Prumo, nível e alinhamento de planos em estruturas metálicas leves

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Conceito: alinhamento em 3D (plano, prumo e nível)

Em estruturas metálicas leves, “estar alinhado” não significa apenas estar em esquadro no plano da bancada. O alinhamento completo é tridimensional e envolve três verificações complementares:

  • Nível: garante que uma barra/superfície esteja horizontal (referência da gravidade).
  • Prumo: garante que um elemento esteja vertical (linha da gravidade).
  • Alinhamento de plano: garante que os pontos do quadro estejam no mesmo plano (sem torção/empeno helicoidal).

Uma peça pode estar com diagonais corretas e ainda assim apresentar torção (um canto “levantado”), o que causa problemas na instalação: portão que raspa, grade que não encosta no batente, módulo que não casa com outro.

Ferramentas e referências de campo

Nível de bolha

É a referência mais comum para horizontalidade e verticalidade (quando o nível tem bolha para prumo). Use em superfícies retas e limpas, evitando apoiar em cordões de solda altos, respingos ou rebarbas que criem “calços” falsos.

Nível digital (quando disponível)

Permite ler ângulos e inclinações com mais precisão e repetibilidade. É útil para:

  • Comparar dois montantes (ex.: lado esquerdo e direito de um portão) e garantir que tenham o mesmo ângulo.
  • Registrar um valor de referência (ex.: 0,0° no travessão superior) e replicar em módulos iguais.

Dica prática: se o nível digital tiver função de zerar, você pode “zerar” em uma referência confiável (ex.: uma mesa nivelada ou uma régua reta apoiada em calços iguais) e depois medir desvios relativos.

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Prumo de centro

O prumo de centro (peso com ponta) cria uma linha vertical precisa. É especialmente útil na instalação, onde a bancada não existe e a referência é o vão (pilares, batentes, parede).

Aplicações típicas:

  • Marcar o ponto vertical de um eixo de dobradiça no piso a partir do topo.
  • Transferir alinhamento de um ponto alto para um ponto baixo sem depender de trena “no ar”.

Linhas esticadas (linha de pedreiro/nylon)

Uma linha esticada cria uma referência reta longa, ideal para verificar alinhamento de bordas e faces ao longo de grandes vãos. Funciona bem para:

  • Checar se uma longarina está “barrigada” (arqueada) para fora ou para dentro.
  • Alinhar vários pontos (ex.: suportes, chapas de fixação, travessas) na mesma reta.

Cuidados: mantenha a linha bem tensionada, evite encostar na peça (use espaçadores) e controle o ponto de amarração para não “puxar” a referência para fora do eixo.

Esquadro na bancada x prumo na instalação (exemplo do portão no vão)

Esquadro na bancada é a condição de ângulos corretos no plano de montagem. Já o prumo na instalação é a condição de verticalidade e alinhamento com o vão real (pilares, piso e travessas existentes), que pode ter desvios.

O que muda na prática

  • Na bancada, você controla o plano de apoio e consegue “forçar” a peça a encostar toda. No vão, a peça se comporta conforme a gravidade e conforme os pontos de fixação.
  • Um portão pode sair perfeito na bancada e, ao instalar, ficar “caindo” para um lado se o pilar estiver fora de prumo ou se as dobradiças estiverem em eixos diferentes.
  • O alinhamento final depende do conjunto: peça + ferragens + referência do vão.

Passo a passo: conferência de prumo e eixo de dobradiças no vão

  1. Escolha a referência: defina qual elemento é “fixo” (pilar/batente) e qual é “ajustável” (portão).
  2. Verifique o prumo do pilar/batente com nível de bolha (vertical) ou prumo de centro. Se estiver fora, registre o sentido e o valor aproximado do desvio (ex.: “topo 6 mm para dentro”).
  3. Marque o eixo: pendure o prumo de centro a partir do ponto superior onde ficará o eixo da dobradiça. Marque no piso o ponto projetado.
  4. Repita no ponto inferior (ou no local da segunda dobradiça): o eixo inferior deve coincidir com a projeção do superior. Se não coincidir, as dobradiças ficarão desalinhadas e o portão vai “travar” ou forçar.
  5. Use linha esticada entre as marcações (topo e base, ou entre dois pontos de referência) para visualizar o eixo ao longo da altura.
  6. Simule a folga: com calços, simule a folga inferior e lateral desejada e confira se o portão permanece em prumo quando apoiado/posicionado.

Observação: quando o vão está fora de prumo, você decide se corrige no suporte/ferragem (ex.: chapas de ajuste) ou se “acompanha” o vão. O importante é não confundir “portão em prumo” com “portão paralelo ao pilar torto”.

Como garantir alinhamento de planos e detectar torção (empeno helicoidal)

Torção é quando o quadro não está no mesmo plano: dois cantos opostos encostam e os outros dois “sobram” (ou o inverso). Isso pode acontecer por:

  • Ponteamento com tensões desiguais.
  • Sequência de solda que puxa um lado.
  • Material com tensão interna ou variação de espessura.

