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Marketing Digital para Hotéis e Pousadas

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Definição de público-alvo e segmentos: lazer, corporativo, eventos e temporada

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 0 minutos

+ Exercício

O que é público-alvo (e o que ele não é)

Público-alvo é o recorte de pessoas e empresas com maior probabilidade de reservar sua hospedagem, porque têm necessidades compatíveis com o que você oferece, conseguem pagar o seu preço e valorizam seus diferenciais. Ele orienta decisões práticas: quais fotos usar, quais pacotes criar, que tipo de quarto priorizar, quais políticas de cancelamento fazem sentido e até como treinar a equipe para atender melhor.

Um erro comum é confundir público-alvo com “todo mundo que viaja” ou com uma descrição genérica como “famílias e casais”. Isso não ajuda a escolher mensagens e ofertas. Outro erro é confundir público-alvo com “persona” detalhada demais sem base real. Aqui, o objetivo é definir segmentos acionáveis: grupos com necessidades semelhantes, que respondem a argumentos parecidos e que permitem criar produtos e comunicação específicos.

Segmentação na hotelaria: por que separar lazer, corporativo, eventos e temporada

Em hotéis e pousadas, a segmentação por motivação de viagem e contexto de compra costuma ser mais útil do que segmentar apenas por idade ou renda. Lazer, corporativo, eventos e temporada são quatro “macrosegmentos” que mudam completamente: o que o hóspede valoriza, como ele decide, com quem ele viaja, quanto tempo fica, quais horários usa mais a estrutura e quais objeções aparecem antes da reserva.

Separar esses segmentos evita mensagens contraditórias. Por exemplo: o mesmo anúncio não deve prometer “silêncio absoluto para trabalhar” e “música ao vivo até tarde” ao mesmo tempo. A segmentação também ajuda a organizar o calendário comercial: você pode ter ofertas e conteúdos diferentes para períodos de baixa e alta, sem “descontar por descontar”.

Critérios práticos para definir segmentos (além do óbvio)

Para que a segmentação seja útil, ela precisa virar decisões. Use critérios que impactam produto, preço, comunicação e operação. Abaixo estão critérios práticos para hotéis e pousadas:

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  • Motivação principal: descanso, trabalho, celebração, participação em evento, visita a familiares, turismo de experiência.
  • Composição do grupo: casal, família com crianças pequenas, família com adolescentes, grupo de amigos, viajante solo, equipe de trabalho.
  • Duração e padrão de estadia: 1 noite (passagem), 2–3 noites (fim de semana), 4–7 noites (férias), long stay.
  • Sensibilidade a preço vs. valor: busca menor preço, busca melhor custo-benefício, busca exclusividade.
  • Momento de compra: reserva com antecedência, reserva de última hora, compra recorrente (corporativo), compra sazonal (férias/feriados).
  • Necessidades funcionais: estacionamento, Wi-Fi estável, mesa de trabalho, berço, acessibilidade, pet friendly, cozinha/mini cozinha, lavanderia.
  • Necessidades emocionais: privacidade, status, segurança, acolhimento, romantismo, conveniência.
  • Canal preferido de contato: telefone/WhatsApp, e-mail, site, agência, empresa intermediadora, organizador de eventos.
  • Restrições e políticas: flexibilidade de cancelamento, faturamento, nota fiscal, horários de check-in/out, regras de ruído.

Repare que esses critérios não dependem de “adivinhar” a idade do hóspede. Eles se conectam diretamente ao que você pode oferecer e comunicar.

Passo a passo para definir seu público-alvo e seus segmentos

Passo 1: Levante dados reais do seu negócio

Antes de escolher segmentos, reúna evidências. Você pode usar: relatórios do PMS/gestor de reservas, histórico de reservas, motivo de viagem anotado no check-in, origem do hóspede, tempo de antecedência, tipo de quarto mais vendido, consumo de extras, e perguntas frequentes recebidas por WhatsApp/telefone.

Checklist rápido do que levantar (últimos 6 a 12 meses):

  • Top 5 cidades de origem.
  • Distribuição por dias da semana (picos de segunda a quinta vs. sexta a domingo).
  • Tempo médio de antecedência por período.
  • Motivos de viagem mais citados (mesmo que informalmente).
  • Taxa de ocupação por mês e por feriados.
  • Tipos de acomodação mais vendidos por período.
  • Principais reclamações e elogios (o que as pessoas valorizam de verdade).

