Rotina de reposição no ponto de venda: abastecimento eficiente e sem retrabalho

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 11 minutos

+ Exercício

Conceito: rotina de reposição eficiente e sem retrabalho

Rotina de reposição no ponto de venda é um fluxo diário padronizado para levar produto do estoque ao salão com o menor número de idas e voltas, garantindo disponibilidade (evitar ruptura), qualidade de exposição e controle do que foi feito. “Sem retrabalho” significa: repor certo na primeira vez (produto correto, local correto, quantidade correta, frente correta), com conferência rápida e registro simples para não precisar refazer por erro, falta de informação ou má preparação.

O objetivo operacional é equilibrar três variáveis: prioridade (o que repor primeiro), velocidade (tempo por tarefa) e padrão (qualidade mínima aceitável). A rotina abaixo organiza o dia em etapas curtas e repetíveis.

Passo a passo operacional da rotina diária

1) Recebimento do pedido interno (ou lista de reposição)

O pedido interno é a “ordem de serviço” da reposição. Ele pode vir do líder, do sistema, de uma contagem rápida no salão ou de alertas de ruptura. O importante é que chegue com informações mínimas para execução sem dúvidas.

  • Informações mínimas do pedido: SKU/descrição, localização no estoque, localização no salão (corredor/gôndola/ponta), quantidade sugerida, observações (ex.: “pico 17h–20h”).
  • Regra prática: se a lista vier incompleta, o repositor perde tempo no salão “procurando” e volta ao estoque para corrigir. Padronize o formato antes de começar.

2) Separação no estoque (picking) com foco em reduzir deslocamentos

Separar no estoque deve ser feito por rota e por categoria, evitando “picar” o estoque várias vezes. O ideal é montar o carrinho/caixa já na sequência de reposição do salão.

  • Separar por rota: agrupar itens do mesmo corredor/área do salão.
  • Separar por categoria: dentro da rota, agrupar por família (ex.: mercearia seca, bebidas, higiene).
  • Conferência rápida no estoque: checar validade/avaria e se a embalagem está íntegra antes de levar ao salão.

Exemplo prático: se a rota do salão começa em “Bebidas” e termina em “Higiene”, o carrinho deve ser carregado de trás para frente: itens de Higiene entram primeiro (ficam no fundo) e Bebidas por último (ficam acessíveis para a primeira parada).

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3) Priorização: o que repor primeiro (critérios objetivos)

Quando não dá para repor tudo ao mesmo tempo, use critérios claros para decidir a ordem. A priorização deve ser rápida e repetível, evitando decisões “no feeling”.

CritérioComo identificar rápidoPrioridadeExemplo
Ruptura (zero na prateleira)Espaço vazio com etiqueta/preçoMuito altaLeite UHT sem unidades no salão
Giro (vende muito)Itens que “acabam todo dia”AltaÁgua 1,5L, pão de forma, refrigerante
Margem (impacto no resultado)Lista de itens-chave do gestorMédia/altaCápsulas de café, cosméticos premium
Sazonalidade e eventosCalendário e comunicação internaAlta em períodos específicosChocolates na Páscoa, panetone no fim de ano
Horário de picoHistórico da loja (ex.: 12h–14h, 17h–20h)Alta antes do picoReforçar bebidas e snacks antes do fim de tarde

Regra de decisão em 30 segundos: 1) Ruptura primeiro; 2) Alto giro antes do pico; 3) Itens de margem e sazonais conforme campanha; 4) Demais itens por rota.

4) Planejamento por horários de pico (janelas de reposição)

Para evitar atrapalhar o cliente e reduzir retrabalho, defina janelas de reposição por intensidade de fluxo.

  • Pré-pico (30–60 min antes): reforço de categorias críticas (alto giro e ruptura recorrente).
  • Durante o pico: reposição “cirúrgica” (somente rupturas e itens que travam venda). Carrinho menor e deslocamento mínimo.
  • Pós-pico: reposição completa por rota e organização de área.

Exemplo: se o pico é 17h–20h, programe 16h–17h para reforço de bebidas, snacks, itens de conveniência e perecíveis de alta saída; deixe ajustes finos (itens de baixo giro) para depois das 20h.

5) Ida ao salão: execução por rota e “uma passada”

Ao entrar no salão, a meta é fazer uma passada eficiente por área, evitando voltar ao mesmo corredor várias vezes.

  • Comece pelo que está em ruptura dentro da rota planejada.
  • Trabalhe de cima para baixo (quando aplicável) e da esquerda para a direita para não esquecer pontos.
  • Evite abrir caixas no meio do corredor se isso gerar bagunça; use a área lateral/apoio quando existir.

6) Reposição: método prático para reduzir erros

Use um microprocesso repetível para cada item. Isso reduz falhas e acelera a conferência.

