O que é benchmarking de ofertas (e o que ele não é)
Benchmarking de ofertas é o processo de comparar, de forma estruturada e recorrente, como hotéis e pousadas semelhantes apresentam e comercializam suas ofertas: tarifas (preço e estrutura), benefícios (o que está incluso), políticas (regras que afetam risco e conveniência) e diferenciais (atributos que aumentam percepção de valor). O objetivo não é “copiar” o concorrente, e sim entender padrões do mercado, identificar lacunas e oportunidades, e ajustar sua oferta para ganhar competitividade com margem saudável.
Na prática, benchmarking de ofertas responde perguntas como: em quais datas eu estou caro ou barato demais? Quais inclusões são padrão e quais são raras? Quais políticas estão afastando reservas? O que os concorrentes destacam como diferencial e como isso aparece na comunicação (títulos, bullets, fotos, selos)?
O que benchmarking não é: não é uma disputa por “menor preço”, não é uma análise baseada em achismos (“parece caro”), e não é uma comparação sem critérios (comparar um hotel urbano com uma pousada de charme em outra região, por exemplo). Também não é um exercício pontual: ofertas mudam com frequência, então o valor está na rotina de monitoramento.
O que exatamente comparar: quatro blocos que mudam a decisão do hóspede
Tarifas: preço, estrutura e condições
Tarifa não é apenas “o número do preço”. No benchmarking, você deve comparar: (1) preço por noite por tipo de acomodação comparável; (2) estrutura tarifária (reembolsável, não reembolsável, com café, meia pensão, pensão completa, long stay, last minute); (3) regras de ocupação (adultos/crianças, cama extra); (4) variação por dia da semana e por antecedência; (5) impostos e taxas (inclusos ou não); (6) descontos e cupons (quando aparecem e em quais condições).
Exemplo prático: dois concorrentes podem exibir “R$ 450” na primeira tela, mas um inclui café e impostos e o outro adiciona taxa de serviço e cobra café à parte. O benchmarking precisa padronizar a comparação para “preço efetivo” (o que o hóspede realmente paga pelo mesmo conjunto de benefícios).
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Benefícios: inclusões e “bundles” que aumentam valor percebido
Benefícios são tudo que vem junto com a diária e reduz custo ou esforço do hóspede: café da manhã, estacionamento, transfer, late check-out, amenities especiais, acesso a área de lazer, empréstimo de bicicletas, kit praia, recreação infantil, welcome drink, upgrade sujeito à disponibilidade, entre outros.
No benchmarking, compare não só “se tem”, mas como é apresentado: é um item escondido em “comodidades” ou aparece como destaque no topo? Há restrições (horário, vagas limitadas, necessidade de reserva)? O benefício é permanente ou sazonal? Benefícios mal comunicados podem não gerar valor percebido, mesmo existindo.
Políticas: o “custo do risco” e a fricção da reserva
Políticas impactam diretamente conversão porque mexem com risco e flexibilidade. Compare: (1) cancelamento (prazo, multa, crédito); (2) pré-pagamento (total, parcial, no-show); (3) alteração de datas (taxas, diferença tarifária); (4) check-in/check-out (horários, early/late); (5) crianças e pets (idade, valores, regras); (6) depósito/caução; (7) regras de silêncio e uso de áreas comuns; (8) política de reembolso em caso de eventos climáticos (quando aplicável).
Uma política mais rígida pode ser aceitável se o preço for mais competitivo ou se houver contrapartidas (ex.: não reembolsável com desconto real e claro). Benchmarking ajuda a calibrar esse equilíbrio.
Diferenciais: o que é realmente raro e defendível
Diferenciais são atributos que se destacam quando comparados ao conjunto de alternativas. No benchmarking de ofertas, o foco é identificar quais diferenciais aparecem com frequência (viraram “higiênicos”, ou seja, esperados) e quais são raros (potenciais alavancas). Exemplos: vista específica, acesso direto à praia, banheira em determinadas categorias, gastronomia autoral, experiências guiadas, arquitetura histórica, isolamento acústico, coworking bem equipado, carregador para carro elétrico, política pet realmente amigável, entre outros.
Importante: diferencial não é apenas o que você tem, mas o que o hóspede entende rapidamente. Se o concorrente transforma um atributo em “selo” e você não, ele pode capturar o valor percebido mesmo tendo algo semelhante.
