O que torna uma conclusão eficiente
A conclusão é a parte do texto que fecha o sentido do que foi desenvolvido e entrega o objetivo prometido ao leitor. Ela não é um “parágrafo extra”: é um fechamento alinhado ao tipo de texto e ao efeito desejado (convencer, orientar, analisar, relatar, propor).
Uma conclusão eficiente costuma cumprir três funções, em proporções diferentes conforme o gênero:
- Amarrar: sintetizar o raciocínio e mostrar a lógica do caminho percorrido.
- Reafirmar: retomar a tese/posição (quando houver) com linguagem renovada.
- Encaminhar: indicar desdobramentos (recomendação, proposta, decisão, reflexão) sem abrir um novo debate.
O que a conclusão não deve fazer
- Introduzir argumento novo: se a ideia não foi preparada no desenvolvimento, ela soa “jogada” e enfraquece a credibilidade.
- Copiar frases anteriores: repetir literalmente a tese ou trechos do desenvolvimento passa sensação de falta de elaboração.
- Ser genérica: “Portanto, é muito importante…” sem especificar o quê, por quê e em que condições não fecha o texto.
- Apelar a clichês: “Em suma”, “Conclui-se que”, “Desde os primórdios”, “O mundo de hoje” podem aparecer, mas não podem substituir conteúdo.
Modelos de conclusão conforme o tipo de texto
1) Síntese do raciocínio (fechamento por amarração)
Indicado para textos explicativos e analíticos. O foco é reunir as partes e mostrar a relação entre elas.
Estrutura sugerida (2–4 frases):
- Retome os 2–3 pontos centrais do desenvolvimento (em novas palavras).
- Mostre a relação entre eles (causa/efeito, comparação, condição, consequência).
- Feche com a ideia-mãe do texto (o “resultado” do raciocínio).
Exemplo (tema: trabalho remoto e produtividade):
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Ao considerar a autonomia na gestão do tempo, a redução de deslocamentos e a necessidade de rotinas claras, fica evidente que o trabalho remoto tende a aumentar a produtividade quando há metas bem definidas e comunicação estruturada. Sem esses elementos, a flexibilidade vira dispersão e o ganho se perde.
2) Reafirmação da tese (fechamento persuasivo)
Indicado para textos argumentativos. O objetivo é reafirmar a posição à luz do que foi demonstrado, sem repetir a tese do início.
Estrutura sugerida:
- Reformule a tese com sinônimos e mudança de ordem (não copie).
- Recupere rapidamente a “prova” principal (o argumento mais forte ou a combinação de dois).
- Finalize com o efeito desejado: adesão do leitor, mudança de perspectiva ou decisão.
Exemplo (tema: uso de celular em sala):
Restringir o celular durante atividades de aprendizagem não é um retrocesso, mas uma medida de foco. Quando a atenção é protegida e o uso é direcionado para tarefas específicas, o aparelho deixa de competir com a aula e passa a servir ao conteúdo.
3) Encaminhamento (fechamento com próximos passos)
Indicado para textos que buscam orientar, propor ou resolver um problema. Aqui, a conclusão aponta o que fazer a partir do que foi discutido.
Estrutura sugerida:
- Retome o problema em uma frase (sem dramatizar).
- Apresente 1–3 encaminhamentos coerentes com os argumentos já apresentados.
- Indique critério de aplicação (quando, para quem, com que prioridade).
Exemplo (tema: organização financeira pessoal):
Para reduzir o endividamento, o primeiro passo é mapear gastos fixos e variáveis e definir um teto semanal para despesas flexíveis. Em seguida, vale automatizar o pagamento de contas essenciais e reservar uma parcela para emergências. Com esse tripé, o controle deixa de depender de força de vontade e passa a ser rotina.
4) Recomendação (fechamento orientado por critérios)
Indicado para resenhas, análises comparativas e textos de orientação. A recomendação funciona melhor quando vem acompanhada de condições (para quem serve, em que cenário, com que ressalvas).
Estrutura sugerida:
- Recomende (ou não) de forma direta.
