O que é Legislação Aplicada à Polícia Militar e Normas Correlatas
Em concursos da Polícia Militar, “Legislação Aplicada à PM e Normas Correlatas” é o conjunto de regras que orienta a atuação institucional e o comportamento funcional do policial militar. Envolve normas constitucionais e infraconstitucionais, leis estaduais específicas da corporação, regulamentos disciplinares, estatutos, códigos de ética, regras sobre uso da força, abordagem, custódia de presos, lavratura de documentos e responsabilização por condutas irregulares.
Na prática, esse conteúdo cobra do candidato a capacidade de: (a) identificar a base legal de uma ação policial; (b) reconhecer limites e deveres do cargo; (c) diferenciar tipos de infrações e responsabilidades; (d) aplicar procedimentos previstos em normas internas e leis gerais.
Mapa das principais fontes normativas (o que costuma cair)
1) Constituição e leis gerais relacionadas à atividade policial
Mesmo quando o edital destaca “legislação aplicada”, é comum aparecer a ligação com regras gerais que impactam diretamente a rotina policial, como: princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência; regras de segurança pública; direitos fundamentais que limitam abordagens, buscas e prisões; e normas gerais sobre administração pública e responsabilidade do agente.
2) Legislação estadual da Polícia Militar
É o núcleo do tema. Cada estado possui seu Estatuto dos Policiais Militares (ou lei equivalente), regulamentos e leis de organização básica. Em geral, tratam de: ingresso, carreira, promoções, deveres e direitos, transgressões disciplinares, sanções, recompensas, movimentação, licenças, afastamentos e regime de dedicação.
3) Regulamento Disciplinar e Código de Ética/Conduta
Define o que é transgressão disciplinar, como se classifica a gravidade, quais sanções podem ser aplicadas e quais garantias existem ao militar (ex.: direito de ser ouvido, de apresentar defesa e de recorrer, conforme a norma local). Também descreve padrões de conduta: urbanidade, hierarquia, disciplina, zelo pelo serviço, proibições e deveres de comunicação.
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4) Normas de procedimento operacional e documentos policiais
Portarias, instruções normativas e manuais internos detalham como executar atividades: abordagem, busca pessoal, preservação de local, condução à delegacia, uso de algemas, emprego de armamento e elaboração de registros (boletim, relatório, termo, parte disciplinar, comunicação de ocorrência). Em prova, isso aparece como “o que fazer primeiro”, “quem comunica”, “qual documento lavrar” e “quais cuidados adotar”.
5) Controle, corregedoria e responsabilização
Normas correlatas incluem regras de apuração interna (sindicância, procedimento administrativo disciplinar, conselho de disciplina ou processos equivalentes), além de responsabilização civil, administrativa e penal quando o agente extrapola limites legais. A banca costuma testar: diferença entre esferas de responsabilidade, independência relativa entre elas e hipóteses de cabimento de cada procedimento.
Conceitos essenciais que a banca costuma explorar
Hierarquia e disciplina
Hierarquia é a ordenação da autoridade em níveis diferentes dentro da corporação; disciplina é a observância das normas e ordens legais. Em questões, atenção para: ordem manifestamente ilegal (não deve ser cumprida), dever de obediência a ordens legais e dever de comunicar irregularidades.
Deveres, direitos e proibições do policial militar
Deveres típicos: cumprir e fazer cumprir a lei, agir com urbanidade, preservar a ordem, manter postura compatível com a função, atuar com imparcialidade e registrar fatos relevantes. Proibições comuns: abuso de autoridade, uso indevido de bens públicos, receber vantagem indevida, divulgar informação sigilosa, agir com violência desnecessária, desrespeitar superiores/subordinados e praticar condutas incompatíveis com a ética militar.
Atos administrativos na rotina policial
Na prática, o policial executa atos administrativos (ordens de serviço, escalas, determinações, registros e comunicações). A banca pode cobrar elementos do ato (competência, finalidade, forma, motivo e objeto) aplicados a situações reais, como: “quem pode determinar”, “qual finalidade legítima”, “qual forma exigida” e “quando há desvio de finalidade”.
Poder de polícia e limites
O poder de polícia é a atuação do Estado restringindo/liberando condutas em prol do interesse público (ex.: fiscalização, abordagem, dispersão de aglomeração com risco, interdição). Em prova, o foco é o limite: necessidade, proporcionalidade, legalidade e registro do ato. Exemplo: abordagem deve ter fundamento e ser realizada com respeito, evitando constrangimento desnecessário.
Uso diferenciado da força
Normas internas e diretrizes gerais costumam exigir escalonamento do uso da força: presença policial, verbalização, controle físico, instrumentos de menor potencial ofensivo e, em situações extremas, força potencialmente letal, sempre com necessidade e proporcionalidade. Questões cobram: quando é permitido, como justificar e como registrar.
Passo a passo prático: como resolver questões de legislação aplicada
Passo 1: Identifique o “tipo de norma” que a questão exige
Se fala de carreira, promoções, licenças, deveres e direitos: geralmente é Estatuto/lei estadual.
Se fala de transgressão, sanção, defesa, recurso: geralmente é Regulamento Disciplinar/código de ética.
Se fala de procedimento de abordagem, condução, registro: geralmente é norma operacional/portaria/manual.
Se fala de limites de atuação e garantias do cidadão: costuma conectar com princípios constitucionais e leis gerais correlatas.