Como definir o “conjunto comparável” para não distorcer o benchmarking
Antes de coletar dados, defina um conjunto comparável (o grupo que faz sentido para comparação). Em vez de repetir uma análise ampla de concorrentes, aqui o objetivo é selecionar propriedades que competem pela mesma reserva em termos de faixa de preço, padrão e proposta de estadia. Para evitar distorções, use critérios práticos:
- Localização funcional: mesma área de interesse do hóspede (praia X, centro, rota de acesso, proximidade de atrações).
- Padrão de acomodação: tamanho do quarto, presença de ar-condicionado, qualidade percebida, áreas comuns.
- Capacidade e tipo de operação: pousada pequena vs hotel com muitos quartos (impacta políticas e serviços).
- Faixa de preço: escolha pelo menos 2 acima, 2 no mesmo patamar e 2 abaixo (para entender limites).
- Perfil de estadia: lazer romântico, família, corporativo, eventos, etc. (apenas se for comparável no uso).
Se você misturar categorias muito diferentes, o benchmarking vira ruído: você pode concluir que está “caro” quando, na verdade, está comparando com um produto inferior ou com outra lógica de serviço.
Modelo de coleta: o que registrar para transformar observação em decisão
O erro mais comum é coletar “prints” e links sem padronização. Use um modelo de registro que permita comparar maçãs com maçãs. Abaixo está um checklist de campos úteis para uma planilha de benchmarking de ofertas:
- Data e hora da coleta (ofertas mudam).
- Canal observado (site próprio, OTA, metabuscador, WhatsApp/atendimento, etc.).
- Datas simuladas (check-in/check-out) e antecedência.
- Tipo de acomodação comparada (ex.: standard casal, luxo com varanda).
- Tarifa exibida e tarifa efetiva (com impostos/taxas).
- Regime (sem café, com café, meia pensão).
- Benefícios inclusos (lista) e restrições.
- Política de cancelamento (prazo, multa, crédito).
- Pré-pagamento/no-show.
- Regras de crianças/pets.
- Horários (check-in/out, early/late e custos).
- Provas de valor (selos, avaliações destacadas, garantias, fotos-chave).
- Mensagem principal (headline e bullets do quarto/oferta).
- Observações (o que chamou atenção, fricções, clareza).
Para acelerar, padronize 3 a 5 “cenários de compra” e repita sempre: por exemplo, um fim de semana de alta procura, um meio de semana, um feriado, uma data de baixa, e uma simulação com antecedência curta.
Passo a passo prático: benchmarking de tarifas (sem cair na armadilha do preço isolado)
Passo 1: escolha 3 a 5 cenários de data e ocupação
Defina cenários fixos para comparar ao longo do tempo. Exemplo: (A) sexta a domingo em 30 dias; (B) terça a quinta em 14 dias; (C) feriado em 60 dias; (D) baixa temporada em 21 dias. Fixe também a ocupação (2 adultos; 2 adultos + 1 criança; etc.) para não distorcer.
Passo 2: padronize o “produto” comparado
Escolha um tipo de quarto seu e encontre o mais equivalente em cada concorrente. Se não houver equivalência perfeita, registre a diferença (ex.: “concorrente inclui varanda e o meu não”). Essa anotação é essencial para interpretar preço.
Passo 3: calcule preço efetivo por noite
Transforme tudo em um número comparável: total da estadia com taxas dividido pelo número de noites. Se o concorrente inclui café e você não, faça duas leituras: (1) preço efetivo “como vendido”; (2) preço ajustado adicionando um valor estimado do café no seu caso (ou removendo no deles) para entender o peso do benefício.
Passo 4: identifique “faixas” e não apenas ranking
Em vez de olhar quem é o mais barato, crie uma faixa aceitável para seu posicionamento. Exemplo: “para este cenário, quero estar entre 5% abaixo e 10% acima do median do conjunto comparável, desde que minhas inclusões e políticas sustentem isso”. Isso evita decisões reativas.
Passo 5: observe padrões de variação
Procure padrões como: concorrentes sobem muito em sexta e sábado e aliviam no domingo; ou seguram preço e mudam benefícios; ou criam tarifas não reembolsáveis agressivas com desconto real. Esses padrões ajudam a ajustar sua própria estrutura tarifária e a comunicação do valor.
Passo 6: registre “gatilhos” de urgência e escassez
Alguns anúncios e páginas destacam “último quarto”, “alta demanda”, “cancelamento grátis até X”. Mesmo quando você não replica o mesmo gatilho, vale registrar porque isso afeta a percepção do hóspede e a taxa de conversão.
