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Escrivão da Polícia Federal: Domínio Jurídico, Documental e Tecnológico para Aprovação

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16 páginas

Rotina do Escrivão da Polícia Federal: procedimentos, peças e responsabilidade documental

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 14 minutos

+ Exercício

O que é a rotina documental do Escrivão e por que ela é crítica

A rotina do Escrivão da Polícia Federal é centrada na formalização, organização e controle documental do procedimento policial, garantindo que cada ato praticado tenha registro adequado, com autenticidade, integridade e rastreabilidade. Na prática, isso significa: (1) transformar fatos e decisões em peças formais; (2) manter o encadeamento cronológico e lógico do procedimento; (3) assegurar que toda diligência tenha ordem, execução e resultado documentados; (4) evitar vícios formais que possam gerar nulidades, atrasos, retrabalho, responsabilização funcional e fragilização probatória.

O procedimento policial é um conjunto de atos documentados. Se o ato não está formalizado corretamente, ele tende a “não existir” para fins de controle, auditoria, contraditório diferido e valoração probatória. Por isso, a atuação do Escrivão exige padronização de linguagem, conferência de requisitos formais, controle de prazos e consistência entre peças.

Conceitos-chave: autenticidade, integridade e rastreabilidade

  • Autenticidade: garantia de que o documento é verdadeiro e foi produzido/assinado por quem afirma tê-lo produzido/assinado. Envolve assinatura, identificação do signatário, data, local e, quando aplicável, cadeia de custódia documental (quem produziu, quem juntou, quem certificou).

  • Integridade: garantia de que o conteúdo não foi alterado indevidamente. Exige controle de versões, juntadas com identificação, numeração, certificações e cuidados com anexos (mídias, laudos, relatórios).

  • Rastreabilidade: capacidade de reconstruir o caminho do documento e do ato: origem, motivo, autorização, execução, resultado e juntada. Depende de registros claros (termos, certidões, juntadas, despachos) e de organização coerente.

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Fluxo prático de formalização do procedimento policial

A seguir, um fluxo operacional típico, com as peças mais comuns e o momento de produção. A nomenclatura pode variar conforme normativos internos e o tipo de procedimento, mas a lógica documental é constante: instaurar, registrar atos, controlar diligências, juntar resultados, certificar ocorrências e encerrar com relatório e remessa.

1) Instauração: abertura formal e peças iniciais

Objetivo: criar o procedimento e registrar a notícia do fato, a atribuição e as primeiras providências.

  • Peça de instauração (ex.: portaria, auto/termo de instauração, conforme o caso): formaliza a abertura, delimita objeto, data, local, base informativa e determina diligências iniciais.

  • Termo de declarações (quando houver oitiva inicial): registra depoimento/declaração, com identificação completa, compromisso quando aplicável, perguntas e respostas, leitura e assinatura.

  • Despachos/determinações iniciais: ordens de diligência, requisições, ofícios a órgãos, solicitações de perícia, entre outros.

  • Autuação e capa: organização inicial do conjunto documental, com identificação do procedimento, indexação básica e controle de volumes/anexos quando necessário.

Passo a passo prático (instauração):

  • Conferir se há elementos mínimos: fato, data aproximada, local, possível autoria, materialidade inicial, fonte da notícia.

  • Redigir a peça de instauração com linguagem objetiva, sem juízos conclusivos prematuros, delimitando o objeto.

  • Registrar diligências iniciais de forma executável (o quê, quem, quando, como, finalidade).

  • Autuar e organizar: numeração/ordem, anexos, mídias, documentos externos.

2) Andamento: registro contínuo dos atos e controle de prazos

Objetivo: manter o procedimento atualizado, com cada ato devidamente documentado e encadeado.

  • Termos: usados para registrar atos com participação de pessoas (declarações, interrogatórios, reconhecimentos, acareações, entrega voluntária, etc.).

  • Autos: usados para formalizar atos mais complexos ou com estrutura própria (apreensão, exibição e apreensão, arrecadação, constatação, entre outros, conforme o caso).

  • Certidões: registram ocorrências administrativas/documentais (ex.: decurso de prazo, tentativa de intimação, comparecimento/não comparecimento, recebimento de documento, indisponibilidade de sistema, juntada de mídia ilegível, retificação formal).

  • Juntadas: ato formal de inserir documento/resultado no procedimento, identificando origem, data de recebimento e relação com diligência anterior.

