Repertório no Violão, Parte 2: Cinco Músicas Completas com Valsa, Pestana, Capotraste e Ritmos Brasileiros

Capítulo 15

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

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Neste capítulo você vai fechar o repertório do livro com cinco músicas que usam tudo o que ficou para o fim: o compasso três por quatro, a pestana completa, o capotraste e as levadas brasileiras com os dedos. Se você tocou as cinco músicas da Parte 1 do começo ao fim, já tem o método pronto; agora só precisa aplicá-lo a peças um pouco mais exigentes.

Como estudar estas cinco músicas

Use o mesmo método das três camadas do capítulo anterior. Primeiro fale a letra no ritmo enquanto a mão direita faz a levada. Depois cante com a batida simples, um toque para baixo por tempo, um acorde por compasso. Só então junte a levada completa com o canto. Para cada música eu indico tom, acordes, levada, andamento e forma, e descrevo a posição dos acordes por extenso na primeira estrofe. Nas estrofes seguintes os acordes caem nos mesmos lugares da melodia. Comece sempre com a contagem de entrada em voz alta e grave um minuto no celular para o autodiagnóstico.

Música 1: Luar do Sertão, a toada em três por quatro

Luar do Sertão, com letra de Catulo da Paixão Cearense e melodia de João Pernambuco, é uma toada em três por quatro, uma das canções mais cantadas do Brasil, e está em domínio público desde 2018. Como está em três por quatro, ela aceita perfeitamente a levada de valsa. Tom: Dó maior. Acordes: C, G, Am e F. Use o F simplificado se a pestana ainda cansa, ou Dm como substituto. Levada: dedilhado em três por quatro, baixo com o polegar no tempo um e duas pinças nos tempos dois e três. Andamento: noventa bpm, contando um, dois, três. Forma: refrão, verso, refrão.

Conte um, dois, três e entre no refrão. Monte C e cante Não há, ó gente, ó não; na palavra não troque para G. Volte para C em Luar como esse do sertão, e na sílaba tão vá para G. Repita Não há, ó gente, ó não em Am, trocando para F na palavra não. Em Luar como esse do sertão, toque G e resolva em C na última sílaba. Nos versos, como Oh, que saudade do luar da minha terra, a sequência é a mesma: C, G, Am, F, G, C. Lembre que o baixo do polegar muda com o acorde: corda cinco em C e Am, corda seis em G, corda quatro em F simplificado e em Dm. Dica: no tempo três, o último da contagem, os dedos da mão esquerda já começam a se mover para o próximo acorde.

Mão direita dedilhando um violão de nylon com o polegar apoiado na corda grave

Música 2: O Cravo e a Rosa com bossa básica

O Cravo e a Rosa é uma canção folclórica de roda. Tom: Lá maior. Acordes: A, D e E. Levada: bossa básica, com o baixo alternado do polegar e as pinças em síncope, exatamente como no capítulo de levadas com os dedos. Andamento: setenta bpm em quatro por quatro. Forma: dois versos, cada um com quatro compassos, repetidos quantas vezes quiser.

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Conte um, dois, três, quatro. Em A cante O cravo brigou com a rosa; em debaixo de uma sacada troque para D na palavra debaixo e para E na palavra sacada. Volte para A em O cravo saiu ferido, vá para D em e a rosa, para E em despedaçada, e descanse em A no último compasso. Se quiser um som de dominante mais típico, use E7 no lugar do E: é o E com o dedo 3 levantado, deixando a corda quatro solta. Dica: mantenha o polegar alternando corda cinco e corda quatro em A, corda quatro e corda três em D, corda seis e corda cinco em E, mesmo durante a troca. Se a síncope embolar, toque um verso inteiro só com o baixo alternado antes de acrescentar as pinças.

Música 3: Mulher Rendeira, com F completo e Bm

Mulher Rendeira é uma canção tradicional do Nordeste. Você vai tocá-la em dois tons, e isso é de propósito. Em Dó maior você treina o F completo com pestana; em Sol maior, o mesmo lugar da música recebe Bm. Levada: MPB, pinça completa no tempo um e batida leve com o dorso dos dedos no tempo dois, repetindo nos tempos três e quatro. Andamento: oitenta bpm. Forma: refrão e versos, sempre com a mesma progressão de quatro acordes.

