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Preparatório para o Concurso da Escola de Sargentos das Armas (ESA - Exército Brasileiro)

Novo curso

15 páginas

Português para a ESA: Compreensão e Interpretação de Textos

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 13 minutos

+ Exercício

Leitura ativa no padrão da ESA

Na prova da ESA, “compreensão e interpretação” costuma exigir que você identifique rapidamente o que o texto diz (compreensão) e o que ele sugere/implica (interpretação). A leitura ativa é um método de leitura com marcações mentais (ou no rascunho) para localizar tema, tese, argumentos, relações lógicas e sentidos implícitos, reduzindo o risco de cair em alternativas “plausíveis”, mas incompatíveis com o texto.

O que observar em qualquer texto

  • Tema: assunto geral (ex.: “uso de celular na escola”).
  • Tese: posição central do autor sobre o tema (ex.: “o celular deve ser integrado ao ensino, não proibido”).
  • Argumentos: razões que sustentam a tese (dados, exemplos, comparações, causa e consequência).
  • Inferências: conclusões que você tira a partir de pistas do texto, sem estarem ditas literalmente.
  • Pressupostos: informações tomadas como dadas para que uma frase faça sentido (geralmente acionadas por verbos como “voltar”, “continuar”, “parar”, “lamentar”, “perceber”).
  • Subentendidos: sentidos sugeridos pelo contexto, ironia, escolha de palavras, contraste, omissões estratégicas.
  • Intenção comunicativa: informar, persuadir, criticar, alertar, ironizar, orientar, sensibilizar.
  • Efeitos de sentido: impacto produzido por recursos como ironia, hipérbole, modalizadores (“talvez”, “certamente”), adjetivos avaliativos (“absurdo”, “necessário”).
  • Relações lógico-discursivas: causa, consequência, contraste, concessão, condição, finalidade, explicação, exemplificação.

Passo a passo prático de leitura ativa (aplicável na prova)

  • 1) Leia o texto uma vez sem parar: busque o panorama (assunto e tom).
  • 2) Releia marcando a “coluna vertebral”: identifique (mentalmente) tese e 2–4 argumentos. Pergunte: “Qual frase eu usaria para resumir a posição do autor?”
  • 3) Mapeie conectivos e relações: destaque mentalmente palavras como “porque”, “portanto”, “no entanto”, “embora”, “para que”, “assim”, “logo”, “além disso”. Elas indicam a lógica do texto.
  • 4) Caça aos implícitos: procure verbos e expressões que carregam pressupostos (“voltou a”, “ainda”, “deixou de”, “lamenta que”). Observe ironia e escolhas lexicais avaliativas.
  • 5) Leia as questões antes de voltar ao texto: identifique o que cada questão quer (tema? tese? inferência? relação lógica?).
  • 6) Prove a alternativa pelo texto: na ESA, a correta é a que pode ser justificada com trecho/ideia do texto. Desconfie de alternativas “boas demais”, genéricas ou moralizantes.
  • 7) Elimine por critérios: (a) extrapolação (vai além do texto), (b) contradição, (c) inversão de causa/consequência, (d) troca de foco (tema ≠ tese), (e) absolutização indevida (“sempre”, “nunca”) quando o texto é moderado.

Relações lógico-discursivas mais cobradas

Causa e consequência

Causa responde “por quê?”. Marcadores: “porque”, “já que”, “visto que”, “uma vez que”. Consequência responde “o que resulta disso?”. Marcadores: “portanto”, “logo”, “assim”, “por isso”, “de modo que”.

Armadilha comum: a alternativa troca a ordem: apresenta consequência como se fosse causa.

Contraste e concessão

Contraste: oposição direta (“mas”, “porém”, “contudo”, “entretanto”). Concessão: admite um ponto para reforçar outro (“embora”, “ainda que”, “mesmo que”).

Armadilha comum: ler “embora” como se anulasse totalmente a primeira ideia; na verdade, ela é reconhecida, mas não impede a conclusão.

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Finalidade

Indica objetivo. Marcadores: “para”, “para que”, “a fim de”, “com o objetivo de”.

Armadilha comum: confundir finalidade (intenção) com consequência (resultado).