  • Ofícios e requisições: comunicações formais a órgãos/empresas para obter informações, documentos, dados ou providências.

Passo a passo prático (andamento):

  • Antes de produzir a peça: identificar qual ato está sendo praticado e qual é o documento adequado (termo, auto, certidão, juntada, ofício).

  • Redigir com padronização: cabeçalho/identificação do procedimento, qualificação das partes, data, local, narrativa objetiva, encerramento e assinaturas.

  • Após o ato: providenciar juntada do resultado (documento recebido, mídia, laudo, resposta de ofício) e certificar ocorrências relevantes.

  • Controlar prazos: registrar datas de expedição/recebimento, prazos concedidos, reiterações e justificativas.

3) Diligências: ordem, execução e resultado documentados

Objetivo: garantir que toda diligência tenha trilha documental completa: determinação, execução, resultado e juntada.

  • Determinação: despacho/ordem indicando finalidade e escopo.

  • Execução: pode gerar termo/auto (ex.: oitiva, apreensão) ou relatório de diligência (narrativa do que foi feito e encontrado).

  • Resultado: documentos recebidos, laudos, mídias, prints, relatórios técnicos, respostas de ofícios.

  • Juntada e certificação: inserção formal e registro de conformidade (ex.: “recebido em”, “mídia lacrada”, “anexo em”, “encaminhado para perícia”).

Exemplo prático (encadeamento):

  • Despacho determina: requisitar imagens de câmeras de um local.

  • Expede-se ofício à empresa/órgão responsável, com prazo e especificação (data/hora, ângulo, formato).

  • Recebimento: chega mídia/arquivo. Produz-se certidão de recebimento e juntada, descrevendo o material (quantidade, formato, identificação).

  • Se necessário: encaminhamento à perícia com guia/termo adequado e certificação de envio.

4) Juntadas: como inserir documentos sem quebrar a integridade do procedimento

Objetivo: incorporar documentos de forma rastreável, mantendo a ordem e evitando lacunas.

  • Juntada de documento físico/digital: deve indicar origem, data de produção (se conhecida), data de recebimento, quantidade de páginas/arquivos, e relação com diligência/peça anterior.

  • Juntada de mídia: descrever tipo (pen drive, DVD, arquivo), identificação, hash/identificador quando aplicável, forma de armazenamento e lacre/embalagem quando houver.

  • Juntada de laudo/relatório técnico: conferir se há assinatura/identificação do perito/técnico, data, anexos e referências internas.

Boas práticas:

  • Evitar juntadas genéricas (“junta-se documento”) sem descrever o conteúdo.

  • Não misturar resultados de diligências diferentes em uma única juntada sem discriminar itens.

  • Certificar inconsistências (ex.: arquivo corrompido, páginas faltantes, divergência de datas) e solicitar saneamento.

5) Encerramento: consolidação, relatório e remessa

Objetivo: fechar o ciclo documental com coerência interna, permitindo compreensão do que foi apurado e do que foi produzido.

  • Relatório: peça que organiza os principais atos, diligências, resultados e encaminhamentos, com referência às peças do procedimento.

  • Certidões finais: registro de providências pendentes, cumprimento de determinações, decurso de prazos, e conferências formais.

  • Termo de encerramento/remessa (conforme prática local): formaliza a remessa/encaminhamento ao destino competente, com identificação de volumes/anexos.

Passo a passo prático (encerramento):

  • Conferir se todas as diligências determinadas têm resultado juntado ou certidão justificando.

  • Checar se documentos essenciais estão assinados, datados e com identificação.

  • Verificar se anexos/mídias estão descritos e vinculados a peças.

  • Preparar relatório com referências internas claras (sem ambiguidades).

Peças e documentos: o que produzir e quando produzir

Termos: quando usar e como padronizar

Termos são adequados para registrar atos com participação direta de pessoas ou formalizações simples e claras. Exemplos comuns: termo de declarações, termo de interrogatório, termo de reconhecimento, termo de entrega/recebimento, termo de ciência.

Estrutura mínima recomendada:

  • Identificação do procedimento e da peça (tipo, número/ordem interna se houver).

  • Data, hora e local.

  • Qualificação completa (nome, documentos, filiação quando aplicável, endereço, contato, profissão).

  • Narrativa em perguntas e respostas ou relato contínuo, conforme padrão adotado.

  • Advertências/compromissos quando aplicáveis.

