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Escrivão de Polícia Civil: Preparação Completa em Procedimentos Policiais

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14 páginas

Rotina do Escrivão de Polícia Civil e Fluxo de Procedimentos Cartorários

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

+ Exercício

A rotina do Escrivão de Polícia Civil no cartório é essencialmente operacional e de controle: transformar o atendimento e as decisões da autoridade policial em autos formalmente organizados, com rastreabilidade, integridade documental, movimentações registradas e prazos acompanhados. O cartório funciona como o “núcleo de formalização” do procedimento, onde cada peça é recebida, conferida, juntada, certificada e encaminhada conforme o fluxo correto.

1) Papel operacional do Escrivão no cartório

Na prática, o Escrivão atua como gestor do fluxo documental e processual do procedimento policial, garantindo que:

  • o que foi atendido e relatado seja formalizado em peças adequadas;
  • o procedimento seja autuado e organizado com padrão;
  • toda movimentação tenha registro (quem recebeu, quando, para quê);
  • prazos sejam controlados e cobrados internamente;
  • o sigilo e a integridade dos autos sejam preservados;
  • as remessas e comunicações ocorram no tempo e na forma correta.

2) Visão geral do fluxo cartorário (do registro ao encerramento)

Um fluxo típico, com variações conforme a unidade e o sistema, segue esta lógica:

  • Atendimento inicial e registro: recepção da demanda, qualificação mínima e geração do registro/boletim/entrada.
  • Formalização de peças: elaboração/recebimento de portarias, termos, requisições, ofícios, despachos e demais documentos.
  • Autuação: criação do volume de autos, numeração, capa, termos quando aplicáveis e indexação inicial.
  • Juntada: inserção ordenada de peças e documentos, com certificações e controle de folhas.
  • Conclusão: encaminhamento formal à autoridade para despacho/decisão.
  • Remessa: envio a outro setor/órgão (perícia, MP, Judiciário, outra unidade), com protocolo e rastreio.
  • Carga: entrega formal dos autos a responsável interno/externo, com controle de retirada e devolução.
  • Vistas: disponibilização para consulta autorizada, com registro e limites.
  • Certificações: registro cartorário de ocorrências relevantes (juntada, decurso de prazo, remessa, devolução, ausência, impossibilidade).
  • Movimentações típicas: reautuação, desentranhamento (quando autorizado), apensamento, desmembramento, abertura de volume, arquivamento e desarquivamento.

3) Encadeamento entre atendimento, formalização e controle de prazos

3.1 Atendimento inicial: o que o cartório precisa “capturar”

O atendimento inicial gera insumos para o procedimento. O cartório deve assegurar que a entrada esteja completa o suficiente para permitir a formalização e o andamento, evitando retrabalho. Elementos práticos a conferir no momento de entrada:

  • identificação correta das partes (nome, documento, filiação quando aplicável, contatos);
  • endereços e meios de localização;
  • descrição objetiva do fato, data, local e circunstâncias;
  • indicação de testemunhas e outros envolvidos;
  • existência de documentos anexos (prints, fotos, laudos, contratos, comprovantes);
  • necessidade de medidas urgentes (requisições imediatas, preservação de local, exame pericial, oitivas prioritárias).

3.2 Formalização de peças: transformar a demanda em autos

Após a entrada, o cartório organiza o procedimento por meio de peças. Na rotina, isso envolve: redigir termos, preparar expedientes, receber documentos externos, e padronizar a apresentação. A formalização deve ser consistente com a cronologia e com as decisões/ordens existentes.

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Exemplo prático: chega um documento externo (resposta de ofício de operadora). O cartório deve: conferir se corresponde ao pedido, identificar o procedimento correto, juntar com certificação, atualizar movimentação, e levar à conclusão se depender de decisão (ex.: necessidade de nova requisição ou de oitiva).

3.3 Controle de prazos: onde o cartório “não pode falhar”

O controle de prazos é um encadeamento entre: (1) o que foi requisitado/encaminhado, (2) o prazo esperado, (3) a cobrança/renovação e (4) o registro do que ocorreu. O cartório deve manter um mecanismo claro (sistema, planilha interna ou livro de controle, conforme normas locais) para:

  • registrar data de expedição de ofícios/requisições;
  • definir prazo de retorno e responsável pelo acompanhamento;
  • registrar recebimento de respostas e pendências;
  • certificar decurso de prazo quando necessário;
  • submeter à autoridade para deliberação (reiterar, renovar, representar, etc.).

4) Passo a passo prático das principais movimentações cartorárias

4.1 Autuação (criação e estruturação inicial dos autos)

Conceito: autuar é formar oficialmente os autos, criando a estrutura física/digital do procedimento, com identificação, organização inicial e registro de abertura.

Passo a passo:

  • separar as peças iniciais (registro/portaria/termos iniciais e anexos);
  • preparar capa/identificação do procedimento (número, natureza, unidade, partes principais quando aplicável);
  • organizar a sequência cronológica inicial;
  • numerar as folhas (quando em autos físicos) e rubricar conforme padrão da unidade;
  • lavrar termo de abertura/encerramento quando aplicável pela norma interna;
  • registrar a autuação no sistema e a movimentação correspondente.

