O que são “restrições” e por que elas existem
Restrições são regras aplicadas ao inventário (quartos disponíveis) e às datas para controlar como as reservas entram no hotel. Elas não substituem a tarifa: elas moldam o comportamento do hóspede para proteger receita em alta demanda e evitar “buracos” (noites vazias) em baixa.
As quatro restrições mais comuns e simples para iniciantes são:
- Mínimo de estadia (minLOS): exige um número mínimo de noites para reservar em determinadas datas.
- Máximo de estadia (maxLOS): limita o número máximo de noites para reservar em determinadas datas.
- Fechamento para chegada (CTA – Closed to Arrival): permite hospedagem na data, mas proíbe check-in naquele dia.
- Fechamento para saída (CTD – Closed to Departure): permite hospedagem na data, mas proíbe check-out naquele dia.
Mínimo de estadia (minLOS): quando e por que usar
Conceito
O minLOS força o hóspede a ficar mais noites para reservar em um período específico. É muito usado em feriados e eventos porque evita vender “apenas 1 noite” no pico e depois ficar com a noite seguinte difícil de preencher.
Quando faz sentido
- Feriado prolongado: muitos hóspedes querem 1 noite “no meio” do feriado; o minLOS ajuda a capturar estadias de 2–3 noites.
- Evento local com pico concentrado (show, feira, congresso): evita que o hotel “trave” a data mais forte com reservas curtas e perca receita no entorno.
- Alta temporada: aumenta o ticket médio por reserva e reduz custos operacionais relativos (menos check-ins/outs por noite vendida).
Riscos comuns (e como evitar)
- Exagerar no mínimo (ex.: exigir 4 noites quando o mercado compra 2): você pode perder ocupação e ficar com quartos vazios.
- Aplicar minLOS em baixa demanda: tende a reduzir conversão sem necessidade.
Passo a passo prático para definir minLOS
- Identifique as datas “âncora”: as noites com maior procura (ex.: sábado de feriado, noite do show, primeira noite do congresso).
- Defina o objetivo: aumentar estadia média? proteger a noite mais forte? reduzir buracos no entorno?
- Escolha um mínimo realista: comece com
minLOS 2em feriados e teste; suba paraminLOS 3apenas se a procura estiver muito forte e o destino “puxar” estadias longas. - Limite a janela: aplique só nas datas críticas (ex.: sexta e sábado), não necessariamente na semana inteira.
- Crie uma regra de “afrouxamento”: se faltarem poucos dias e a ocupação ainda estiver abaixo do esperado, reduza o minLOS (ex.: de 3 para 2, ou remova).
Exemplo rápido
Cenário: feriado prolongado (sex–seg)
- Sex e sáb:
minLOS 3(para puxar sex+sáb+dom ou sáb+dom+seg) - Dom:
minLOS 2(para evitar vender só domingo e ficar com segunda vazia) - Seg: sem mínimo (se a demanda cai após o feriado)
Máximo de estadia (maxLOS): quando e por que usar
Conceito
O maxLOS limita quantas noites uma reserva pode ter ao incluir determinadas datas. É útil quando você quer manter disponibilidade para vender noites futuras mais caras ou para evitar que uma reserva longa “segure” quartos em dias de pico.
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Quando faz sentido
- Alta temporada com picos internos: você quer vender o pico (ex.: Réveillon) com maior controle.
- Calendário com eventos sequenciais: evita que uma reserva longa atravesse dois picos e impeça vender cada pico com estratégia própria.
- Operação com limitação: por exemplo, necessidade de liberar quartos para manutenção programada após certa data.
Passo a passo prático para definir maxLOS
- Marque as datas que você precisa “proteger” (as mais caras ou mais disputadas).
- Defina o limite (ex.:
maxLOS 5) para impedir estadias muito longas atravessando o pico. - Combine com minLOS quando necessário: em alguns casos, você quer evitar tanto estadias curtas quanto longas demais.
- Revise semanalmente: se a demanda estiver mais fraca, relaxe o maxLOS para aumentar conversão.
