Registro de Visitantes e Segurança na Recepção: Procedimentos, Documentos e Confidencialidade

Capítulo 7

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que é o registro de visitantes e por que ele é parte da segurança

Registro de visitantes é o conjunto de procedimentos usados para identificar, autorizar e acompanhar a entrada e a permanência de pessoas que não fazem parte do quadro interno (visitantes, prestadores, candidatos, entregadores, representantes). Ele protege a empresa e as pessoas porque cria rastreabilidade (quem entrou, quando, para onde foi, com quem esteve) e reduz riscos de acesso indevido, extravio de bens e vazamento de informações.

Na prática, o registro deve equilibrar três pontos: precisão (dados corretos), controle (acesso só com autorização) e confidencialidade (coletar apenas o necessário e proteger o que foi coletado).

Dados mínimos: o que coletar (e o que evitar)

Dados mínimos recomendados

  • Nome completo (sem abreviações, quando possível).
  • Documento (tipo e número) somente quando exigido pela política interna ou pelo nível de segurança do local.
  • Empresa/organização (se aplicável).
  • Motivo da visita (objetivo geral, sem detalhes sensíveis).
  • Nome do anfitrião (colaborador responsável por receber/autorizar).
  • Horário de entrada e horário de saída.
  • Local/área autorizada (ex.: “Sala de Reunião 2 / 3º andar”).
  • Identificação do crachá (número/cor/tipo) e status de devolução.

Evite coletar sem necessidade

  • Dados excessivos (endereço completo, filiação, data de nascimento) se não forem exigidos.
  • Motivos detalhados que exponham informações internas (ex.: “auditoria de falhas”, “negociação de demissão”).
  • Cópias de documentos, fotos de documentos ou retenção de documento físico, salvo regra interna formal e justificável.

Regra prática: se um dado não é necessário para autorizar, localizar, rastrear ou cumprir norma interna, não colete.

Conferência de documento: quando e como fazer

Algumas empresas exigem conferência de documento para visitantes. Se houver exigência, o objetivo é confirmar identidade, não constranger.

Passo a passo de conferência (quando exigido)

  1. Solicite com neutralidade: “Para registro de acesso, por favor, um documento com foto.”
  2. Confira correspondência básica: foto x pessoa, nome, validade (se aplicável) e integridade do documento.
  3. Registre apenas o necessário: tipo e número (ou somente os últimos dígitos, se a política permitir).
  4. Devolva imediatamente ao visitante.
  5. Se houver divergência (foto não corresponde, documento danificado, recusa em apresentar quando obrigatório), não libere acesso e acione o responsável definido (segurança, supervisor, anfitrião).

Importante: a recepção não “valida” autenticidade como órgão oficial; ela apenas aplica a política interna de controle de acesso.

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Emissão e controle de crachá: identificação, rastreio e devolução

O crachá de visitante serve para identificar rapidamente quem não é colaborador e limitar circulação. Pode ser físico (cartão, etiqueta) ou digital (QR code), conforme a estrutura.

Boas práticas para crachá

  • Numeração única (ex.: V-001, V-002) para rastrear empréstimo e devolução.
  • Categoria visível (ex.: “VISITANTE”, “PRESTADOR”, “ENTREGA”) por cor ou layout.
  • Vincular ao registro (campo “Crachá nº”).
  • Controle de devolução obrigatório na saída.
  • Higienização e armazenamento organizado (porta-crachás por numeração).

Passo a passo: emissão e devolução

  1. Após autorização, registre o visitante e selecione um crachá disponível.
  2. Preencha/associe o crachá ao registro (número do crachá + área autorizada).
  3. Oriente o uso: crachá visível durante toda a permanência.
  4. Na saída, confirme devolução do crachá, registre horário e status (“devolvido”).
  5. Se não devolver: registre como “pendente”, avise o anfitrião e siga o procedimento interno (bloqueio do crachá, ocorrência, cobrança de devolução).

Orientação de circulação: limite de acesso e prevenção de incidentes

Orientar circulação é parte do controle de acesso. O visitante deve saber exatamente onde pode ir e como se deslocar sem acessar áreas restritas.

