Planejamento de Conteúdo para Redes Sociais: público-alvo, contexto e intenção de consumo

Capítulo 2

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que significa mapear público-alvo (na prática)

Mapear o público-alvo, para planejamento de conteúdo, é transformar “quem eu quero atingir” em informações acionáveis para decidir o que publicar, como falar e em que momento entregar cada mensagem. Em vez de dados genéricos (idade, cidade), o foco aqui é entender: dores (o que trava), desejos (o que busca), objeções (por que não compra/age), linguagem (como descreve o problema), rotina (quando tem atenção) e contexto de uso (como consome conteúdo: rápido, com som, salvando, pesquisando, comparando).

Esse mapeamento serve para alinhar o conteúdo à intenção de consumo do público, que geralmente cai em três situações: 1) aprender (entender e aplicar), 2) resolver (tirar uma dúvida específica agora), 3) decidir (comparar opções e reduzir risco).

Mapa prático do público: 6 blocos que você precisa preencher

1) Dores (problemas reais e consequências)

  • O que a pessoa tenta resolver?
  • O que acontece se ela não resolver (perda de tempo, dinheiro, estresse, oportunidade)?
  • Quais “sintomas” ela percebe no dia a dia?

Exemplo de formulação: “Eu até tento fazer conteúdo, mas fico sem ideia e acabo sumindo; isso me faz perder consistência e leads.”

2) Desejos (resultado esperado e critérios de sucesso)

  • Qual transformação ela quer?
  • Como ela mede que deu certo (números, sensação, rotina mais leve)?
  • O que ela quer manter (autenticidade, tempo livre, previsibilidade)?

Exemplo: “Quero um jeito simples de planejar 30 dias sem travar, com posts que gerem conversas e pedidos de orçamento.”

3) Objeções (medos, crenças e barreiras)

  • Por que ela adia?
  • Que experiências ruins já teve?
  • Que risco ela enxerga (parecer vendedor, gastar tempo, não funcionar)?

Exemplo: “Já tentei seguir calendário pronto e não funcionou para meu nicho; tenho medo de perder tempo.”

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4) Linguagem (palavras exatas que ela usa)

  • Como ela descreve o problema sem termos técnicos?
  • Quais expressões aparecem em comentários/DMs?
  • Quais perguntas ela faz do jeito dela?

Dica prática: anote frases literais entre aspas para virar títulos e ganchos. Ex.: “Como eu posto todo dia sem virar refém disso?”

5) Rotina (janelas de atenção e energia)

  • Quando ela tem 2 minutos? (fila, transporte, intervalo)
  • Quando ela tem 15–30 minutos? (noite, fim de semana)
  • Quando ela está mais ansiosa/pressionada? (segunda cedo, fechamento do mês)

Aplicação no conteúdo: conteúdos “rápidos” para momentos de baixa atenção e conteúdos “profundos” para momentos de estudo.

6) Contexto de uso e intenção de consumo

  • Ela consome com som ou sem som?
  • Ela quer salvar para aplicar depois ou resolver agora?
  • Ela está pesquisando, comparando ou só descobrindo?

Exemplo de intenção: “Estou pesquisando como organizar temas do mês” (consideração) vs. “Qual modelo de calendário eu uso?” (decisão).

Passo a passo: como mapear o público em 45–60 minutos

Passo 1 — Escolha um recorte de público (não tente abraçar tudo)

Defina um recorte operacional: quem você quer ajudar primeiro e com qual problema principal. Um bom recorte tem: perfil + situação + objetivo.

  • Perfil: autônomo, dono de negócio local, profissional liberal, e-commerce pequeno etc.
  • Situação: sem consistência, sem ideias, sem tempo, sem clareza de mensagem.
  • Objetivo: planejar e publicar com previsibilidade e intenção.

Passo 2 — Colete frases reais (matéria-prima)

Antes de “inventar” dores e desejos, colete linguagem real. Use o roteiro de coleta rápida mais abaixo e traga pelo menos 15 frases (perguntas, reclamações, dúvidas, comparações).

Passo 3 — Preencha o mapa de 6 blocos

Com as frases em mãos, preencha dores, desejos, objeções, linguagem, rotina e contexto. Se faltar algo, marque como “hipótese” e valide depois.

Passo 4 — Transforme em 1 a 2 personas operacionais

Persona operacional não é biografia; é um “cartão de decisão” para guiar conteúdo. Ela precisa ser específica o suficiente para você escrever um post como se fosse para uma pessoa real.