- Justifique com 2 critérios já discutidos (ex.: custo-benefício, impacto, viabilidade).
- Inclua uma ressalva honesta (limite, exceção, cuidado).
Exemplo (tema: leitura digital vs. impressa):
Para quem precisa estudar em deslocamentos e consultar trechos rapidamente, a leitura digital é a opção mais prática, sobretudo pela busca e pela portabilidade. Já em leituras longas e densas, o impresso tende a favorecer a concentração. A melhor escolha, portanto, depende do objetivo: agilidade e consulta, no digital; imersão, no papel.
5) Fechamento reflexivo sem clichês (fechamento interpretativo)
Indicado para crônicas, artigos de opinião mais literários e textos que buscam provocar reflexão. O cuidado aqui é não cair em frases vazias (“fica a reflexão”). O fechamento reflexivo funciona quando condensa o sentido do texto em uma imagem, contraste ou pergunta genuína.
Estrutura sugerida:
- Retome o núcleo do texto por contraste (o que parece vs. o que é).
- Feche com uma frase de síntese interpretativa ou uma pergunta que não abra um novo tema, apenas aprofunde o mesmo.
Exemplo (tema: pressa cotidiana):
Corremos para ganhar tempo e, no caminho, perdemos a experiência do que deveria valer a pena. Talvez a pergunta não seja “como fazer mais”, mas “o que não merece mais ser feito”.
Como retomar pontos-chave sem copiar frases anteriores
Retomar não é repetir: é reapresentar a mesma ideia com outra forma e com a vantagem de agora ter o desenvolvimento como base. Use estas técnicas:
Técnica 1: paráfrase com mudança de foco
Antes (no desenvolvimento): “A falta de sono reduz a atenção e aumenta erros.”
Na conclusão (retomada): “Quando o descanso é negligenciado, a atenção cai e a chance de falhas cresce.”
Técnica 2: compressão (resumo em uma frase)
Escolha 2–3 pontos e transforme em uma frase com estrutura paralela.
Exemplo: “Com metas claras, rotina viável e acompanhamento constante, o plano deixa de ser intenção e vira execução.”
Técnica 3: síntese por relação lógica
Em vez de listar, mostre a relação entre os pontos.
Exemplo: “Não é a ferramenta que garante o resultado; é o método que faz a ferramenta funcionar.”
Técnica 4: retomada por palavras-chave (sem copiar períodos)
Reaproveite termos do texto (conceitos centrais), mas construa frases novas.
- Palavras-chave: “autonomia”, “metas”, “comunicação”.
- Conclusão: “Autonomia só vira ganho quando metas e comunicação sustentam a rotina.”
Como evitar introduzir argumentos novos no fim
Use este checklist rápido antes de finalizar:
- Teste da pergunta: “Eu expliquei isso antes?” Se a resposta for “não”, corte ou leve para o desenvolvimento.
- Teste da prova: “Eu dei exemplo, dado, comparação ou justificativa para essa afirmação?” Se não, ela está nua.
- Teste do leitor: “Isso muda o rumo do texto?” Se abre uma nova discussão, não é conclusão.
Uma forma prática de corrigir é transformar o “argumento novo” em encaminhamento (próximo passo) ou em ressalva (limite do que foi defendido), desde que não exija demonstração adicional.
Passo a passo prático para escrever a conclusão
Passo 1: defina o papel da sua conclusão
Escolha um modelo principal: síntese, reafirmação, encaminhamento, recomendação ou reflexivo. Evite misturar todos; no máximo, combine síntese + encaminhamento ou reafirmação + recomendação.
Passo 2: liste os 3 elementos que não podem faltar
- Ponto A (argumento/ideia 1 do desenvolvimento)
- Ponto B (argumento/ideia 2 do desenvolvimento)
- Resultado (o que esses pontos provam/explicam juntos)
Passo 3: escreva uma versão “crua” em 4 frases
- Frase 1: retoma o tema recortado.
- Frase 2: retoma Ponto A + Ponto B (sem detalhes).
- Frase 3: explicita o resultado (síntese/tese reformulada).
