Critérios de intensidade e priorização no Mapa de Riscos

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

O que significa “intensidade/criticidade” no Mapa de Riscos

No Mapa de Riscos, a intensidade (ou criticidade) é um indicador visual para comunicar, de forma rápida, quais pontos merecem mais atenção. Ela não substitui uma análise completa de risco, mas ajuda a priorizar ações de sinalização, controle e inspeção usando informações acessíveis no dia a dia (observação, registros internos e relatos).

Um modelo simples e útil é tratar a criticidade como a combinação de dois fatores:

  • Gravidade (impacto): quão sério pode ser o dano se o evento ocorrer (lesão leve, incapacidade, fatalidade, dano material relevante, etc.).
  • Exposição (contato): com que frequência e por quanto tempo as pessoas ficam sujeitas ao perigo (quantas pessoas, quantas horas, quantos dias, proximidade, repetição).

Assim, um perigo com gravidade alta, mas exposição rara, pode ter criticidade semelhante a um perigo de gravidade moderada, porém com exposição diária. O objetivo é comparar e ordenar pontos do mapa para orientar decisões práticas.

Modelo introdutório de níveis (sem virar um curso de avaliação de risco)

Escala de 3 níveis (recomendada para comunicação visual)

Para manter o mapa legível e evitar falsa precisão, uma escala de 3 níveis costuma funcionar bem:

  • Baixa: desconforto ou lesão leve; exposição eventual; controles existentes geralmente adequados.
  • Média: lesão com afastamento possível, irritação significativa, incidente recorrente; exposição frequente; controles parciais.
  • Alta: potencial de lesão grave/fatal, incêndio/explosão, choque elétrico severo, amputação; exposição frequente ou múltiplas pessoas; controles insuficientes ou falhas recorrentes.

Como representar visualmente no mapa

Sem alterar a simbologia já definida no seu material, a intensidade pode ser indicada por tamanho relativo do marcador (ex.: pequeno/médio/grande) e/ou por níveis na legenda. Um padrão simples:

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  • Nível 1 (Baixa): marcador pequeno
  • Nível 2 (Média): marcador médio
  • Nível 3 (Alta): marcador grande

Se a organização preferir, pode-se adicionar um contorno (fino/médio/espesso) para reforçar a leitura em impressões com baixa qualidade, mantendo a consistência na legenda.

Relacionando gravidade e exposição: regra prática

Uma forma didática de decidir o nível é usar uma matriz simples (3x3). Ela não pretende “calcular” o risco com precisão, apenas padronizar o julgamento.

Gravidade \ ExposiçãoBaixa (rara/curta)Média (frequente)Alta (diária/contínua)
BaixaNível 1Nível 1–2Nível 2
MédiaNível 1–2Nível 2Nível 2–3
AltaNível 2Nível 2–3Nível 3

Onde aparecer “1–2” ou “2–3”, use um critério de desempate simples: se houver histórico de incidentes, falha de controle, ou múltiplas pessoas expostas, escolha o nível maior. Se os controles forem robustos e bem mantidos, escolha o nível menor.

Definições rápidas para não confundir os termos

  • Gravidade baixa: efeitos reversíveis e leves (ex.: irritação leve, pequenos cortes).
  • Gravidade média: possibilidade de afastamento, lesão significativa, dano relevante (ex.: queimadura moderada, queda com fratura).
  • Gravidade alta: risco de morte, incapacidade permanente, grandes perdas (ex.: choque elétrico severo, queda de altura, explosão).
  • Exposição baixa: eventual, poucas pessoas, curta duração.
  • Exposição média: ocorre com frequência, parte do turno, grupos específicos.
  • Exposição alta: diária/contínua, muitas pessoas, área de circulação ou posto fixo.

Passo a passo prático para atribuir intensidade no Mapa de Riscos

Passo 1 — Defina o “cenário de dano” mais plausível

Descreva em uma frase o que pode acontecer e qual seria o dano típico. Exemplo:

  • Perigo: piso escorregadio próximo a lavadora.
  • Cenário: escorregão durante deslocamento com carga leve.
  • Dano: contusão/entorse (pode haver fratura em casos).

