O que muda entre feed, stories e vídeos curtos
Formatos não são apenas “tamanhos” diferentes: cada um tem um papel no consumo (atenção, profundidade, contexto), no esforço de produção e no tipo de ação que o público tende a tomar. Planejar formatos é decidir como a mensagem será entregue para maximizar retenção e clareza, com o menor atrito possível.
Use esta lógica: atenção (capturar) → compreensão (entregar valor) → ação (próximo passo). Cada formato favorece uma etapa diferente.
Características de cada formato (finalidade, retenção, ritmo, profundidade, produção)
Feed (imagem única ou carrossel)
- Finalidade: educar com estrutura, consolidar posicionamento, criar material “salvável” e compartilhável.
- Retenção: alta quando há promessa clara na 1ª tela e progressão lógica (especialmente em carrossel).
- Ritmo: controlado pelo leitor; permite releitura.
- Profundidade: média a alta (checklists, frameworks, comparações, passo a passo).
- Produção: média; exige design/diagramação e texto enxuto.
- Quando brilha: explicações, listas, antes/depois, “como fazer”, erros comuns, templates.
Stories (sequência curta)
- Finalidade: proximidade, bastidores, prova social, aquecimento para uma ação (clique, resposta, DM), testes rápidos de ideias.
- Retenção: depende de ritmo e encadeamento; funciona bem com microcompromissos (enquetes, perguntas, “toca para ver”).
- Ritmo: rápido e conversacional; ideal para “pílulas” em série.
- Profundidade: baixa a média; aprofunda por etapas curtas e exemplos rápidos.
- Produção: baixa a média; pode ser feito com celular, mas precisa de clareza visual e áudio limpo.
- Quando brilha: validação, relacionamento, objeções, lembretes, sequência de aquecimento, bastidores e contexto.
Reels/Shorts (vídeo curto vertical)
- Finalidade: alcance e descoberta, demonstração rápida, “prova em movimento”, síntese de uma ideia forte.
- Retenção: crítica; os primeiros 1–2 segundos definem o desempenho. Precisa de cortes, variação visual e promessa explícita.
- Ritmo: acelerado; frases curtas, pausas mínimas, edição objetiva.
- Profundidade: baixa a média; excelente para um ponto por vídeo.
- Produção: média; exige roteiro, captação vertical, luz/áudio e edição (mesmo simples).
- Quando brilha: dicas rápidas, mitos/verdades, “3 passos”, demonstrações, comparações, micro-histórias.
Boas práticas estruturais (independente do formato)
1) Ganchos (hook) que prometem um resultado específico
O gancho deve responder: “Por que eu deveria prestar atenção agora?”. Evite generalidades. Prefira promessa + contexto + tempo.
- Exemplos de gancho: “Pare de fazer X: isso derruba sua retenção em vídeos curtos.”
- “3 sinais de que seu carrossel está confuso (e como corrigir em 5 minutos).”
- “Se você só tem 15 minutos, faça este roteiro de stories para vender sem parecer venda.”
2) Narrativa curta (começo → meio → fim)
Mesmo conteúdo técnico precisa de progressão. Uma estrutura simples:
- Começo: problema/erro comum + promessa.
- Meio: 2–4 pontos com exemplos.
- Fim: síntese + CTA (próximo passo).
3) Clareza visual
- Uma ideia por tela (carrossel/stories) ou por bloco (vídeo).
- Hierarquia: título curto, subtítulo opcional, corpo mínimo.
- Consistência: mesma paleta, mesma tipografia, mesmos padrões de ícones.
- Espaço em branco: melhora leitura e percepção de qualidade.
4) Legendas e texto na tela
- Em vídeo curto, use legendas e/ou texto na tela para reforçar palavras-chave.
- Evite parágrafos longos; prefira frases de 5–9 palavras por linha.
- Sincronize texto com a fala (quando houver), destacando termos importantes.
5) CTA (chamada para ação) coerente com o formato
- Feed: “Salve”, “Comente com X”, “Compartilhe com alguém”, “Veja o próximo slide”.
