O que são parcerias com criadores e influenciadores locais (e por que funcionam para hospedagem)
Parcerias com criadores e influenciadores locais são colaborações estruturadas entre o hotel/pousada e pessoas que produzem conteúdo (vídeo, fotos, textos, reviews, guias) e têm audiência relevante na região ou em nichos conectados ao destino. “Local” aqui pode significar: mora na cidade/região, cobre o destino com frequência, ou é referência em temas que combinam com a experiência da hospedagem (gastronomia, trilhas, praia, enoturismo, bem-estar, família, pet friendly, luxo acessível, turismo de aventura).
Elas funcionam porque reduzem a distância entre a promessa e a percepção do público: em vez de apenas a marca falar de si, alguém com linguagem própria mostra a experiência “em uso”, com contexto real do destino e do dia a dia do viajante. Para hotéis e pousadas, isso tende a gerar três efeitos práticos nas redes sociais: mais atenção (conteúdo com narrativa e rosto), mais confiança (prova social indireta) e mais intenção (o público consegue se imaginar no lugar).
Criador x influenciador: diferença útil na prática
Nem todo criador é influenciador, e nem todo influenciador entrega o melhor conteúdo. Criador é quem produz peças com qualidade e consistência (roteiro, captação, edição, storytelling). Influenciador é quem tem capacidade de mobilizar uma audiência (alcance, engajamento, cliques, decisões). Em hospedagem, muitas vezes o melhor resultado vem de combinar os dois: creators que geram ativos reutilizáveis (Reels, fotos, cortes, depoimentos) e influenciadores que amplificam a mensagem para públicos específicos.
Quando faz sentido priorizar influenciadores locais
Quando o destino depende de “descoberta” e contexto (o que fazer, onde comer, como chegar, melhor época).
Quando a hospedagem quer atrair públicos de cidades próximas (bate-volta, feriados, finais de semana).
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Quando há experiências complementares na região (restaurantes, vinícolas, passeios, trilhas, praias, eventos) e o criador consegue costurar tudo em uma narrativa.
Quando você precisa de volume de conteúdo autêntico para redes sociais sem depender apenas de produção interna.
Modelos de parceria: do permuta ao contrato com entregáveis
1) Permuta (hospedagem/experiência em troca de conteúdo)
É o formato mais comum, mas também o que mais dá errado quando não há alinhamento. Permuta funciona melhor quando: o criador já produz conteúdo de viagem com frequência, tem portfólio consistente e você define entregáveis mínimos. Exemplo: 2 Reels + 6 Stories + 10 fotos em alta + 1 vídeo vertical “room tour” sem música (para uso futuro).
2) Fee pago (produção e/ou influência)
Você paga pelo trabalho e pelo acesso à audiência. Esse modelo costuma ser mais previsível, porque permite exigir padrões (prazos, roteiro, revisões, direitos de uso). Pode ser pago por pacote (campanha) ou por diária de produção (creator day). Exemplo: “Diária de captação + edição de 3 Reels + 20 fotos + 5 cortes para anúncios”.
3) Afiliado/Comissão (pagamento por resultado)
O criador recebe comissão por reservas geradas via cupom ou link rastreável. É útil quando você quer testar muitos perfis com risco menor. Para funcionar, você precisa de regras claras: período de atribuição (ex.: 7 ou 30 dias), quais tarifas entram, como lidar com cancelamentos e como será o relatório.
4) Embaixador (parceria contínua)
Em vez de uma ação pontual, você cria uma relação de médio prazo com 1 a 3 perfis que combinam com a marca e o destino. O embaixador visita mais de uma vez, participa de lançamentos de pacotes e vira “rosto recorrente” da experiência. É especialmente útil para manter consistência de conteúdo e reduzir custo por peça ao longo do tempo.
5) Co-criação com negócios locais (campanha em rede)
Você pode estruturar uma campanha com criador + restaurante + passeio + café + loja local, com roteiro de 24 a 48 horas no destino. O criador produz uma narrativa completa e cada parceiro contribui com parte do custo (fee) ou com experiências. Esse formato aumenta o valor percebido e facilita a distribuição cruzada (cada parceiro republica e comenta).
Como escolher os perfis certos: critérios objetivos (sem depender só de seguidores)
Checklist de compatibilidade
Geografia da audiência: o público está em cidades que realmente viajam para sua região? Peça print do painel de audiência (principais cidades/estados).
