O que é o registro de visitantes e por que ele é parte da segurança
Registro de visitantes é o conjunto de procedimentos usados para identificar, autorizar e acompanhar a entrada e a permanência de pessoas que não fazem parte do quadro interno (visitantes, prestadores, candidatos, entregadores, representantes). Ele protege a empresa e as pessoas porque cria rastreabilidade (quem entrou, quando, para onde foi, com quem esteve) e reduz riscos de acesso indevido, extravio de bens e vazamento de informações.
Na prática, o registro deve equilibrar três pontos: precisão (dados corretos), controle (acesso só com autorização) e confidencialidade (coletar apenas o necessário e proteger o que foi coletado).
Dados mínimos: o que coletar (e o que evitar)
Dados mínimos recomendados
- Nome completo (sem abreviações, quando possível).
- Documento (tipo e número) somente quando exigido pela política interna ou pelo nível de segurança do local.
- Empresa/organização (se aplicável).
- Motivo da visita (objetivo geral, sem detalhes sensíveis).
- Nome do anfitrião (colaborador responsável por receber/autorizar).
- Horário de entrada e horário de saída.
- Local/área autorizada (ex.: “Sala de Reunião 2 / 3º andar”).
- Identificação do crachá (número/cor/tipo) e status de devolução.
Evite coletar sem necessidade
- Dados excessivos (endereço completo, filiação, data de nascimento) se não forem exigidos.
- Motivos detalhados que exponham informações internas (ex.: “auditoria de falhas”, “negociação de demissão”).
- Cópias de documentos, fotos de documentos ou retenção de documento físico, salvo regra interna formal e justificável.
Regra prática: se um dado não é necessário para autorizar, localizar, rastrear ou cumprir norma interna, não colete.
Conferência de documento: quando e como fazer
Algumas empresas exigem conferência de documento para visitantes. Se houver exigência, o objetivo é confirmar identidade, não constranger.
Passo a passo de conferência (quando exigido)
- Solicite com neutralidade: “Para registro de acesso, por favor, um documento com foto.”
- Confira correspondência básica: foto x pessoa, nome, validade (se aplicável) e integridade do documento.
- Registre apenas o necessário: tipo e número (ou somente os últimos dígitos, se a política permitir).
- Devolva imediatamente ao visitante.
- Se houver divergência (foto não corresponde, documento danificado, recusa em apresentar quando obrigatório), não libere acesso e acione o responsável definido (segurança, supervisor, anfitrião).
Importante: a recepção não “valida” autenticidade como órgão oficial; ela apenas aplica a política interna de controle de acesso.
- Ouça o áudio com a tela desligada
- Ganhe Certificado após a conclusão
- + de 5000 cursos para você explorar!
Baixar o aplicativo
Emissão e controle de crachá: identificação, rastreio e devolução
O crachá de visitante serve para identificar rapidamente quem não é colaborador e limitar circulação. Pode ser físico (cartão, etiqueta) ou digital (QR code), conforme a estrutura.
Boas práticas para crachá
- Numeração única (ex.: V-001, V-002) para rastrear empréstimo e devolução.
- Categoria visível (ex.: “VISITANTE”, “PRESTADOR”, “ENTREGA”) por cor ou layout.
- Vincular ao registro (campo “Crachá nº”).
- Controle de devolução obrigatório na saída.
- Higienização e armazenamento organizado (porta-crachás por numeração).
Passo a passo: emissão e devolução
- Após autorização, registre o visitante e selecione um crachá disponível.
- Preencha/associe o crachá ao registro (número do crachá + área autorizada).
- Oriente o uso: crachá visível durante toda a permanência.
- Na saída, confirme devolução do crachá, registre horário e status (“devolvido”).
- Se não devolver: registre como “pendente”, avise o anfitrião e siga o procedimento interno (bloqueio do crachá, ocorrência, cobrança de devolução).
Orientação de circulação: limite de acesso e prevenção de incidentes
Orientar circulação é parte do controle de acesso. O visitante deve saber exatamente onde pode ir e como se deslocar sem acessar áreas restritas.
O que orientar (checklist)
- Destino autorizado (andar, sala, setor).