Gênero 1: Artigo de opinião (persuasão e tese explícita)

Texto I (artigo de opinião) A pressa em proibir o celular em sala de aula costuma nascer de um diagnóstico real: a distração existe. O erro está em tratar o aparelho como causa única do problema. Quando a aula se reduz a copiar conteúdo, qualquer estímulo externo vira concorrente; quando a aula propõe investigação, o celular pode ser ferramenta. Em vez de listas de proibições, escolas deveriam estabelecer regras de uso e ensinar critérios: checar fontes, comparar versões e reconhecer manipulações. Proibir é simples e rende sensação imediata de controle, mas não prepara o aluno para o ambiente em que ele já vive. Integrar com responsabilidade dá trabalho, porém forma autonomia.

Como ler o Texto I com leitura ativa

  • Tema: uso do celular na escola.
  • Tese: a proibição total é um erro; o caminho é integrar o celular com regras e educação para uso responsável.
  • Argumentos: (1) distração existe, mas celular não é causa única; (2) aulas passivas aumentam concorrência de estímulos; (3) ensinar critérios de checagem prepara para a realidade; (4) proibir dá controle imediato, mas não forma autonomia.
  • Contraste: “Proibir é simples... mas não prepara...” / “Integrar... dá trabalho, porém...”
  • Intenção: persuadir (defender política de integração responsável).

Questões (estilo ESA) – Texto I

1) A tese do texto é que:

  • A) o celular deve ser banido porque sempre atrapalha a aprendizagem.
  • B) o celular é o principal responsável pela queda do rendimento escolar.
  • C) a escola deve integrar o celular ao ensino com regras e formação crítica.
  • D) a distração em sala de aula é um problema insolúvel.
  • E) aulas expositivas são superiores a aulas investigativas.

2) No trecho “Proibir é simples e rende sensação imediata de controle, mas não prepara o aluno...”, a relação lógico-discursiva predominante é de:

  • A) finalidade.
  • B) contraste.
  • C) causa.
  • D) condição.
  • E) exemplificação.

3) É uma inferência adequada ao texto:

  • A) a escola deve ignorar a existência do celular para manter a disciplina.
  • B) a qualidade da proposta pedagógica influencia o nível de distração.
  • C) a distração só ocorre em aulas investigativas.
  • D) regras de uso são inúteis porque alunos não as cumprem.
  • E) checar fontes é uma habilidade desnecessária no ambiente escolar.

4) Assinale a alternativa que apresenta um pressuposto presente no texto:

  • A) O aluno não vive em um ambiente com tecnologia fora da escola.
  • B) Existem manipulações e desinformação em conteúdos acessados pelos alunos.
  • C) A proibição do celular elimina toda distração em sala.
  • D) A escola não tem responsabilidade na formação do aluno.
  • E) A autonomia é prejudicial ao processo educativo.

Gabarito comentado – Texto I

1) C. O texto defende integração responsável, com regras e ensino de critérios. A e B absolutizam e atribuem causalidade única, contrariando “erro está em tratar o aparelho como causa única”. D não aparece; o texto propõe solução. E é o oposto do argumento “quando a aula se reduz a copiar...”.

2) B. O conectivo “mas” marca oposição entre “sensação imediata de controle” e “não prepara o aluno”. A seria “para que/a fim de”. C exigiria “porque/já que”. D exigiria “se”. E traria exemplos explícitos.

3) B. O texto relaciona distração ao tipo de aula (“quando a aula se reduz...”; “quando a aula propõe...”). A contraria a proposta de integrar. C inverte: o texto sugere que aulas investigativas podem usar o celular como ferramenta. D é extrapolação pessimista não sustentada. E contraria “checar fontes... reconhecer manipulações”.

4) B. Ao dizer “reconhecer manipulações”, o texto pressupõe que existam manipulações no ambiente informacional. A é negado (“ambiente em que ele já vive”). C, D e E contrariam o texto.