Formato dominante: o perfil entrega bem em vídeo curto, Stories e conteúdo “salvável” (dicas)? Para hospedagem, vídeo costuma ser decisivo.
Qualidade de produção: áudio, luz, enquadramento, ritmo de edição, capacidade de mostrar detalhes (banheiro, cama, vista, café da manhã, áreas comuns).
Histórico com marcas: as publis anteriores parecem naturais? Há transparência? O público reage bem ou critica?
Engajamento real: observe comentários específicos (perguntas sobre preço, localização, como reservar) e não apenas “lindo”.
Adequação de valores: postura, linguagem, temas sensíveis, comportamento em viagens (respeito a regras, silêncio, áreas comuns).
Sinais de alerta comuns
Taxa de engajamento alta, mas comentários genéricos repetidos (possível engajamento artificial).
Conteúdo bonito, porém sem contexto e sem narrativa (não ajuda a decisão de viagem).
Excesso de publis em sequência, sem diferenciação (o público pode ignorar).
Recusa em enviar métricas básicas ou portfólio completo.
Micro e nano influenciadores: por que costumam performar bem
Perfis menores (por exemplo, 3 mil a 50 mil seguidores) frequentemente têm audiência mais concentrada na região e maior proximidade com o público, gerando conversas e perguntas práticas. Para hotéis e pousadas, isso pode significar mais DMs e mais cliques qualificados, mesmo com menos alcance total. Uma estratégia comum é montar um “mix”: 1 perfil médio para alcance + 3 a 6 micro para profundidade e volume de conteúdo.
Passo a passo prático para planejar uma campanha com criadores locais
Passo 1: defina o objetivo da parceria (em termos de entrega e comportamento)
Em redes sociais, objetivo precisa virar comportamento observável. Exemplos de objetivos bem definidos: gerar 30 conversas no direct sobre datas específicas; aumentar visitas ao perfil e cliques no link durante um feriado; produzir um banco de 40 fotos e 10 vídeos verticais para uso nos próximos 60 dias; divulgar uma experiência (ex.: café da manhã especial, piscina aquecida, day use, jantar harmonizado) com foco em “salvamentos”.
Passo 2: escolha o modelo de remuneração e o “pacote” de entregáveis
Transforme a parceria em um pacote claro. Um exemplo de pacote para 2 diárias: 2 Reels (um “tour” e um “roteiro no destino”), 8 a 12 Stories com marcação e localização, 15 fotos em alta, 1 depoimento em vídeo (15 a 30s), 1 vídeo B-roll (clipes sem música) de 60 a 90s. Se houver fee, defina também: prazo de postagem, janela de publicação (ex.: até 7 dias após o check-out), e se haverá exclusividade (ex.: não divulgar hospedagem concorrente por 30 dias).
Passo 3: monte uma lista curta de perfis e faça abordagem profissional
Evite mensagens genéricas. Envie um convite com: datas possíveis, tipo de experiência oferecida, o que você espera de entregáveis, se há fee ou permuta, e por que aquele perfil foi escolhido. Exemplo de estrutura: “Vi que você produz roteiros de fim de semana para casais em [região]. Queremos convidar para vivenciar [experiência] e criar conteúdos focados em [tema]. Temos [modelo] e buscamos [entregáveis]. Posso te enviar um briefing com detalhes e checar disponibilidade?”
Passo 4: crie um briefing enxuto (1 a 2 páginas) que facilite a criação
O briefing deve orientar sem engessar. Inclua: pontos que não podem faltar (ex.: mostrar tamanho do quarto, vista, café da manhã, áreas comuns, estacionamento, pet policy), horários recomendados para gravação (golden hour, café da manhã), regras da casa (silêncio, áreas restritas), hashtags e marcações, e “frases proibidas” (promessas que você não garante, como “sempre vazio”, “melhor preço”, “vista garantida”).
Passo 5: prepare a operação para receber o criador (experiência impecável e gravável)
Parceria com criador é também operação. Garanta que o quarto esteja perfeito antes do check-in, que a equipe saiba quem é o convidado e o que ele precisa (por exemplo, acesso a áreas em horários específicos), e que haja um “roteiro de gravação” sugerido. Pequenos detalhes ajudam muito: plaquinha de Wi-Fi visível, amenities completos, iluminação funcionando, áreas comuns organizadas, cardápio do café da manhã claro, e autorização para filmar em pontos específicos.