Passo 5 — Gere uma lista de perguntas frequentes (FAQ editorial)

Converta dores/objeções em perguntas que o conteúdo deve responder. Isso vira pauta e também vira estrutura de carrosséis, roteiros de vídeo e legendas.

Passo 6 — Valide o nível de consciência (descoberta, consideração, decisão)

Classifique cada pergunta em um nível de consciência para ajustar o tipo de conteúdo e o grau de detalhe. Use o checklist ao final.

Modelos prontos: 2 personas operacionais (exemplos)

Persona 1 — “Marina, a prestadora de serviço sem tempo”

Quem éProfissional autônoma (serviços), agenda cheia, faz conteúdo sozinha.
DoresFalta de consistência; sente que repete temas; não sabe o que postar quando está cansada; conteúdo não vira conversa.
DesejosPlanejar o mês em poucas horas; ter ideias reaproveitáveis; atrair clientes “certos” sem parecer insistente.
Objeções“Calendário engessa”; “não tenho tempo para gravar”; “meu nicho é diferente”; medo de parecer amadora.
Linguagem“Tô sem ideia”, “sumo e volto”, “não sei o que falar”, “não quero virar blogueira”.
RotinaConsome rápido entre atendimentos; à noite consegue estudar 20–30 min; fim de semana planeja.
Contexto e intençãoQuer conteúdos salváveis (checklists, modelos); busca respostas rápidas para postar hoje; em alguns momentos pesquisa para organizar o mês.

Persona 2 — “Rafael, dono de pequeno negócio que quer previsibilidade”

Quem éDono de negócio pequeno, precisa vender com constância, delega parte do conteúdo mas revisa tudo.
DoresPosta quando dá; não sabe o que priorizar; sente que conteúdo não explica bem o diferencial; equipe pede direção.
DesejosTer um plano claro do mês; alinhar conteúdo com campanhas; reduzir retrabalho; ver pedidos chegando com mais qualidade.
Objeções“Isso dá trabalho”; “não sei o que funciona”; “não quero depender de tendência”; medo de investir e não ter retorno.
Linguagem“Preciso de um norte”, “quero algo que a equipe execute”, “o que eu posto para vender sem forçar?”.
RotinaConsome no início do dia e no fim; prefere conteúdos objetivos; reuniões semanais para alinhar ações.
Contexto e intençãoConsome para decidir e implementar (modelos, processos); quer exemplos aplicáveis ao negócio; busca comparações e critérios.

FAQ editorial: perguntas que seu conteúdo deve responder

Perguntas de descoberta (a pessoa ainda não organizou o problema)

  • Por que eu travo para ter ideias mesmo conhecendo meu negócio?
  • Como saber se meu conteúdo está confuso ou só “sem alcance”?
  • O que faz alguém salvar um post em vez de só curtir?
  • Como parar de depender de inspiração para postar?
  • Como escolher temas sem ficar falando de tudo?

Perguntas de consideração (a pessoa já quer um método)

  • Como transformar dúvidas de clientes em pauta?
  • Como organizar temas por semana sem ficar repetitivo?
  • Como equilibrar conteúdo educativo e conteúdo de oferta?
  • Como adaptar ideias para diferentes formatos sem reescrever tudo?
  • Como planejar quando tenho pouco tempo e energia?

Perguntas de decisão (a pessoa quer escolher e executar agora)

  • Qual estrutura mínima de calendário editorial eu devo usar?
  • Quantos posts por semana fazem sentido para minha rotina?
  • Como saber se um tema está pronto para virar post (critério de qualidade)?
  • O que eu preciso deixar pronto antes de começar a publicar (checklist)?
  • Como transformar um serviço/produto em uma sequência de conteúdos que leva ao pedido?

Roteiro de coleta rápida de insumos (comentários, DMs, vendas, atendimento, concorrentes)

Objetivo: coletar frases reais e padrões em 30–40 minutos para alimentar dores, desejos, objeções, linguagem e contexto.

1) Comentários (10 minutos)

  • Separe os últimos 20–30 posts.
  • Anote perguntas repetidas e frases com emoção (ex.: “isso é meu problema”).
  • Marque: dúvida técnica, dúvida de processo, medo/objeção, pedido de exemplo.

