O que é a representação visual do Mapa de Riscos
A representação visual do Mapa de Riscos é a forma de transformar as informações já levantadas e classificadas em um desenho simples do setor (planta/layout) com marcações claras dos pontos de risco. O objetivo aqui é comunicação: qualquer pessoa deve conseguir localizar rapidamente onde está o risco, qual é o tipo, e qual a prioridade, sem precisar “decifrar” o mapa.
Para isso, o mapa precisa equilibrar três elementos: planta funcional (com referências do ambiente), simbologia/legenda padronizada (para leitura rápida) e clareza visual (sem poluição, com acessibilidade).
Como desenhar ou adaptar um layout simples do setor
1) Escolha o nível de detalhe adequado
O layout do mapa deve ser suficiente para orientar a pessoa dentro do setor. Evite detalhes arquitetônicos que não ajudam na localização (ex.: pilares secundários, mobiliário irrelevante). Priorize elementos de referência:
- Acessos: portas, portões, escadas, elevadores, saídas de emergência.
- Circulação: corredores, rotas internas, áreas de passagem.
- Postos e processos: máquinas principais, bancadas, linhas, áreas de carga/descarga, armazenamento.
- Barreiras e limites: paredes, divisórias, grades, áreas restritas.
2) Mantenha uma proporção funcional (sem precisar ser “planta técnica”)
Não é necessário desenhar em escala arquitetônica, mas a proporção deve ser coerente para evitar interpretações erradas (ex.: uma máquina parecer em outro lado do setor). Use uma destas abordagens:
- Grade simples: desenhe o setor em um retângulo e divida em uma grade (ex.: 4x4). Posicione elementos conforme a “célula” aproximada.
- Medidas-chave: meça apenas comprimentos principais (ex.: largura do corredor, distância entre máquinas) e mantenha relações proporcionais.
- Base existente: adapte um layout do setor (croqui, desenho do PCM, manutenção, engenharia), simplificando.
3) Inclua orientação (norte ou ponto de referência)
Para reduzir ambiguidades, adicione:
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- Seta do norte (quando fizer sentido para o local e para comparação com outros mapas).
- Ou um ponto de referência fixo (ex.: “Entrada principal”, “Docas”, “Portão 2”).
Se o setor for interno e o norte não ajudar, use o ponto de referência e mantenha o mesmo padrão em todos os mapas do site.
4) Padronize a nomenclatura dos locais
Nomeie áreas e equipamentos de forma consistente com o que as pessoas usam no dia a dia e com identificação física quando existir (placas, tags, códigos). Exemplos:
- “Prensa 03” em vez de “Prensa grande”.
- “Corredor C1” em vez de “corredor lateral”.
- “Almoxarifado – Inflamáveis” em vez de “estoque”.
Como posicionar riscos no mapa sem poluir a leitura
Princípios de clareza
- Um risco = um ponto de referência: marque no local onde a pessoa identifica/sofre a exposição (ex.: frente da máquina, área de abastecimento, zona de circulação).
- Evite sobreposição: quando houver muitos riscos no mesmo ponto, use técnicas de agrupamento (abaixo).
- Priorize leitura rápida: o mapa deve ser entendido em poucos segundos; detalhes ficam em tabela de apoio.
Técnicas práticas para evitar poluição visual
1) Agrupar por “pontos críticos” (hotspots)
Quando vários riscos coexistem no mesmo local (ex.: área de solda com fumos, radiação não ionizante, calor e risco de incêndio), em vez de espalhar muitos símbolos, crie um marcador único do ponto crítico e referencie uma lista numerada.
Exemplo de marcação:
- No mapa: um círculo/ícone principal com o número PC-01.
- Na legenda/tabela: “PC-01 – Solda: risco químico (fumos), físico (calor), acidente (incêndio), etc.”
2) Usar numeração e chamada (callout)
Quando o símbolo precisa ficar afastado para não cobrir o layout, use uma linha fina (callout) apontando para o local. Mantenha as linhas curtas e evite cruzamentos.
3) Separar por camadas (quando for digital)
Em versões digitais (PDF editável, ferramenta de desenho), utilize camadas:
- Camada 1: layout (fixo).
- Camada 2: riscos por tipo (pode ligar/desligar).
- Camada 3: numeração de pontos críticos.
Na impressão, consolide em uma versão final com o mínimo necessário para leitura.
4) Definir “zonas” quando o risco é distribuído
Alguns riscos não são pontuais (ex.: ruído em toda a área de prensas). Nesses casos, represente como zona (área sombreada/hachurada) em vez de vários símbolos repetidos. A zona deve ter contorno claro e não esconder referências do layout.
Legenda padronizada: como montar e como usar
O que a legenda precisa conter
A legenda é o “dicionário” do mapa. Ela deve permitir que qualquer pessoa entenda as marcações sem depender de explicação verbal. Inclua:
- Símbolos (forma/ícone) e o que representam.
- Cores (se usadas) e o significado.