Passo 6: combine como serão as aprovações (sem travar o conteúdo)
Em geral, você não deve pedir aprovação total do conteúdo como se fosse anúncio, porque isso reduz autenticidade e pode afastar criadores. Em vez disso, defina um processo leve: o criador envia o roteiro/tópicos do Reel antes de editar, e você valida apenas fatos (horários, regras, serviços inclusos, localização, nomes corretos). Para Stories, combine apenas o que é obrigatório mencionar (ex.: necessidade de reserva, horários do café, política pet).
Passo 7: publique em conjunto e amplifique
Planeje a amplificação: repost no Stories, comentário fixado, salvar nos destaques (ex.: “Experiências”, “Quartos”, “Roteiros”), e, se fizer sentido, impulsionamento do Reel como anúncio (com autorização). Combine também um “post colaborativo” quando a rede permitir, para somar audiências. Durante a publicação, responda rápido às perguntas nos comentários e no direct, porque é nesse momento que a intenção está alta.
Passo 8: rastreie resultados com método simples
Use pelo menos um mecanismo de rastreio por criador: cupom exclusivo (ex.: NOME10), link rastreável, ou palavra-chave para o direct (ex.: “Envie ‘ROTEIRO’ para receber datas”). Registre: alcance, visualizações, salvamentos, respostas em Stories, cliques, conversas no direct e reservas atribuídas. Mesmo quando não há reserva imediata, salvamentos e DMs são sinais fortes de intenção para hospedagem.
Entregáveis que mais ajudam a vender hospedagem (e como orientar sem engessar)
Reel 1: “Room tour com detalhes que importam”
Peça para mostrar: entrada do quarto, cama e espaço real, banheiro (chuveiro e bancada), vista/janela, itens de conforto (ar, aquecimento, blackout), tomadas, Wi-Fi, ruídos (se relevante), e um take curto do caminho até áreas comuns. O diferencial é o “detalhe honesto”: medidas aproximadas, o que cabe na mala, onde apoiar notebook, como é a iluminação à noite.
Reel 2: “24 horas no destino + hospedagem como base”
O criador monta um mini roteiro: chegada, check-in, pôr do sol, jantar (pode ser parceiro local), manhã com café, passeio leve, retorno. Esse formato contextualiza a hospedagem como parte do plano de viagem, não como um produto isolado.
Stories: “perguntas e respostas”
Combine um bloco de Q&A: o criador abre caixinha de perguntas e responde dúvidas típicas (estacionamento, pet, crianças, horários, distância de pontos). Isso gera conversas e reduz barreiras. Dica operacional: deixe uma lista de respostas factuais prontas para evitar informação incorreta.
Carrossel “salvável”: checklist do que levar e do que fazer
Mesmo em um módulo de redes sociais, vale orientar o criador a produzir um carrossel de utilidade: “O que levar para um fim de semana em [destino]”, “3 passeios fáceis saindo da pousada”, “Onde ver o pôr do sol”. Esse tipo de conteúdo costuma ser salvo e compartilhado, mantendo a hospedagem em evidência por mais tempo.
Direitos de uso, regras e segurança: o que precisa estar combinado
Termos essenciais (mesmo em permuta)
Entregáveis e prazos: quantidade, formato, data de postagem e envio dos arquivos.
Direitos de uso (UGC/whitelisting): se o hotel pode repostar, usar em anúncios, por quanto tempo e em quais canais.
Identificação de publicidade: combinar transparência quando aplicável (ex.: “parceria”, “publi”).
Exclusividade: se houver, delimitar categoria (hospedagem na mesma cidade) e período.
Políticas da casa: horários, áreas restritas, respeito a outros hóspedes, uso de drone (se permitido), captação em áreas comuns.
Cancelamentos e no-show: o que acontece se o criador desmarcar em cima da hora.
Como lidar com outros hóspedes e privacidade
Oriente o criador a evitar filmar rostos de terceiros sem consentimento, especialmente em piscina, café da manhã e recepção. Se a área comum estiver cheia, sugira horários alternativos para captação. Isso protege a experiência de quem está pagando e evita problemas de imagem.