Evite escolher sempre o pior caso imaginável; use o que é plausível considerando a atividade real.

Passo 2 — Estime a gravidade (baixa/média/alta)

Com base no cenário, classifique a gravidade. Use referências internas quando existirem (CAT, registros de primeiros socorros, relatórios de incidentes, manutenção, quase-acidentes).

Passo 3 — Estime a exposição (baixa/média/alta)

Faça perguntas objetivas:

  • Quantas pessoas passam ou trabalham ali?
  • Quantas vezes por turno/semana?
  • Por quanto tempo ficam expostas?
  • É área de circulação, posto fixo ou acesso restrito?

Quando não houver números, use estimativas consistentes (ex.: “circulação contínua”, “1–2 vezes por semana”, “apenas manutenção mensal”).

Passo 4 — Combine gravidade e exposição na matriz e obtenha o nível

Use a tabela 3x3. Se cair em uma zona intermediária (1–2 ou 2–3), aplique o desempate por evidências: histórico, falhas de controle, número de expostos.

Passo 5 — Registre a justificativa (o “porquê” do nível)

O mapa comunica o resultado; o registro (planilha, formulário ou campo de observação) explica a decisão. Uma justificativa boa é curta e baseada em fatos observáveis:

  • O que foi observado: condição e comportamento (ex.: “presença de óleo no piso ao lado do equipamento”).
  • Quem está exposto: função/quantidade (ex.: “operadores e logística, circulação constante”).
  • Controles existentes: EPC/EPI/procedimento/limpeza/manutenção (ex.: “há tapete antiderrapante, porém deslocado”).
  • Evidências: registros e relatos (ex.: “2 quase-acidentes relatados no mês”).

Passo 6 — Registre incertezas e limitações (sem paralisar o mapa)

Nem sempre haverá dados suficientes. Em vez de omitir o risco ou inventar precisão, registre a incerteza de forma explícita. Um padrão simples:

  • Confiança alta: dados recentes e observação direta consistente.
  • Confiança média: observação direta, poucos dados formais.
  • Confiança baixa: relato indireto, ausência de medições, condição variável.

Exemplos de como escrever:

  • “Nível 2 (confiança média): não há medição de ruído; percepção de fala elevada e relatos de desconforto; solicitar dosimetria.”
  • “Nível 3 (confiança baixa): suspeita de vapores em limpeza; falta FISPQ no local; validar produto e ventilação.”

Registrar incerteza ajuda a transformar “dúvida” em ação de verificação (medir, inspecionar, revisar procedimento).

Exemplos práticos de atribuição de intensidade

Exemplo 1 — Ruído em área de produção

  • Gravidade: média (perda auditiva é dano significativo e cumulativo).
  • Exposição: alta (turno inteiro, posto fixo).
  • Nível: 2–3 pela matriz; se não houver controle efetivo (EPC) e houver queixas/indicativos, tende a Nível 3.
  • Justificativa: “Máquinas operam continuamente; comunicação verbal difícil a 1 m; uso de protetor auditivo variável; sem laudo recente.”
  • Incerteza: “Sem medição atual; solicitar avaliação quantitativa.”

Exemplo 2 — Armazenamento com empilhamento instável

  • Gravidade: alta (queda de carga pode causar lesão grave).
  • Exposição: média (acesso frequente por abastecimento, mas não contínuo).
  • Nível: 2–3; se há circulação de terceiros e histórico de quase queda, Nível 3.
  • Justificativa: “Paletes fora de padrão, sem limitador/amarração; corredor de passagem ao lado.”

Exemplo 3 — Produto químico irritante usado esporadicamente

  • Gravidade: baixa a média (irritação de pele/olhos).
  • Exposição: baixa (uso semanal por poucos minutos, por uma pessoa).
  • Nível: 1–2; se há contato sem luvas e respingos frequentes, Nível 2.
  • Justificativa: “Uso em limpeza pontual; EPI disponível; ausência de óculos em parte das rotinas.”

