológico. Para o Bombeiro Militar, o foco em nível básico é: identificar o risco, proteger pessoas (isolamento/evacuação), reduzir a exposição (zonas e EPI), e apoiar medidas iniciais de contenção e descontaminação sem agravar o cenário.

Princípios operacionais (mentalidade de segurança)

  • Distância, tempo e blindagem: manter distância segura, reduzir tempo de exposição e usar barreiras/abrigos quando aplicável.
  • Reconhecer antes de agir: não tocar, não cheirar, não provar; evitar entrar em nuvens/vapores e áreas baixas.
  • Controle de fontes de ignição: em suspeita de inflamáveis, eliminar faíscas, chamas, equipamentos não intrinsecamente seguros e eletricidade estática.
  • Comando e comunicação: estabelecer comando, perímetro e canal de comunicação com equipes e órgãos de apoio.

Identificação de riscos: como “ler” a cena

Fontes de informação no local

  • Indícios visuais: fumaça colorida, névoa, poças com brilho, corrosão em metais, vegetação queimada, animais mortos, gelo/condensação em válvulas, ruídos de vazamento.
  • Olfato não é ferramenta: alguns gases são inodoros ou anestesiam o olfato; outros são perigosos em baixas concentrações.
  • Documentos e sinalização: rótulos de risco, painéis de segurança, fichas de carga, envelope de transporte, manifestos, notas fiscais, identificação do contêiner.
  • Relato de testemunhas: o que ocorreu, tempo de vazamento, quantidade, direção do vento, sintomas em pessoas.
  • Instrumentos (quando disponíveis): explosímetro, detector multigases, tubos colorimétricos, radiômetro/dosímetro; interpretar leituras com cautela e sempre a favor do vento.

Checklist rápido de reconhecimento (nível básico)

  • 1) Pare em local seguro, a favor do vento e em cota superior quando possível.
  • 2) Observe de longe: tipo de veículo/instalação, presença de placas, vazamento ativo, vítimas, fogo.
  • 3) Identifique o produto (ou a classe) por rótulos/painéis/documentos.
  • 4) Estime o perigo principal: fogo/explosão, toxicidade, corrosão, reatividade, asfixia, radiação.
  • 5) Defina perímetro inicial e controle de acesso.
  • 6) Planeje aproximação por rotas seguras e com EPI compatível.

Classes de produtos perigosos: visão prática para prova e serviço

Uma forma funcional de organizar o estudo é associar cada classe ao perigo dominante e às primeiras medidas de segurança. Abaixo, um resumo operacional (sem esgotar subclasses).

  • Classe 1 – Explosivos: risco de detonação/fragmentos; ampliar isolamento, evitar vibração/impacto, controlar ignição.
  • Classe 2 – Gases: podem ser inflamáveis, tóxicos ou asfixiantes; atenção a nuvens, áreas baixas, BLEVE em recipientes aquecidos; resfriamento defensivo quando aplicável.
  • Classe 3 – Líquidos inflamáveis: vapores se deslocam e inflamam à distância; eliminar ignição, conter escoamento, usar espuma apropriada quando indicado.
  • Classe 4 – Sólidos inflamáveis/espontaneamente combustíveis/perigosos com água: alguns reagem com água liberando gás inflamável; evitar aplicação indiscriminada de água.
  • Classe 5 – Oxidantes e peróxidos orgânicos: intensificam combustão; separar de combustíveis, evitar contaminação, resfriar com cautela conforme orientação.
  • Classe 6 – Tóxicos e infectantes: risco por inalação/contato/ingestão; priorizar proteção respiratória e controle de exposição; em infectantes, biossegurança e descarte.
  • Classe 7 – Radioativos: tempo/distância/blindagem; controlar perímetro, monitorar, evitar manipulação; acionar especialistas.
  • Classe 8 – Corrosivos: queimaduras químicas e danos estruturais; evitar contato, atenção a vapores; descontaminação imediata e irrigação quando indicado.
  • Classe 9 – Diversos: perigos variados (ex.: baterias de lítio, substâncias a alta temperatura); avaliar caso a caso.

