Planejamento de estudos é a organização intencional do seu tempo, energia e materiais para transformar o edital em tarefas executáveis, com metas mensuráveis e revisão contínua. Estratégia de aprovação é o conjunto de decisões que prioriza o que mais cai, o que mais pontua e o que você tem mais chance de consolidar até a prova, reduzindo desperdícios (estudar sem revisar, estudar sem questões, ou estudar sem controle de desempenho).
Princípios do planejamento eficiente para concursos da PM
1) Planejar a partir do edital e da banca
O edital define o “o quê” e a banca costuma definir o “como” (estilo de cobrança). Seu plano deve nascer de uma lista de tópicos do edital, e cada tópico precisa virar uma unidade de estudo com: teoria essencial, questões e revisão.
- Transforme cada item do edital em um tópico estudável (ex.: “Crase” vira: regras, casos proibidos, casos facultativos, questões).
- Classifique tópicos por frequência (alto/médio/baixo) com base em provas anteriores da banca/estado.
- Defina o nível de profundidade: “saber resolver questões” é diferente de “saber explicar toda a teoria”.
2) Priorizar por impacto (custo-benefício)
Nem todo conteúdo tem o mesmo retorno. A estratégia de aprovação usa uma matriz simples: probabilidade de cair × peso/quantidade de questões × sua dificuldade atual.
- Alta incidência + alta dificuldade para você: entra cedo e com mais revisões.
- Alta incidência + baixa dificuldade: manutenção com questões e revisões curtas.
- Baixa incidência + alta dificuldade: estude o mínimo viável (foco em padrões de questão).
3) Estudar em ciclos (e não por “grade engessada”)
Ciclo é uma sequência de blocos de estudo que se repete, permitindo ajustar rapidamente quando surgir atraso, cansaço ou necessidade de reforço. Em vez de “segunda é só Direito”, você roda blocos e mantém constância em todas as disciplinas.
Exemplo de ciclo (ilustrativo): Português → Matemática/RLM → Direito Constitucional → Direito Penal → Informática → Legislação específica. Ao terminar o último bloco, você volta ao primeiro.
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4) Medir desempenho para decidir o próximo passo
Planejamento sem métrica vira “sensação de estudo”. Use indicadores simples para orientar ajustes semanais.
- % de acertos por assunto (não só por disciplina).
- Tempo médio por questão (controle de velocidade).
- Lista de erros recorrentes (falhas de regra, distração, interpretação, fórmula, exceção).
Passo a passo prático para montar seu plano (do zero)
Passo 1 — Mapear o edital em uma planilha de tópicos
Crie uma lista com: Disciplina → Assunto → Subassunto → Status (não visto / em estudo / revisando / consolidado). O objetivo é enxergar o edital como tarefas pequenas.
Exemplo de linha (Português): Regência verbal | verbos mais cobrados | status: não vistoPasso 2 — Definir sua disponibilidade real (sem “otimismo”)
Some horas líquidas semanais (tempo efetivo, sem celular, sem interrupções). Planeje com margem para imprevistos.
- Se você tem 2h por dia, planeje 1h30 líquida e reserve 30 min para atrasos/descanso.
- Se trabalha em escala, planeje por “janelas” (ex.: 3 blocos em dias livres, 1 bloco em dias de plantão).
Passo 3 — Montar um ciclo com blocos de 50–90 minutos
Escolha um tamanho de bloco que você sustente com qualidade. Em cada bloco, defina um objetivo fechado (ex.: “resolver 25 questões de crase e revisar erros”).
- Bloco de teoria: foco no essencial e em exemplos típicos de prova.
- Bloco de questões: volume suficiente para aparecerem padrões de erro.
- Bloco de revisão: curto, frequente e direcionado ao que você erra.
Passo 4 — Distribuir disciplinas por prioridade
Use uma regra simples: disciplinas mais cobradas e/ou com maior dificuldade para você aparecem mais vezes no ciclo.
Exemplo (ciclo de 10 blocos): Português (2) | Matemática/RLM (2) | Constitucional (2) | Penal (2) | Informática (1) | Legislação específica (1)Passo 5 — Definir a rotina de revisões (curtas e programadas)
Revisão é o que impede o esquecimento. Programe revisões com base no que você estudou e no que errou.
- Revisão 1: no dia seguinte (10–20 min do que foi estudado).
- Revisão 2: em 7 dias (questões + leitura rápida de pontos críticos).
- Revisão 3: em 21–30 dias (simulado por assunto e correção ativa).
Se o tempo estiver curto, priorize revisão por questões e por “caderno de erros”.
Passo 6 — Criar um “caderno de erros” e um “caderno de acertos difíceis”
Erro bem registrado vira ponto ganho. Registre apenas o que tem chance de se repetir.