- Trajeto permitido (elevador X, corredor Y) quando houver restrições.
- Áreas proibidas (ex.: salas técnicas, TI, arquivo, áreas de atendimento interno).
- Necessidade de acompanhamento (se a política exigir escolta do anfitrião/segurança).
- Regras locais: silêncio, fotos proibidas, uso de celular, EPIs em áreas operacionais.
- Procedimento de retorno à recepção para saída/devolução do crachá.
Frases prontas (objetivas e educadas)
- “Seu acesso está autorizado para a Sala 2 no 3º andar. Por favor, mantenha o crachá visível.”
- “Para seguir, preciso confirmar sua entrada com o responsável. Um instante, por favor.”
- “Essa área é restrita. Vou chamar seu anfitrião para acompanhá-lo.”
Boas práticas de segurança na recepção
1) Não liberar acesso sem confirmação
Mesmo que o visitante diga “já venho sempre” ou “estou atrasado”, a regra é a mesma: acesso só após confirmação com o anfitrião ou com a lista de agendamentos autorizados.
- Se o anfitrião não responde: aguarde, tente canais alternativos definidos (ramal, mensagem corporativa) e, se necessário, acione o supervisor/segurança.
- Se houver pressão: mantenha postura firme e neutra, repetindo a política (“Sem confirmação, não consigo liberar.”).
2) Controle de chaves, cartões e acessos temporários
Se a recepção administra chaves/cartões de acesso (salas, armários, vagas, controles), trate como item crítico.
- Registro de retirada e devolução (quem pegou, quando, para quê, quem autorizou).
- Não emprestar “por confiança” sem autorização e sem registro.
- Guardar em local restrito (gaveta trancada, armário com chave, controle de acesso).
- Inventário periódico conforme norma interna (ex.: conferência diária no fechamento).
3) Cuidado com informações sensíveis
Na recepção, informações circulam rapidamente (nomes, agendas, ramais, reuniões, entregas). O cuidado é não expor dados a terceiros.
- Não anunciar em voz alta assuntos delicados (ex.: “a diretoria está em reunião sobre cortes”).
- Evitar deixar telas visíveis com planilhas de visitantes, listas de ramais, agendas.
- Não confirmar presença de pessoas específicas sem regra interna (ex.: “Fulano está?”). Use alternativas: “Vou verificar se ele pode atender.”
- Documentos na impressora: recolher imediatamente; descartar em local apropriado.
4) Postura diante de situações suspeitas
Sinais comuns: pessoa tentando entrar “junto” com outro (tailgating), recusando identificação, circulando sem destino claro, insistindo em áreas restritas, fotografando sem autorização, tentando obter informações internas.
Passo a passo recomendado
- Interrompa com cordialidade e direcione para o procedimento: “Posso ajudar? Preciso fazer seu registro antes.”
- Não confronte sozinho se houver risco; mantenha distância segura e acione segurança/supervisor.
- Não forneça informações (nomes, horários, localização de pessoas, rotinas internas).
- Registre ocorrência conforme norma interna (data, hora, descrição objetiva, ações tomadas).
Modelos de registro: livro físico e planilha
O formato pode ser livro, ficha, planilha ou sistema. O importante é padronizar campos e garantir legibilidade e rastreabilidade.