Leitura de rótulos de risco e painéis de segurança

Rótulo de risco (diamante/placa de classe)

O rótulo indica a classe do produto (ex.: inflamável, corrosivo, tóxico). Em prova, a habilidade central é: ao ver o símbolo, inferir o perigo dominante e as restrições iniciais (ignição, água, aproximação, ventilação, EPI).

Painel de segurança (números)

Em muitos cenários de transporte, há um painel com dois números: um número de risco (que sugere o tipo de perigo) e um número de identificação do produto. A leitura prática é: usar esses números para consultar rapidamente uma fonte de resposta (guia, tabela, sistema interno) e confirmar medidas iniciais de isolamento, combate/controle e primeiros socorros.

Passo a passo: leitura e uso no reconhecimento

  • 1) Observe à distância e registre: classe (símbolo) e números do painel.
  • 2) Confirme com documentos do motorista/operador quando seguro.
  • 3) Se houver divergência entre rótulo, painel e documento, trate como pior cenário plausível até confirmação.
  • 4) Use a identificação para consultar medidas: perigos, isolamento inicial, ação com fogo/vazamento, incompatibilidades, EPI.

Zonas de operação e controle de cena

Definição de zonas

  • Zona quente: área de contaminação/risco direto (vazamento, nuvem, poça, radiação). Entrada restrita, equipe mínima, controle rigoroso de tempo e EPI.
  • Zona morna: transição e descontaminação; reduz transferência de contaminantes para áreas seguras.
  • Zona fria: comando, triagem, apoio logístico e atendimento a evacuados; deve permanecer livre de contaminação.

Passo a passo: montagem inicial do perímetro

  • 1) Estabeleça ponto de comando na zona fria, a favor do vento.
  • 2) Delimite isolamento inicial com fitas/cones/viaturas, considerando vento e relevo.
  • 3) Defina corredor de acesso/saída controlado e ponto de descontaminação na zona morna.
  • 4) Controle de entrada: registro de equipes, tempo de permanência e tarefas.
  • 5) Ajuste o perímetro conforme identificação do produto e comportamento do vazamento.

Isolamento e evacuação: decisões objetivas

Isolamento é a medida mais rápida para reduzir vítimas. Evacuação é indicada quando há risco de exposição por nuvem tóxica, incêndio/explosão, ou quando o controle do vazamento é incerto.

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Critérios práticos para ampliar isolamento/evacuar

  • Produto desconhecido com vítimas sintomáticas (tosse, lacrimejamento, dispneia, náusea).
  • Gás sob pressão com vazamento audível/visível.
  • Incêndio atingindo recipientes pressurizados (risco de ruptura).
  • Vazamento em área confinada (galpão, porão, túnel) com ventilação limitada.
  • Reatividade com água/umidade suspeita (liberação de calor/gás).

Passo a passo: evacuação segura

  • 1) Defina rota de fuga contra o vento e para cota superior quando possível.
  • 2) Oriente população a não atravessar nuvens/poças e a não usar elevadores em ambientes fechados.
  • 3) Priorize grupos vulneráveis (crianças, idosos, acamados) e estabeleça ponto de encontro na zona fria.
  • 4) Registre pessoas potencialmente expostas para avaliação e descontaminação.

Contenção e controle em nível básico (sem “heroísmo”)

Em nível básico, a contenção visa reduzir a propagação e proteger drenagens, cursos d’água e áreas ocupadas, sem exigir intervenções complexas em válvulas ou transferências de produto.

Técnicas básicas (quando aplicáveis e seguras)

  • Diques e barreiras: terra/areia/absorventes para conter escoamento.
  • Proteção de bueiros: tampões, barreiras e mantas para evitar entrada em rede pluvial.
  • Absorção: uso de material absorvente compatível (atenção a oxidantes e reativos).
  • Ventilação controlada: em ambientes fechados, somente após avaliação do risco de inflamabilidade/toxicidade e com equipamentos adequados.
  • Resfriamento defensivo: para recipientes expostos ao calor, mantendo distância e proteção.

