O que significa “intensidade/criticidade” no Mapa de Riscos
No Mapa de Riscos, a intensidade (ou criticidade) é um indicador visual para comunicar, de forma rápida, quais pontos merecem mais atenção. Ela não substitui uma análise completa de risco, mas ajuda a priorizar ações de sinalização, controle e inspeção usando informações acessíveis no dia a dia (observação, registros internos e relatos).
Um modelo simples e útil é tratar a criticidade como a combinação de dois fatores:
- Gravidade (impacto): quão sério pode ser o dano se o evento ocorrer (lesão leve, incapacidade, fatalidade, dano material relevante, etc.).
- Exposição (contato): com que frequência e por quanto tempo as pessoas ficam sujeitas ao perigo (quantas pessoas, quantas horas, quantos dias, proximidade, repetição).
Assim, um perigo com gravidade alta, mas exposição rara, pode ter criticidade semelhante a um perigo de gravidade moderada, porém com exposição diária. O objetivo é comparar e ordenar pontos do mapa para orientar decisões práticas.
Modelo introdutório de níveis (sem virar um curso de avaliação de risco)
Escala de 3 níveis (recomendada para comunicação visual)
Para manter o mapa legível e evitar falsa precisão, uma escala de 3 níveis costuma funcionar bem:
- Baixa: desconforto ou lesão leve; exposição eventual; controles existentes geralmente adequados.
- Média: lesão com afastamento possível, irritação significativa, incidente recorrente; exposição frequente; controles parciais.
- Alta: potencial de lesão grave/fatal, incêndio/explosão, choque elétrico severo, amputação; exposição frequente ou múltiplas pessoas; controles insuficientes ou falhas recorrentes.
Como representar visualmente no mapa
Sem alterar a simbologia já definida no seu material, a intensidade pode ser indicada por tamanho relativo do marcador (ex.: pequeno/médio/grande) e/ou por níveis na legenda. Um padrão simples:
- Ouça o áudio com a tela desligada
- Ganhe Certificado após a conclusão
- + de 5000 cursos para você explorar!
Baixar o aplicativo
- Nível 1 (Baixa): marcador pequeno
- Nível 2 (Média): marcador médio
- Nível 3 (Alta): marcador grande
Se a organização preferir, pode-se adicionar um contorno (fino/médio/espesso) para reforçar a leitura em impressões com baixa qualidade, mantendo a consistência na legenda.
Relacionando gravidade e exposição: regra prática
Uma forma didática de decidir o nível é usar uma matriz simples (3x3). Ela não pretende “calcular” o risco com precisão, apenas padronizar o julgamento.
| Gravidade \ Exposição | Baixa (rara/curta) | Média (frequente) | Alta (diária/contínua) |
|---|---|---|---|
| Baixa | Nível 1 | Nível 1–2 | Nível 2 |
| Média | Nível 1–2 | Nível 2 | Nível 2–3 |
| Alta | Nível 2 | Nível 2–3 | Nível 3 |
Onde aparecer “1–2” ou “2–3”, use um critério de desempate simples: se houver histórico de incidentes, falha de controle, ou múltiplas pessoas expostas, escolha o nível maior. Se os controles forem robustos e bem mantidos, escolha o nível menor.
Definições rápidas para não confundir os termos
- Gravidade baixa: efeitos reversíveis e leves (ex.: irritação leve, pequenos cortes).
- Gravidade média: possibilidade de afastamento, lesão significativa, dano relevante (ex.: queimadura moderada, queda com fratura).
- Gravidade alta: risco de morte, incapacidade permanente, grandes perdas (ex.: choque elétrico severo, queda de altura, explosão).
- Exposição baixa: eventual, poucas pessoas, curta duração.
- Exposição média: ocorre com frequência, parte do turno, grupos específicos.
- Exposição alta: diária/contínua, muitas pessoas, área de circulação ou posto fixo.
