O que a banca espera na discursiva da PRF
A prova discursiva na PRF costuma avaliar sua capacidade de responder a um comando com clareza, organização e correção linguística, demonstrando domínio conceitual e argumentação consistente. Em geral, a correção segue critérios que medem: (1) atendimento ao tema e ao comando, (2) organização e progressão das ideias, (3) coesão e coerência, (4) objetividade e precisão, (5) norma-padrão, (6) argumentação e repertório pertinente, (7) domínio conceitual do assunto proposto.
Na prática, isso significa que não basta “saber o conteúdo”: você precisa transformar conhecimento em texto funcional, com estrutura previsível, frases bem conectadas e escolhas linguísticas seguras. A discursiva é uma prova de execução: quem segue método reduz erros e ganha consistência.
Estrutura mais segura: introdução, desenvolvimento e fechamento
1) Introdução (tese + recorte do tema)
A introdução deve cumprir duas tarefas: apresentar o tema com recorte (o que exatamente você vai tratar) e declarar uma tese (seu posicionamento ou ideia central). Em comandos expositivos, a “tese” pode ser uma ideia-síntese do que será explicado; em comandos argumentativos, a tese é uma posição defendida.
- Recorte: delimite o assunto para não “espalhar” o texto.
- Tese: uma frase que responda ao núcleo do comando.
- Roteiro: antecipe 2 eixos (argumentos/tópicos) que serão desenvolvidos.
2) Desenvolvimento (2 parágrafos com argumentos e explicação)
O desenvolvimento é onde a nota se consolida. Cada parágrafo deve ter uma ideia central (tópico frasal) e, em seguida, explicação, justificativa e consequência prática. Evite listas soltas: transforme itens em raciocínio encadeado.
- Parágrafo 1: argumento/tópico A + explicação + exemplo/implicação.
- Parágrafo 2: argumento/tópico B + explicação + exemplo/implicação.
3) Fechamento (síntese + resposta ao comando)
O fechamento não é “moral da história”. Ele deve retomar a tese, sintetizar os argumentos e entregar a resposta final ao comando. Se o comando pedir proposta/medidas, o fechamento pode trazer encaminhamentos objetivos (sem inventar dados).
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Critérios de correção: como transformar em checklist de escrita
Atendimento ao tema e ao comando
É o critério mais perigoso: errar aqui derruba a nota rapidamente. Leia o comando e sublinhe: (a) tema, (b) tarefa (explicar, analisar, comparar, propor), (c) recorte (contexto, público-alvo, período, enfoque), (d) itens obrigatórios (se houver).
Técnica prática (30 segundos antes de escrever): reescreva o comando em uma frase-resposta. Essa frase vira sua tese.
Organização e progressão
Organização é o “mapa” do texto: introdução com tese, desenvolvimento com parágrafos completos e fechamento. Progressão é a sequência lógica: cada parágrafo deve acrescentar algo novo, sem repetir a mesma ideia com palavras diferentes.
Coesão e coerência
Coesão é o uso de conectivos e referências (pronomes, elipses) para ligar frases e parágrafos. Coerência é a lógica interna: não contradizer o que você mesmo afirmou e não “pular” etapas do raciocínio.
- Conectivos úteis: “além disso”, “por outro lado”, “nesse sentido”, “portanto”, “assim”, “logo”, “desse modo”, “em síntese”.
- Evite: excesso de “e”, “aí”, “tipo”, “daí”, e conectivos usados sem relação lógica.
Objetividade e precisão
Objetividade não é escrever pouco: é escrever apenas o que serve ao comando. Prefira frases diretas, com sujeito e verbo claros. Corte rodeios (“vale ressaltar que”, “diante do exposto”, “é de suma importância”) quando não acrescentarem conteúdo.
Norma-padrão
A correção gramatical envolve concordância, regência, pontuação, ortografia e acentuação. Na discursiva, erros recorrentes costumam custar mais do que um erro isolado. Priorize segurança: frases médias, vocabulário correto e pontuação simples bem feita.
Argumentação e domínio conceitual
Argumentar é sustentar a tese com razões e explicações. Domínio conceitual é usar conceitos corretamente, sem generalizações vazias. Uma boa prática é sempre responder: “por quê?” e “com que consequência?” após cada afirmação central.
