O que é pós-venda orientado à recompra (retenção baseada em serviço)
No B2B online, pós-venda não é “acompanhar por educação”: é um sistema de serviço que reduz atrito operacional, garante que o cliente consiga usar/instalar/consumir o que comprou e cria previsibilidade de reposição. Quando o cliente percebe que comprar de você diminui risco (entrega, conformidade, suporte, resolução rápida de ocorrências), ele tende a repetir o pedido e concentrar mais itens do mix (aumentando LTV).
Retenção baseada em serviço significa desenhar rotinas e SLAs para: (1) onboarding após a primeira compra, (2) confirmação de entrega e aceite, (3) suporte de uso/instalação quando aplicável, (4) gestão de ocorrências (avaria, divergência, devolução), (5) reposição e campanhas de recorrência alinhadas ao ciclo de compra do cliente.
Arquitetura do pós-venda: etapas, responsáveis e SLAs
Estruture o pós-venda como um fluxo com dono, prazo e “próxima ação” registrada. Um modelo simples separa: Operação (logística/expedição), Suporte (uso/instalação e dúvidas), CS/Conta (rotina de recompra e revisão de conta) e Financeiro (notas, boletos, conciliação e ajustes).
| Etapa | Objetivo | SLA sugerido | Saída (evidência) |
|---|---|---|---|
| Onboarding pós-1ª compra | Garantir que o cliente saiba como comprar, receber e usar | Até 24h após confirmação do pedido | Checklist concluído + contatos definidos |
| Confirmação de expedição | Dar previsibilidade e reduzir ansiedade | No mesmo dia da expedição | Rastreio/romaneio enviado |
| Confirmação de entrega/aceite | Validar recebimento e detectar problemas cedo | Até 24–48h após entrega | Aceite registrado ou ocorrência aberta |
| Suporte de uso/instalação | Garantir adoção e resultado | Primeira resposta em até 4–8h úteis | Ticket resolvido + material enviado |
| Gestão de ocorrências | Resolver avaria/divergência/devolução com rastreabilidade | Triagem em até 1 dia útil | RMA/ocorrência com status e prazos |
| Rotina de reposição | Antecipar recompra com base em consumo/ciclo | Semanal/quinzenal | Lista de contas com “janela de recompra” |
Passo a passo: onboarding do cliente após a primeira compra
1) Disparar o “kit de boas-vindas operacional”
Envie uma mensagem (e-mail/WhatsApp corporativo) com informações objetivas e acionáveis. O foco é reduzir dúvidas recorrentes e evitar erros de recebimento.
- Contato do pós-venda (nome, canal, horário)
- Como acompanhar entrega (rastreio, janela, quem recebe)
- Regras de conferência (o que checar na chegada: volumes, integridade, lote/validade quando aplicável)
- Como abrir ocorrência (prazo, fotos necessárias, formulário)
- Como pedir reposição (canal, mínimo, frequência, itens recorrentes)
2) Confirmar “mapa de operação” do cliente
Em 10–15 minutos, valide os dados que impactam serviço e recompra:
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- Endereço e restrições de entrega (doca, horário, agendamento)
- Responsável pelo recebimento e responsável pelo pedido (podem ser pessoas diferentes)
- Critérios internos de aceite (ex.: precisa de nota com pedido de compra, centro de custo, etc.)
- Itens críticos e substitutos aceitos (para evitar ruptura)
3) Registrar preferências e gatilhos de recompra
Capture sinais que vão alimentar campanhas de recorrência:
- Consumo médio (se souber) ou frequência típica (semanal/mensal)
- Sazonalidade (picos por mês/semana)
- Produtos “âncora” (os que puxam recompra) e complementares
- Janela de compra (ex.: sempre na última semana do mês)
Modelo de mensagem (adaptável)
Assunto: Próximos passos do seu pedido + como agilizar reposiçõesOlá, [Nome]. Aqui é [Seu nome] do pós-venda.Para facilitar sua operação:1) Acompanhamento da entrega: [link/código]2) Conferência no recebimento: verificar volumes, integridade e (se aplicável) lote/validade.3) Se houver divergência/avaria: envie fotos + NF + descrição em até [prazo] para [canal].4) Reposição: quando precisar, você pode pedir por [canal] e sugerimos revisar reposição a cada [frequência].Quem é o responsável pelo recebimento e qual o melhor horário para entrega no seu endereço?Passo a passo: confirmação de entrega e aceite (para reduzir churn por atrito)
A confirmação de entrega não é “perguntar se chegou”; é um mini-processo de controle de qualidade e prevenção de conflitos.