4.2 Juntada (inserção de documentos e peças)

Conceito: juntada é o ato cartorário de inserir uma peça/documento nos autos, mantendo ordem, numeração e rastreabilidade.

Passo a passo:

  • conferir se o documento pertence ao procedimento correto (número, partes, referência do ofício);
  • verificar integridade (páginas completas, anexos mencionados, legibilidade);
  • posicionar no ponto correto da sequência (geralmente por ordem cronológica de recebimento/produção);
  • numerar folhas e rubricar (autos físicos) ou indexar corretamente (autos digitais);
  • lavrar certificação de juntada, indicando o que foi juntado e a quantidade de folhas/anexos quando aplicável;
  • atualizar movimentação no sistema e, se necessário, preparar conclusão.

4.3 Conclusão (submissão formal à autoridade)

Conceito: conclusão é o encaminhamento formal do procedimento à autoridade policial para despacho/decisão, com registro de que os autos foram apresentados para deliberação.

Passo a passo:

  • identificar o motivo da conclusão (resposta recebida, pendência, pedido de medida, necessidade de despacho);
  • organizar as peças relevantes em destaque (ex.: resposta de ofício + requisição original);
  • certificar a conclusão, quando previsto, indicando a razão objetiva;
  • encaminhar fisicamente/digitalmente à autoridade e registrar a movimentação;
  • ao retorno, cumprir o despacho: expedir, juntar, intimar, reiterar, remeter, arquivar, etc.

4.4 Remessa (envio a outro órgão/setor)

Conceito: remessa é o envio formal dos autos ou de peças a destinatário competente, com protocolo e rastreabilidade.

Passo a passo:

  • verificar se a remessa é de autos integrais ou de cópias/peças específicas;
  • conferir se há despacho determinando a remessa e a quem;
  • preparar expediente (ofício/guia/encaminhamento) com identificação completa;
  • registrar protocolo de envio (data, meio, destinatário, responsável);
  • certificar a remessa nos autos;
  • controlar retorno quando aplicável (ex.: perícia, diligência externa).

4.5 Carga (retirada formal dos autos)

Conceito: carga é a entrega dos autos a alguém autorizado, com registro de retirada e devolução, preservando a cadeia de custódia documental.

Passo a passo:

  • confirmar autorização e legitimidade de quem retira (interno/externo);
  • registrar data/hora, identificação do responsável e finalidade;
  • definir prazo de devolução quando aplicável;
  • certificar a carga e atualizar movimentação;
  • no retorno, conferir integridade (folhas, anexos, ordem) e certificar devolução.

4.6 Vistas (consulta autorizada)

Conceito: vistas é a disponibilização para consulta, sem necessariamente retirar os autos do cartório, observando sigilo e limites de acesso.

Passo a passo:

  • verificar se há sigilo e qual o nível de acesso permitido;
  • registrar quem consultou, data/hora e o que foi disponibilizado;
  • acompanhar a consulta quando necessário (especialmente em autos físicos);
  • impedir reprodução/extração indevida, conforme normas;
  • certificar a concessão de vistas quando aplicável.

4.7 Certificações (atos cartorários de registro de ocorrências)

Conceito: certificar é declarar nos autos um fato relevante ocorrido no trâmite (ato praticado, decurso de prazo, recebimento, ausência, impossibilidade), criando prova documental interna do andamento.

Padrões práticos:

  • ser objetiva, datada e vinculada a um evento verificável;
  • evitar opinião; registrar fatos (ex.: “certifico que, nesta data, foi juntada a resposta ao ofício X”);
  • mencionar quantidade de folhas/anexos quando aplicável;
  • indicar protocolos, números de ofícios, datas de envio/recebimento.

5) Checklists de conferência de peças e documentos

5.1 Checklist de conferência antes de juntar qualquer documento

  • O documento está no procedimento correto (número/identificação)?
  • Há referência ao ofício/requisição que originou a resposta?
  • Está completo (todas as páginas, anexos citados, assinaturas quando exigidas)?
  • Está legível e sem cortes/rasuras relevantes?
  • Há dados sensíveis que exigem cautela de sigilo (endereços, telefones, dados bancários, dados de saúde)?
  • Exige conclusão imediata (prazo, medida urgente, diligência pendente)?
  • Foi registrado no sistema a movimentação correspondente?

5.2 Checklist de expedição de ofícios/requisições

  • Destinatário correto (órgão, setor, endereço/e-mail institucional)?
  • Identificação completa do procedimento (número, unidade, referência)?
  • Pedido claro, específico e verificável (o que se quer, período, formato)?
  • Prazo indicado quando aplicável e forma de resposta?
  • Assinatura/validação conforme rotina (autoridade/servidor autorizado)?
  • Protocolo de envio registrado (data, meio, comprovante)?
  • Controle de retorno lançado no acompanhamento de prazos?

