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Preparatório Nacional para Concursos da Polícia Militar em todo o Brasil

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30 páginas

Prisão, Medidas Cautelares e Procedimentos Operacionais

Capítulo 21

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Prisão, Medidas Cautelares e Procedimentos Operacionais

1) Conceitos essenciais: prisão e privação de liberdade

Prisão é a restrição da liberdade de locomoção de uma pessoa por determinação legal, podendo ocorrer por ordem judicial ou em situações autorizadas em lei (como o flagrante). Para concursos da Polícia Militar, é fundamental distinguir: (a) as hipóteses em que a equipe pode agir imediatamente (flagrante) e (b) as hipóteses em que a atuação depende de ordem judicial (mandado).

Na prática operacional, a legalidade da prisão depende de três pilares: fundamento jurídico (hipótese prevista em lei), procedimento (forma correta de abordagem, busca, condução e registro) e respeito a direitos (integridade, comunicação, identificação e garantias do preso).

2) Prisão em flagrante: quando ocorre e como reconhecer

O flagrante é a situação em que o crime está acontecendo ou acabou de acontecer, permitindo intervenção imediata. Em termos operacionais, o flagrante costuma ser reconhecido por sinais objetivos: ação criminosa em curso, perseguição logo após o fato, ou localização do suspeito com elementos que indiquem ser autor (ex.: objeto subtraído, arma, instrumentos do crime), sempre avaliando o nexo temporal e circunstancial.

  • Flagrante próprio: o agente está cometendo ou acaba de cometer o crime.
  • Flagrante impróprio: o agente é perseguido logo após o crime, em situação que faça presumir ser autor.
  • Flagrante presumido: o agente é encontrado logo depois com objetos, armas ou sinais que indiquem autoria.

Exemplo prático: após chamado de roubo, a guarnição visualiza indivíduo correndo com mochila e sendo apontado por populares; na abordagem, encontra-se o celular da vítima e um simulacro. A situação indica flagrante (nexo imediato + posse do bem).

3) Prisão por mandado: noções operacionais

A prisão por mandado decorre de ordem judicial. Para a atuação segura, a equipe deve confirmar a existência e validade do mandado (dados do procurado, natureza, órgão expedidor, data e eventuais restrições). Em operações, a checagem costuma ocorrer via sistemas oficiais/central, e o cumprimento deve priorizar segurança, identificação correta e registro fiel do ocorrido.

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Ponto de prova e prática: erro de identidade e cumprimento sem confirmação são riscos operacionais graves. A identificação deve ser robusta (documentos, biometria quando disponível, confirmação por dados).

4) Medidas cautelares: ideia central e finalidade

Medidas cautelares são providências para reduzir riscos ao processo e à sociedade (ex.: evitar fuga, impedir reiteração delitiva, proteger vítima/testemunhas), podendo ser diversas da prisão. A lógica é: se uma medida menos gravosa for suficiente, ela pode ser aplicada em vez de prender, conforme decisão judicial e parâmetros legais.

Para a PM, o foco é compreender como essas medidas aparecem no atendimento: ordens de afastamento, proibição de contato, recolhimento domiciliar, monitoramento eletrônico, comparecimento periódico, entre outras. Muitas vezes, a equipe atua para fiscalizar ou dar efetividade a uma cautelar já imposta.

  • Exemplo prático: em ocorrência de violência doméstica, pode existir medida protetiva determinando afastamento do lar e proibição de aproximação. O descumprimento pode gerar providências imediatas, com registro detalhado e condução conforme orientação legal e autoridade competente.

5) Procedimentos operacionais na prisão: passo a passo prático

O passo a passo abaixo organiza a atuação típica em prisão (flagrante ou por mandado), com foco em segurança, legalidade e preservação de prova.

5.1) Preparação e aproximação

  • Recebimento da informação: natureza da ocorrência, descrição do suspeito, local, presença de arma, número de envolvidos, risco a terceiros.
  • Planejamento rápido: rotas de aproximação, pontos de cobertura, funções na equipe (verbalização, contenção, algemação, busca, segurança perimetral).
  • Checagem de mandado (se aplicável): confirmar dados antes do contato, quando possível.

5.2) Abordagem e verbalização

  • Identificação policial: anunciar a condição de policial quando a segurança permitir.
  • Comandos claros: instruções objetivas (mãos visíveis, afastar-se de objetos, posição de segurança).
  • Controle de ambiente: afastar curiosos, reduzir riscos, observar mãos/cintura/bolsos, possíveis rotas de fuga.

Exemplo prático: em abordagem veicular com suspeita de roubo, um policial mantém cobertura e observação das mãos, outro faz a verbalização e ordena desligar o veículo, colocar as mãos no volante e sair lentamente.

5.3) Contenção, algemação e uso diferenciado da força

A contenção deve ser proporcional ao risco e à resistência apresentada. A algemação deve observar critérios de necessidade (segurança da equipe e do preso, risco de fuga, resistência), com justificativa registrada quando exigida por normas e entendimento jurisprudencial. Sempre priorizar integridade física do preso e dos policiais.

  • Boas práticas: checar circulação, evitar posições que causem asfixia, monitorar sinais de mal-estar, acionar atendimento médico quando necessário.
  • Registro: descrever resistência, tentativa de fuga, agressividade, número de envolvidos, circunstâncias que justificaram a contenção.