  • Leitura, confirmação, assinaturas e identificação do responsável pela lavratura.

Autos: formalização de atos com maior complexidade

Autos são usados para atos que exigem detalhamento de circunstâncias, objetos, locais, testemunhas e descrição minuciosa (por exemplo, apreensões e arrecadações). A ênfase é descrever com precisão o que foi feito, o que foi encontrado, como foi acondicionado e quem presenciou.

Pontos de atenção:

  • Descrição individualizada de itens (marca, modelo, número de série/IMEI quando aplicável, estado de conservação).

  • Vínculo com a diligência que originou o ato (ordem/mandado/despacho).

  • Registro de testemunhas e responsáveis.

  • Encaminhamento do material (guarda, perícia, depósito) e documentação correlata.

Relatórios: narrativa técnica e rastreável

Relatórios devem permitir que um leitor externo compreenda o que foi feito, em qual ordem, com quais resultados e onde cada informação está documentada. Evite adjetivações e conclusões sem lastro documental; privilegie referências a peças e resultados juntados.

Modelo de organização:

  • Contexto objetivo do fato e da instauração.

  • Diligências realizadas (em ordem cronológica), com resultados.

  • Documentos e laudos relevantes (indicando onde estão juntados).

  • Pendências e encaminhamentos.

Certidões: registro de ocorrências e conformidade

Certidões são essenciais para rastreabilidade e para demonstrar diligência administrativa. São usadas para registrar tentativas, falhas, decurso de prazo, recebimentos, indisponibilidades e qualquer evento que impacte o andamento.

Exemplos de situações típicas:

  • Certidão de decurso de prazo sem resposta a ofício.

  • Certidão de tentativa de contato/intimação sem êxito.

  • Certidão de recebimento de documentos/mídias.

  • Certidão de encaminhamento à perícia e retorno.

Juntadas: ato formal de incorporação

Juntada não é “anexar”; é incorporar com descrição e vínculo. Sempre que um documento externo ingressa no procedimento, a juntada cria o elo de rastreabilidade.

Elementos mínimos:

  • O que está sendo juntado (descrição).

  • Origem (quem enviou/produziu).

  • Data de recebimento e meio (e-mail institucional, malote, entrega presencial).

  • Quantidade (páginas/arquivos) e identificação (nome do arquivo, mídia, lacre).

  • Relação com diligência/peça anterior.

Linguagem técnica, padronização e prazos: como evitar erros formais

Padronização de redação: clareza e neutralidade

  • Use linguagem objetiva: descreva fatos observáveis, não impressões.

  • Evite termos vagos (“diversos documentos”, “vários arquivos”) sem discriminar.

  • Padronize identificação: nomes completos, documentos, datas no mesmo formato, horários, locais.

  • Consistência interna: o que aparece em uma peça deve bater com as demais (datas, nomes, números de documentos, endereços).

Controle de prazos e reiterações

O Escrivão frequentemente operacionaliza o controle de prazos de respostas a ofícios, cumprimento de diligências e retornos de perícia. A rastreabilidade do prazo depende de: data de expedição, data de recebimento, prazo concedido, e certidão quando houver atraso ou necessidade de reiteração.

Prática recomendada:

  • Ao expedir: registrar data, destinatário, objeto e prazo.

  • Ao receber: certificar recebimento e juntar imediatamente.

  • Sem resposta: certificar decurso e preparar reiteração, mantendo histórico.

Consequências de erros formais (o que costuma dar problema)

  • Fragilização probatória: documento sem assinatura, sem identificação, sem data/local, ou com descrição insuficiente pode perder força.

  • Ruptura de cadeia documental: anexos sem juntada formal, mídias sem descrição, itens sem vinculação a diligência.

  • Retrabalho e atrasos: necessidade de retificar peças, refazer termos, solicitar novamente documentos.

  • Risco de nulidades/impugnações: inconsistências, ausência de formalidades essenciais e falhas de registro de atos relevantes.

  • Responsabilização funcional: descuido com integridade, extravio documental, juntadas equivocadas, certificações falsas ou incompletas.

Checklists de conformidade documental (uso diário)

Checklist 1: antes de finalizar qualquer peça

  • O tipo de documento é o adequado para o ato (termo/auto/certidão/juntada/relatório/ofício)?

  • Identificação do procedimento consta corretamente?

  • Data, hora e local estão preenchidos?

  • Qualificação das pessoas está completa e consistente?