2) DMs e mensagens (10 minutos)

  • Liste as 10 conversas mais recentes com potenciais clientes/seguidores.
  • Copie trechos (sem dados pessoais) com: “quanto custa”, “como funciona”, “serve para mim?”, “tenho medo de…”.
  • Identifique em que momento a pessoa pediu ajuda: antes de comprar, durante a comparação, após tentar sozinha.

3) Vendas e pós-venda (10 minutos)

  • Relembre as últimas 5 vendas: o que fez a pessoa decidir?
  • Anote as perguntas antes de fechar e as dúvidas depois de comprar.
  • Liste 3 motivos de perda (quando não fechou) e o que travou.

4) Atendimento/suporte (5 minutos)

  • Quais são as 5 perguntas mais frequentes?
  • Quais erros mais comuns as pessoas cometem?
  • Quais termos elas usam (mesmo que “errados” tecnicamente)?

5) Concorrentes e referências (5 minutos)

  • Veja 5 perfis do mesmo mercado.
  • Anote posts com muitos comentários: quais perguntas surgem?
  • Observe lacunas: o que ninguém explica com clareza? o que é explicado de forma genérica?

Como organizar os insumos (modelo simples)

Coluna A: Frase literal do público (copiada)  Coluna B: Categoria (dor/desejo/objeção/pergunta)  Coluna C: Nível (descoberta/consideração/decisão)  Coluna D: Ideia de conteúdo (título + formato)

Checklist: validar se o conteúdo está adequado ao nível de consciência

1) Descoberta (a pessoa ainda não nomeia bem o problema)

  • O conteúdo descreve sintomas e situações do dia a dia (sem jargão)?
  • Eu mostro “por que isso acontece” de forma simples?
  • Eu evito exigir ferramentas/processos complexos logo de cara?
  • O post ajuda a pessoa a se identificar e dar o próximo passo mínimo?
  • Há exemplos concretos de situações comuns (rotina, contexto, travas)?

2) Consideração (a pessoa quer um caminho e compara abordagens)

  • O conteúdo apresenta um método/estrutura (passos, critérios, modelos)?
  • Eu respondo objeções típicas (“não tenho tempo”, “não funciona no meu nicho”)?
  • Eu mostro como adaptar para diferentes rotinas e contextos de consumo?
  • Eu incluo exemplos aplicáveis e um exercício rápido?
  • O conteúdo deixa claro o que fazer primeiro, segundo e terceiro?

3) Decisão (a pessoa quer escolher e executar com segurança)

  • O conteúdo traz critérios de escolha (o que usar quando e por quê)?
  • Eu reduzo risco com provas práticas: demonstração, checklist, modelo preenchido?
  • Eu deixo explícito o resultado esperado e o tempo/recursos necessários?
  • Eu antecipo dúvidas finais (preço, esforço, implementação, suporte)?
  • O próximo passo está claro (o que fazer hoje/esta semana)?

Exercício rápido: do mapeamento à pauta em 20 minutos

Parte A — Extraia 10 frases reais

  • Escolha 5 comentários + 5 DMs (ou atendimento).
  • Copie as frases em uma lista.

Parte B — Classifique

  • Marque cada frase como: dor, desejo, objeção ou pergunta.
  • Marque o nível: descoberta, consideração ou decisão.

Parte C — Converta em títulos

Use a fórmula: “Como [resultado] sem [objeção] (mesmo se [contexto])”

  • Ex.: “Como planejar 2 semanas de conteúdo sem depender de inspiração (mesmo com agenda cheia)”
  • Ex.: “Como escolher temas que geram pedidos sem parecer vendedor (mesmo com poucos seguidores)”

Parte D — Defina o formato pelo contexto de consumo

  • Se a intenção é “resolver agora”: faça conteúdo direto (passos curtos, checklist).
  • Se a intenção é “aprender”: faça conteúdo com exemplo e exercício.
  • Se a intenção é “decidir”: faça comparativo, critérios e modelo pronto.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao mapear o público-alvo para planejar conteúdo em redes sociais, qual abordagem gera informações mais acionáveis para decidir o que publicar, como falar e em que momento entregar a mensagem?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

O mapeamento prático vai além de dados demográficos e busca entender dores, desejos, objeções, linguagem, rotina e contexto de consumo. Assim, o conteúdo é planejado para a intenção do público: aprender, resolver ou decidir.

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Planejamento de Conteúdo para Redes Sociais: posicionamento e proposta de valor em uma frase

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