- Stories: “Responda”, “Vote”, “Me chama no direct”, “Clique”, “Arraste/Toque”.
- Vídeo curto: “Siga para mais”, “Comente ‘X’ que eu te mando…”, “Veja a parte 2”, “Baixe/acesse no link do perfil”.
6) Acessibilidade (não é opcional)
- Contraste: texto claro em fundo escuro (ou vice-versa). Evite texto sobre áreas muito detalhadas.
- Tamanho: fonte grande o suficiente para leitura em tela pequena.
- Legendas: sempre que houver fala; revise ortografia.
- Leitura: evite blocos longos; use bullets e títulos.
- Áudio: se usar música, mantenha a voz clara; evite ruído.
- Informação não pode depender só de cor: use ícones, rótulos e padrões.
Passo a passo prático: como escolher o formato certo para uma ideia
Passo 1 — Defina o tipo de entrega da mensagem
- Precisa de explicação em etapas? → feed (carrossel) ou stories em sequência.
- Precisa de impacto rápido e descoberta? → reels/shorts.
- Precisa de proximidade e contexto? → stories.
Passo 2 — Reduza a ideia a “um núcleo”
Escreva em uma linha: “A pessoa vai aprender/entender X para conseguir Y.” Isso evita que o conteúdo fique amplo demais (principal causa de baixa retenção).
- Ouça o áudio com a tela desligada
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Passo 3 — Escolha a profundidade compatível
- 1 ponto forte → vídeo curto.
- 3–7 pontos organizados → carrossel.
- 1 ponto + prova + interação → stories.
Passo 4 — Desenhe a estrutura antes de produzir
- Vídeo curto: hook → 2–3 beats → payoff → CTA.
- Stories: contexto → valor → prova → CTA/interação.
- Carrossel: promessa → mapa → desenvolvimento → resumo → CTA.
Passo 5 — Faça um “check” de retenção e clareza
- O primeiro frame/tela diz claramente o que a pessoa ganha?
- Há cortes/variação visual a cada 1–2 segundos (vídeo)?
- Cada tela tem uma frase principal (carrossel/stories)?
- O CTA é simples e executável em 5 segundos?
Tabela de decisão: objetivo x formato
| Objetivo imediato | Formato recomendado | Por quê | Estrutura sugerida |
|---|---|---|---|
| Alcance/descoberta | Reels/Shorts | Entrega rápida e favorece consumo em sequência | Hook (1–2s) → 3 pontos → exemplo → CTA “siga/parte 2” |
| Educar com profundidade | Feed (carrossel) | Leitura no ritmo do usuário, conteúdo “salvável” | Promessa → passos → erros → checklist → CTA “salve” |
| Explicar um processo simples | Carrossel ou Stories | Sequência lógica em telas curtas | Mapa do processo → etapa 1/2/3 → exemplo → CTA |
| Relacionamento e proximidade | Stories | Tom informal, bastidores e interação | Contexto → opinião → pergunta/enquete → resposta → CTA |
| Quebrar objeções rapidamente | Stories ou Reels/Shorts | Formato direto, com prova e repetição | Objeção → contraexemplo → prova → CTA |
| Prova social (resultados, depoimentos) | Stories + Feed (imagem) | Stories para volume/recência, feed para “vitrine” | Antes/depois → contexto → aprendizado → CTA |
| Gerar conversas (DM/comentários) | Stories | Interação nativa e baixa fricção | Pergunta específica → opções → convite para DM |
| Direcionar para um recurso (link, página, inscrição) | Stories + Reels/Shorts | Vídeo cria desejo; stories facilita o clique | Reels: promessa → benefício → CTA; Stories: lembrete + link |
| Autoridade por consistência | Feed (carrossel) + Reels/Shorts | Carrossel aprofunda; vídeo amplia alcance | Reels “resumo” → carrossel “detalhe” (cross-promo) |
Modelos prontos (roteiros rápidos)
1) Roteiro de vídeo curto (Reels/Shorts) — 20 a 35 segundos
Objetivo: entregar 1 ideia com alto impacto e retenção.