5.4) Busca pessoal e busca veicular: finalidade e cuidados

A busca tem finalidade de localizar armas, objetos ilícitos e elementos relacionados ao fato, além de proteger a equipe. Deve ser realizada com técnica, respeito e atenção a riscos (perfurocortantes, drogas, objetos ocultos). Em ambiente com múltiplos suspeitos, priorizar segurança e separação.

  • Procedimento: posicionar o abordado de forma segura, realizar varredura sistemática, recolher objetos com cuidado e manter controle visual.
  • Cadeia de custódia: evitar manuseio desnecessário, acondicionar adequadamente, identificar o que foi encontrado, onde e com quem.

5.5) Comunicação de direitos e preservação de garantias

Na condução, devem ser observadas garantias como integridade física, identificação dos agentes, comunicação do motivo da condução/prisão e registro formal. A equipe deve evitar constrangimentos desnecessários, exposição indevida e comentários que prejudiquem a legalidade do ato.

Ponto sensível: qualquer lesão, reclamação de dor ou alegação de abuso deve ser registrada e, se necessário, encaminhada para avaliação médica, preservando a transparência do procedimento.

5.6) Condução e apresentação à autoridade competente

  • Transporte seguro: revista prévia, posicionamento adequado, monitoramento constante, atenção a tentativas de fuga.
  • Apresentação: relatar fatos de forma objetiva (o que foi visto, ouvido e apreendido), sem juízos de valor.
  • Documentação: qualificação, horário, local, circunstâncias do flagrante/mandado, testemunhas, apreensões, uso da força, algemas, integridade do conduzido.

6) Procedimentos com vítimas, testemunhas e local de crime

Além da prisão, a atuação correta envolve preservar o local, proteger vítimas e organizar testemunhas, evitando contaminação de vestígios.

  • Isolamento: delimitar área e controlar acesso.
  • Primeiras informações: colher dados essenciais (descrição, direção de fuga, objetos subtraídos, características do autor), sem induzir respostas.
  • Reconhecimento e exibição: evitar práticas informais que comprometam a prova; seguir orientações legais e da autoridade competente.

Exemplo prático: em furto a comércio, a equipe isola a área onde há pegadas e ferramentas, impede que funcionários limpem o local e registra quem teve contato com o ambiente até a chegada da perícia, quando acionada.

7) Situações recorrentes em prova e na rua

7.1) Desacato, desobediência e resistência: reflexos operacionais

Em ocorrências com tensão, é comum o suspeito elevar o tom, recusar ordens ou resistir fisicamente. A equipe deve diferenciar: (a) verbalização ofensiva (que pode gerar providências específicas) e (b) resistência ativa que exige contenção. O foco é manter controle emocional, registrar condutas objetivamente e usar força proporcional.

7.2) Menor potencial ofensivo e alternativas à prisão

Em algumas infrações de menor potencial ofensivo, a dinâmica pode envolver identificação, termo circunstanciado (quando aplicável conforme normas locais) e compromisso de comparecimento, em vez de encarceramento imediato. A equipe deve seguir o procedimento previsto na legislação e nas diretrizes do seu estado, priorizando registro completo e encaminhamento correto.

7.3) Descumprimento de medida cautelar/protetiva

Quando há ordem judicial de afastamento/proibição de contato, o atendimento deve priorizar proteção da vítima, verificação objetiva do descumprimento (distância, mensagens, presença no local) e registro detalhado. Se houver situação de flagrância relacionada ao descumprimento ou a novo crime, a equipe adota as providências cabíveis e comunica a autoridade.

8) Checklist operacional para não errar em questões e na prática

  • Confirmar fundamento da intervenção: flagrante ou mandado.
  • Garantir segurança: cobertura, controle de mãos, ambiente e terceiros.
  • Verbalização clara e escalonamento do uso da força.
  • Busca com técnica e respeito; atenção à cadeia de custódia.
  • Algemação somente quando necessária, com justificativa e registro.
  • Preservar integridade do preso e acionar atendimento médico quando indicado.
  • Registrar horários, locais, circunstâncias, testemunhas e apreensões.
  • Apresentar ocorrência de forma objetiva à autoridade competente.

9) Modelos de registro (estrutura mental para o relato)

Em provas e na rotina, ajuda pensar no relato em blocos: Contexto (como a equipe tomou ciência), Dinâmica (o que foi observado), Ação policial (abordagem, busca, contenção), Resultado (apreensões, identificação, condução), Garantias (integridade, algemas, atendimento médico), Encaminhamento (autoridade, perícia, vítima).

Exemplo de sequência objetiva (roteiro): 1) Acionamento e deslocamento. 2) Localização do suspeito e motivos da abordagem. 3) Comandos e reação. 4) Contenção/algemas (se usadas) e justificativa. 5) Busca e itens encontrados (onde estavam). 6) Identificação de vítima/testemunhas. 7) Preservação do local (se aplicável). 8) Condução e apresentação à autoridade.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Em uma prisão por mandado, qual conduta reduz riscos operacionais como erro de identidade e cumprimento indevido?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Na prisão por mandado, a atuação segura exige checar existência e validade da ordem e confirmar a identidade com dados confiáveis. Isso evita cumprimento sem confirmação e reduz o risco de erro de identidade, com registro fiel do ocorrido.

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