Representação visual do Mapa de Riscos: planta, símbolos, legenda e clareza

Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

+ Exercício

O que é a representação visual do Mapa de Riscos

A representação visual do Mapa de Riscos é a forma de transformar as informações já levantadas e classificadas em um desenho simples do setor (planta/layout) com marcações claras dos pontos de risco. O objetivo aqui é comunicação: qualquer pessoa deve conseguir localizar rapidamente onde está o risco, qual é o tipo, e qual a prioridade, sem precisar “decifrar” o mapa.

Para isso, o mapa precisa equilibrar três elementos: planta funcional (com referências do ambiente), simbologia/legenda padronizada (para leitura rápida) e clareza visual (sem poluição, com acessibilidade).

Como desenhar ou adaptar um layout simples do setor

1) Escolha o nível de detalhe adequado

O layout do mapa deve ser suficiente para orientar a pessoa dentro do setor. Evite detalhes arquitetônicos que não ajudam na localização (ex.: pilares secundários, mobiliário irrelevante). Priorize elementos de referência:

  • Acessos: portas, portões, escadas, elevadores, saídas de emergência.
  • Circulação: corredores, rotas internas, áreas de passagem.
  • Postos e processos: máquinas principais, bancadas, linhas, áreas de carga/descarga, armazenamento.
  • Barreiras e limites: paredes, divisórias, grades, áreas restritas.

2) Mantenha uma proporção funcional (sem precisar ser “planta técnica”)

Não é necessário desenhar em escala arquitetônica, mas a proporção deve ser coerente para evitar interpretações erradas (ex.: uma máquina parecer em outro lado do setor). Use uma destas abordagens:

  • Grade simples: desenhe o setor em um retângulo e divida em uma grade (ex.: 4x4). Posicione elementos conforme a “célula” aproximada.
  • Medidas-chave: meça apenas comprimentos principais (ex.: largura do corredor, distância entre máquinas) e mantenha relações proporcionais.
  • Base existente: adapte um layout do setor (croqui, desenho do PCM, manutenção, engenharia), simplificando.

3) Inclua orientação (norte ou ponto de referência)

Para reduzir ambiguidades, adicione:

Continue em nosso aplicativo e ...
  • Ouça o áudio com a tela desligada
  • Ganhe Certificado após a conclusão
  • + de 5000 cursos para você explorar!
ou continue lendo abaixo...
Download App

Baixar o aplicativo

  • Seta do norte (quando fizer sentido para o local e para comparação com outros mapas).
  • Ou um ponto de referência fixo (ex.: “Entrada principal”, “Docas”, “Portão 2”).

Se o setor for interno e o norte não ajudar, use o ponto de referência e mantenha o mesmo padrão em todos os mapas do site.

4) Padronize a nomenclatura dos locais

Nomeie áreas e equipamentos de forma consistente com o que as pessoas usam no dia a dia e com identificação física quando existir (placas, tags, códigos). Exemplos:

  • “Prensa 03” em vez de “Prensa grande”.
  • “Corredor C1” em vez de “corredor lateral”.
  • “Almoxarifado – Inflamáveis” em vez de “estoque”.

Como posicionar riscos no mapa sem poluir a leitura

Princípios de clareza

  • Um risco = um ponto de referência: marque no local onde a pessoa identifica/sofre a exposição (ex.: frente da máquina, área de abastecimento, zona de circulação).
  • Evite sobreposição: quando houver muitos riscos no mesmo ponto, use técnicas de agrupamento (abaixo).
  • Priorize leitura rápida: o mapa deve ser entendido em poucos segundos; detalhes ficam em tabela de apoio.

Técnicas práticas para evitar poluição visual

1) Agrupar por “pontos críticos” (hotspots)

Quando vários riscos coexistem no mesmo local (ex.: área de solda com fumos, radiação não ionizante, calor e risco de incêndio), em vez de espalhar muitos símbolos, crie um marcador único do ponto crítico e referencie uma lista numerada.

Exemplo de marcação:

  • No mapa: um círculo/ícone principal com o número PC-01.
  • Na legenda/tabela: “PC-01 – Solda: risco químico (fumos), físico (calor), acidente (incêndio), etc.”

2) Usar numeração e chamada (callout)

Quando o símbolo precisa ficar afastado para não cobrir o layout, use uma linha fina (callout) apontando para o local. Mantenha as linhas curtas e evite cruzamentos.

3) Separar por camadas (quando for digital)

Em versões digitais (PDF editável, ferramenta de desenho), utilize camadas:

  • Camada 1: layout (fixo).
  • Camada 2: riscos por tipo (pode ligar/desligar).
  • Camada 3: numeração de pontos críticos.

Na impressão, consolide em uma versão final com o mínimo necessário para leitura.

4) Definir “zonas” quando o risco é distribuído

Alguns riscos não são pontuais (ex.: ruído em toda a área de prensas). Nesses casos, represente como zona (área sombreada/hachurada) em vez de vários símbolos repetidos. A zona deve ter contorno claro e não esconder referências do layout.

Legenda padronizada: como montar e como usar

O que a legenda precisa conter

A legenda é o “dicionário” do mapa. Ela deve permitir que qualquer pessoa entenda as marcações sem depender de explicação verbal. Inclua:

  • Símbolos (forma/ícone) e o que representam.
  • Cores (se usadas) e o significado.
  • Critério de tamanho/nível (ex.: pequeno/médio/grande; ou níveis 1, 2, 3).
  • Siglas e códigos (ex.: PC-01, Z-02).