Passo 2: Identifique padrões e agrupe em 3 a 5 segmentos prioritários

Com os dados em mãos, procure padrões. Exemplo: “muitas reservas de segunda a quinta, 1 a 2 noites, pedindo nota fiscal e Wi-Fi” aponta para corporativo. “Reservas concentradas em feriados, 3 a 5 noites, pedindo berço e área kids” aponta para lazer em família.

Escolha 3 a 5 segmentos para priorizar. Menos do que isso pode ser simplista; mais do que isso costuma virar complexidade operacional e comunicação confusa. Uma pousada pequena pode trabalhar com 3 segmentos bem definidos; um hotel urbano pode trabalhar com 5.

Passo 3: Descreva cada segmento com um “cartão de segmento”

Crie um cartão simples (1 página) para cada segmento. Ele deve ser objetivo e acionável. Modelo:

  • Nome do segmento: (ex.: “Executivo de passagem”, “Casal de fim de semana”, “Família férias escolares”).
  • Motivação: por que viaja.
  • O que mais valoriza: 3 a 5 itens.
  • Objeções comuns: 3 itens (ex.: “barulho”, “estacionamento”, “distância do centro”).
  • Oferta ideal: pacote, comodidades, políticas.
  • Mensagem-chave: frase curta que resume a proposta para esse segmento.
  • Provas: avaliações, fotos, selos, números (ex.: “Wi-Fi 200 Mbps”, “check-in 24h”).

Esse cartão vira referência para site, anúncios, atendimento e até para o que a equipe deve destacar no check-in.

Passo 4: Ajuste produto e comunicação para cada segmento (sem “virar outro hotel”)

Segmentar não significa reformar tudo. Muitas vezes, pequenas mudanças geram grande impacto. Exemplos:

  • Corporativo: criar uma categoria “Quarto Work”, garantir mesa e cadeira adequadas, reforçar Wi-Fi, oferecer café da manhã cedo, facilitar nota fiscal e estacionamento.
  • Lazer casal: fotos com clima, iluminação, banheira (se houver), experiências locais, política de late check-out sob disponibilidade.
  • Família: destacar segurança, espaço, berço, copa, regras claras, opções de alimentação, proximidade de atrações.
  • Eventos: mapear capacidade, layout, equipamentos, coffee break, logística de check-in em grupo, condições de bloqueio de quartos.

Passo 5: Defina prioridades por calendário (segmento principal por período)

Em hotelaria, o mesmo empreendimento pode ter segmentos diferentes como “principal” ao longo do ano. Defina, mês a mês, qual segmento é prioritário e qual é secundário. Isso ajuda a orientar campanhas, pacotes e até treinamento de atendimento.

Exemplo de lógica: baixa temporada pode priorizar corporativo e pequenos eventos; alta temporada pode priorizar lazer e famílias; feriados curtos podem priorizar casais e grupos de amigos.

Segmento Lazer: como definir e comunicar

O lazer é amplo e precisa de subsegmentos para ser acionável. Em geral, lazer compra “experiência” e “descanso”, mas cada grupo valoriza coisas diferentes. Três subsegmentos comuns:

  • Casais (romântico/fim de semana): privacidade, clima, conforto, gastronomia, experiências (vinho, spa, passeio).
  • Famílias: praticidade, segurança, espaço, atividades para crianças, alimentação, regras claras.
  • Amigos/grupos: áreas comuns, churrasqueira, piscina, proximidade de atrações, flexibilidade de ocupação.

O que o lazer valoriza (lista prática)

  • Fotos que mostrem atmosfera (não só o quarto “vazio”).
  • Facilidade para planejar: o que fazer perto, distâncias, roteiros.
  • Comodidades que reduzem fricção: estacionamento, café da manhã, piscina, ar-condicionado, cozinha compartilhada (se houver).
  • Políticas claras: horários, regras de silêncio, pet, crianças.

Exemplo de mensagem e oferta para lazer

Mensagem para casal: “Fim de semana para desacelerar: suíte confortável, café da manhã caprichado e experiências a poucos minutos.”