1) Check-in pós-entrega (24–48h)
- Confirmar recebimento e integridade
- Confirmar se a NF e volumes batem com o pedido
- Identificar rapidamente divergências (evita escalada interna do cliente)
2) Registrar status
Use estados simples: Entregue e aceito, Entregue com ressalva, Não entregue, Ocorrência aberta. O importante é que cada estado tenha uma próxima ação e um prazo.
3) Se houver ressalva, abrir ocorrência imediatamente
Não deixe o cliente “voltar depois”. Se houver qualquer sinal de problema, abra o ticket e peça evidências no mesmo contato.
Suporte a uso/instalação (quando aplicável): reduzir devolução e aumentar adoção
Quando o produto exige instalação, parametrização, treinamento ou boas práticas de uso, o pós-venda precisa garantir “primeiro sucesso” (o cliente consegue usar sem fricção). Isso reduz devoluções, reclamações e atrasos de pagamento, além de aumentar recompra por confiança.
Checklist de suporte (prático)
- Pré-requisitos: ferramentas, infraestrutura, compatibilidade, segurança
- Guia rápido: 1 página com passos essenciais
- Vídeo curto (se existir): 2–5 minutos com o básico
- Canal de suporte: como acionar, horários, SLA
- Critério de sucesso: como saber que está funcionando (ex.: teste, medição, checklist)
Roteiro de atendimento (primeira resposta)
- Confirmar contexto: onde será usado/instalado, por quem, quando
- Solicitar evidências mínimas: foto, modelo, lote, mensagem de erro, etc.
- Orientar o próximo passo em 1–2 ações claras
- Agendar retorno (não deixar “em aberto”)
Gestão de ocorrências: avaria, divergência e devolução com rastreabilidade
Ocorrência mal gerida vira churn: o cliente sente que “comprar dá trabalho”. Estruture um processo com triagem, evidências, decisão e execução (coleta, reenvio, crédito, reposição).
Tipos comuns e como tratar
- Avaria: dano no transporte/embalagem. Ação: evidências + avaliação + reposição/coleta + ajuste financeiro.
- Divergência: faltou item, item trocado, quantidade errada. Ação: conferência do picking + correção rápida (reenvio/estorno).
- Devolução: desistência, erro de compra, incompatibilidade. Ação: validar política, condição do produto, logística reversa, crédito.
Passo a passo de um fluxo de ocorrência (RMA simplificado)
- Abertura: coletar dados mínimos (pedido, NF, item, quantidade, motivo, fotos).
- Triagem: classificar tipo e urgência (impacta operação do cliente?).
- Decisão: reposição imediata, coleta, crédito, assistência técnica, ou recusa justificada.
- Execução: agendar coleta/entrega, emitir documentos necessários, atualizar status.
- Encerramento: confirmar com o cliente e registrar causa raiz.
- Prevenção: ação corretiva (embalagem, picking, transportadora, descrição no catálogo, instrução de uso).
Campos mínimos do ticket de ocorrência
- ID do pedido e NF
- SKU(s), quantidades, lote/validade (se aplicável)
- Motivo padronizado (lista fechada)
- Evidências anexadas
- Status e responsável
- Prazos e SLA
- Resultado (reenvio, crédito, devolução, etc.)
