Rede básica para CFTV IP: IP, máscara, gateway, DNS e DHCP na prática

Capítulo 7

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Por que rede “básica” é indispensável no CFTV IP

Em CFTV IP, câmera e NVR (ou VMS/servidor) são dispositivos de rede. Se o endereçamento estiver errado (IP, máscara, gateway, DNS) ou se houver conflitos, o sintoma costuma ser “câmera offline”, travamentos, dificuldade de acesso remoto e falhas de descoberta automática. A boa prática é tratar o CFTV como uma pequena rede planejada: definir uma faixa de IP, padronizar, documentar e validar conectividade.

IPv4 na prática: IP, máscara e rede

IP (endereço do dispositivo)

O IPv4 é um número como 192.168.1.50. Em uma rede local, cada dispositivo precisa de um IP único. Se dois dispositivos usam o mesmo IP, ocorre conflito: ora você acessa um, ora outro, ou nenhum funciona direito.

Máscara (qual parte é “rede” e qual parte é “host”)

A máscara define o “tamanho” da rede. A mais comum em redes pequenas é 255.255.255.0 (também escrita como /24). Com /24, a rede é 192.168.1.0 e os hosts vão de 192.168.1.1 a 192.168.1.254 (em geral evita-se usar .0 e .255).

Exemplo: se a câmera está em 192.168.1.50 com máscara 255.255.255.0, ela “enxerga” como rede local tudo que for 192.168.1.X. Se o NVR estiver em 192.168.2.10 com a mesma máscara, eles ficam em redes diferentes e não se comunicam diretamente sem roteamento.

Checklist rápido de compatibilidade local

  • Mesma rede: IPs com o mesmo prefixo conforme a máscara (ex.: ambos 192.168.1.X em /24).
  • Máscara igual (na prática, padronize).
  • IP único para cada dispositivo.

Gateway: quando ele é necessário

O gateway (normalmente o roteador) é o “caminho” para sair da rede local e alcançar outras redes (por exemplo, a internet ou outra sub-rede). Em muitos cenários, o CFTV funciona localmente sem gateway (NVR e câmeras na mesma rede). Mas o gateway é necessário quando:

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  • Você quer acessar as câmeras/NVR a partir de outra rede (ex.: escritório, VPN, acesso remoto).
  • As câmeras precisam acessar serviços fora da rede local (NTP para horário, DNS, e-mail, cloud, etc.).

Exemplo típico: rede 192.168.10.0/24, roteador 192.168.10.1. Então gateway das câmeras e do NVR: 192.168.10.1.

DNS: por que ele aparece nas configurações

DNS é o serviço que traduz nomes (ex.: pool.ntp.org) para IP. Em CFTV, DNS é usado quando o dispositivo precisa acessar algo por nome: servidor NTP, e-mail SMTP por hostname, DDNS, integrações, etc. Se você só acessa por IP dentro da rede local, DNS pode não ser crítico, mas é recomendável configurar corretamente.

Configuração comum: usar o roteador como DNS (192.168.10.1) ou DNS públicos (ex.: 1.1.1.1, 8.8.8.8) quando houver saída para internet.

DHCP vs IP fixo: o que usar em câmeras e NVR

DHCP (automático)

DHCP entrega automaticamente IP, máscara, gateway e DNS. É ótimo para notebooks e celulares, mas em CFTV pode causar problemas se o IP mudar e o NVR estiver apontando para o endereço antigo.

IP fixo (manual)

Você define o IP no próprio dispositivo. É previsível e facilita manutenção. Em CFTV, é a prática mais comum para câmeras e NVR.

Reserva DHCP (o “meio termo” recomendado)

Você deixa o dispositivo em DHCP, mas no roteador/servidor DHCP você “amarra” o IP ao MAC Address da câmera/NVR. Assim, o IP não muda, e você centraliza o controle no DHCP.

OpçãoVantagensRiscos/atenção
DHCP puroRápido para instalarIP pode mudar e derrubar gravação/visualização
IP fixo manualPrevisível, independente do roteadorExige planejamento para evitar conflitos
Reserva DHCPIP fixo com gestão centralDepende do DHCP estar sempre ativo e bem configurado

Planejando uma faixa de IP para CFTV (exemplo prático)

Objetivo: separar mentalmente (e, quando possível, tecnicamente) os endereços do CFTV para facilitar suporte e evitar conflitos.