Oferta: pacote 2 noites com late check-out (quando possível) e sugestão de roteiro local em PDF enviado no WhatsApp após a reserva.

Mensagem para família: “Hospedagem prática para curtir com as crianças: espaço, segurança e comodidades que facilitam a rotina.”

Oferta: condição para berço mediante solicitação, quarto família destacado, lista de atrações infantis próximas e horários de café compatíveis.

Segmento Corporativo: como definir e comunicar

O corporativo costuma buscar eficiência, previsibilidade e facilidade administrativa. Muitas reservas são de curta duração, em dias úteis, e o hóspede valoriza o que reduz estresse: check-in rápido, silêncio, boa cama, banho forte, Wi-Fi estável e nota fiscal sem complicação.

Subsegmentos corporativos comuns

  • Executivo de passagem: 1 noite, chegada tarde, saída cedo, foco em praticidade.
  • Técnico/operacional: estadias de 2 a 7 noites, pode precisar de lavanderia, estacionamento para veículo de trabalho, flexibilidade de horários.
  • Representante comercial recorrente: volta com frequência, valoriza consistência e atendimento rápido.

Passos acionáveis para atender corporativo

  • Padronize um “kit corporativo”: Wi-Fi com instruções claras, mesa funcional, tomadas acessíveis, iluminação adequada.
  • Crie regras de faturamento: quais dados precisa para NF, prazos, formas de pagamento aceitas, contato do financeiro.
  • Defina benefícios simples: café a partir de horário mais cedo em dias úteis, opção de check-in express, água no quarto.
  • Treine atendimento: respostas prontas para perguntas típicas (estacionamento, NF, horário de café, internet).

Exemplo de mensagem e oferta para corporativo

Mensagem: “Hospedagem prática para sua agenda: check-in ágil, Wi-Fi estável e localização conveniente.”

Oferta: tarifa corporativa para estadias em dias úteis mediante cadastro simples, com política de cancelamento alinhada à realidade do segmento (sem prometer flexibilidade total se isso prejudicar sua operação).

Segmento Eventos: como definir e comunicar

Eventos podem ser uma fonte relevante de receita, mas exigem clareza de capacidade e processos. Aqui, o “cliente” nem sempre é o hóspede final: pode ser um organizador, uma empresa, um cerimonialista ou uma associação. A decisão tende a ser mais racional e baseada em logística, orçamento e risco.

Tipos de eventos relevantes para hotéis e pousadas

  • Corporativos: treinamentos, reuniões, convenções pequenas, workshops.
  • Sociais: casamentos, aniversários, encontros de família.
  • Grupos turísticos: excursões, grupos de terceira idade, grupos esportivos.

Checklist do que definir antes de vender eventos

  • Capacidade real: número de pessoas sentadas, em auditório, em formato U, em coquetel.
  • Infraestrutura: projetor/TV, som, microfone, internet dedicada (se possível), climatização.
  • Alimentos e bebidas: opções de coffee break, almoço/jantar, restrições alimentares.
  • Hospedagem em bloco: quantos quartos pode bloquear, prazos de corte, política de no-show.
  • Operação: equipe necessária, horários, regras de ruído, estacionamento/valet.

Passo a passo para criar uma proposta comercial de eventos

  • 1) Monte um “one-page”: uma página com fotos do espaço, capacidades, itens inclusos e contatos.
  • 2) Crie 3 pacotes base: básico, intermediário e completo (para não cotar do zero sempre).
  • 3) Defina variáveis: horas extras, equipamentos adicionais, upgrade de coffee break, bloqueio de quartos.
  • 4) Estabeleça prazos: data limite para lista de hóspedes, pagamento, confirmação de layout.
  • 5) Padronize a visita técnica: roteiro de apresentação do espaço e perguntas obrigatórias.

Mensagem para eventos: “Estrutura e organização para seu evento acontecer sem imprevistos: espaço versátil, equipe de apoio e hospedagem no mesmo local.”

Segmento Temporada: como trabalhar alta, média e baixa sem confundir o público

“Temporada” não é um tipo de hóspede, mas um contexto que altera demanda, preço e perfil. Em alta temporada, você tende a receber mais lazer e famílias; em baixa, pode depender mais de corporativo, eventos menores e escapadas de fim de semana. O ponto central é: a comunicação e a oferta devem acompanhar o que muda no comportamento do cliente em cada período.