Erros comuns que agravam o incidente

  • Aplicar água em substância reativa com água ou em derramamento de inflamável sem estratégia (espalha produto).
  • Usar material absorvente incompatível (ex.: oxidantes fortes).
  • Entrar na zona quente sem controle de tempo, sem dupla e sem plano de retirada.
  • Ignorar drenagens e declividade do terreno (produto “corre” para áreas críticas).

Descontaminação em nível básico

Descontaminação é o conjunto de ações para remover/reduzir contaminantes de pessoas, EPI e equipamentos, evitando que a contaminação se espalhe. Em nível básico, prioriza-se a descontaminação de emergência (rápida) e a organização do fluxo na zona morna.

Passo a passo: descontaminação de emergência de vítimas (modelo geral)

  • 1) Retire a vítima da fonte (zona quente) para a zona morna, sem expor socorristas.
  • 2) Remova roupas e acessórios contaminados (reduz grande parte da carga contaminante).
  • 3) Irrigue pele/cabelos com água em abundância quando o agente for compatível com água; evite jatos de alta pressão que espalhem contaminante.
  • 4) Proteja vias aéreas e olhos; irrigue olhos quando houver suspeita de irritante/corrosivo, conforme protocolo local.
  • 5) Encaminhe para avaliação médica após descontaminação inicial, mantendo controle de resíduos.

Descontaminação de equipe e equipamentos (noções)

  • Corredor de decon: entrada/saída única, com etapas (remoção grossa, lavagem, retirada de EPI).
  • Controle de efluentes: sempre que possível, conter água de lavagem para descarte adequado.
  • Não reutilizar EPI contaminado: isolar e encaminhar para limpeza técnica ou descarte.

EPI adequado: seleção por risco e tarefa

A escolha do EPI depende do risco dominante (inalação, contato, respingos, calor, perfuração) e do objetivo da equipe (reconhecimento, resgate, contenção). Em operações com PP, a proteção respiratória é frequentemente decisiva.

Critérios práticos de seleção

  • Risco respiratório desconhecido: priorizar proteção respiratória autônoma e abordagem defensiva.
  • Risco de respingo/corrosivo: proteção química para pele/olhos/face, luvas e botas compatíveis.
  • Inflamáveis: atenção a antiestática, compatibilidade com calor e risco de ignição.
  • Ambiente com baixa concentração e produto conhecido: pode permitir proteção menos complexa, desde que validada por medição e orientação técnica.

Erros de prova e de serviço

  • Confundir EPI estrutural de incêndio com proteção química total (não são equivalentes).
  • Usar filtro/máscara purificadora em atmosfera desconhecida, com baixo oxigênio ou com contaminantes não filtráveis.
  • Negligenciar proteção ocular e de pele em corrosivos (lesão ocorre rapidamente).

Guias de resposta a emergências: lógica de consulta (sem depender de manual específico)

Em vez de decorar tabelas, use uma lógica de consulta replicável em qualquer guia/sistema: identificar, classificar, selecionar ações iniciais e ajustar com base em condições (fogo, vazamento, ambiente, vítimas).

Algoritmo de consulta em 6 passos

  • 1) Identifique: nome do produto, classe, número de identificação, tipo de embalagem (tanque, cilindro, IBC).
  • 2) Reconheça perigos: saúde, fogo/explosão, reatividade, risco ambiental.
  • 3) Defina distâncias iniciais: isolamento e, se aplicável, evacuação a favor do vento.
  • 4) Escolha estratégia: defensiva (isolar/evacuar) ou ofensiva limitada (contenção simples) conforme capacidade e segurança.
  • 5) Selecione EPI e recursos: proteção respiratória, proteção química, agentes extintores/espuma, absorventes, barreiras.
  • 6) Considere cenários especiais: fogo envolvendo recipiente, vazamento em ambiente confinado, contato com água, proximidade de drenagens, múltiplos produtos.

Exemplo de aplicação da lógica (situação genérica)

Um caminhão com painel de segurança indica produto inflamável. Há poça no asfalto e odor forte. Pela lógica: (1) identificar pelo painel/documento; (2) perigo dominante: vapores inflamáveis e possível toxicidade; (3) isolar e controlar ignição; (4) estratégia defensiva com contenção de escoamento e proteção de bueiros; (5) EPI com proteção respiratória se houver vapores; (6) se houver fogo próximo, considerar resfriamento e risco de propagação por vapores.