Exemplo rápido
Cenário: alta temporada com pico no fim de semana
- Qui–dom:
minLOS 2(evitar 1 noite no pico) - Qui–dom:
maxLOS 7(evitar reservas de 14 noites atravessando múltiplos picos e reduzindo flexibilidade)
CTA (fechamento para chegada): como usar sem “matar” vendas
Conceito
CTA significa que o hotel não aceita check-in em uma data específica, mas permite que hóspedes já hospedados permaneçam. É uma ferramenta para controlar o fluxo de chegadas e, principalmente, para evitar reservas que criem buracos em noites adjacentes.
Quando faz sentido
- Quando uma noite está muito forte e o entorno está fraco: você evita chegadas que ocupem só a noite forte e deixem a fraca vazia.
- Quando você quer “empurrar” chegadas para o dia anterior: por exemplo, incentivar check-in na sexta para ficar também no sábado.
- Operação: reduzir picos de check-in em um dia com equipe limitada (use com cuidado para não perder receita).
Passo a passo prático para aplicar CTA
- Encontre a noite “estrela” (ex.: sábado do evento) e verifique se o dia anterior está mais fraco.
- Simule o risco: se você fechar chegada no sábado, você ainda consegue vender sábado para quem chega na sexta? Se sim, CTA pode ajudar.
- Aplique CTA apenas no dia crítico (ex.: sábado), mantendo chegadas abertas em sexta e domingo.
- Monitore pickup (ritmo de reservas): se o dia anterior não reagir, remova CTA rapidamente.
Exemplo rápido
Cenário: show no sábado, demanda altíssima só no sábado
- Sábado:
CTA(sem check-in) - Sexta: chegadas abertas, com
minLOS 2para puxar sexta+sábado - Domingo: chegadas abertas (para não travar o pós-evento)
CTD (fechamento para saída): quando é a melhor opção
Conceito
CTD significa que o hotel não permite check-out em uma data específica. Na prática, força o hóspede a ficar “mais uma noite” se a reserva incluir aquela data. É muito útil para proteger a noite seguinte a um pico, evitando que todos saiam no mesmo dia e deixem um vazio.
Quando faz sentido
- Feriado prolongado: evitar que hóspedes saiam no domingo e deixem a segunda vazia.
- Evento com saída concentrada: se todos querem ir embora no mesmo dia, o CTD pode estender estadias.
Passo a passo prático para aplicar CTD
- Identifique o dia de “êxodo” (ex.: domingo do feriado).
- Verifique se a noite seguinte precisa de ajuda (ex.: segunda fraca).
- Aplique CTD no dia de saída (ex.: domingo), para empurrar saída para segunda.
- Crie alternativa comercial: se o CTD reduzir demais as vendas, substitua por
minLOS 2em datas específicas.
Exemplo rápido
Cenário: feriado em que muitos querem sair no domingo
- Domingo:
CTD(sem check-out) - Segunda: saídas permitidas normalmente
Como escolher entre minLOS, CTA e CTD (regra simples)
| Problema típico | Regra mais indicada | Por quê |
|---|---|---|
| Noite do pico vende rápido, mas o dia anterior está fraco | CTA no pico + minLOS no dia anterior | Força chegada antes e “cola” noites |
| Muitos hóspedes querem sair no dia X e a noite seguinte fica vazia | CTD no dia X | Empurra permanência para a noite seguinte |
| Muitas reservas de 1 noite em feriado | minLOS 2 ou 3 | Aumenta estadia média e protege o entorno |
| Reservas longas atravessando datas muito valiosas | maxLOS | Preserva flexibilidade para vender o pico melhor |
Como evitar perder ocupação em baixa demanda
Princípios práticos
- Em baixa, restrição é exceção: prefira manter chegadas e saídas abertas e usar restrições só em datas pontuais.
- Use restrições “leves” primeiro: comece com
minLOS 2em vez deminLOS 3; evite CTA/CTD se o hotel ainda precisa de volume. - Tenha gatilhos de remoção: se a ocupação projetada não estiver reagindo, remova restrições com antecedência.
Checklist de revisão (simples)
- Faltam 14–21 dias e a data ainda está abaixo do esperado? Considere reduzir minLOS.
- Faltam 7 dias e ainda há muitos quartos? Remova CTA/CTD e deixe o mercado reservar livremente.
- Se a data “âncora” já está forte, mas o entorno não: mantenha a tarifa do pico e ajuste restrições para puxar noites adjacentes.