O que orientar (checklist)

  • Destino autorizado (andar, sala, setor).
  • Trajeto permitido (elevador X, corredor Y) quando houver restrições.
  • Áreas proibidas (ex.: salas técnicas, TI, arquivo, áreas de atendimento interno).
  • Necessidade de acompanhamento (se a política exigir escolta do anfitrião/segurança).
  • Regras locais: silêncio, fotos proibidas, uso de celular, EPIs em áreas operacionais.
  • Procedimento de retorno à recepção para saída/devolução do crachá.

Frases prontas (objetivas e educadas)

  • “Seu acesso está autorizado para a Sala 2 no 3º andar. Por favor, mantenha o crachá visível.”
  • “Para seguir, preciso confirmar sua entrada com o responsável. Um instante, por favor.”
  • “Essa área é restrita. Vou chamar seu anfitrião para acompanhá-lo.”

Boas práticas de segurança na recepção

1) Não liberar acesso sem confirmação

Mesmo que o visitante diga “já venho sempre” ou “estou atrasado”, a regra é a mesma: acesso só após confirmação com o anfitrião ou com a lista de agendamentos autorizados.

  • Se o anfitrião não responde: aguarde, tente canais alternativos definidos (ramal, mensagem corporativa) e, se necessário, acione o supervisor/segurança.
  • Se houver pressão: mantenha postura firme e neutra, repetindo a política (“Sem confirmação, não consigo liberar.”).

2) Controle de chaves, cartões e acessos temporários

Se a recepção administra chaves/cartões de acesso (salas, armários, vagas, controles), trate como item crítico.

  • Registro de retirada e devolução (quem pegou, quando, para quê, quem autorizou).
  • Não emprestar “por confiança” sem autorização e sem registro.
  • Guardar em local restrito (gaveta trancada, armário com chave, controle de acesso).
  • Inventário periódico conforme norma interna (ex.: conferência diária no fechamento).

3) Cuidado com informações sensíveis

Na recepção, informações circulam rapidamente (nomes, agendas, ramais, reuniões, entregas). O cuidado é não expor dados a terceiros.

  • Não anunciar em voz alta assuntos delicados (ex.: “a diretoria está em reunião sobre cortes”).
  • Evitar deixar telas visíveis com planilhas de visitantes, listas de ramais, agendas.
  • Não confirmar presença de pessoas específicas sem regra interna (ex.: “Fulano está?”). Use alternativas: “Vou verificar se ele pode atender.”
  • Documentos na impressora: recolher imediatamente; descartar em local apropriado.

4) Postura diante de situações suspeitas

Sinais comuns: pessoa tentando entrar “junto” com outro (tailgating), recusando identificação, circulando sem destino claro, insistindo em áreas restritas, fotografando sem autorização, tentando obter informações internas.

Passo a passo recomendado

  1. Interrompa com cordialidade e direcione para o procedimento: “Posso ajudar? Preciso fazer seu registro antes.”
  2. Não confronte sozinho se houver risco; mantenha distância segura e acione segurança/supervisor.
  3. Não forneça informações (nomes, horários, localização de pessoas, rotinas internas).
  4. Registre ocorrência conforme norma interna (data, hora, descrição objetiva, ações tomadas).

Modelos de registro: livro físico e planilha

O formato pode ser livro, ficha, planilha ou sistema. O importante é padronizar campos e garantir legibilidade e rastreabilidade.

Modelo de campos (livro/planilha) — visitantes

CampoExemploObservação
Data26/01/2026Formato padrão da empresa
Nome completoMariana Souza LimaSem abreviações quando possível
EmpresaAlfa ServiçosSe aplicável
Tipo de visitantePrestadorVisitante / Prestador / Entrega / Candidato
Documento (tipo)CNHSomente se exigido
Documento (número)12345678900Ou últimos dígitos, conforme política
MotivoManutenção de ar-condicionadoEvitar detalhes sensíveis
Anfitrião/ResponsávelCarlos (Facilities)Quem autorizou/recebe
Área autorizada2º andar – Sala técnica (com escolta)Definir limites
Entrada (hora)09:12Registrar no momento
Crachá nºV-014Obrigatório se houver crachá
Saída (hora)10:05Registrar na devolução
Status do cracháDevolvidoDevolvido / Pendente
ObservaçõesAcompanhado por AnaSomente fatos objetivos