- Causa raiz (para melhoria contínua)
Matriz de decisão (exemplo)
| Cenário | Impacto no cliente | Ação recomendada | Observação |
|---|---|---|---|
| Item crítico faltando | Alto | Reenvio expresso + ajuste posterior | Priorizar continuidade da operação |
| Avaria parcial | Médio | Reposição na próxima rota + crédito proporcional | Depende do prazo do cliente |
| Erro de compra do cliente | Baixo/Médio | Devolução com regras claras | Evitar exceções sem registro |
Rotinas de reposição e campanhas de recorrência (consumo, sazonalidade e ciclo de compra)
Recompra no B2B é previsível quando você observa: (1) consumo (quanto o cliente usa), (2) sazonalidade (quando aumenta/diminui), (3) ciclo de compra (quando o cliente costuma emitir pedidos). O objetivo é contatar o cliente com antecedência suficiente para ele não entrar em ruptura.
1) Criar “janelas de recompra” por conta e por categoria
Mesmo sem dados perfeitos, comece com regras simples baseadas no histórico:
- Tempo médio entre pedidos (por cliente e por categoria)
- Última data de compra
- Lead time de entrega (para sugerir pedido antes de faltar)
Regra prática: data de contato = última compra + (tempo médio entre pedidos × 0,7). Ex.: cliente recompra a cada 30 dias → contate no dia 21.
2) Separar campanhas por intenção
- Reposição: “está na hora de repor” (itens âncora, consumíveis, recorrentes).
- Prevenção de ruptura: quando o lead time aumenta ou há sazonalidade.
- Reativação: cliente passou do prazo esperado sem comprar.
- Expansão de mix: sugerir complementares após adoção bem-sucedida (sem empurrar; com base em uso).
3) Montar listas de ação semanais (operacional)
Crie uma rotina fixa, por exemplo toda segunda-feira:
- Lista A: clientes com janela de recompra nos próximos 7 dias
- Lista B: clientes atrasados (passaram do tempo médio + tolerância)
- Lista C: clientes com ocorrência recente (só abordar recompra note que o problema foi resolvido)
4) Mensagens de recorrência com proposta de valor operacional
Evite “quer comprar de novo?”. Use linguagem de serviço: reposição, continuidade, planejamento.
Olá, [Nome]. Pelo seu padrão de compras, esta é a semana típica de reposição de [categoria/itens].Quer que eu já separe uma sugestão de pedido com base no último mix (com ajustes de quantidade)?Se preferir, me diga seu consumo médio semanal/mensal e eu monto um plano de reposição.5) Sazonalidade: preparar antes do pico
Quando há meses de pico, antecipe:
- Contato 30–45 dias antes para alinhar previsão
- Recomendação de estoque mínimo
- Alternativas de produto em caso de ruptura
- Agendamento de entregas (quando o cliente tem restrições)
Métricas de retenção e recompra (o que medir e como usar)
Sem métricas, pós-venda vira “apagar incêndio”. Meça o mínimo para enxergar tendência e priorizar ações.
Métricas essenciais
- Taxa de recompra: % de clientes que fizeram um novo pedido em X dias (ex.: 30/60/90).
- Churn: % de clientes que deixaram de comprar após um período acima do ciclo esperado (defina uma regra por segmento).
- Tempo entre pedidos: média e mediana por cliente/categoria (mediana costuma ser mais robusta).
- Frequência de pedidos: pedidos/mês por conta.
- NPS/CSAT (quando aplicável): após entrega/ocorrência resolvida; use para detectar risco.
- Taxa de ocorrências: ocorrências por 100 pedidos e por transportadora/rota/categoria.
- Tempo de resolução: do ticket aberto ao encerrado (por tipo).
Definições práticas (para padronizar)
Exemplo de regras simples:
- Cliente ativo: comprou nos últimos 60 dias (ajuste ao seu ciclo).
- Cliente em risco: passou 1,5× o tempo médio entre pedidos sem comprar.
- Churn: passou 2× o tempo médio entre pedidos sem comprar.