- Caderno de erros: regra/ideia central + exemplo de questão + por que você errou + como evitar.
- Acertos difíceis: questões que você acertou por pouco (chute consciente, dúvida, eliminação). Elas voltam na revisão.
Modelo de registro (curto): Assunto | Questão | Erro: confundi exceção | Correção: regra X + exemplo | Alerta: “sempre verificar...”Passo 7 — Inserir simulados e treinos de tempo
Simulado não é só “testar conhecimento”; é treinar execução. Comece por simulados menores e evolua.
- Semanal: 30–50 questões mistas (foco em identificar gargalos).
- Quinzenal/mensal: simulado maior com tempo cronometrado (foco em ritmo e resistência).
- Após o simulado: correção ativa (refazer as erradas sem ver gabarito, depois comparar).
Estratégias de aprovação: como estudar para pontuar mais
Estudo orientado por questões (sem abandonar a base)
Para concursos da PM, a prova costuma cobrar aplicação. A teoria deve ser suficiente para resolver questões, e as questões devem guiar o que revisar.
- Antes de estudar um tópico: faça 5–10 questões diagnósticas para ver o padrão.
- Depois da teoria: faça 20–40 questões do tópico e marque as que geraram dúvida.
- Na revisão: refaça as marcadas e as erradas, buscando reduzir o tempo por questão.
Regra 70/30 (ajustável) para teoria e prática
Um ponto de partida comum é: mais prática conforme você avança.
- Início (base fraca): 60% teoria + 40% questões.
- Intermediário: 40% teoria + 60% questões.
- Reta final: 20% teoria + 80% questões (com revisões e simulados).
Controle de velocidade e precisão
Dois candidatos podem saber o mesmo conteúdo, mas um perde por tempo. Treine para manter acerto alto com ritmo constante.
- Treino de bloco: 15 questões em X minutos (defina meta e ajuste).
- Treino de leitura: sublinhar comandos (“assinale a alternativa incorreta”, “exceto”).
- Treino de decisão: quando pular e quando insistir (evitar “afundar” em uma questão).
Gestão de pontos fracos sem travar o ciclo
Ponto fraco não pode paralisar o plano. Use “reforços” dentro do ciclo.
- Se um assunto estiver com <50% de acerto: adicione 1 bloco extra por semana só para ele por 2 semanas.
- Se estiver entre 50–70%: mantenha com revisões e questões marcadas.
- Se estiver >70%: manutenção (questões mistas e revisões espaçadas).
Modelos práticos de semana de estudos (adaptáveis)
Modelo A — 2h por dia (tempo curto)
- Seg a Sex: 1 bloco (70–90 min) + 20 min revisão do dia anterior + 10 min caderno de erros.
- Sábado: simulado curto (30–50 questões) + correção ativa.
- Domingo: 2 revisões (assuntos mais errados da semana) + descanso planejado.
Modelo B — 4h por dia (tempo médio)
- Seg a Sex: 2 blocos (um de teoria/prática do tópico do dia e um de questões/revisão).
- Sábado: simulado maior + correção + atualização do caderno de erros.
- Domingo: revisão espaçada (7/21 dias) + treino de tempo em questões.
Checklist semanal de ajuste do planejamento
Reserve 20–30 minutos no fim da semana para ajustar o ciclo com base em dados.
- Quais 3 assuntos tiveram menor % de acerto?
- Quais erros se repetiram (distração, regra, interpretação)?
- Qual disciplina ficou sem aparecer no ciclo (falha de cobertura)?
- Seu tempo por questão está caindo sem perder precisão?
- O que será reforçado na próxima semana (blocos extras e revisões)?
Exemplos práticos de aplicação (como transformar em tarefa)
Exemplo 1 — Português: assunto “Crase”
- Diagnóstico: 10 questões (marcar padrões de erro).
- Teoria essencial: regras gerais + casos proibidos + casos facultativos (resumo de 1 página).
- Prática: 30 questões do assunto.
- Revisão: refazer erradas em 7 dias + 15 questões mistas em 21 dias.
Exemplo 2 — Direito Penal: “Teoria do crime (conceitos básicos)”
- Teoria: conceitos-chave e diferenças que a banca costuma confundir.
- Prática: questões de definição e de aplicação (casos concretos curtos).
- Caderno de erros: registrar confusões típicas (ex.: elemento subjetivo, tipicidade, ilicitude).
- Revisão: mini-simulado do tema com correção ativa.
Exemplo 3 — Informática: “Atalhos e conceitos operacionais”
- Teoria: lista objetiva de comandos/atalhos mais cobrados.
- Prática: questões repetidas até estabilizar o acerto.
- Revisão: flashcards ou lista de “pegadinhas” (diferenças entre comandos parecidos).