Modelo de campos — controle de chaves/cartões (se aplicável)

CampoExemploObservação
Data26/01/2026
ItemCartão Acesso – Sala 301Identificação única do item
Retirado porJoão PereiraNome + setor
Documento/ID internoCracha interno 0451Conforme política
Autorizado porGestor do setorQuem aprovou
Hora retirada14:20
Hora devolução16:05
StatusDevolvidoPendente exige ação
ObservaçõesUso para reuniãoSem detalhes sensíveis

Procedimento prático completo (do início ao fim)

1) Antes de registrar: confirmar autorização

  1. Verifique se há agendamento (lista do dia, e-mail interno, sistema).
  2. Se não houver, contate o anfitrião e aguarde confirmação.
  3. Se a política exigir, confirme também área autorizada e necessidade de acompanhamento.

2) Registrar com precisão

  1. Preencha os dados mínimos no livro/planilha/sistema.
  2. Se exigido, faça a conferência de documento e registre conforme política.
  3. Evite campos em branco críticos (nome, anfitrião, entrada, área autorizada).

3) Emitir e entregar crachá

  1. Selecione o crachá disponível e registre o número.
  2. Oriente: crachá visível, áreas permitidas, retorno para saída.
  3. Se houver regra de acompanhamento, acione o anfitrião/segurança para buscar o visitante.

4) Durante a permanência (quando aplicável)

  • Se o visitante retornar à recepção por dúvida, reoriente e reforce limites de circulação.
  • Se houver tentativa de acesso indevido, interrompa e acione o fluxo interno de segurança.

5) Saída e fechamento do registro

  1. Receba o crachá e confirme número.
  2. Registre horário de saída e status do crachá.
  3. Se houver pendência (crachá não devolvido), registre e comunique imediatamente conforme norma interna.

Armazenamento, acesso e descarte seguro dos registros

Registros de visitantes contêm dados pessoais e devem ser tratados como informação controlada. As regras exatas variam por empresa; siga sempre as normas internas e orientações do responsável (RH, Segurança, Compliance, DPO/LGPD).

Diretrizes práticas de armazenamento

  • Livro físico: manter em local sem acesso público (gaveta/armário), evitar deixar aberto no balcão, usar capa/folha de proteção para não expor linhas anteriores.
  • Planilha: armazenar em local corporativo autorizado (rede/sistema), com controle de acesso por perfil; evitar pendrive e contas pessoais.
  • Controle de acesso: somente pessoas autorizadas devem consultar registros; consultas devem ter motivo legítimo (auditoria, segurança, incidente).
  • Integridade: não apagar linhas; correções devem ser rastreáveis (em livro, riscar com um traço e rubricar conforme norma; em planilha, preferir sistema com histórico ou registrar alteração em campo próprio).

Retenção (prazo) e descarte

  • Retenção: seguir o prazo definido em política interna (ex.: X meses/anos). Se você não souber o prazo, confirme com o responsável antes de descartar.
  • Descarte de papel: usar fragmentadora (corte cruzado) ou coleta de descarte confidencial; nunca no lixo comum.
  • Descarte digital: excluir conforme procedimento de TI (lixeira corporativa, política de backup, eliminação segura). Evitar cópias paralelas.
  • Incidentes: se houver suspeita de vazamento/exposição de registros, comunicar imediatamente conforme canal interno.

Checklist rápido para uso diário (sem pular etapas)

  • Confirmou autorização com anfitrião ou agenda oficial?
  • Coletou apenas dados mínimos?
  • Conferiu documento somente se exigido e devolveu imediatamente?
  • Registrou entrada e área autorizada?
  • Entregou crachá numerado e registrou o número?
  • Orientou circulação e regras (incluindo acompanhamento, se necessário)?
  • Na saída, registrou horário e recolheu o crachá?
  • Guardou registros de forma segura e sem exposição no balcão?

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao registrar a entrada de um visitante, qual prática melhor equilibra precisão, controle e confidencialidade?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A prática correta combina confirmação de autorização, dados mínimos e controle de circulação com rastreabilidade (área, horários e crachá), evitando coleta excessiva e reduzindo risco de exposição de informações.

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