Gênero 2: Crônica (subentendidos, ironia e ponto de vista)

Texto II (crônica) No ônibus lotado, um rapaz ofereceu o lugar a uma senhora. Ela agradeceu, sentou e, antes que o veículo arrancasse, já reclamava do calor, do trânsito e “da juventude de hoje”. O rapaz, em pé, sorriu com a paciência de quem coleciona pequenas derrotas. Quando o ônibus freou, a bolsa da senhora escorregou. O rapaz a segurou no ar, como se fosse um goleiro. “Ainda bem que existe gente educada”, ela disse, sem perceber o alvo da frase. Ele apenas respondeu: “Existe, sim”. E voltou a olhar pela janela, onde a cidade seguia apressada, como se não tivesse tempo para notar as próprias contradições.

Como ler o Texto II com leitura ativa

  • Tema: convivência urbana e contradições no julgamento do outro.
  • Foco: cena cotidiana com avaliação implícita do narrador.
  • Subentendido/ironia: a senhora critica “a juventude de hoje” apesar de receber gentileza do jovem; a frase “sem perceber o alvo” indica ironia.
  • Efeito de sentido: “coleciona pequenas derrotas” sugere desgaste emocional; “goleiro” cria imagem de agilidade e cuidado.
  • Intenção: provocar reflexão crítica, com humor/ironia leve.

Questões (estilo ESA) – Texto II

1) O efeito de sentido da expressão “sorriu com a paciência de quem coleciona pequenas derrotas” é:

  • A) indicar que o rapaz se sente superior à senhora.
  • B) sugerir que o rapaz está acostumado a situações em que sua gentileza não é reconhecida.
  • C) afirmar que o rapaz perdeu uma competição esportiva.
  • D) mostrar que o rapaz não se importa com a opinião alheia.
  • E) provar que a senhora pediu desculpas ao rapaz.

2) Em “sem perceber o alvo da frase”, o “alvo” refere-se:

  • A) ao motorista do ônibus.
  • B) à cidade apressada.
  • C) ao próprio rapaz, que contrariava a crítica feita à juventude.
  • D) à bolsa que escorregou.
  • E) ao trânsito intenso.

3) A principal crítica implícita no texto é dirigida:

  • A) ao jovem, por ser irônico.
  • B) à senhora, por generalizar e não reconhecer a gentileza recebida.
  • C) ao motorista, por frear bruscamente.
  • D) ao narrador, por exagerar na descrição.
  • E) ao ônibus, por estar lotado.

4) A relação lógico-discursiva em “Ainda bem que existe gente educada”, no contexto, produz qual efeito?

  • A) reforça literalmente a ideia de que a juventude é mal-educada.
  • B) cria ironia, pois a fala contrasta com a atitude educada do rapaz que ela acabara de desvalorizar.
  • C) estabelece finalidade: educar para reduzir o trânsito.
  • D) indica causa: o ônibus freou porque faltou educação.
  • E) apresenta condição: se houver educação, haverá ônibus vazio.

Gabarito comentado – Texto II

1) B. “Coleciona pequenas derrotas” sugere repetição de frustrações cotidianas, como ser gentil e não receber reconhecimento. A não é sustentada. C literaliza indevidamente. D contraria o tom de desgaste. E inventa fato.

2) C. A senhora critica “a juventude de hoje”, mas o jovem é educado; logo, o “alvo” é ele, atingido injustamente pela generalização. As demais opções não se conectam ao mecanismo de ironia.

3) B. A crônica expõe a contradição da senhora e a tendência de generalizar. A não é foco; o rapaz é contido. C e E são circunstanciais. D não procede.

4) B. A frase, no contexto, ganha ironia por contraste: ela elogia “gente educada” enquanto desqualifica a juventude, ignorando que o rapaz é exemplo de educação. As alternativas C, D e E forçam relações lógicas inexistentes; A ignora o subentendido.

Gênero 3: Notícia (objetividade, recorte e inferências controladas)

Texto III (notícia) A prefeitura anunciou que, a partir do próximo mês, a coleta seletiva será ampliada para mais 12 bairros. Segundo a secretaria responsável, a medida inclui a distribuição de novos contêineres e uma campanha de orientação sobre separação de resíduos. O cronograma prevê que a ampliação ocorra em duas etapas, com avaliação dos índices de adesão ao final de cada fase. Moradores de regiões já atendidas relataram redução de lixo misturado, mas apontaram dúvidas sobre horários e tipos de material aceitos.