Como transformar uma parceria pontual em máquina de conteúdo (repurpose)
Organize os ativos recebidos como biblioteca
Peça arquivos em alta (sem legendas e sem música quando possível) e organize por pastas: quartos, café, áreas comuns, destino, depoimentos. Assim, você consegue recortar trechos para Reels, anúncios, Stories e capas de destaques. Um único fim de semana bem produzido pode render semanas de publicações.
Roteiro de reaproveitamento em 10 peças
1 Reel principal (tour)
1 Reel secundário (roteiro)
3 cortes de 7 a 12 segundos (detalhes: cama, vista, café)
2 Stories “antes e depois” (check-in, café)
1 depoimento curto (prova social)
1 carrossel com fotos (ambientes)
1 post de bastidores (making of)
Como manter consistência sem “enjoar” o público
Alterne criadores e ângulos: um perfil foca em gastronomia, outro em trilhas, outro em família, outro em bem-estar. A hospedagem aparece como base, mas a narrativa muda. Isso evita repetição e amplia o alcance para diferentes nichos, sem precisar mudar a estrutura da operação.
Negociação na prática: como precificar e evitar frustrações
Como pensar em custo (mesmo em permuta)
Permuta não é “de graça”: há custo de oportunidade do quarto, custo operacional e risco de não entrega. Antes de fechar, estime o valor interno da diária e compare com o pacote de entregáveis. Se o criador entrega ativos reutilizáveis e você pode usar em anúncios, o valor tende a ser maior do que apenas um post no feed.
Estrutura simples de proposta
Monte uma proposta padrão com três opções: Básico (1 Reel + Stories), Intermediário (2 Reels + fotos + Q&A), Completo (campanha + direitos de uso + afiliado). Isso facilita a negociação e reduz idas e vindas.
Cláusulas que evitam problemas comuns
Entrega dos arquivos originais em até X dias após check-out.
Se não postar, devolução parcial do valor/diárias (ou reagendamento com multa).
Correção de informações erradas em até 24 horas após aviso.
Autorização de repost e uso por X meses (se acordado).
Exemplos práticos de campanhas com criadores locais
Exemplo 1: “Fim de semana romântico” com creator de gastronomia
Estrutura: 1 Reel mostrando quarto + jantar em parceiro local + café da manhã; Stories com bastidores e caixinha de perguntas; 10 fotos para o hotel usar em posts. Chamada para ação: “Envie ‘ROMANCE’ no direct para consultar datas”. Resultado esperado: aumento de DMs e salvamentos, além de conteúdo de mesa posta, vinho e clima noturno (difícil de produzir internamente).
Exemplo 2: “Roteiro pet friendly” com microinfluenciador da cidade
Estrutura: 1 Reel com chegada com pet, áreas permitidas, kit pet (se houver), passeio leve e café; Stories respondendo dúvidas sobre regras e taxas; cupom PET5 para rastrear. Resultado esperado: perguntas específicas (taxa, porte, áreas) e reservas mais qualificadas.
Exemplo 3: “Bate-volta premium” para público de cidade vizinha
Estrutura: creator local faz conteúdo de deslocamento (tempo de viagem), check-in rápido, piscina/SPA, almoço, pôr do sol e retorno. Entregáveis incluem clipes curtos para anúncios. Resultado esperado: reduzir objeção de distância e aumentar intenção para finais de semana.
Ferramentas e documentos prontos (modelos) para você aplicar
Modelo de mensagem de convite (DM ou e-mail)
Olá, [nome]! Acompanho seus conteúdos sobre [tema] em [região] e gostei especialmente de [referência]. Somos [hotel/pousada] em [cidade] e queremos criar uma série de conteúdos sobre [ângulo]. Temos interesse em uma parceria no formato [permuta/fee/afiliado], com estes entregáveis: [lista]. Datas possíveis: [datas]. Posso te enviar um briefing com detalhes e alinhar valores/disponibilidade?Mini-briefing (tópicos)
Objetivo da ação:
Público que queremos atingir (em uma frase):
O que mostrar (itens obrigatórios):
O que evitar (promessas e áreas):
Marcações, localização e hashtags:
CTA combinado (cupom, link, palavra-chave no direct):
Prazos de postagem e envio de arquivos:
Direitos de uso e período:
Checklist de recebimento dos arquivos
Reels em MP4 (1080x1920), sem marca d’água
Fotos em alta (preferência por JPEG/RAW)
Clipes B-roll sem música
Texto das legendas e hashtags usadas
Prints de métricas após 7 dias (alcance, plays, salvamentos, respostas)