Passo a passo prático: benchmarking de benefícios (o que incluir, como empacotar e como destacar)
Passo 1: crie uma matriz de benefícios
Liste nas linhas os benefícios relevantes e nas colunas os concorrentes. Marque: incluso, pago, não oferece. Adicione uma coluna “como comunica” (destaque no topo, seção escondida, ícone, selo, foto dedicada).
Passo 2: classifique benefícios em três níveis
- Higiênicos (esperados): quando a maioria oferece. Se você não oferece, vira desvantagem; se oferece, não diferencia, mas evita perda.
- Valorizadores (comuns, mas não universais): podem justificar preço um pouco maior se bem comunicados.
- Raros (poucos oferecem): podem ser âncoras de diferenciação e permitir prêmio de tarifa, desde que relevantes.
Essa classificação deve ser baseada na sua matriz, não em opinião. Um exemplo típico: estacionamento pode ser higiênico em destinos com carro; já em centro urbano pode ser valorizador ou raro.
Passo 3: avalie custo vs impacto percebido
Para cada benefício, estime: custo unitário (por diária ou por uso) e impacto percebido (alto/médio/baixo). Benefícios com baixo custo e alto impacto são candidatos a inclusão ou destaque imediato. Exemplo: welcome drink simples pode ter baixo custo e alto impacto na percepção de acolhimento.
Passo 4: teste empacotamento (bundle) em vez de “mais itens soltos”
Benchmarking mostra como concorrentes empacotam: “Diária com café + estacionamento” ou “Pacote romântico” com itens específicos. Mesmo sem criar novos pacotes complexos, você pode estruturar 2 ou 3 variações de tarifa com inclusões claras. O ponto aqui é reduzir ambiguidade e facilitar comparação a seu favor.
Passo a passo prático: benchmarking de políticas (reduzindo fricção sem assumir risco desnecessário)
Passo 1: mapeie políticas por tipo de tarifa
Concorrentes frequentemente têm políticas diferentes para tarifas diferentes. Registre separadamente: reembolsável, semi-flexível, não reembolsável. Compare prazos (ex.: 7 dias, 14 dias), multas (1 diária, 50%, total), e se oferecem crédito para remarcação.
Passo 2: identifique o “padrão do mercado” e os extremos
Você quer saber qual é o padrão (mediana) e quais são os extremos (mais flexível e mais rígido). Se você está mais rígido que quase todos, isso pode estar derrubando conversão, especialmente em compras com antecedência. Se está mais flexível que todos, pode estar assumindo risco sem retorno.
Passo 3: procure compensações explícitas
Quando um concorrente tem política rígida, ele compensa com desconto? Quando é flexível, ele cobra mais? Registre se a compensação está clara na página. Uma política “não reembolsável” sem desconto visível tende a gerar rejeição.
Passo 4: avalie clareza e transparência
Benchmarking de políticas não é só o conteúdo, mas a clareza. Políticas escondidas, confusas ou com linguagem jurídica aumentam fricção. Observe se o concorrente usa frases simples (“Cancele grátis até terça, 18h”) e se repete a regra no momento decisivo (antes do pagamento).
Passo 5: crie uma proposta de ajuste com limites
Com base no padrão do mercado, proponha ajustes com limites operacionais. Exemplo: “manter tarifa reembolsável com cancelamento grátis até 7 dias; criar semi-flexível até 3 dias com desconto de 5%; manter não reembolsável com desconto mínimo de 10%”. O benchmarking dá referência; a decisão final deve respeitar seu risco e sua operação.
Benchmarking de diferenciais: como separar “lista de comodidades” de vantagem competitiva
Mapeie diferenciais em três camadas: atributo, prova e tradução
Para cada concorrente, registre: (1) o atributo (ex.: “café artesanal”); (2) a prova (foto, vídeo, descrição detalhada, selo, avaliação citando isso); (3) a tradução em benefício (por que isso importa: “mais sabor, mais variedade, experiência local”). Muitos estabelecimentos têm atributos, mas poucos apresentam prova e tradução. Essa diferença muda conversão.
Observe quais diferenciais aparecem nos primeiros 10 segundos
O que está no topo da página, no título do quarto, nos primeiros bullets e nas primeiras fotos? Diferenciais que não aparecem cedo tendem a não ser percebidos. No benchmarking, anote a “hierarquia” do que é mostrado primeiro. Isso ajuda a entender o que o mercado considera decisivo.
Compare diferenciais por categoria de quarto
Às vezes o diferencial não é do hotel, mas de uma categoria específica (banheira, varanda, vista, cozinha compacta). Registre por categoria, porque isso influencia sua estratégia de upsell e a precificação relativa entre categorias.
