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Escrivão da Polícia Federal: Domínio Jurídico, Documental e Tecnológico para Aprovação

Novo curso

16 páginas

Prisões, medidas cautelares e atos correlatos: redação de autos e garantias processuais

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

+ Exercício

Modalidades de prisão: quando cabem e o que o Escrivão precisa documentar

Prisão em flagrante

Conceito: captura imediata ligada à situação de flagrância, com apresentação do conduzido à autoridade policial para lavratura do Auto de Prisão em Flagrante (APF) quando presentes os requisitos legais.

Pontos de atenção documental: o APF deve demonstrar, com base em declarações e elementos iniciais, a situação de flagrante, a regularidade das comunicações, a ciência de direitos e a integridade das apreensões vinculadas ao fato.

Prisão preventiva

Conceito: medida cautelar pessoal decretada pelo juiz, em regra mediante requerimento/representação, para resguardar finalidades do processo (ex.: evitar reiteração, assegurar aplicação da lei penal, proteger a instrução), quando presentes pressupostos e fundamentos legais.

O que o Escrivão documenta: juntada da decisão judicial, mandado, certidões de cumprimento, comunicações obrigatórias, termo de ciência do preso e registros de prazos e movimentações (inclusive remessas ao Judiciário/MP/Defensoria quando aplicável).

Prisão temporária

Conceito: prisão por prazo determinado, decretada judicialmente, voltada a necessidades investigativas em hipóteses legais específicas.

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O que o Escrivão documenta: decisão e mandado, certidão de cumprimento com data/hora, controle rígido do termo final, pedidos de prorrogação (quando cabíveis) com juntada tempestiva, e comunicações correlatas.

Prisões decorrentes de sentença/decisão judicial

Conceito: cumprimento de ordem judicial de prisão (ex.: condenação com determinação de recolhimento, regressão, revogação de benefício, execução de mandado).

O que o Escrivão documenta: mandado/ordem, certidão de cumprimento, identificação completa do preso, comunicações e encaminhamentos, além de registro de eventuais intercorrências (ex.: alegação de homonímia, apresentação de alvará, inconsistência de dados).

Medidas cautelares diversas da prisão: como registrar e fiscalizar documentalmente

Conceito: alternativas à prisão que impõem restrições proporcionais (ex.: comparecimento periódico, proibição de contato, proibição de ausentar-se, recolhimento domiciliar, monitoração eletrônica, suspensão de função, fiança, entre outras), com finalidade cautelar e controle judicial.

Passo a passo prático de formalização e controle

  • 1) Recebimento da decisão: conferir autenticidade, alcance, condições, prazos, exceções e destinatários (investigado, vítima, terceiros, órgãos de fiscalização).
  • 2) Ciência formal: lavrar termo de ciência/intimação do investigado, com leitura das condições, advertência sobre descumprimento e colheita de assinatura (ou certificação de recusa).
  • 3) Comunicação aos órgãos envolvidos: quando houver monitoração, recolhimento, proibição de contato, afastamento de função, etc., expedir ofícios/encaminhamentos com comprovação de envio e recebimento.
  • 4) Registro de marcos: lançar no controle interno datas de início, revisões, prazos e eventos (descumprimento, pedido de revogação/substituição, audiência).
  • 5) Certidões de cumprimento: certificar cada ato (intimação, entrega de documento, instalação de tornozeleira, apresentação periódica) com data/hora/local e responsável.
  • 6) Notícia de descumprimento: autuar petição/relatório informando fato, anexar provas (prints, relatórios, declarações) e remeter imediatamente ao juiz, com ciência ao MP/Defesa quando cabível.

Garantias constitucionais e direitos do preso: checklist operacional para evitar nulidades

O Escrivão atua como garantidor da regularidade formal: a documentação deve evidenciar que direitos foram respeitados e que as comunicações ocorreram no tempo devido.