Como mapear sua temporada (passo a passo)

  • 1) Liste os picos: férias escolares, feriados prolongados, eventos locais, verão/inverno (dependendo do destino).
  • 2) Liste os vales: meses historicamente fracos, semanas entre feriados, períodos de chuva (se impactar o destino).
  • 3) Defina objetivos por período: em alta, proteger margem e organizar operação; em baixa, estimular demanda com propostas específicas (não apenas desconto).
  • 4) Ajuste regras: mínimo de noites em datas críticas, políticas de cancelamento, horários de check-in/out, necessidade de sinal.
  • 5) Prepare materiais: páginas e mensagens específicas para “Férias”, “Feriados”, “Baixa temporada”, com o que muda (mínimo de noites, atividades, condições).

Exemplos de ofertas por temporada (sem cair no “promo genérica”)

  • Alta temporada (lazer): valorizar conveniência e experiência (roteiros, parcerias locais, atividades), aplicar mínimo de noites para reduzir giro e custo operacional.
  • Média temporada: pacotes temáticos (gastronomia, bem-estar, natureza), benefícios não financeiros (upgrade sob disponibilidade, experiência inclusa).
  • Baixa temporada: foco em segmentos que viajam fora de pico (corporativo, casais sem filhos, long stay), com condições que façam sentido (tarifa semanal, lavanderia inclusa, café antecipado).

Como escolher seu “segmento âncora” e seus segmentos complementares

Segmento âncora é aquele que sustenta a maior parte da sua receita e define seu posicionamento principal. Segmentos complementares ajudam a preencher períodos e aumentar ocupação sem descaracterizar a marca. Para escolher, avalie três dimensões:

  • Aderência: o quanto seu produto atual atende o segmento sem grandes mudanças.
  • Rentabilidade: potencial de diária média e consumo de extras, versus custo operacional.
  • Estabilidade: previsibilidade ao longo do ano (alguns segmentos são muito sazonais).

Exemplo: uma pousada com clima romântico e boa gastronomia pode ter “casais” como âncora e “pequenos eventos sociais” como complementar em datas específicas. Um hotel urbano próximo a centros empresariais pode ter “corporativo” como âncora e “eventos corporativos pequenos” como complementar.

Ferramenta prática: Matriz Segmento x Oferta x Mensagem

Para transformar segmentação em ação, use uma matriz simples. Em uma planilha, crie colunas: Segmento, Dor principal, Prova, Oferta, Mensagem, Conteúdo de apoio, Ajuste operacional. Preencha para cada segmento prioritário.

Segmento: Executivo de passagem
Dor principal: pouco tempo, precisa dormir bem e sair cedo
Prova: Wi-Fi X Mbps, check-in 24h, avaliações sobre silêncio
Oferta: tarifa dias úteis + café cedo
Mensagem: praticidade para sua agenda
Conteúdo de apoio: mapa de acesso + estacionamento
Ajuste operacional: check-in express e NF padronizada

Essa matriz evita que a segmentação fique apenas “no papel” e ajuda a alinhar marketing, recepção e gestão.

Erros comuns ao segmentar (e como evitar)

  • Segmentar por achismo: valide com dados de reservas, perguntas frequentes e avaliações.
  • Criar segmentos demais: comece com 3 a 5 e refine com o tempo.
  • Prometer o que não entrega: se o Wi-Fi oscila, não use isso como principal promessa até resolver.
  • Comunicação genérica: “conforto e ótima localização” serve para todos e não diferencia; troque por provas e benefícios específicos.
  • Ignorar operação: segmentação exige pequenos ajustes (horários, políticas, materiais) para ser consistente.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao definir segmentos de público em um hotel ou pousada, qual abordagem torna a segmentação mais acionável para orientar produto e comunicação?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Correta: motivação e contexto (lazer, corporativo, eventos e temporada) mudam o que o hóspede valoriza e como decide. Critérios práticos conectam segmentação a decisões de oferta, mensagem e operação, evitando comunicação genérica ou confusa.

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Personas e necessidades: motivos de viagem e critérios de escolha

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