Modelo de legenda (exemplo prático)

ElementoComo aparece no mapaSignificado
Ponto críticoPC-01 (marcador + número)Local com múltiplos riscos agrupados
ZonaÁrea hachurada com código Z-01Risco distribuído em uma área
Nível/IntensidadeTamanho do marcador (P/M/G) ou 1/2/3Prioridade visual para leitura rápida

Observação: se sua organização já possui padrão de símbolos e cores, use-o de forma consistente em todos os setores. Se não houver, crie um padrão interno e mantenha fixo (não mude a cada revisão).

Regras para a legenda não virar “texto demais”

  • Limite a legenda ao essencial para interpretar o mapa.
  • Se precisar detalhar fontes geradoras, tarefas e observações, use uma tabela de apoio ao lado (ou em anexo) referenciando os códigos (PC-01, Z-01 etc.).

Passo a passo prático para montar o mapa visual

Passo 1 — Prepare a base do layout

  • Desenhe o contorno do setor e marque paredes/divisórias principais.
  • Insira portas, saídas e acessos.
  • Desenhe corredores e áreas de circulação.
  • Posicione máquinas e postos principais (com nomes curtos).
  • Adicione orientação (norte ou referência fixa).

Passo 2 — Defina a estratégia de marcação (ponto, zona ou ponto crítico)

  • Use ponto para risco localizado (ex.: área de abastecimento de produto).
  • Use zona para risco distribuído (ex.: área com ruído predominante).
  • Use ponto crítico para concentração de riscos (ex.: célula de processo com várias exposições).

Passo 3 — Posicione os marcadores com prioridade de leitura

  • Comece pelos riscos de maior prioridade visual (nível mais alto).
  • Evite cobrir nomes de máquinas e rotas; se necessário, use callout.
  • Quando houver conflito de espaço, substitua múltiplos símbolos por PC-xx e detalhe na tabela.

Passo 4 — Monte a legenda e padronize

  • Defina símbolos e tamanhos (P/M/G ou 1/2/3).
  • Defina cores (se aplicável) e mantenha consistência.
  • Inclua exemplos de códigos (PC-01, Z-01).

Passo 5 — Faça um “teste de 10 segundos”

Mostre o mapa para alguém que não participou da montagem e peça:

  • “Onde fica a área X?”
  • “Quais são os pontos críticos?”
  • “O que significa este símbolo/código?”

Se a pessoa não conseguir responder rapidamente, simplifique: reduza elementos, agrupe riscos e melhore contraste/legenda.

Acessibilidade e legibilidade (inclusive sem impressão colorida)

Tamanho mínimo e tipografia

  • Tamanho mínimo de texto: use fonte equivalente a 10–12 pt em impressão A4; para áreas grandes ou leitura a distância, aumente para 14–16 pt.
  • Fonte simples: sem muitos enfeites (ex.: Arial, Calibri, Helvetica) para leitura rápida.
  • Evite texto em caixa alta em excesso; reduz legibilidade em blocos longos.

Contraste e fundo

  • Use alto contraste entre texto e fundo (preto no branco ou preto em cinza muito claro).
  • Evite colocar texto sobre áreas muito preenchidas (hachuras densas, sombras escuras).
  • Se usar zonas, prefira hachuras leves em vez de preenchimento sólido.

Cores consistentes e seguras

  • Use um conjunto pequeno de cores e mantenha o mesmo significado em todos os mapas.
  • Evite combinações difíceis para daltonismo (ex.: vermelho/verde como única diferença). Se usar essas cores, adicione diferença por forma/padrão também.
  • Não dependa apenas da cor para transmitir informação: combine cor + símbolo + código.

Alternativas quando impressão colorida não for possível

Se o mapa for impresso em preto e branco, garanta que a informação continue clara:

  • Use padrões (hachuras diferentes) para zonas em vez de cores.
  • Diferencie por forma (círculo, triângulo, quadrado) e não só por cor.
  • Use contornos (linhas grossas vs. finas) para destacar níveis.
  • Inclua códigos (PC-01, Z-01) sempre visíveis.

Checklist rápido de acessibilidade

  • Texto legível a uma distância compatível com o local de fixação.
  • Contraste suficiente (teste em impressão P&B).
  • Legenda compreensível sem depender de cor.
  • Elementos importantes não estão cobertos por símbolos.
  • Consistência de símbolos/códigos entre setores.

Exemplo de estrutura de apoio (tabela ao lado do mapa)

Quando você usar códigos (PC e Z), uma tabela de apoio ajuda a manter o mapa limpo e ainda assim informativo. Exemplo:

CódigoLocal no layoutResumo do pontoObservação de leitura
PC-01Célula de soldaMúltiplos riscos agrupados no pontoVerificar se o marcador não cobre rotas
Z-01Área de prensasZona de risco distribuídoHachura leve para não esconder equipamentos

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao criar o Mapa de Riscos, qual prática melhora a leitura quando há vários riscos no mesmo local e evita poluição visual?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Quando muitos riscos coexistem no mesmo ponto, um marcador de ponto crítico (PC-xx) reduz a poluição visual e direciona para a legenda/tabela, mantendo o mapa rápido de entender.

Próximo capitúlo

Critérios de intensidade e priorização no Mapa de Riscos

Arrow Right Icon
Capa do Ebook gratuito Mapa de Riscos e Sinalização de Segurança: Como Organizar a Comunicação de Perigos no Ambiente de Trabalho
45%

Mapa de Riscos e Sinalização de Segurança: Como Organizar a Comunicação de Perigos no Ambiente de Trabalho

Novo curso

11 páginas

Baixe o app para ganhar Certificação grátis e ouvir os cursos em background, mesmo com a tela desligada.