- Frase 4: encaminhamento/recomendação/reflexão (conforme o objetivo).
Passo 4: revise com três cortes
- Corte 1 (repetição): apague trechos que copiam frases anteriores e reescreva com outra estrutura.
- Corte 2 (novidade): elimine qualquer ideia que exija explicação nova.
- Corte 3 (vazio): substitua palavras genéricas (“importante”, “melhor”, “ruim”) por critérios (“mais eficaz porque…”, “problemático quando…”).
Passo 5: ajuste o tamanho
Como regra prática:
- Textos curtos: conclusão de 2–4 frases.
- Textos médios: 1 parágrafo.
- Textos longos: 1–2 parágrafos, evitando recontar tudo.
Reescritas: de conclusões fracas para conclusões específicas
Caso 1: conclusão genérica (“é importante”)
Fraca: “Portanto, é muito importante cuidar do meio ambiente, pois isso afeta a todos.”
Problemas: genérica, sem síntese do que foi discutido, sem critério, sem encaminhamento.
Reescrita (síntese + encaminhamento): “Como a redução de resíduos depende tanto de hábitos domésticos quanto de coleta eficiente, o impacto ambiental diminui quando consumo e descarte são tratados como parte do mesmo processo. Por isso, separar recicláveis e reduzir descartáveis são medidas imediatas, mas só funcionam de forma consistente quando acompanhadas por logística de coleta e fiscalização.”
Caso 2: conclusão que repete a introdução
Fraca: “Conclui-se que a leitura é fundamental para o desenvolvimento das pessoas.”
Problemas: repetição, ausência de amarração, clichê.
Reescrita (reafirmação com critérios): “A leitura não contribui apenas por ‘aumentar conhecimento’, mas por treinar interpretação, ampliar repertório e melhorar a tomada de decisão. Quando vira rotina — ainda que em poucos minutos diários — ela deixa de ser um ideal abstrato e passa a produzir ganhos concretos na forma de pensar e argumentar.”
Caso 3: conclusão com argumento novo
Fraca: “Assim, a escola deve investir em tecnologia e também em aulas de programação, pois o futuro será digital.”
Problemas: “aulas de programação” pode não ter sido discutido; “futuro será digital” é vago.
Reescrita (encaminhamento coerente com o que já foi discutido): “Diante dos benefícios e limites apresentados, o investimento em tecnologia escolar precisa priorizar uso pedagógico: formação docente, regras de uso e infraestrutura mínima de acesso. Sem esses três pontos, a presença de equipamentos tende a aumentar distrações e desigualdades em vez de melhorar a aprendizagem.”
Caso 4: fechamento moralista e vazio
Fraca: “No final, basta cada um fazer sua parte para termos um mundo melhor.”
Problemas: moralismo, falta de especificidade, não fecha o raciocínio.
Reescrita (fechamento reflexivo sem clichê): “A mudança não depende de gestos heroicos, mas de escolhas repetidas que parecem pequenas justamente por serem diárias. O que decide o resultado, no fim, é o que vira hábito — e o que continuamos adiando.”
Modelos prontos (para adaptar) sem soar mecânico
| Objetivo do texto | Molde de conclusão |
|---|---|
| Sintetizar análise | Ao considerar [ponto 1] e [ponto 2], percebe-se que [resultado]. Assim, [síntese final do sentido]. |
| Defender tese | Mais do que [visão comum], trata-se de [tese reformulada]. Isso se sustenta porque [argumento-chave] e porque [argumento-chave 2]. |
| Orientar ação | Para lidar com [problema], o caminho mais viável é [ação 1] e [ação 2], com prioridade para [critério]. Dessa forma, [benefício esperado]. |
| Recomendar com ressalva | [Recomendo/não recomendo] [opção] para [perfil], sobretudo por [critério 1] e [critério 2]. Ainda assim, [ressalva/limite]. |
| Fechar com reflexão | No fundo, [contraste/virada]. Talvez a questão seja [pergunta de aprofundamento] — e não [pergunta superficial]. |