5.3 Checklist de conferência de autos antes de remessa

  • Autos estão em ordem cronológica e com numeração coerente (físico) ou indexação correta (digital)?
  • Peças essenciais estão presentes (despachos, termos, laudos, respostas)?
  • Há pendências de juntada (anexos avulsos, mídias, documentos soltos)?
  • Sigilo destacado e restrições de acesso observadas?
  • Guia/ofício de remessa contém identificação completa e finalidade?
  • Protocolo de envio e certificação de remessa preparados?

6) Padrões de organização de autos (boas práticas cartorárias)

6.1 Ordenação de folhas e sequência lógica

Em autos físicos, a organização deve permitir leitura contínua e auditoria do trâmite. Boas práticas:

  • manter ordem cronológica de produção/recebimento das peças;
  • evitar “saltos” de numeração; corrigir imediatamente inconsistências;
  • posicionar anexos imediatamente após a peça que os menciona;
  • quando houver grande volume de anexos, identificar por separadores internos (quando permitido) e certificar.

6.2 Rubricas e numeração (quando aplicável)

Quando a rotina exigir autos físicos:

  • numerar folhas de forma contínua e visível;
  • rubricar conforme padrão da unidade (normalmente em local fixo);
  • ao inserir documento com múltiplas páginas, conferir se a contagem bate com a certificação;
  • em caso de erro de numeração, registrar correção conforme norma interna (evitar improvisos sem certificação).

6.3 Termos de abertura/encerramento e abertura de volume (quando aplicável)

Algumas unidades exigem termos formais para marcar início/fim de volumes. Boas práticas:

  • lavrar termo de abertura quando o volume é iniciado, com identificação do procedimento;
  • ao atingir limite físico de folhas, abrir novo volume com termo próprio e referência ao volume anterior;
  • lavrar termo de encerramento quando aplicável, evitando volumes “abertos” sem controle.

7) Rotinas de arquivo e protocolo

7.1 Protocolo interno: entrada, circulação e saída

O protocolo é o mecanismo de rastreabilidade. Mesmo com sistemas digitais, a lógica é a mesma: registrar cada entrada e saída relevante.

  • Entrada: documento recebido deve ser identificado, classificado e direcionado ao procedimento correto.
  • Circulação: movimentações internas (conclusão, carga interna, envio a setor) devem ser registradas.
  • Saída: remessas externas exigem comprovante e registro do meio utilizado.

7.2 Arquivamento e desarquivamento

Arquivar não é “guardar de qualquer forma”; é manter recuperabilidade e integridade.

  • arquivar com identificação clara (número, classe, ano, status);
  • separar autos sigilosos em local/controle específico;
  • registrar arquivamento no sistema e local físico (quando houver);
  • no desarquivamento, registrar quem solicitou, motivo, data e responsável;
  • ao retornar ao arquivo, conferir se não houve alteração indevida na ordem/folhas.

8) Cuidados com sigilo e integridade documental

8.1 Sigilo: acesso mínimo necessário

O cartório deve operar com o princípio do acesso mínimo necessário: apenas quem precisa acessar para executar a tarefa deve ter acesso, e apenas ao que for necessário.

  • evitar deixar autos expostos em balcões e áreas comuns;
  • controlar vistas e cargas com registro formal;
  • em autos digitais, respeitar perfis de acesso e evitar compartilhamentos informais;
  • ao expedir documentos, revisar se não há dados sensíveis além do necessário.

8.2 Integridade: prevenir extravio, substituição e adulteração

  • não manter documentos soltos; juntar ou acondicionar com identificação imediata;
  • conferir devoluções de carga com checagem de folhas/anexos;
  • usar certificações para registrar ocorrências (ex.: documento recebido incompleto, mídia danificada, ausência de anexos);
  • preservar mídias (pendrives, CDs, cartões) em envelopes identificados e com registro de juntada;
  • evitar manuseio desnecessário e manter guarda segura de autos sigilosos.

9) Exemplos de rotinas completas (modelos mentais de fluxo)

9.1 Exemplo A: resposta de ofício com prazo controlado

  • Expedição do ofício: registrar envio + lançar controle de prazo.
  • Recebimento da resposta: conferir destinatário/procedimento + integridade.
  • Juntada: numerar/indexar + certificar juntada.
  • Conclusão: encaminhar à autoridade para deliberação (ex.: nova diligência).
  • Cumprimento do despacho: expedir nova requisição ou agendar oitiva + atualizar controles.

9.2 Exemplo B: autos em carga para diligência interna

  • Solicitação de retirada: verificar autorização.
  • Carga: registrar responsável, data e finalidade.
  • Retorno: conferir integridade e ordem.
  • Juntada de peças produzidas na diligência: certificar e atualizar movimentação.
  • Conclusão: se houver necessidade de despacho subsequente.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao receber a resposta a um ofício no cartório, qual sequência de ações melhor garante rastreabilidade e encaminhamento correto do procedimento?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A rotina exige conferir pertinência e integridade, juntar de forma ordenada com certificação e registrar a movimentação. Quando houver necessidade de deliberação, os autos devem ser encaminhados em conclusão à autoridade.

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