  • O texto está objetivo, sem contradições internas?

  • Há referência clara ao motivo do ato (despacho/diligência/solicitação)?

  • Assinaturas necessárias estão presentes e identificadas?

  • Anexos mencionados estão efetivamente anexados e descritos?

Checklist 2: juntada de documentos e mídias

  • Origem do documento/mídia identificada (quem enviou/produziu)?

  • Data de recebimento registrada?

  • Descrição suficiente (páginas/arquivos, nomes, formatos, identificadores)?

  • Vínculo com diligência/peça anterior indicado?

  • Integridade preservada (sem edição indevida; controle de versão quando aplicável)?

  • Se houver mídia: acondicionamento e identificação (lacre/etiqueta/registro) descritos?

Checklist 3: controle de prazos e pendências

  • Existe registro da expedição (data, destinatário, objeto, prazo)?

  • Existe registro do recebimento (data e juntada)?

  • Se não houve resposta: certidão de decurso e reiteração preparada?

  • Pendências estão listadas e justificadas documentalmente?

Checklist 4: encerramento e remessa

  • Todas as diligências determinadas têm resultado juntado ou certidão explicativa?

  • Peças essenciais estão assinadas, datadas e identificadas?

  • Volumes/anexos/mídias estão descritos e conferidos?

  • Relatório referencia corretamente as peças e resultados?

  • Há registro formal de remessa/encaminhamento conforme padrão adotado?

Exercícios práticos: identifique o documento adequado

Instrução: para cada situação, indique qual peça é mais adequada (termo, auto, certidão, juntada, relatório, ofício/requisição) e justifique em uma frase com foco em finalidade e rastreabilidade.

Exercício 1: recebimento de documentos externos

  • Situação A: chega resposta de um órgão com 12 páginas de informações e anexos. O que produzir?

  • Situação B: chega um pen drive com vídeos, entregue presencialmente por representante de empresa. O que produzir?

  • Situação C: chega um e-mail com um arquivo PDF, mas o arquivo está corrompido. O que produzir?

Exercício 2: registro de ocorrências de prazo

  • Situação A: foi concedido prazo de 10 dias para resposta a ofício e não houve retorno. O que produzir?

  • Situação B: o destinatário pede prorrogação de prazo e envia justificativa. O que produzir?

  • Situação C: houve indisponibilidade do sistema no dia previsto para juntada. O que produzir?

Exercício 3: atos com participação de pessoas

  • Situação A: uma pessoa comparece para relatar fatos e apresentar sua versão. O que produzir?

  • Situação B: a pessoa entrega voluntariamente documentos e deseja recibo formal. O que produzir?

  • Situação C: é necessário registrar que a pessoa não compareceu no horário agendado. O que produzir?

Exercício 4: diligência e resultado

  • Situação A: foi determinada diligência para obter imagens; após recebimento, você precisa inserir o material no procedimento com descrição detalhada. O que produzir?

  • Situação B: após várias diligências, é preciso consolidar o que foi feito e o que foi encontrado para encaminhamento. O que produzir?

  • Situação C: durante a diligência, foram arrecadados itens com necessidade de descrição individualizada e encaminhamento. O que produzir?

Modelos enxutos (estrutura) para treino de redação

Modelo de certidão (estrutura)

Certifico que, na data de __/__/____, foi verificado o decurso do prazo concedido no ofício nº ______, expedido em __/__/____, sem que houvesse resposta até a presente data. Dou fé.

Modelo de juntada (estrutura)

Junto aos autos, para os devidos fins, (descrever o documento/mídia), encaminhado por (origem), recebido em __/__/____, composto por (quantidade/identificação), relacionado à diligência determinada em (referência). 

Modelo de termo de entrega/recebimento (estrutura)

Aos __ dias do mês de ______ de ____, nesta (local), compareceu (qualificação), que entregou voluntariamente (descrição detalhada). Recebi e dou o presente termo, que vai assinado.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao receber um pen drive com vídeos entregue presencialmente por representante de uma empresa, qual procedimento documental melhor preserva a rastreabilidade e a integridade do material no procedimento policial?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O termo formaliza a entrega e o recebimento, e a juntada cria o elo de rastreabilidade, descrevendo a mídia e seus identificadores. Isso preserva integridade, evita lacunas documentais e reduz risco de questionamentos.

Próximo capitúlo

Direito Penal para Escrivão da Polícia Federal: teoria do crime aplicada a casos de prova

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