Passo a passo prático para atribuir intensidade no Mapa de Riscos
Passo 1 — Defina o “cenário de dano” mais plausível
Descreva em uma frase o que pode acontecer e qual seria o dano típico. Exemplo:
- Perigo: piso escorregadio próximo a lavadora.
- Cenário: escorregão durante deslocamento com carga leve.
- Dano: contusão/entorse (pode haver fratura em casos).
Evite escolher sempre o pior caso imaginável; use o que é plausível considerando a atividade real.
Passo 2 — Estime a gravidade (baixa/média/alta)
Com base no cenário, classifique a gravidade. Use referências internas quando existirem (CAT, registros de primeiros socorros, relatórios de incidentes, manutenção, quase-acidentes).
Passo 3 — Estime a exposição (baixa/média/alta)
Faça perguntas objetivas:
- Quantas pessoas passam ou trabalham ali?
- Quantas vezes por turno/semana?
- Por quanto tempo ficam expostas?
- É área de circulação, posto fixo ou acesso restrito?
Quando não houver números, use estimativas consistentes (ex.: “circulação contínua”, “1–2 vezes por semana”, “apenas manutenção mensal”).
Passo 4 — Combine gravidade e exposição na matriz e obtenha o nível
Use a tabela 3x3. Se cair em uma zona intermediária (1–2 ou 2–3), aplique o desempate por evidências: histórico, falhas de controle, número de expostos.
Passo 5 — Registre a justificativa (o “porquê” do nível)
O mapa comunica o resultado; o registro (planilha, formulário ou campo de observação) explica a decisão. Uma justificativa boa é curta e baseada em fatos observáveis:
- O que foi observado: condição e comportamento (ex.: “presença de óleo no piso ao lado do equipamento”).
- Quem está exposto: função/quantidade (ex.: “operadores e logística, circulação constante”).
- Controles existentes: EPC/EPI/procedimento/limpeza/manutenção (ex.: “há tapete antiderrapante, porém deslocado”).
- Evidências: registros e relatos (ex.: “2 quase-acidentes relatados no mês”).
Passo 6 — Registre incertezas e limitações (sem paralisar o mapa)
Nem sempre haverá dados suficientes. Em vez de omitir o risco ou inventar precisão, registre a incerteza de forma explícita. Um padrão simples:
- Confiança alta: dados recentes e observação direta consistente.
- Confiança média: observação direta, poucos dados formais.
- Confiança baixa: relato indireto, ausência de medições, condição variável.
Exemplos de como escrever:
- “Nível 2 (confiança média): não há medição de ruído; percepção de fala elevada e relatos de desconforto; solicitar dosimetria.”
- “Nível 3 (confiança baixa): suspeita de vapores em limpeza; falta FISPQ no local; validar produto e ventilação.”
Registrar incerteza ajuda a transformar “dúvida” em ação de verificação (medir, inspecionar, revisar procedimento).
Exemplos práticos de atribuição de intensidade
Exemplo 1 — Ruído em área de produção
- Gravidade: média (perda auditiva é dano significativo e cumulativo).
- Exposição: alta (turno inteiro, posto fixo).
- Nível: 2–3 pela matriz; se não houver controle efetivo (EPC) e houver queixas/indicativos, tende a Nível 3.
- Justificativa: “Máquinas operam continuamente; comunicação verbal difícil a 1 m; uso de protetor auditivo variável; sem laudo recente.”
- Incerteza: “Sem medição atual; solicitar avaliação quantitativa.”
Exemplo 2 — Armazenamento com empilhamento instável
- Gravidade: alta (queda de carga pode causar lesão grave).
- Exposição: média (acesso frequente por abastecimento, mas não contínuo).
- Nível: 2–3; se há circulação de terceiros e histórico de quase queda, Nível 3.
- Justificativa: “Paletes fora de padrão, sem limitador/amarração; corredor de passagem ao lado.”