Passo 1: descubra a rede existente

No roteador ou em um PC da rede, identifique:

  • IP do roteador (gateway), ex.: 192.168.10.1
  • Máscara, ex.: 255.255.255.0
  • Faixa DHCP atual, ex.: 192.168.10.100 a 192.168.10.199

Passo 2: escolha uma faixa exclusiva para CFTV

Evite colocar câmeras dentro da faixa DHCP dinâmica, a menos que você use reservas. Exemplo de plano:

  • Rede: 192.168.10.0/24
  • Gateway/DNS: 192.168.10.1
  • DHCP para usuários: 192.168.10.100–199
  • CFTV (IPs fixos): 192.168.10.10–79
  • Infra (switch gerenciável/AP): 192.168.10.2–9

Passo 3: defina padrão de numeração

Um padrão reduz erros. Exemplo:

  • NVR: 192.168.10.10
  • Câmeras: 192.168.10.20 em diante (cam01 = .20, cam02 = .21, ...)
  • Se houver segundo NVR: 192.168.10.11

Passo 4: documente

Mantenha uma tabela simples (papel, planilha ou etiqueta no rack): número da câmera, local, IP, usuário, porta HTTP/serviço, data de instalação.

DispositivoLocalIPMáscaraGatewayObservações
NVRRack192.168.10.10255.255.255.0192.168.10.1Porta web conforme config
Cam01Entrada192.168.10.20255.255.255.0192.168.10.1PoE switch porta 1
Cam02Caixa192.168.10.21255.255.255.0192.168.10.1PoE switch porta 2

Como evitar conflitos de IP (e como identificar quando acontece)

Boas práticas para evitar

  • Não use IP fixo dentro da faixa DHCP dinâmica (a menos que seja reserva DHCP).
  • Padronize e documente antes de configurar.
  • Ao adicionar uma câmera nova, verifique se o IP escolhido não está em uso.

Sinais comuns de conflito

  • Câmera aparece e some no NVR.
  • Você acessa um IP e às vezes abre outra câmera.
  • Ping alterna respostas com tempos/TTL diferentes.

Verificação rápida antes de atribuir um IP

Em um PC na mesma rede, teste se o IP pretendido responde:

ping 192.168.10.25

Se responder, o IP já está em uso (ou há algum dispositivo respondendo). Se não responder, ainda pode estar em uso (firewall/ICMP bloqueado), então complemente com ARP após tentar contato.

Validação de conectividade: ping, ARP e “teste de porta” (conceitual)

1) Ping (ICMP)

O ping verifica se há conectividade IP básica entre seu PC e a câmera/NVR. Se o ping falha:

  • Confirme cabo/PoE/link no switch.
  • Confirme IP/máscara do PC e do dispositivo (mesma rede).
  • Alguns dispositivos podem bloquear ICMP; nesse caso, use acesso via navegador/app ou teste de porta.

2) Tabela ARP (quem está respondendo naquele IP)

ARP relaciona IP com MAC na rede local. Útil para identificar conflitos e confirmar que você está falando com o equipamento esperado.

No Windows (exemplo):

arp -a

No Linux/macOS (exemplo):

ip neigh

Você procura o IP da câmera e verifica o MAC. Se o MAC “muda” ao longo do tempo para o mesmo IP, há forte indício de conflito.

3) Teste de porta (conceito)

Mesmo com ping OK, o serviço pode estar indisponível (porta bloqueada, serviço travado, porta alterada). Em CFTV, portas comuns incluem interface web (HTTP/HTTPS), RTSP e portas proprietárias do fabricante. O importante é entender o conceito:

  • Ping testa “chegar no dispositivo”.
  • Teste de porta testa “chegar no serviço” (ex.: web/RTSP).

Ferramentas típicas (exemplos): telnet IP PORTA, nc -vz IP PORTA, ou scanners de porta em ambiente controlado. Se a porta não responde, revise configuração do serviço, firewall do dispositivo, e se o NVR está apontando para a porta correta.

Passo a passo: configuração típica de rede em câmera IP (genérico)

Pré-requisitos

  • Você sabe a rede local (ex.: 192.168.10.0/24) e o gateway (192.168.10.1).
  • Você escolheu um IP livre para a câmera (ex.: 192.168.10.20).

Passo 1: acessar a câmera para configuração inicial

  • Conecte a câmera ao switch PoE (ou injete PoE) e conecte um PC na mesma rede.
  • Se a câmera vier em DHCP, descubra o IP no roteador (lista de clientes DHCP) ou por ferramenta de descoberta do próprio fabricante (quando existir).
  • Se a câmera vier com IP padrão fixo (comum em alguns modelos), ajuste temporariamente o IP do seu PC para a mesma faixa e acesse via navegador.