  1. Confirmar local: conferir etiqueta/planograma/localização antes de colocar.
  2. Confirmar produto: SKU/variação (sabor, tamanho, cor) para evitar troca.
  3. Abastecer quantidade: completar até o nível definido (ex.: “encher a frente” ou “completar até X unidades”).
  4. Checar validade/avaria: retirar unidades danificadas e sinalizar.
  5. Organizar a frente: alinhar e deixar visual limpo (sem embalagens amassadas).

Regra anti-retrabalho: se você não tem certeza do local, pare e confirme antes de abastecer. Corrigir depois custa mais tempo e pode gerar erro de preço e reclamação.

7) Conferência no corredor (qualidade mínima antes de sair)

Antes de sair do corredor, faça uma conferência de 20–40 segundos para garantir que não precisará voltar.

  • Não ficou buraco visível em itens da lista?
  • Os itens repostos estão no local correto?
  • Não ficou caixa vazia ou lixo no salão?
  • Não há produto avariado exposto?
  • O carrinho está pronto para o próximo corredor (sem itens “perdidos”)?

8) Finalização: retorno ao estoque, registro e preparação do próximo ciclo

Finalizar bem evita retrabalho no próximo turno.

  • Devolver sobras ao local correto no estoque (não deixar “em cima de qualquer pallet”).
  • Registrar pendências (ruptura sem estoque, divergência de localização, necessidade de ajuste de cadastro/etiqueta).
  • Separar devoluções/avarias conforme procedimento interno.
  • Atualizar a lista do que foi concluído e do que ficou pendente.

Checklists práticos (antes / durante / depois)

Checklist ANTES (preparação em 5–10 minutos)

  • Recebi a lista/pedido interno com: SKU, quantidade, local do estoque e local do salão.
  • Defini a prioridade: rupturas + alto giro + pré-pico.
  • Planejei a rota (ordem de corredores/áreas).
  • Carrinho/caixa disponível, limpo e com separadores (se houver).
  • Materiais essenciais: coletor/lista, caneta, etiquetas internas (se aplicável), saco para lixo, fita/estilete seguro (se permitido), pano rápido.

Checklist DURANTE (execução sem retrabalho)

  • Estou repondo por rota (sem voltar ao mesmo corredor sem necessidade).
  • Para cada item: local correto → produto correto → quantidade → validade/avaria → frente organizada.
  • Caixas vazias e plásticos não ficam no salão.
  • Se faltar produto no estoque: registro na hora (não “deixo para lembrar depois”).
  • Se houver dúvida de localização: confirmo antes de abastecer.

Checklist DEPOIS (fechamento do ciclo)

  • Sobras devolvidas ao estoque no endereço correto.
  • Pendências registradas: ruptura sem estoque, divergência de etiqueta/local, necessidade de ajuste.
  • Carrinho organizado e pronto para o próximo ciclo/turno.
  • Área de apoio limpa (sem caixas, sem resíduos).

Organização do carrinho/caixa de reposição (para reduzir deslocamentos)

O carrinho é uma ferramenta de produtividade. Um carrinho desorganizado gera: ida extra ao estoque, item “sumido”, reposição fora de ordem e mais tempo parado no corredor.

Modelo simples de organização (funciona na maioria das lojas)

  • Por zonas (prateleiras do carrinho): topo = itens leves/pequenos; meio = itens médios; base = itens pesados (bebidas, fardos).
  • Por rota: separar por caixas/caixotes identificados por corredor (ex.: “Corredor 3”, “Ponta A”).
  • Por prioridade: uma caixa “URGENTE” (rupturas e pré-pico) sempre acessível.
  • Materiais fixos: um compartimento para ferramentas (caneta, lista, saco de lixo, fita).

Dica prática: se a loja não tem carrinho adequado, use duas caixas plásticas: uma “URGENTE” (vai na mão) e outra “ROTA” (fica no carrinho). Isso reduz o tempo de procurar itens no meio da reposição.

Padrões mínimos de tempo e qualidade (metas operacionais)

Os padrões abaixo servem como referência para manter consistência entre turnos e pessoas. Ajuste conforme layout, distância estoque-salão e volume de SKUs.

Tempo (referências)

  • Preparação (lista + carrinho): 5–10 min por ciclo.
  • Separação no estoque: 15–30 min por carrinho (dependendo do volume e endereçamento).
  • Execução no salão: 30–60 min por rota (corredores definidos), com conferência incluída.
  • Finalização e registros: 5–10 min.

Qualidade (mínimos não negociáveis)

  • Zero erro de localização nos itens repostos (produto no lugar errado gera ruptura “falsa” e reclamação).
  • Zero resíduos no salão após reposição (caixas, plásticos, fitas).
  • Validade e integridade verificadas em itens sensíveis (principalmente alto giro e perecíveis embalados).
  • Rupturas críticas tratadas antes do pico (definir lista de “críticos” por loja).