Como ler o Texto III com leitura ativa

  • Tema: ampliação da coleta seletiva.
  • Informações centrais: quando (próximo mês), o quê (ampliação para 12 bairros), como (contêineres + campanha), método (duas etapas + avaliação), reações (redução de lixo misturado + dúvidas).
  • Intenção: informar com base em fonte institucional (“secretaria responsável”).
  • Inferência controlada: se há campanha de orientação e dúvidas, então parte da população ainda não domina regras de separação.

Questões (estilo ESA) – Texto III

1) A finalidade da campanha de orientação mencionada no texto é:

  • A) punir moradores que não separam resíduos.
  • B) substituir a distribuição de contêineres.
  • C) orientar a população sobre como separar os resíduos corretamente.
  • D) reduzir o número de bairros atendidos.
  • E) encerrar a coleta seletiva após duas etapas.

2) Assinale a alternativa que apresenta uma inferência compatível com o texto:

  • A) a ampliação foi cancelada por falta de contêineres.
  • B) haverá monitoramento dos resultados ao longo do processo de ampliação.
  • C) todos os moradores já sabem quais materiais são aceitos.
  • D) a coleta seletiva ocorrerá em etapa única e sem avaliação.
  • E) a prefeitura proibirá o descarte de lixo comum.

3) No trecho “Moradores... relataram redução de lixo misturado, mas apontaram dúvidas...”, o conectivo “mas” introduz ideia de:

  • A) causa.
  • B) consequência.
  • C) contraste.
  • D) finalidade.
  • E) condição.

4) O texto indica como procedimento administrativo:

  • A) a ampliação em duas etapas com avaliação ao final de cada fase.
  • B) a substituição do serviço por coleta comum.
  • C) a suspensão da coleta nos bairros já atendidos.
  • D) a eliminação de dúvidas por meio de multas.
  • E) a redução do número de contêineres para economizar.

Gabarito comentado – Texto III

1) C. A campanha é “de orientação sobre separação de resíduos”. A não aparece. B é falso: a medida inclui ambos. D e E contradizem o anúncio de ampliação e o cronograma.

2) B. “Avaliação dos índices de adesão ao final de cada fase” implica monitoramento. A, E inventam medidas. C contraria “apontaram dúvidas”. D contraria “duas etapas” e “avaliação”.

3) C. “Mas” opõe um resultado positivo (redução de lixo misturado) a um problema persistente (dúvidas). As demais relações não se aplicam.

4) A. Está explicitamente descrito no cronograma. As alternativas B, C, D, E não são informadas e contradizem o texto.

Checklist rápido para resolver questões de interpretação (ESA)

  • Separar tema de tese: tema é “sobre o que”; tese é “o que se defende”.
  • Localizar conectivos: eles “mandam” na lógica do enunciado.
  • Evitar extrapolar: se não dá para apontar a base no texto, desconfie.
  • Preferir alternativas moderadas: quando o texto usa “costuma”, “pode”, “em geral”, a alternativa com “sempre/nunca” tende a estar errada.
  • Checar implícitos: ironia e subentendidos aparecem muito em crônicas; em notícias, inferências devem ser mais contidas.
  • Confirmar com paráfrase: reescreva mentalmente a alternativa e veja se mantém o sentido do texto sem adicionar opinião.

Treino de relações lógico-discursivas (mini-itens)

Identifique a relação indicada pelo conectivo em cada frase.

  • 1) “Ele estudou com regularidade, portanto melhorou o desempenho.”
  • 2)Embora estivesse cansado, revisou os exercícios.”
  • 3) “Fez um resumo para memorizar os pontos principais.”
  • 4) “Não saiu, porque precisava terminar o simulado.”

Gabarito: 1) consequência; 2) concessão; 3) finalidade; 4) causa.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao resolver questões de compreensão e interpretação, qual estratégia melhor evita cair em alternativas “plausíveis”, mas incompatíveis com o que foi apresentado?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A estratégia mais segura é provar a alternativa pelo conteúdo: ela deve ser justificável por uma ideia/trecho e não pode extrapolar, contradizer, inverter causa/consequência ou trocar tema por tese. Isso reduz o risco de marcar opções apenas “bem escritas”.

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