Passo 2: definir IP, máscara, gateway e DNS

No menu de rede da câmera:

  • Desative DHCP (se for usar IP fixo) ou mantenha DHCP (se for usar reserva).
  • Configure IP: 192.168.10.20
  • Configure Máscara: 255.255.255.0
  • Configure Gateway: 192.168.10.1
  • Configure DNS: 192.168.10.1 (ou DNS público, se aplicável)

Após salvar, você pode precisar reconectar usando o novo IP.

Passo 3: validar

  • Ping no novo IP.
  • Acesso via navegador (se disponível) e verificação de data/hora (se usar NTP, DNS/gateway importam).

Passo a passo: configuração típica de rede em NVR (genérico)

Passo 1: definir IP do NVR

Escolha um IP fixo para o NVR (ex.: 192.168.10.10) e configure:

  • IP: 192.168.10.10
  • Máscara: 255.255.255.0
  • Gateway: 192.168.10.1
  • DNS: 192.168.10.1

Valide acesso ao NVR pela rede (web/app/cliente) usando esse IP.

Passo 2: adicionar câmeras por IP (modo mais previsível)

No menu de câmeras do NVR:

  • Escolha “Adicionar manual” (ou equivalente).
  • Informe IP da câmera (ex.: 192.168.10.20).
  • Informe usuário e senha da câmera.
  • Selecione protocolo (ex.: ONVIF ou nativo) conforme compatibilidade.
  • Confirme porta do serviço (quando aplicável) e teste conexão.

Passo 3: checar status e corrigir problemas comuns

  • Offline: verifique IP/máscara/gateway, credenciais, porta, e se a câmera está na mesma rede do NVR.
  • Conecta mas não mostra vídeo: pode ser porta/stream incorreto, perfil ONVIF, ou bloqueio de serviço; valide acesso direto ao stream/serviço conforme recursos do equipamento.

DHCP com reserva: passo a passo (roteador/servidor DHCP genérico)

Quando você quer IP fixo sem configurar manualmente em cada câmera, use reserva DHCP.

Passo 1: obtenha o MAC Address

  • No rótulo da câmera, no menu de rede, ou na tabela de clientes DHCP do roteador.

Passo 2: crie a reserva

  • No servidor DHCP, crie uma reserva vinculando MACIP desejado (ex.: MAC da Cam01 → 192.168.10.20).
  • Garanta que o IP reservado esteja fora do pool dinâmico ou que o DHCP trate reservas corretamente.

Passo 3: renove o lease

  • Reinicie a câmera ou use a opção de “renovar DHCP” (se existir).
  • Confirme que ela recebeu o IP reservado.

Cenário comum: NVR com portas PoE dedicadas (duas redes)

Alguns NVRs têm um switch PoE embutido e criam uma rede interna para as câmeras (por exemplo, 10.1.1.0/24), separada da rede do cliente (por exemplo, 192.168.10.0/24). Nesse caso:

  • A porta LAN do NVR fica na rede do cliente (para acesso ao NVR).
  • As câmeras ficam na rede PoE interna do NVR.
  • Você adiciona as câmeras no NVR pela rede interna, e acessa tudo “de fora” pelo IP LAN do NVR.

Cuidados práticos:

  • Não tente colocar as câmeras PoE internas na mesma faixa da rede do cliente sem entender o modo de operação do NVR.
  • Para acessar uma câmera diretamente a partir da rede do cliente, pode ser necessário habilitar roteamento/virtual host/portas específicas (depende do NVR). O caminho mais simples é gerenciar as câmeras pelo próprio NVR.

Checklist de instalação (rede) para CFTV IP

  • Definir rede e máscara (ex.: 192.168.10.0/24).
  • Definir gateway e DNS (ex.: 192.168.10.1).
  • Escolher estratégia: IP fixo manual ou reserva DHCP.
  • Planejar faixa de IP do CFTV fora do pool DHCP dinâmico.
  • Configurar NVR com IP fixo.
  • Configurar cada câmera e documentar.
  • Validar: ping, ARP (quando necessário), acesso ao serviço (web/RTSP/porta conforme uso).

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao usar DHCP em câmeras IP, qual prática ajuda a evitar que o IP mude e cause falhas de visualização/gravação no NVR, mantendo a gestão central no roteador/servidor?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A reserva DHCP “amarra” um IP ao MAC da câmera, mantendo o dispositivo em DHCP, mas evitando mudanças de IP que podem derrubar a conexão com o NVR.

Próximo capitúlo

Switches para CFTV IP: portas, throughput, backplane e boas escolhas

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