Como a priorização guia sinalização, controle e inspeção

Transformando nível em ação: regra de bolso

Após atribuir os níveis, use a priorização para decidir o que fazer primeiro e como comunicar no local.

  • Nível 3 (Alta): ação imediata ou programada com urgência. Reforçar sinalização no ponto, revisar controles, restringir acesso se necessário, e aumentar frequência de inspeção.
  • Nível 2 (Média): plano de ação com prazo definido. Sinalização orientativa e de alerta, ajustes de procedimento, manutenção preventiva, treinamento pontual, inspeção regular.
  • Nível 1 (Baixa): manter controles e monitorar. Sinalização pode ser mais discreta (quando aplicável) e foco em housekeeping/rotina.

Priorização aplicada à sinalização

Use a criticidade para decidir onde a sinalização é indispensável e qual deve ser o foco:

  • Nível 3: sinalização de perigo/alerta em pontos de entrada e no local do risco; considerar barreiras físicas e demarcações; instruções curtas e visuais (ex.: obrigatoriedade de EPI, restrição de acesso).
  • Nível 2: sinalização para orientar comportamento seguro (ex.: rota segura, atenção a piso molhado, uso de EPI em tarefa específica), complementada por procedimento e supervisão.
  • Nível 1: sinalização pode ser substituída por boas práticas operacionais e comunicação em rotina, quando o excesso de placas puder gerar “cegueira de sinalização”.

Priorização aplicada a controles (sem detalhar hierarquia completa)

Sem entrar em um curso de controle de riscos, a regra prática é: quanto maior o nível, mais você deve buscar medidas robustas e menos depender apenas de comportamento. Exemplos:

  • Nível 3: correções estruturais (proteções, enclausuramento, intertravamentos, ventilação, reorganização de layout), além de sinalização e procedimentos.
  • Nível 2: melhorias de processo, manutenção, ajustes de organização do trabalho, reforço de EPC e padronização de EPI.
  • Nível 1: manutenção de rotina, organização e limpeza, pequenos ajustes.

Priorização aplicada a inspeções e verificação

Converta o nível em frequência e foco de inspeção:

  • Nível 3: inspeções mais frequentes e com checklist específico; verificação de eficácia do controle (não só presença).
  • Nível 2: inspeção periódica com itens críticos; acompanhamento de ações corretivas.
  • Nível 1: inspeção de rotina integrada ao setor.

Quando houver confiança baixa na classificação, trate isso como prioridade de verificação: medir, testar, revisar documentação e observar a tarefa em operação real.

Modelo de registro rápido (para padronizar justificativas)

Um formato enxuto ajuda a manter consistência entre áreas e avaliadores. Exemplo de campos:

Ponto/Área: ____________________________  Data: ___/___/____  Responsável: ____________
Perigo observado: _________________________________________________________________
Cenário de dano (plausível): ______________________________________________________
Gravidade: ( ) Baixa ( ) Média ( ) Alta   Exposição: ( ) Baixa ( ) Média ( ) Alta
Nível no mapa: ( ) 1  ( ) 2  ( ) 3
Justificativa (evidências): _______________________________________________________
Controles existentes: _____________________________________________________________
Incertezas/limitações: ____________________________________________________________
Ação recomendada (sinalização/controle/inspeção): __________________________________
Prazo/Responsável: _______________________________________________________________

Esse registro permite que o Mapa de Riscos seja uma ferramenta viva: os níveis podem ser revisados quando controles mudarem, quando medições forem feitas ou quando novos dados surgirem.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao definir a intensidade (criticidade) de um ponto no Mapa de Riscos usando uma matriz simples, qual prática ajuda a padronizar a decisão sem “calcular” o risco com falsa precisão?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A criticidade é tratada como combinação de gravidade e exposição. A matriz 3x3 padroniza o julgamento e, quando o resultado fica entre dois níveis, usa-se evidências (incidentes, falhas de controle, múltiplos expostos) para escolher o maior ou menor nível.

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