Exemplo 3 — Produto químico irritante usado esporadicamente
- Gravidade: baixa a média (irritação de pele/olhos).
- Exposição: baixa (uso semanal por poucos minutos, por uma pessoa).
- Nível: 1–2; se há contato sem luvas e respingos frequentes, Nível 2.
- Justificativa: “Uso em limpeza pontual; EPI disponível; ausência de óculos em parte das rotinas.”
Como a priorização guia sinalização, controle e inspeção
Transformando nível em ação: regra de bolso
Após atribuir os níveis, use a priorização para decidir o que fazer primeiro e como comunicar no local.
- Nível 3 (Alta): ação imediata ou programada com urgência. Reforçar sinalização no ponto, revisar controles, restringir acesso se necessário, e aumentar frequência de inspeção.
- Nível 2 (Média): plano de ação com prazo definido. Sinalização orientativa e de alerta, ajustes de procedimento, manutenção preventiva, treinamento pontual, inspeção regular.
- Nível 1 (Baixa): manter controles e monitorar. Sinalização pode ser mais discreta (quando aplicável) e foco em housekeeping/rotina.
Priorização aplicada à sinalização
Use a criticidade para decidir onde a sinalização é indispensável e qual deve ser o foco:
- Nível 3: sinalização de perigo/alerta em pontos de entrada e no local do risco; considerar barreiras físicas e demarcações; instruções curtas e visuais (ex.: obrigatoriedade de EPI, restrição de acesso).
- Nível 2: sinalização para orientar comportamento seguro (ex.: rota segura, atenção a piso molhado, uso de EPI em tarefa específica), complementada por procedimento e supervisão.
- Nível 1: sinalização pode ser substituída por boas práticas operacionais e comunicação em rotina, quando o excesso de placas puder gerar “cegueira de sinalização”.
Priorização aplicada a controles (sem detalhar hierarquia completa)
Sem entrar em um curso de controle de riscos, a regra prática é: quanto maior o nível, mais você deve buscar medidas robustas e menos depender apenas de comportamento. Exemplos:
- Nível 3: correções estruturais (proteções, enclausuramento, intertravamentos, ventilação, reorganização de layout), além de sinalização e procedimentos.
- Nível 2: melhorias de processo, manutenção, ajustes de organização do trabalho, reforço de EPC e padronização de EPI.
- Nível 1: manutenção de rotina, organização e limpeza, pequenos ajustes.
Priorização aplicada a inspeções e verificação
Converta o nível em frequência e foco de inspeção:
- Nível 3: inspeções mais frequentes e com checklist específico; verificação de eficácia do controle (não só presença).
- Nível 2: inspeção periódica com itens críticos; acompanhamento de ações corretivas.
- Nível 1: inspeção de rotina integrada ao setor.
Quando houver confiança baixa na classificação, trate isso como prioridade de verificação: medir, testar, revisar documentação e observar a tarefa em operação real.
Modelo de registro rápido (para padronizar justificativas)
Um formato enxuto ajuda a manter consistência entre áreas e avaliadores. Exemplo de campos:
Ponto/Área: ____________________________ Data: ___/___/____ Responsável: ____________
Perigo observado: _________________________________________________________________
Cenário de dano (plausível): ______________________________________________________
Gravidade: ( ) Baixa ( ) Média ( ) Alta Exposição: ( ) Baixa ( ) Média ( ) Alta
Nível no mapa: ( ) 1 ( ) 2 ( ) 3
Justificativa (evidências): _______________________________________________________
Controles existentes: _____________________________________________________________
Incertezas/limitações: ____________________________________________________________
Ação recomendada (sinalização/controle/inspeção): __________________________________
Prazo/Responsável: _______________________________________________________________Esse registro permite que o Mapa de Riscos seja uma ferramenta viva: os níveis podem ser revisados quando controles mudarem, quando medições forem feitas ou quando novos dados surgirem.