- Critério de tamanho/nível (ex.: pequeno/médio/grande; ou níveis 1, 2, 3).
- Siglas e códigos (ex.: PC-01, Z-02).
Modelo de legenda (exemplo prático)
| Elemento | Como aparece no mapa | Significado |
|---|---|---|
| Ponto crítico | PC-01 (marcador + número) | Local com múltiplos riscos agrupados |
| Zona | Área hachurada com código Z-01 | Risco distribuído em uma área |
| Nível/Intensidade | Tamanho do marcador (P/M/G) ou 1/2/3 | Prioridade visual para leitura rápida |
Observação: se sua organização já possui padrão de símbolos e cores, use-o de forma consistente em todos os setores. Se não houver, crie um padrão interno e mantenha fixo (não mude a cada revisão).
Regras para a legenda não virar “texto demais”
- Limite a legenda ao essencial para interpretar o mapa.
- Se precisar detalhar fontes geradoras, tarefas e observações, use uma tabela de apoio ao lado (ou em anexo) referenciando os códigos (PC-01, Z-01 etc.).
Passo a passo prático para montar o mapa visual
Passo 1 — Prepare a base do layout
- Desenhe o contorno do setor e marque paredes/divisórias principais.
- Insira portas, saídas e acessos.
- Desenhe corredores e áreas de circulação.
- Posicione máquinas e postos principais (com nomes curtos).
- Adicione orientação (norte ou referência fixa).
Passo 2 — Defina a estratégia de marcação (ponto, zona ou ponto crítico)
- Use ponto para risco localizado (ex.: área de abastecimento de produto).
- Use zona para risco distribuído (ex.: área com ruído predominante).
- Use ponto crítico para concentração de riscos (ex.: célula de processo com várias exposições).
Passo 3 — Posicione os marcadores com prioridade de leitura
- Comece pelos riscos de maior prioridade visual (nível mais alto).
- Evite cobrir nomes de máquinas e rotas; se necessário, use callout.
- Quando houver conflito de espaço, substitua múltiplos símbolos por PC-xx e detalhe na tabela.
Passo 4 — Monte a legenda e padronize
- Defina símbolos e tamanhos (P/M/G ou 1/2/3).
- Defina cores (se aplicável) e mantenha consistência.
- Inclua exemplos de códigos (PC-01, Z-01).
Passo 5 — Faça um “teste de 10 segundos”
Mostre o mapa para alguém que não participou da montagem e peça:
- “Onde fica a área X?”
- “Quais são os pontos críticos?”
- “O que significa este símbolo/código?”
Se a pessoa não conseguir responder rapidamente, simplifique: reduza elementos, agrupe riscos e melhore contraste/legenda.
Acessibilidade e legibilidade (inclusive sem impressão colorida)
Tamanho mínimo e tipografia
- Tamanho mínimo de texto: use fonte equivalente a 10–12 pt em impressão A4; para áreas grandes ou leitura a distância, aumente para 14–16 pt.
- Fonte simples: sem muitos enfeites (ex.: Arial, Calibri, Helvetica) para leitura rápida.
- Evite texto em caixa alta em excesso; reduz legibilidade em blocos longos.
Contraste e fundo
- Use alto contraste entre texto e fundo (preto no branco ou preto em cinza muito claro).
- Evite colocar texto sobre áreas muito preenchidas (hachuras densas, sombras escuras).
- Se usar zonas, prefira hachuras leves em vez de preenchimento sólido.
Cores consistentes e seguras
- Use um conjunto pequeno de cores e mantenha o mesmo significado em todos os mapas.
- Evite combinações difíceis para daltonismo (ex.: vermelho/verde como única diferença). Se usar essas cores, adicione diferença por forma/padrão também.
- Não dependa apenas da cor para transmitir informação: combine cor + símbolo + código.
Alternativas quando impressão colorida não for possível
Se o mapa for impresso em preto e branco, garanta que a informação continue clara:
- Use padrões (hachuras diferentes) para zonas em vez de cores.
- Diferencie por forma (círculo, triângulo, quadrado) e não só por cor.
- Use contornos (linhas grossas vs. finas) para destacar níveis.
- Inclua códigos (PC-01, Z-01) sempre visíveis.
Checklist rápido de acessibilidade
- Texto legível a uma distância compatível com o local de fixação.
- Contraste suficiente (teste em impressão P&B).
- Legenda compreensível sem depender de cor.
- Elementos importantes não estão cobertos por símbolos.
- Consistência de símbolos/códigos entre setores.
Exemplo de estrutura de apoio (tabela ao lado do mapa)
Quando você usar códigos (PC e Z), uma tabela de apoio ajuda a manter o mapa limpo e ainda assim informativo. Exemplo:
| Código | Local no layout | Resumo do ponto | Observação de leitura |
|---|---|---|---|
| PC-01 | Célula de solda | Múltiplos riscos agrupados no ponto | Verificar se o marcador não cobre rotas |
| Z-01 | Área de prensas | Zona de risco distribuído | Hachura leve para não esconder equipamentos |