Políticas de cancelamento e pré-pagamento: alinhando risco e demanda
Conceitos essenciais
Política de cancelamento e pré-pagamento serve para equilibrar conversão (facilidade de reservar) e risco (cancelamentos, no-show e perda de oportunidade em datas disputadas).
- Cancelamento flexível: normalmente aumenta conversão, mas eleva risco em datas concorridas.
- Não reembolsável (NR): reduz risco e dá previsibilidade de caixa, mas pode reduzir conversão.
- Pré-pagamento: pode ser total ou parcial; reduz risco e filtra reservas “incertas”.
Regra simples para iniciantes
Quanto maior a demanda e menor a chance de revender o quarto em cima da hora, mais restritiva deve ser a política.
- Alta demanda (evento/feriado): políticas mais restritivas (prazo maior para cancelamento sem multa, pré-pagamento parcial/total, NR disponível).
- Baixa demanda: políticas mais flexíveis (prazo curto, sem pré-pagamento obrigatório), para não bloquear vendas.
Passo a passo para definir política por período
- Classifique as datas: baixa, média, alta demanda (com base no seu calendário e ritmo de reservas).
- Defina 2–3 “camadas” de política (ex.: Flexível, Moderada, Restrita).
- Amarre a política às datas críticas: aplique a mais restrita apenas onde o risco é maior.
- Ofereça duas opções ao hóspede: uma flexível (mais cara) e uma NR (mais barata). Isso reduz atrito e melhora a previsibilidade.
- Revise conforme o pickup: se a demanda não se confirmar, flexibilize para recuperar conversão.
Modelos práticos (exemplos)
| Cenário | Cancelamento | Pré-pagamento | Observação |
|---|---|---|---|
| Baixa demanda (dias de semana comuns) | Até 24–48h antes sem multa | Sem pré-pagamento obrigatório | Objetivo: maximizar conversão |
| Média demanda (fins de semana normais) | Até 3–7 dias antes sem multa | Cartão garantia ou 1 diária | Equilíbrio entre risco e venda |
| Alta demanda (evento/feriado) | Até 14–30 dias antes sem multa | 1 diária a total | Objetivo: reduzir cancelamento tardio |
Exemplos completos de configuração por cenário
1) Evento local (sábado muito forte, sexta moderada, domingo fraco)
Objetivo: proteger o sábado e puxar estadias que incluam sexta.
- Sexta:
minLOS 2(para quem quer ficar no sábado também) - Sábado:
CTA(sem chegadas) ou manter chegadas e usarminLOS 2dependendo do comportamento do mercado - Domingo: sem restrição (para não travar a saída e não reduzir conversão)
- Política: Moderada/Restrita (ex.: cancelamento até 7–14 dias; pré-pagamento de 1 diária)
2) Feriado prolongado (sex–seg), com risco de “buraco” na segunda
Objetivo: evitar estadias de 1 noite e reduzir saídas no domingo.
- Sexta e sábado:
minLOS 3(se o destino costuma vender 3 noites) ouminLOS 2(se o mercado é mais curto) - Domingo:
CTD(sem check-out) para empurrar saída para segunda ouminLOS 2no domingo como alternativa mais leve - Segunda: saídas abertas; chegadas abertas (se houver demanda residual)
- Política: Restrita (ex.: cancelamento até 14–30 dias; pré-pagamento parcial/total; NR disponível)
3) Alta temporada (muitos dias fortes, com picos em fins de semana)
Objetivo: manter flexibilidade para vender picos e evitar reservas longas atravessando datas valiosas.
- Fins de semana:
minLOS 2 - Datas de pico específico (ex.: sábado mais disputado): considerar
CTAse o dia anterior precisar ser puxado - Período inteiro:
maxLOS 7(ou outro limite) se houver risco de reservas muito longas bloquearem picos - Política: Moderada a Restrita (prazo maior para cancelamento sem multa; pré-pagamento de 1 diária em datas de pico)
Mini-roteiro de implementação (para não se perder)
1) Marque no calendário as datas âncora (picos) e as datas “fracas” ao redor. 2) Escolha UMA restrição principal por problema (minLOS, CTA, CTD ou maxLOS). 3) Aplique em janela curta (somente datas críticas). 4) Defina gatilhos de relaxamento (14 dias / 7 dias). 5) Ajuste política de cancelamento e pré-pagamento conforme a demanda: mais restrita no pico, mais flexível na baixa.