Checklist de garantias a registrar

  • Identificação e integridade: qualificação completa, registro de condições físicas aparentes, solicitação de atendimento médico quando necessário e certificação de providências.
  • Informação do motivo da prisão: termo/registro de ciência do fato imputado e do fundamento da custódia (flagrante, mandado, decisão).
  • Direito ao silêncio e não autoincriminação: constar expressamente em termos de oitiva/interrogatório e no termo de ciência de direitos.
  • Assistência de defesa: registro de presença de advogado/Defensoria, tentativas de contato e, quando aplicável, nomeação/encaminhamento.
  • Comunicação da prisão: comprovar comunicações devidas (autoridade judicial, família/pessoa indicada, MP/Defensoria conforme o caso), com data/hora e meio utilizado.
  • Nota de culpa (quando aplicável): emissão e entrega ao preso, com recibo ou certificação de recusa, contendo elementos essenciais (motivo e condutor/testemunhas, conforme rotina local e orientação normativa).
  • Prazo e apresentação: controle de marcos temporais relevantes (captura, apresentação, lavratura, comunicações, audiência) para evitar extrapolações e questionamentos.

Estrutura documental do Auto de Prisão em Flagrante (APF) e peças correlatas

O APF é um conjunto de peças encadeadas. A lógica é: (1) registrar a captura e a apresentação, (2) formalizar direitos e comunicações, (3) colher declarações essenciais, (4) documentar apreensões e encaminhamentos, (5) consolidar juntadas e remessas.

Peças mais comuns e finalidade

  • Portaria/peça de autuação (quando adotada): formaliza a instauração do procedimento e a autuação dos documentos.
  • Auto de apresentação e apreensão (se houver objetos): descreve itens, circunstâncias e responsáveis pela entrega/guarda inicial.
  • Termo de ciência de direitos do conduzido: registra direitos, inclusive silêncio e assistência de defesa, com assinatura/certidão.
  • Oitiva do condutor: descreve circunstâncias da captura e elementos observados.
  • Oitivas de testemunhas: consolidam narrativa mínima do fato e da situação de flagrância.
  • Interrogatório/declaração do preso: colhido com respeito ao silêncio e à defesa; registrar perguntas e respostas de forma objetiva.
  • Termos de entrega/recibo: objetos, documentos, valores, celulares, mídias; sempre com descrição e identificação.
  • Comunicações formais: expedientes ao Judiciário, MP, Defensoria, família/pessoa indicada; anexar comprovantes.
  • Nota de culpa: emissão/entrega e recibo/certidão.
  • Guia/encaminhamento: para exame de corpo de delito quando cabível, e para custódia/transferência.
  • Juntadas e certidões: juntada de laudos preliminares, relatórios, mídias, prints, e certidões de atos praticados.

Passo a passo prático de montagem do APF (ordem lógica de trabalho)

  • 1) Triagem inicial: conferir se há mandado ou se é flagrante; identificar envolvidos; separar documentos trazidos pela equipe (relatórios, apreensões, mídias).
  • 2) Autuação e numeração: autuar peças, numerar folhas, criar índice interno quando exigido pela unidade, e registrar horários relevantes.
  • 3) Direitos e comunicações imediatas: lavrar termo de ciência de direitos; providenciar comunicações; registrar tentativas frustradas (telefone desligado, ausência de contato) com certidão.
  • 4) Colheita de oitivas: condutor, testemunhas e preso, observando coerência temporal e evitando indução; registrar presença de defensor e eventuais requerimentos.
  • 5) Apreensões e guarda: formalizar termos de apreensão/entrega; identificar lacres; anexar fotos/relatórios quando houver; registrar local de guarda e responsável.
  • 6) Peças de encaminhamento: requisições e guias (perícia, corpo de delito, custódia), com comprovantes.
  • 7) Nota de culpa e recibos: emitir, colher assinatura ou certificar recusa; anexar.
  • 8) Revisão de consistência: checar nomes, documentos, horários, assinaturas, rubricas, numeração, e se todas as comunicações estão comprovadas.
  • 9) Juntadas finais e remessa: juntar mídias e relatórios; certificar integridade; preparar expediente de remessa ao Judiciário com relação de peças.

Controle de prazos e marcos temporais: como evitar extrapolações e questionamentos

O controle de prazos é tanto jurídico quanto documental: a peça precisa permitir auditoria posterior. O Escrivão deve manter um quadro de marcos com data/hora e responsável.