[0–2s] HOOK (promessa + dor) Ex.: “Seu vídeo não prende? Faça isso nos primeiros 2 segundos.”
[2–6s] CONTEXTO (1 frase) “A maioria começa explicando demais e perde a atenção.”
[6–20s] 3 BEATS (pontos curtos) 1) “Mostre o resultado primeiro.” 2) “Use texto na tela com a promessa.” 3) “Corte pausas e repita a ideia-chave.”
[20–28s] EXEMPLO RÁPIDO (demonstração) “Em vez de ‘Hoje vou falar…’, diga: ‘Em 10s você vai…’.”
[28–35s] CTA (1 ação) “Comente ‘roteiro’ que eu mando um modelo.”Dicas de produção: grave em plano médio, luz frontal, áudio limpo; troque enquadramento ou insira B-roll a cada 2–3 frases; mantenha texto grande e central.
2) Sequência de Stories — 6 telas (com interação)
Objetivo: aquecer, ensinar um ponto e levar a uma ação simples.
Story 1 (Hook): “Você sente que posta e ninguém reage?” (texto grande + sua fala)
Story 2 (Diagnóstico): “Geralmente é falta de clareza: a pessoa não entende o ganho em 1 segundo.”
Story 3 (Dica 1): “Comece com promessa + tempo: ‘Em 30s você vai…’.”
Story 4 (Dica 2): “Uma ideia por story. Se tiver 3 ideias, faça 3 stories.”
Story 5 (Interação): Enquete: “Quer que eu analise seu primeiro story?” [Sim / Quero]
Story 6 (CTA): “Me manda ‘STORY’ no direct + seu tema. Eu respondo com 1 ajuste.”Dicas visuais: mantenha o texto no topo/centro com contraste alto; evite fundos poluídos; use legendas se houver fala; não use fontes finas.
3) Post de feed (carrossel) — 8 a 10 slides
Objetivo: ensinar com começo-meio-fim e gerar salvamentos.
Slide 1 (Capa): Promessa específica “Guia rápido: quando usar feed, stories e vídeo curto”
Slide 2 (Para quem é): “Se você trava na hora de escolher formato, use esta regra.”
Slide 3 (Regra-mãe): “Alcance = vídeo curto | Profundidade = carrossel | Proximidade = stories”
Slide 4 (Feed): “Use quando precisar explicar em etapas + deixar salvável” (3 bullets)
Slide 5 (Stories): “Use para bastidores, prova e interação” (3 bullets)
Slide 6 (Vídeo curto): “Use para 1 ideia forte + descoberta” (3 bullets)
Slide 7 (Erros comuns): “Misturar 3 ideias no mesmo post / capa vaga / CTA confuso”
Slide 8 (Checklist): “Antes de postar: promessa clara? 1 ideia por tela? contraste? CTA?”
Slide 9 (CTA): “Salve para consultar e comente ‘FORMATO’ se quiser um exemplo no seu tema.”Variação (imagem única): use quando a mensagem for uma frase forte + 3 bullets (ex.: “Regra dos formatos” + bullets). Ideal para reforçar um conceito sem exigir leitura longa.
Como combinar formatos sem retrabalho (repurpose inteligente)
Do vídeo curto para o feed
- Transforme os 3 beats do vídeo em 3–5 slides com exemplos.
- Use o gancho do vídeo como capa do carrossel.
- Inclua um checklist final para aumentar salvamentos.
Do feed para stories
- Quebre o carrossel em 4–6 stories: capa (promessa) → 2 pontos → exemplo → enquete → CTA.
- Use sticker de pergunta para coletar dúvidas e gerar próximos conteúdos.
Dos stories para vídeo curto
- Se uma sequência gerou muitas respostas, transforme em vídeo: hook com a pergunta mais comum → resposta em 3 pontos → CTA.
- Use prints (com cuidado de privacidade) como prova social, desfocando nomes.