Estudos de caso (com perguntas objetivas)

Caso 1: Vazamento de gás em área urbana

Durante atendimento, há relato de “cheiro forte” próximo a um depósito. Um cilindro está tombado, com ruído de vazamento. Pessoas apresentam lacrimejamento e tosse. O vento leva a nuvem para uma rua com comércio.

  • P1 (múltipla escolha): A primeira medida mais adequada é: (A) entrar e fechar a válvula imediatamente (B) isolar e evacuar a favor do vento, estabelecendo zonas (C) ventilar o ambiente com ventilador comum (D) aplicar água em neblina diretamente no cilindro
  • P2 (objetiva): Cite dois critérios que indicam necessidade de ampliar o perímetro.
  • P3 (múltipla escolha): Em atmosfera desconhecida, a proteção respiratória mais segura é: (A) máscara PFF2 (B) máscara com filtro químico (C) equipamento autônomo de respiração (D) pano úmido sobre o rosto

Caso 2: Derramamento de líquido corrosivo em rodovia

Após colisão, há derramamento de líquido que causa fumos e ataque ao metal. O produto escoa em direção a um bueiro. O motorista está consciente, com queixa de ardor na pele.

  • P1 (múltipla escolha): A prioridade imediata é: (A) neutralizar o produto com base/ácido no local (B) conter o escoamento e proteger drenagens, com EPI adequado (C) lavar o derramamento com grande volume de água para “sumir” (D) espalhar serragem em toda a poça sem avaliar compatibilidade
  • P2 (objetiva): Descreva um passo a passo básico de descontaminação de emergência para o motorista.
  • P3 (múltipla escolha): Em corrosivos, qual item é frequentemente negligenciado e crítico? (A) proteção ocular/face (B) capacete de salvamento em altura (C) colete refletivo comum (D) corda dinâmica

Caso 3: Incêndio envolvendo recipiente pressurizado

Em um pátio industrial, há fogo próximo a recipientes pressurizados identificados como gás. O calor está aumentando e há risco de ruptura. Não há vítimas no momento.

  • P1 (múltipla escolha): A conduta mais compatível com nível básico é: (A) aproximar e mover os recipientes manualmente (B) resfriamento defensivo com distância e isolamento ampliado (C) perfurar o recipiente para aliviar pressão (D) entrar na área sem EPI respiratório para avaliar de perto
  • P2 (objetiva): Quais são os três elementos do princípio “tempo, distância e blindagem” aplicados ao caso?
  • P3 (múltipla escolha): Se o vento mudar e levar calor/fumaça para a zona fria, a ação correta é: (A) manter tudo como está (B) reposicionar comando e ajustar zonas/perímetro (C) reduzir isolamento para facilitar trânsito (D) desligar rádio para evitar pânico

Gabarito (para autoavaliação)

Caso 1: P1=B; P2=ex.: vítimas sintomáticas, vazamento ativo sob pressão, nuvem se deslocando para área ocupada, produto desconhecido; P3=C
Caso 2: P1=B; P2=ex.: retirar da fonte, remover roupas, irrigar pele/olhos quando compatível, conter resíduos e encaminhar; P3=A
Caso 3: P1=B; P2=reduzir tempo de exposição, aumentar distância, usar barreiras/abrigos; P3=B

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em uma ocorrência com vazamento de gás sob pressão em área urbana, com pessoas apresentando tosse e lacrimejamento e a nuvem sendo levada pelo vento para uma área ocupada, qual deve ser a primeira medida no nível básico?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

No nível básico, a prioridade é reduzir vítimas: reconhecer o risco, isolar/evacuar e organizar zonas (quente, morna e fria), com controle de acesso e posicionamento seguro a favor do vento. Ações imediatas de intervenção direta podem agravar a exposição.

Próximo capitúlo

Defesa Civil, gestão de desastres e resposta a emergências para Bombeiros Militares

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