Método prático: apoio em pontos definidos e checagem de folgas

O objetivo é transformar a verificação em algo repetível. Em vez de “apoiar de qualquer jeito”, você define pontos e mede folgas.

  1. Escolha uma superfície de referência o mais plana possível (bancada, mesa, cavaletes nivelados). Remova respingos e sujeira que criem apoio falso.
  2. Defina 3 pontos de apoio (triângulo de apoio): por exemplo, canto A, canto B e canto C. Três pontos sempre definem um plano estável.
  3. Encoste a peça nesses 3 pontos sem forçar. O quarto canto (D) é o “indicador” de torção.
  4. Meça a folga no quarto canto com lâmina calibrada, régua fina ou calço conhecido. Registre o valor (ex.: “D com 3 mm de folga”).
  5. Inverta o triângulo: apoie agora em A, B e D e observe a folga em C. Repita até ter uma leitura consistente.
  6. Cheque também no meio: em quadros grandes, além dos cantos, verifique pontos médios de longarinas e travessas, pois pode haver “banana” local.

Interpretação rápida:

  • Folga pequena e repetível: leve torção, geralmente corrigível com ajuste de ponteamento/seqüência de solda.
  • Folga grande ou variável: apoio falso (rebarba/respingo), bancada irregular ou deformação significativa.

Verificação com linha esticada para detectar “barriga” e desalinhamento

  1. Estique a linha paralela a uma longarina, usando dois pontos de referência nas extremidades.
  2. Use espaçadores iguais (ex.: duas chapinhas da mesma espessura) para manter a linha a uma distância constante da peça nas pontas.
  3. Compare o vão no meio: se a distância no meio for maior, a barra está “para dentro”; se for menor (encostando), está “para fora”.

Passo a passo: alinhamento 3D antes de solda completa

Use este procedimento quando a peça já está montada e ponteada, mas ainda permite correções.

1) Nível (horizontalidade) e referência de montagem

  1. Posicione a peça na bancada/cavaletes de forma estável.
  2. Verifique o nível em uma travessa principal (ou na base do quadro). Se necessário, use calços para nivelar a referência, não para “enganar” a peça.
  3. Reconfira em outro ponto (ex.: travessa oposta) para garantir que não está nivelando apenas uma região.

2) Prumo (verticalidade) em elementos que trabalharão em pé

  1. Coloque a peça na posição de trabalho (em pé, se for portão/grade que será instalada verticalmente) ou simule com escoras.
  2. Use nível de bolha nos montantes e registre se ambos apresentam o mesmo comportamento.
  3. Se houver nível digital, compare ângulos entre montantes e travessas para detectar “abertura” ou “fechamento” fora do esperado.

3) Plano (torção) pelo método dos 3 pontos

  1. Apoie em 3 pontos e meça a folga no 4º canto.
  2. Repita invertendo o apoio para confirmar a leitura.
  3. Se houver torção, corrija antes da solda completa: alivie ponteamentos onde está “puxando”, reponha calços e reponteie com a peça assentada no plano correto.

4) Alinhamento longitudinal com linha esticada

  1. Estique a linha ao longo da face que precisa ficar reta (ex.: lado de fechamento do portão).
  2. Meça o afastamento em pelo menos três pontos (ponta, meio, ponta) e ajuste se houver barriga.

Roteiro de checagens (checklist) antes de liberar para solda completa ou montagem em módulos

ItemComo checarO que procurarAção se falhar
Nível da referênciaNível de bolha/digital na base/travessa principalMesma leitura em pontos diferentesRecalçar a referência e reposicionar
Prumo de montantes (quando aplicável)Nível vertical ou prumo de centroMontantes com prumo consistente entre siAjustar ponteamento/escoras antes de soldar
Plano (torção)Apoio em 3 pontos + medição de folga no 4ºFolga dentro da tolerância do projeto/usoAliviar ponteamentos, repontear assentado
Reta de borda longaLinha esticada com espaçadores iguaisSem barriga/arqueamento perceptívelReposicionar travessas/reforços e repontear
Compatibilidade de módulosComparar ângulos/níveis entre módulos (nível digital ajuda)Módulos “casam” sem forçarAjustar antes de solda final para evitar retrabalho
Folgas funcionais (instalação)Calços simulando folgas no vãoFolga uniforme e sem interferênciaCorrigir empeno/posição de suportes

Sequência recomendada de liberação

  1. Primeiro: plano (torção) e reta de bordas longas.
  2. Depois: nível/prumo conforme a posição real de trabalho da peça.
  3. Por último: checagens de compatibilidade de módulos e folgas funcionais (simulação no vão ou gabarito de instalação).

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Uma estrutura metálica leve pode estar com as diagonais corretas e ainda apresentar problemas na instalação. Qual verificação complementa o esquadro no plano para detectar torção (empeno helicoidal) e garantir alinhamento tridimensional?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Diagonais corretas não garantem ausência de torção. O alinhamento tridimensional exige verificar o plano, confirmando se o quadro assenta no mesmo plano; o método dos 3 pontos com medição da folga no 4º canto evidencia o empeno.

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Fixação e posicionamento com sargentos, grampos e apoios durante a montagem metálica

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