Como as métricas viram ações para aumentar LTV
- Tempo entre pedidos aumentando → criar cadência de reposição + revisar mix âncora + checar se houve problema de entrega/qualidade.
- Ocorrências altas em uma categoria → atacar causa raiz (embalagem, picking, instrução de uso) antes de tentar campanhas.
- NPS/CSAT baixo após entrega → priorizar contato humano, correção e compensação; só depois retomar oferta.
- Recompra boa, mix baixo → trabalhar expansão com base em uso (complementares e substitutos) e padronização de compra.
Playbook de ações para aumentar LTV sem “forçar venda”
1) Padronizar pedidos recorrentes
Transforme o último pedido em um “modelo” (lista de reposição). O cliente ganha tempo e reduz erro; você aumenta recorrência.
- Salvar mix padrão por unidade/filial
- Definir quantidades sugeridas (com base no histórico)
- Revisar a cada 60–90 dias
2) Criar estoque mínimo recomendado (quando fizer sentido)
Para itens críticos, sugira um mínimo operacional. Isso reduz urgências e melhora previsibilidade.
- Definir item crítico
- Definir lead time
- Definir consumo médio
- Calcular mínimo: consumo no lead time + margem de segurança
3) Recuperação pós-ocorrência (momento crítico de retenção)
Quando uma ocorrência é resolvida, faça um contato curto para confirmar e registrar aprendizado. Isso reduz churn por frustração.
- Confirmar que a solução funcionou
- Explicar o que foi feito para evitar repetição
- Oferecer canal direto para próximos pedidos críticos
4) Política de “prioridade operacional” para contas estratégicas
Defina critérios objetivos para priorização (não apenas “cliente grande”): criticidade do item, recorrência, previsibilidade, histórico de pagamento, potencial de expansão.
QBR simplificado (revisão de conta) para clientes estratégicos
O QBR (Quarterly Business Review) simplificado é uma reunião curta (30–45 min) para revisar desempenho, reduzir atritos e planejar o próximo ciclo. O objetivo é manter a conta saudável e aumentar LTV por previsibilidade e serviço.
Quando fazer
- A cada 90 dias para contas estratégicas
- A cada 180 dias para contas em crescimento
- Extraordinário após mudanças (nova unidade, troca de responsável, pico sazonal)
Preparação (antes da reunião)
- Resumo de pedidos: últimos 90 dias (quantidade, categorias, ticket)
- Tempo entre pedidos e tendência
- Ocorrências: quantidade, tipo, tempo de resolução e causa raiz
- Itens mais comprados e itens críticos
- Mapa de contatos: comprador, financeiro, recebimento, operação
Roteiro de QBR (agenda objetiva)
- Abertura (5 min): objetivo da reunião e confirmação de participantes.
- Operação e serviço (10 min): entregas, SLAs, ocorrências e melhorias implementadas.
- Consumo e reposição (10 min): padrões de compra, risco de ruptura, ajustes de frequência/quantidade.
- Planejamento do próximo ciclo (10 min): sazonalidade, previsão, itens críticos, alternativas.
- Oportunidades (5–10 min): complementares úteis, padronização de mix, condições logísticas (ex.: entregas programadas).
Perguntas-chave (para extrair sinais de retenção)
- O que hoje mais atrapalha o recebimento/uso do produto?
- Quais itens são críticos e não podem faltar?
- Houve mudança de demanda, obra, contrato ou sazonalidade?
- Qual é o processo interno de aprovação do pedido (prazo típico)?
- Se você pudesse melhorar 1 coisa no nosso serviço, o que seria?
Saídas obrigatórias do QBR
- Plano de reposição (itens, frequência, responsáveis)
- Ajustes operacionais (janela de entrega, conferência, documentação)
- Lista de ações com prazos (cliente e fornecedor)
- Critérios de sucesso para o próximo ciclo (ex.: reduzir ocorrências em X%, reduzir tempo de resolução, manter estoque mínimo)