Passo 2: Localize palavras-chave que indicam “dever”, “poder” ou “vedação”
Dever: “deve”, “é obrigatório”, “incumbe”, “compete”.
Poder/faculdade: “poderá”, “é permitido”, “é possível”.
Vedação: “é proibido”, “não poderá”, “vedado”.
Em provas, a troca de “poderá” por “deverá” é uma armadilha comum.
Passo 3: Teste a alternativa pela lógica da legalidade e da proporcionalidade
Mesmo sem decorar o artigo, muitas alternativas erradas violam princípios básicos: permitem excesso, ignoram direito de defesa, autorizam punição sem procedimento, ou admitem uso de força sem necessidade. Use isso como filtro.
Passo 4: Verifique se a questão mistura esferas (administrativa, penal e civil)
Exemplo típico de pegadinha: “Se houve absolvição penal, automaticamente não pode haver punição administrativa.” Em regra, as esferas são independentes, mas há situações específicas em que a decisão penal impacta a administrativa (por exemplo, quando reconhece inexistência do fato ou negativa de autoria, conforme o caso e a norma aplicável). A banca gosta de cobrar a regra e suas exceções.
Passo 5: Confirme se há requisito formal (registro, comunicação, cadeia de custódia interna)
Muitas normas exigem formalização: comunicar superior, registrar ocorrência, relatar uso de força, justificar algemas, preservar integridade do conduzido e do material apreendido. Alternativas que “dispensam registro” sem base legal tendem a estar erradas.
Exemplos práticos (modelos de raciocínio para prova)
Exemplo 1: Ordem ilegal x dever de obediência
Situação: um superior determina que o policial “apreenda” um objeto sem qualquer fundamento e sem registro, apenas para “dar um susto”.
Raciocínio: a hierarquia não autoriza ordem manifestamente ilegal. A conduta correta, conforme normas disciplinares e princípios de legalidade, é não executar a ordem ilegal e comunicar pelos canais previstos, preservando a formalidade e a segurança institucional.
Exemplo 2: Abordagem e busca pessoal
Situação: durante patrulhamento, a equipe decide revistar todos os transeuntes de uma rua “para prevenir crimes”, sem qualquer critério.
Raciocínio: a atuação deve observar fundamento, necessidade e proporcionalidade. A banca costuma exigir que a busca pessoal seja justificada por elementos objetivos (fundada suspeita, contexto, atitude, denúncia, local e horário associados a ocorrências, etc., conforme o caso). Além disso, deve haver respeito à dignidade, técnica adequada e registro quando exigido.
Exemplo 3: Uso de algemas e registro
Situação: um conduzido está calmo, cooperativo e sem risco aparente, mas é algemado “por padrão”.
Raciocínio: normas e diretrizes exigem justificativa para o uso de algemas (risco de fuga, perigo à integridade, resistência). Em prova, o ponto central é: algema não é automática; deve ser motivada e registrada conforme o procedimento.
Exemplo 4: Transgressão disciplinar e devido processo interno
Situação: um policial chega atrasado repetidas vezes e o comandante aplica punição grave imediatamente, sem oportunizar manifestação.
Raciocínio: regulamentos disciplinares normalmente preveem gradação, classificação da transgressão, circunstâncias atenuantes/agravantes e garantias mínimas de defesa. Alternativas que ignoram essas etapas costumam estar erradas.
Checklist de estudo direcionado ao edital (sem decorar “no escuro”)
1) Leia o edital e transforme em lista de normas
Estatuto/lei de organização da PM do seu estado.
Regulamento disciplinar e código de ética/conduta (se houver separado).
Lei de promoções/ingresso (quando cobrada).
Normas operacionais cobradas (portarias, manuais, instruções).
2) Monte um quadro “Deveres x Proibições x Sanções”
Crie uma tabela pessoal com três colunas: dever, conduta proibida e consequência disciplinar típica (quando o regulamento indicar). Isso ajuda a resolver itens de verdadeiro/falso e múltipla escolha.
3) Treine com casos
Para cada tema (abordagem, uso da força, comunicação, disciplina), escreva 3 situações e responda: qual norma se aplica, qual procedimento correto, qual registro é exigido e qual risco disciplinar existe se agir diferente.
Como a banca formula pegadinhas em legislação aplicada
Troca de termos deontológicos
Substituir “poderá” por “deverá”, “preferencialmente” por “obrigatoriamente”, ou “quando necessário” por “em qualquer hipótese”.
Generalização indevida
Apresentar uma regra válida em um contexto e estender para todos (ex.: “sempre cabe punição imediata”, “sempre é permitido revistar”, “sempre é obrigatório algemar”).
Confusão entre procedimento interno e procedimento penal
Tratar sindicância como se fosse inquérito, ou impor regras de um procedimento ao outro. Em geral, cada um tem finalidade e rito próprios, embora possam coexistir.
Treino rápido: como responder questões situacionais (roteiro)
1) Qual é o fato? (conduta do policial / do cidadão / ordem recebida) 2) Qual é o risco imediato? (segurança, fuga, integridade, prova) 3) Qual norma governa? (estatuto, regulamento disciplinar, norma operacional, princípio constitucional) 4) Qual é a ação mínima necessária e proporcional? 5) O que deve ser comunicado e registrado? (a quem, quando, em qual documento) 6) Há possível infração disciplinar? Qual natureza (leve/média/grave, conforme norma local)?