Exemplos de rotina por porte de loja (pequena, média e grande)

Loja pequena (equipe enxuta, estoque próximo)

Cenário: 1–2 pessoas repondo, estoque pequeno, poucos corredores, alta necessidade de multitarefa.

  • Frequência: ciclos curtos (ex.: a cada 60–90 min) para evitar acúmulo.
  • Pedido interno: lista simples por categoria (pode ser impressa ou no celular).
  • Priorização: ruptura + alto giro do dia + pré-pico (fim de tarde).
  • Carrinho: menor, com caixa “URGENTE” sempre no topo.

Rotina exemplo (manhã):

  • 08:00–08:10 preparar lista rápida (olhar pontos de ruptura principais).
  • 08:10–08:30 separar no estoque por rota (2–3 corredores).
  • 08:30–09:15 repor no salão e conferir corredor por corredor.
  • 09:15–09:25 devolver sobras e registrar faltas.

Como adaptar sem perder padrão: reduzir formalidade (lista mais simples), mas manter a sequência: lista → separação por rota → reposição com conferência → registro de pendência.

Loja média (mais corredores, mais SKUs, picos definidos)

Cenário: 3–6 repositores, estoque com endereçamento básico, necessidade de dividir áreas.

  • Frequência: 2–4 ciclos por turno (pré-pico, durante pico, pós-pico).
  • Divisão: cada repositor com uma zona fixa (ex.: mercearia, bebidas, higiene) para ganhar velocidade e reduzir erros.
  • Priorização: lista de “Top 20” de alto giro por zona + rupturas.
  • Carrinho: 1 carrinho por repositor; rota definida por corredor.

Rotina exemplo (tarde com pico 17h–20h):

  • 14:00–14:10 receber lista e marcar prioridades (rupturas + pré-pico).
  • 14:10–14:40 separação no estoque por zona.
  • 14:40–15:40 reposição completa por rota (zona do repositor).
  • 16:00–16:40 reforço pré-pico (bebidas/snacks/itens críticos).
  • 17:00–20:00 reposição cirúrgica (somente rupturas e críticos).
  • 20:00–20:15 devolução, registros e preparação do próximo dia.

Como adaptar sem perder padrão: manter checklists e critérios de prioridade; ajustar apenas a frequência e a divisão por zonas.

Loja grande (alto volume, estoque distante, múltiplas frentes)

Cenário: equipe maior, estoque com endereçamento, grande distância até o salão, necessidade de sincronizar com recebimento e movimentação interna.

  • Frequência: ciclos planejados por janela (madrugada/manhã, pré-pico, pós-pico) e reposição contínua por área crítica.
  • Divisão por funções: separador no estoque (picking) + repositor no salão (execução). Isso reduz deslocamento e aumenta produtividade.
  • Priorização: painel de rupturas + lista de alto giro por horário + sazonais por campanha.
  • Carrinho/paletização: carrinhos setorizados e, quando aplicável, uso de gaiolas/pallets por corredor (com segurança e sem bloquear circulação).

Rotina exemplo (manhã e tarde):

  • 06:00–06:15 alinhamento rápido: picos do dia, categorias críticas, pendências do dia anterior.
  • 06:15–07:30 picking no estoque por ondas (wave): separar por corredor e prioridade.
  • 07:30–09:30 reposição por rota com conferência (salão mais vazio).
  • 11:00–11:30 reforço pré-almoço (itens de conveniência e alto giro).
  • 16:00–17:00 reforço pré-pico (alto giro e sazonais).
  • Durante picos: equipe reduzida com carrinho leve para rupturas.
  • Após pico: reposição completa + devolução + registro estruturado de faltas.

Como adaptar sem perder padrão: aumentar especialização (separação vs reposição), usar ondas de separação e manter a conferência por corredor para evitar retorno.

Modelos rápidos de registro de pendências (para não depender da memória)

Um registro simples evita retrabalho e acelera a correção no próximo ciclo.

Data/Hora: __/__/__  __:__  | Área: ____________  | Responsável: ________
1) SKU/Produto: __________  | Problema: ( ) Sem estoque ( ) Local divergente ( ) Etiqueta/preço ( ) Avaria
   Ação necessária: ____________________________
2) SKU/Produto: __________  | Problema: ( ) Sem estoque ( ) Local divergente ( ) Etiqueta/preço ( ) Avaria
   Ação necessária: ____________________________

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual prática ajuda a reduzir retrabalho ao executar a reposição no salão?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Uma reposie7e3o sem retrabalho depende de acertar na primeira vez (local, produto, quantidade e frente) e de uma confereancia re1pida antes de sair do corredor, evitando retorno por erro ou falta de verificae7e3o.

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Abastecimento e controle de rupturas: identificação, prevenção e correção na gôndola

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