Modelo de campos (livro/planilha) — visitantes
| Campo | Exemplo | Observação |
|---|---|---|
| Data | 26/01/2026 | Formato padrão da empresa |
| Nome completo | Mariana Souza Lima | Sem abreviações quando possível |
| Empresa | Alfa Serviços | Se aplicável |
| Tipo de visitante | Prestador | Visitante / Prestador / Entrega / Candidato |
| Documento (tipo) | CNH | Somente se exigido |
| Documento (número) | 12345678900 | Ou últimos dígitos, conforme política |
| Motivo | Manutenção de ar-condicionado | Evitar detalhes sensíveis |
| Anfitrião/Responsável | Carlos (Facilities) | Quem autorizou/recebe |
| Área autorizada | 2º andar – Sala técnica (com escolta) | Definir limites |
| Entrada (hora) | 09:12 | Registrar no momento |
| Crachá nº | V-014 | Obrigatório se houver crachá |
| Saída (hora) | 10:05 | Registrar na devolução |
| Status do crachá | Devolvido | Devolvido / Pendente |
| Observações | Acompanhado por Ana | Somente fatos objetivos |
Modelo de campos — controle de chaves/cartões (se aplicável)
| Campo | Exemplo | Observação |
|---|---|---|
| Data | 26/01/2026 | |
| Item | Cartão Acesso – Sala 301 | Identificação única do item |
| Retirado por | João Pereira | Nome + setor |
| Documento/ID interno | Cracha interno 0451 | Conforme política |
| Autorizado por | Gestor do setor | Quem aprovou |
| Hora retirada | 14:20 | |
| Hora devolução | 16:05 | |
| Status | Devolvido | Pendente exige ação |
| Observações | Uso para reunião | Sem detalhes sensíveis |
Procedimento prático completo (do início ao fim)
1) Antes de registrar: confirmar autorização
- Verifique se há agendamento (lista do dia, e-mail interno, sistema).
- Se não houver, contate o anfitrião e aguarde confirmação.
- Se a política exigir, confirme também área autorizada e necessidade de acompanhamento.
2) Registrar com precisão
- Preencha os dados mínimos no livro/planilha/sistema.
- Se exigido, faça a conferência de documento e registre conforme política.
- Evite campos em branco críticos (nome, anfitrião, entrada, área autorizada).
3) Emitir e entregar crachá
- Selecione o crachá disponível e registre o número.
- Oriente: crachá visível, áreas permitidas, retorno para saída.
- Se houver regra de acompanhamento, acione o anfitrião/segurança para buscar o visitante.
4) Durante a permanência (quando aplicável)
- Se o visitante retornar à recepção por dúvida, reoriente e reforce limites de circulação.
- Se houver tentativa de acesso indevido, interrompa e acione o fluxo interno de segurança.
5) Saída e fechamento do registro
- Receba o crachá e confirme número.
- Registre horário de saída e status do crachá.
- Se houver pendência (crachá não devolvido), registre e comunique imediatamente conforme norma interna.
Armazenamento, acesso e descarte seguro dos registros
Registros de visitantes contêm dados pessoais e devem ser tratados como informação controlada. As regras exatas variam por empresa; siga sempre as normas internas e orientações do responsável (RH, Segurança, Compliance, DPO/LGPD).
Diretrizes práticas de armazenamento
- Livro físico: manter em local sem acesso público (gaveta/armário), evitar deixar aberto no balcão, usar capa/folha de proteção para não expor linhas anteriores.
- Planilha: armazenar em local corporativo autorizado (rede/sistema), com controle de acesso por perfil; evitar pendrive e contas pessoais.
- Controle de acesso: somente pessoas autorizadas devem consultar registros; consultas devem ter motivo legítimo (auditoria, segurança, incidente).
- Integridade: não apagar linhas; correções devem ser rastreáveis (em livro, riscar com um traço e rubricar conforme norma; em planilha, preferir sistema com histórico ou registrar alteração em campo próprio).
Retenção (prazo) e descarte
- Retenção: seguir o prazo definido em política interna (ex.: X meses/anos). Se você não souber o prazo, confirme com o responsável antes de descartar.
- Descarte de papel: usar fragmentadora (corte cruzado) ou coleta de descarte confidencial; nunca no lixo comum.
- Descarte digital: excluir conforme procedimento de TI (lixeira corporativa, política de backup, eliminação segura). Evitar cópias paralelas.
- Incidentes: se houver suspeita de vazamento/exposição de registros, comunicar imediatamente conforme canal interno.
Checklist rápido para uso diário (sem pular etapas)
- Confirmou autorização com anfitrião ou agenda oficial?
- Coletou apenas dados mínimos?
- Conferiu documento somente se exigido e devolveu imediatamente?
- Registrou entrada e área autorizada?
- Entregou crachá numerado e registrou o número?
- Orientou circulação e regras (incluindo acompanhamento, se necessário)?
- Na saída, registrou horário e recolheu o crachá?
- Guardou registros de forma segura e sem exposição no balcão?