Marcos mínimos a registrar (exemplos)

  • Captura: data/hora/local e equipe responsável.
  • Apresentação à autoridade: data/hora de chegada e início da lavratura.
  • Ciência de direitos: data/hora e assinatura/certidão.
  • Comunicações: data/hora/meio (e-mail, sistema, ofício, telefone) e comprovantes.
  • Encaminhamentos médicos/periciais: requisição e realização (quando informado).
  • Remessa ao Judiciário: data/hora e protocolo.
  • Prisões por mandado (preventiva/temporária/sentença): data/hora do cumprimento e início do prazo (quando aplicável), além do termo final e eventuais prorrogações.

Atos correlatos frequentes: termos, certidões e juntadas que sustentam a legalidade

Termos de ciência e intimação

Boa prática: redigir de forma objetiva, com condições claras, advertências e campo para assinatura. Em caso de recusa, certificar com duas testemunhas quando possível, ou ao menos com identificação do servidor e circunstâncias.

Certidões

Uso: registrar atos que não geram termo próprio (tentativas de contato, indisponibilidade de sistema, recusa de assinatura, entrega de cópias, horários de início/fim de oitivas).

Juntada de mídias e documentos digitais

Boa prática: identificar a origem (quem forneceu), o conteúdo (descrição), o formato (arquivo, mídia), o método de armazenamento e o vínculo com a peça correspondente (ex.: “mídia referente à oitiva X”). Evitar descrições genéricas como “vídeo” sem especificar.

Nulidades e falhas recorrentes: como identificar e prevenir

Falhas formais típicas

  • Ausência de comprovação de comunicação: ofício expedido sem comprovante de envio/recebimento, ou sem registro de data/hora.
  • Termo de direitos incompleto: não mencionar silêncio/defesa, ou não registrar recusa de assinatura.
  • Inconsistência de horários: oitiva registrada antes da ciência de direitos, ou captura posterior à apresentação.
  • Qualificação deficiente: dados divergentes (nome, filiação, documento), gerando risco de homonímia.
  • Nota de culpa ausente (quando aplicável): sem recibo/certidão de entrega.
  • Apreensão mal descrita: item sem identificação mínima (marca, modelo, número de série/IMEI quando possível), sem indicação de lacre/guarda.
  • Assinaturas e rubricas: peças essenciais sem assinatura da autoridade/declarante, ou folhas sem rubrica quando exigido.
  • Falta de encadeamento: peças sem referência cruzada (ex.: oitiva menciona “objeto apreendido” sem existir termo correspondente).

Como revisar antes de remeter

  • Checklist de integridade: índice interno, numeração, assinaturas, datas/horas, comunicações comprovadas, anexos/mídias identificados.
  • Coerência narrativa: condutor e testemunhas sustentam a situação de flagrância; divergências relevantes devem ser registradas, não “corrigidas” informalmente.
  • Rastreabilidade de apreensões: cada item citado em oitiva deve ter termo e destino documentado.

Estudo de caso completo (simulado): produção orientada de peças e caça a nulidades

Cenário

Durante fiscalização em terminal de cargas, equipe identifica encomenda com indícios de conteúdo ilícito. O destinatário comparece para retirada, é abordado e conduzido. Há apreensão de um pacote, um celular e comprovantes de pagamento. O conduzido alega que apenas “fez um favor” e pede para falar com advogado. Uma testemunha afirma ter visto o conduzido receber instruções por mensagem. A equipe informa que houve gravação parcial da abordagem por câmera corporal, mas o arquivo ainda não foi extraído.

Objetivo do aluno

Montar o APF (ou o conjunto de peças de formalização da prisão e atos correlatos, conforme o padrão da unidade) e identificar nulidades/falhas potenciais antes da remessa.

Roteiro de produção das peças (ordem sugerida)