Como transformar benchmarking em ações: decisões típicas e como priorizar
Ajustes de tarifa: reposicionamento por cenário
Depois de comparar preço efetivo, você pode identificar cenários em que está fora da faixa. A ação não precisa ser “baixar tudo”. Exemplos de decisões orientadas por benchmarking:
- Você está caro em meio de semana: criar incentivo de 2 a 3 noites, ou tarifa com benefício (ex.: estacionamento incluso) para aumentar valor percebido sem cortar preço nominal.
- Você está barato em alta demanda: subir gradualmente e testar limites, mantendo paridade de inclusões e políticas para não gerar reclamações.
- Você perde por comparação de “primeiro preço”: criar uma tarifa de entrada (mais simples) e uma tarifa com benefícios, deixando claro o que muda.
Ajustes de benefícios: incluir, destacar ou condicionar
Benchmarking frequentemente revela que você já tem benefícios, mas não destaca. Ações típicas:
- Benefício higiênico que você não oferece: avaliar inclusão ou alternativa (ex.: parceria para estacionamento próximo).
- Benefício que você oferece e poucos destacam: criar destaque no topo e foto dedicada.
- Benefício caro e pouco percebido: transformar em opcional pago (add-on) ou condicionar a categorias superiores.
Ajustes de políticas: reduzir fricção em pontos críticos
Algumas mudanças simples podem aproximar você do padrão do mercado sem aumentar risco de forma descontrolada:
- Clarificar prazos: trocar texto longo por frases objetivas e repetidas no checkout.
- Criar degraus de flexibilidade: oferecer 2 ou 3 opções com preços diferentes, em vez de uma política única.
- Alinhar desconto a rigidez: garantir que tarifas não reembolsáveis tenham desconto real e visível.
Rotina recomendada: cadência, alertas e governança
Cadência mínima para não ficar cego ao mercado
Ofertas mudam rápido. Uma rotina prática para hotéis e pousadas é:
- Semanal: checar 1 cenário (ex.: próximo fim de semana) para 6 a 10 propriedades comparáveis.
- Quinzenal: checar 3 cenários (meio de semana, fim de semana, 30 dias).
- Mensal: revisão completa de matriz de benefícios e políticas, atualizando mudanças.
Se sua equipe é pequena, reduza o número de concorrentes, mas mantenha consistência. O valor está na série histórica.
Alertas: sinais que exigem ação imediata
- Concorrente muda política para mais flexível sem aumentar preço: pode elevar conversão deles.
- Concorrente cria tarifa de entrada muito visível: pode “roubar” cliques e comparações.
- Concorrente adiciona benefício higiênico (ex.: café incluso) e destaca no topo.
- Você fica fora da faixa em mais de 2 cenários seguidos (muito acima ou muito abaixo).
Governança: quem decide o quê
Para o benchmarking virar ação, defina responsabilidades: quem coleta dados, quem valida comparabilidade, quem aprova mudanças de política, e quem ajusta comunicação. Mesmo em operações pequenas, separar “coleta” de “decisão” reduz vieses. Registre as mudanças feitas e o motivo (“ajuste por cenário X; concorrentes Y e Z estavam 12% abaixo com cancelamento mais flexível”).
Exemplo de planilha (estrutura) para benchmarking de ofertas
ABA 1: CENÁRIOS (fixos) | ABA 2: TARIFAS | ABA 3: BENEFÍCIOS | ABA 4: POLÍTICAS | ABA 5: DIFERENCIAIS
Campos essenciais (por linha = 1 concorrente em 1 cenário):
- Data coleta | Canal | Check-in | Check-out | Noites | Ocupação
- Categoria comparada | Regime | Preço exibido | Taxas | Preço efetivo/noite
- Cancelamento (prazo/multa) | Pré-pagamento | No-show
- Benefícios inclusos (texto curto) | Restrições
- Diferencial principal (como aparece no topo) | Prova (foto/avaliação/selo)
- Observações (clareza, fricções, gatilhos de urgência)
Indicadores (calculados):
- Diferença vs mediana do grupo (%)
- Ranking por preço efetivo
- % de concorrentes com cada benefício
- Índice de flexibilidade (pontuação simples por política)Com essa estrutura, você consegue responder rapidamente: “estou competitivo neste cenário?”, “o que é padrão de inclusões?”, “minhas políticas estão mais rígidas do que o mercado?”, e “quais diferenciais os concorrentes estão tornando mais visíveis?”.