Passo a passo prático para escrever sob pressão (método em 7 etapas)
1) Leitura ativa do comando
Sublinhe palavras-chave e identifique a tarefa principal (explicar/analisar/propor). Se houver itens, transforme em mini-checklist.
2) Definição da tese em 1 frase
Escreva uma frase que responda ao comando. Se não conseguir, você ainda não entendeu o que precisa entregar.
3) Planejamento em 4 linhas (esqueleto)
Rascunho rápido: Introdução (tese + eixos), Desenvolvimento 1 (A), Desenvolvimento 2 (B), Fechamento (síntese + resposta final).
4) Redação da introdução (3 a 5 linhas)
Apresente o tema, delimite o recorte e declare a tese. Termine indicando os dois eixos que serão desenvolvidos.
5) Desenvolvimento com parágrafos completos
Cada parágrafo deve ter: tópico frasal + explicação + exemplo/implicação. Evite “parágrafo de uma frase”.
6) Fechamento funcional
Retome a tese e feche a resposta. Se o comando pedir medidas, apresente 2 a 3 ações objetivas, coerentes com o que foi argumentado.
7) Revisão orientada (2 a 4 minutos)
- Cheque se você respondeu exatamente ao comando.
- Procure frases longas demais e quebre em duas.
- Verifique concordância e pontuação em períodos com vírgulas.
- Substitua repetições por sinônimos seguros (sem “enfeitar”).
Modelos de esqueleto (para treinar e replicar)
Modelo 1: texto expositivo-argumentativo (padrão mais comum)
Introdução: contextualização breve + tese (resposta ao comando) + anúncio de 2 eixos (A e B). Dev. 1: tópico frasal do eixo A + explicação (conceito) + implicação prática/exemplo. Dev. 2: tópico frasal do eixo B + explicação (conceito) + implicação prática/exemplo. Fechamento: síntese dos eixos + reafirmação da tese + resposta final (e, se pedido, encaminhamentos).Modelo 2: questão discursiva por itens (resposta estruturada)
Parágrafo 1: resposta direta ao item (a) + definição/explicação + exemplo curto. Parágrafo 2: resposta direta ao item (b) + comparação/condição/efeito + exemplo curto. Parágrafo 3: resposta direta ao item (c) + consequência/medida + fechamento.Exemplos de parágrafos bem construídos (com comentários do que funciona)
Exemplo de introdução (tese + eixos)
“Em avaliações discursivas, a qualidade da resposta depende menos de frases complexas e mais do atendimento preciso ao comando e da organização lógica das ideias. Nesse sentido, uma redação eficiente deve, primeiro, delimitar o tema e apresentar uma tese clara; em seguida, desenvolver argumentos com explicações e conexões adequadas, mantendo objetividade e correção na norma-padrão.”
O que funciona: tese explícita, recorte (“avaliações discursivas”), eixos anunciados (delimitar/tese; desenvolver com conexões e objetividade).
Exemplo de desenvolvimento (tópico frasal + explicação + implicação)
“O atendimento ao comando é o ponto de partida, pois define o que será considerado pertinente na correção. Quando o candidato identifica a tarefa central (por exemplo, analisar causas, comparar cenários ou propor medidas) e mantém o texto dentro desse recorte, evita fuga parcial ao tema e reduz digressões. Assim, antes de escrever, é recomendável transformar o enunciado em uma frase-resposta, que servirá de tese e guiará a seleção dos argumentos.”
O que funciona: tópico frasal claro, explicação do porquê, consequência prática e técnica aplicável.
Exemplo de fechamento (síntese + resposta final)
“Portanto, uma resposta discursiva bem avaliada resulta da combinação entre tese objetiva, desenvolvimento com progressão lógica e revisão orientada para eliminar desvios do comando e falhas na norma-padrão. Ao estruturar o texto em eixos e sustentar cada parágrafo com explicação e implicação prática, o candidato entrega uma resposta completa, coerente e alinhada aos critérios de correção.”
O que funciona: retoma a tese, sintetiza os eixos e fecha sem introduzir tema novo.
Erros que zeram, quase zeram ou derrubam muito a nota
Erros que podem levar a nota zero (ou inviabilizar correção)
- Fuga total ao tema: texto não trata do assunto solicitado.