Primeiro em Dó, com C, Em, F e G. Conte um, dois, três, quatro. Em C cante Olê, mulher rendeira; troque para Em em rendeira. Em Olê, mulher rendá, toque F na palavra mulher e G em rendá. Volte para C em Tu me ensina a fazer renda, com Em em renda; em que eu te ensino a namorar, toque F em ensino, G em namorar e resolva em C. Agora em Sol, com G, Bm, C e D, nos mesmos lugares: G em Olê, Bm em rendeira, C em mulher, D em rendá, e assim por diante. Respeite o limite diário de pestana: se a mão cansar, volte ao F simplificado e continue a música. Dica: prepare o dedo 1 deitado no ar durante o tempo quatro, antes de descer para a pestana.

Música 4: progressão de reggae em Mi bemol com capotraste

Esta é uma progressão genérica, do tipo que aparece em centenas de louvores e músicas pop. Tom: Mi bemol maior, um tom cheio de pestanas. Solução: capotraste na casa três. Como você aprendeu no capítulo de transposição, cada casa sobe meio tom; três casas a partir de Dó dão Mi bemol. Assim você monta C, G, Am e F com formas abertas e o som sai no tom certo. Levada: reggae, com toques curtos e abafados nos contratempos. Andamento: setenta e cinco bpm. Forma: quatro compassos que se repetem, um acorde por compasso, na ordem C, G, Am, F.

Coloque o capotraste rente ao traste da casa três, confira a afinação corda por corda e conte um, dois, três, quatro. Toque C, depois G, depois Am, depois F simplificado ou completo, sempre em ciclo. Cante por cima qualquer refrão que você conheça nessa progressão, ou cante em lá lá lá enquanto se acostuma. Lembre que, com capotraste, as casas passam a ser contadas a partir dele. Dica: se o som ficar duro, verifique se o capotraste está torto, erro que já corrigimos no capítulo anterior.

Braço do violão com capotraste na terceira casa e a mão esquerda montando um acorde aberto

Música 5: Noite Feliz em três por quatro

Noite Feliz é a canção de Natal mais conhecida das igrejas e está em domínio público. Tom: Lá maior. Acordes: A, D e E. Levada: dedilhado em três por quatro, ou a batida simples de três toques para baixo por compasso para quem preferir a palheta. Andamento: oitenta bpm, contando um, dois, três. Forma: uma estrofe de seis frases, repetida em cada verso.

Conte um, dois, três. Em A cante Noite feliz, noite feliz. Em Ó Senhor troque para E e volte para A em Deus de amor. Em Pobrezinho nasceu em Belém, toque D em Pobrezinho e A em Belém. Em Eis na lapa Jesus, nosso bem, toque D em Eis e A em bem. Em Dorme em paz, ó Jesus, toque E em Dorme e A em Jesus; repita a frase com A em Dorme, E em paz e A na última sílaba. O baixo do polegar é a corda cinco em A, a corda quatro em D e a corda seis em E. Dica: a melodia é lenta e as frases são longas, então segure cada acorde com pressão mínima para a mão não cansar.

Checklist de domínio

Ouça cada item e responda em voz alta sim ou ainda não. Cada ainda não indica o capítulo para revisar.

  1. Consigo afinar o violão de ouvido pelo método da quinta casa e conferir com o aplicativo.
  2. Monto os dez acordes limpos, com checagem corda por corda: C, D, E, G, A, Am, Em, Dm, F completo e Bm.
  3. Troco entre quaisquer dois desses acordes no tempo, a oitenta bpm, sem a mão direita parar.
  4. Executo as oito levadas contando em voz alta: balada, pop, sertanejo de raiz, reggae, dedilhado, samba simplificado, bossa básica e MPB.
  5. Abro uma cifra nova em um site, identifico o tom, simplifico os acordes complicados e toco a primeira estrofe.
  6. Transponho uma progressão para outro tom e calculo a casa do capotraste para fugir das pestanas.
  7. Toco as dez músicas do livro do começo ao fim, cantando junto, com contagem de entrada e sem parar nos erros.

Recapitulando

Você aplicou o método das três camadas a cinco músicas mais exigentes: Luar do Sertão em três por quatro com dedilhado, O Cravo e a Rosa com bossa básica, Mulher Rendeira em dois tons para treinar F completo e Bm, uma progressão de reggae em Mi bemol resolvida com capotraste na casa três, e Noite Feliz em três por quatro com A, D e E. Com o checklist de domínio você sabe exatamente o que já toca com segurança e a que capítulo voltar quando algo ainda falha.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Por que o capotraste na casa três é a solução apresentada para tocar a progressão de reggae em Mi bemol maior?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O capotraste transpõe o instrumento: cada casa sobe meio tom de altura. Partindo de Dó na primeira corda aberta, três casas chegam a Mi bemol. Isso permite tocar formas de acordes abertos (C, G, Am, F) que soam no tom desejado, evitando pestanas fatigantes.

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