  • Peça 1: Autuação/abertura do procedimento
    • Indicar natureza do ato (flagrante), qualificação inicial do conduzido, local/data/hora de apresentação.
    • Relacionar documentos recebidos da equipe (relatório, fotos, comprovantes, mídia pendente).
  • Peça 2: Termo de ciência de direitos do conduzido
    • Registrar direito ao silêncio, assistência de defesa e comunicação a familiar/pessoa indicada.
    • Campo para indicar contato de familiar e advogado; se não houver, certificar tentativas.
  • Peça 3: Comunicação da prisão
    • Preparar expedientes e anexar comprovantes (protocolo/sistema/e-mail).
    • Certificar data/hora de cada comunicação e o responsável.
  • Peça 4: Auto/termo de apresentação e apreensão
    • Descrever pacote (peso aproximado, embalagem, lacre), celular (marca/modelo/IMEI se possível), comprovantes (quantidade e tipo).
    • Indicar quem entregou, quem recebeu, onde ficará guardado, e identificação do lacre.
  • Peça 5: Oitiva do condutor
    • Focar em: como surgiu a suspeita, como ocorreu a abordagem, motivo da condução, e circunstâncias da apreensão.
    • Registrar existência de gravação e o status (“a extrair”), evitando afirmar conteúdo não verificado.
  • Peça 6: Oitivas de testemunhas
    • Testemunha do terminal: o que viu, quando, e como identificou o conduzido.
    • Testemunha da equipe: detalhes operacionais e preservação dos itens.
  • Peça 7: Interrogatório/declaração do preso
    • Registrar pedido de advogado e providências adotadas.
    • Se optar por permanecer em silêncio, registrar expressamente a opção.
  • Peça 8: Nota de culpa (quando aplicável)
    • Emitir e colher recibo; se recusar, certificar.
  • Peça 9: Requisições e encaminhamentos
    • Requisição de perícia do conteúdo do pacote e, se pertinente, extração técnica do arquivo de câmera corporal e preservação do original.
    • Encaminhamento para exame de corpo de delito se houver alegação de lesão ou sinais aparentes.
  • Peça 10: Juntada e identificação de mídia
    • Se a gravação ainda não foi extraída: lavrar certidão informando a existência, o responsável pela extração, o prazo estimado e a providência adotada para preservação.
    • Quando extraída: termo de juntada com identificação do arquivo e local de armazenamento.
  • Peça 11: Certidão de revisão final
    • Conferir coerência de horários, assinaturas, comunicações, descrição de apreensões e anexos.

Caça a nulidades: pontos para o aluno marcar no simulado

  • Direitos e defesa: houve registro do pedido de advogado e das providências? O termo de direitos foi assinado ou houve certidão de recusa?
  • Comunicações: existem comprovantes e horários? Há certidão de tentativa frustrada quando não foi possível comunicar?
  • Horários: a sequência é lógica (captura → apresentação → ciência de direitos → oitivas → comunicações/remessa)?
  • Apreensões: itens citados nas oitivas têm termo correspondente? Há identificação suficiente e indicação de guarda/lacre?
  • Mídia da câmera corporal: foi evitada afirmação sobre conteúdo não extraído? Houve providência documentada para preservação e posterior juntada?
  • Nota de culpa: foi emitida/entregue e comprovada (ou certificada a recusa) quando exigível?
  • Qualificação: dados do preso e testemunhas estão completos e consistentes em todas as peças?

Modelo enxuto de redação (exemplos de trechos)

Certifico que, nesta data e horário, foi cientificado o conduzido acerca de seus direitos, incluindo o direito ao silêncio e à assistência de defensor, bem como a possibilidade de comunicação a familiar/pessoa por ele indicada, tendo informado como contato: (…).
Termo de Apreensão: Recebi e apreendi 01 aparelho celular, marca (…), modelo (…), cor (…), IMEI (…), bem como 01 pacote lacrado (descrição), e (quantidade) comprovantes (descrição), ficando os itens sob guarda em (local), acondicionados sob lacre nº (…).
Certifico que foi expedida comunicação ao Juízo competente às (hora) por (meio), com comprovante de envio anexado às fls. (…). Certifico, ainda, tentativa de contato com (familiar/pessoa indicada) às (hora), sem êxito, motivo: (…).

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao formalizar uma medida cautelar diversa da prisão (ex.: proibição de contato ou monitoração eletrônica), qual procedimento documental reduz o risco de nulidades e permite controle efetivo do cumprimento?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A formalização exige cadeia documental: conferência da decisão, ciência formal do investigado, comunicações aos órgãos envolvidos, registro de marcos e certidões de cada ato. Em caso de descumprimento, deve-se autuar e remeter imediatamente ao juiz com provas e registros.

Próximo capitúlo

Legislação Penal Especial para Escrivão da Polícia Federal: leis cobradas e reflexos na formalização

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