- Não atendimento ao comando: por exemplo, o enunciado pede “propor medidas” e o texto apenas descreve.
- Ilegibilidade: escrita que impede leitura/avaliação.
- Texto em branco ou com quantidade insuficiente de conteúdo para avaliação.
- Identificação indevida (quando o edital proíbe): assinatura, nome, marcações pessoais.
Erros que reduzem muito a nota
- Fuga parcial: tangencia o tema, mas não responde ao núcleo do comando.
- Estrutura fragmentada: frases soltas, ausência de parágrafos completos, falta de progressão.
- Contradições: afirmar e negar a mesma ideia sem justificar.
- Generalizações vazias: “é importante”, “a sociedade precisa”, sem explicar como e por quê.
- Excesso de informalidade: gírias, marcas de oralidade, “achismos”.
- Erros recorrentes de norma-padrão: concordância, regência, pontuação, ortografia.
- Repetição: mesmas palavras e ideias em sequência, sem avanço argumentativo.
Exercícios práticos (com roteiro de autocorreção)
Exercício 1: resposta expositivo-argumentativa (20 a 25 linhas)
Comando: “Explique como os critérios de correção de uma prova discursiva influenciam a forma de planejar e redigir a resposta. Aborde, obrigatoriamente, atendimento ao comando, organização textual e norma-padrão.”
Esqueleto sugerido:
Introdução: tese (critérios orientam planejamento e escrita) + eixos (comando, organização, norma-padrão). Dev. 1: atendimento ao comando (como identificar tarefa e recorte) + implicação. Dev. 2: organização (progressão e parágrafos completos) + implicação. Dev. 3: norma-padrão (erros recorrentes e revisão) + implicação. Fechamento: síntese + resposta final ao comando.Exercício 2: questão por itens (10 a 15 linhas)
Comando: “Em uma discursiva, diferencie coesão e coerência e apresente um exemplo prático de cada uma no contexto de um texto dissertativo.”
Esqueleto sugerido:
Parágrafo 1: definir coesão + exemplo de conectivos/referência. Parágrafo 2: definir coerência + exemplo de progressão lógica/ausência de contradição. Parágrafo 3: síntese comparativa + alerta sobre erro comum (conectivo sem lógica).Exercício 3: reescrita para objetividade (8 a 12 linhas)
Comando: “Reescreva o trecho abaixo tornando-o mais objetivo e adequado à norma-padrão, sem perder o sentido.”
Trecho: “Vale ressaltar que, diante do exposto, é de suma importância que a gente possa perceber que, de certa forma, a organização do texto é algo que ajuda bastante na hora de fazer a prova.”
Meta: produzir 1 a 2 frases diretas, com sujeito definido e sem expressões vazias.
Roteiro de autocorreção (use como grade de revisão)
1) Atendimento ao comando (0/1)
- Respondi exatamente ao que foi pedido (explicar/analisar/propor)?
- Tratei dos itens obrigatórios?
- Minha tese responde ao núcleo do enunciado?
2) Estrutura e organização (0/1)
- Há introdução com tese?
- Há pelo menos 2 parágrafos de desenvolvimento completos?
- O fechamento sintetiza e não traz tema novo?
3) Progressão e coerência (0/1)
- Cada parágrafo acrescenta algo novo?
- Evitei contradições e saltos lógicos?
4) Coesão (0/1)
- Usei conectivos com função lógica correta?
- Evitei repetição excessiva de palavras e estruturas?
5) Objetividade e precisão (0/1)
- Cortei expressões vazias e rodeios?
- Minhas frases têm sujeito e verbo claros?
6) Norma-padrão (0/1)
- Revisei concordância e pontuação?
- Corrigi ortografia e acentuação?
- Evitei informalidade e marcas de oralidade?
7) Domínio conceitual e argumentação (0/1)
- Defini conceitos com precisão, sem generalizações?
- Justifiquei as afirmações centrais (por quê? com que efeito?)?
Como usar: atribua 0 ou 1 para cada bloco e reescreva o texto buscando elevar a pontuação total. O objetivo do treino é reduzir “erros grandes” (comando/estrutura) antes de lapidar estilo.