O que muda entre ST, RU e RF (e o que não muda)
As chapas de drywall se diferenciam principalmente pelo desempenho (umidade e fogo) e pela formulação do miolo (gesso + aditivos) e do revestimento em cartão. A escolha correta evita patologias típicas como empolamento, mofo, perda de resistência e não atendimento a requisitos de proteção contra incêndio.
- ST (standard): uso geral em ambientes internos secos. É a referência de custo e disponibilidade.
- RU (resistente à umidade): indicada para áreas internas com umidade intermitente e risco de respingos/condensação. Não é “à prova d’água”.
- RF (resistente ao fogo): indicada quando o sistema precisa cumprir resistência ao fogo (tempo de integridade/isolamento conforme projeto e norma aplicável). Pode ser usada em ambientes secos; não substitui RU em umidade.
O que não muda: a chapa, por si só, não resolve desempenho sem o conjunto (quantidade de camadas, estrutura, lã mineral quando prevista, tratamento de juntas, selagens e detalhes de perímetro). A chapa é um elemento do sistema.
Comparativo aplicado: critérios objetivos de seleção
| Critério | ST | RU | RF |
|---|---|---|---|
| Ambiente seco (quartos, salas, corredores) | Recomendada | Pode usar, mas costuma ser desnecessário | Somente se houver exigência de fogo |
| Umidade intermitente (banheiro residencial, lavabos, cozinhas, lavanderias ventiladas) | Evitar em áreas com respingo/condensação | Recomendada (com cuidados de impermeabilização e ventilação) | Se houver exigência de fogo + umidade, avaliar sistema específico (RF não substitui RU) |
| Áreas com água direta/constante (box de chuveiro, áreas externas, saunas, locais laváveis com jato) | Não indicada | Geralmente não indicada como solução única; requer solução específica (placa cimentícia/sistema apropriado) | Não indicada como solução única; requer sistema específico |
| Exigência de resistência ao fogo (rotas de fuga, shafts, paredes entre unidades, áreas técnicas) | Somente se o sistema homologado permitir (menos comum) | Somente se o sistema homologado permitir | Recomendada quando o projeto exigir tempo de resistência ao fogo |
| Custo e disponibilidade | Melhor custo | Intermediário | Maior custo |
Regra prática de decisão (checklist rápido)
- Há exigência de resistência ao fogo? Se sim, priorize RF e siga o sistema especificado (número de chapas, espessuras, detalhes).
- Há risco de umidade intermitente (respingos, vapor, condensação)? Se sim, use RU nas faces expostas e detalhe impermeabilização/ventilação.
- É área seca sem exigência especial? Use ST.
- Há água direta/constante? Reavalie: drywall comum (ST/RU/RF) pode não ser a melhor solução; considere sistemas próprios para área molhada.
Espessuras mais usuais e quando usar
As espessuras variam por fabricante e mercado, mas na prática de obra as mais comuns são:
- 12,5 mm: a mais usada em paredes e forros em geral (ST, RU e RF). Bom equilíbrio entre rigidez, peso e custo.
- 15 mm: usada quando se busca maior robustez, melhor desempenho acústico/impacto superficial e em alguns sistemas com requisitos específicos (inclusive de fogo, conforme ensaio/homologação).
- 9,5 mm: aparece mais em forros e aplicações específicas; exige maior cuidado com espaçamento/planeza e é menos tolerante a manuseio.
Critério prático: se o ambiente é “normal” e a estrutura está bem dimensionada, 12,5 mm atende a maioria dos casos. Suba para 15 mm quando houver maior solicitação (tráfego, risco de impacto, necessidade de rigidez) ou quando o sistema de fogo/acústica exigir.
Áreas úmidas: limites de uso da RU e cuidados obrigatórios
Entendendo o “resistente à umidade”
A chapa RU tem aditivos que reduzem absorção e melhoram o comportamento em ambientes úmidos, mas ela não foi feita para ficar encharcada nem para receber água direta continuamente. O desempenho depende de impedir que a água atravesse revestimentos e de controlar vapor/condensação.
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Onde a RU funciona bem (com detalhamento)
- Lavabos e banheiros fora da área de banho direto.
- Cozinhas e lavanderias com boa ventilação e sem lavagem com jato.
- Paredes sujeitas a vapor ocasional (desde que haja exaustão/ventilação).
Onde a RU exige solução complementar (ou troca de sistema)
- Box de chuveiro: se for usar drywall, é indispensável especificar sistema adequado (muitas vezes com placa alternativa e impermeabilização reforçada). Em muitos casos, a solução mais segura é placa cimentícia ou sistema homologado para área molhada.
- Ambientes com condensação frequente (banheiros sem janela/exaustão, áreas técnicas úmidas): RU ajuda, mas sem ventilação o risco de mofo e degradação aumenta.
Impermeabilização complementar: o que considerar
Em áreas com respingos e revestimento cerâmico, a impermeabilização deve ser tratada como parte do sistema. Diretrizes práticas:
- Defina a “zona molhada”: áreas próximas a pias, tanques e chuveiros (quando aplicável) precisam de maior proteção.
- Use impermeabilização compatível com o revestimento (argamassa colante, primer, manta/líquida conforme especificação do fabricante do sistema).
- Trate pontos críticos: encontros parede/piso, cantos, passagens de tubulação, nichos e ralos (quando houver). São os locais onde infiltrações começam.
- Selagem de perímetro: evite que água “corra” para trás da chapa por frestas em rodapés, bancadas e encontros com esquadrias.
Ventilação: requisito de desempenho (não opcional)
Em drywall, a umidade que entra por vapor precisa sair. Sem ventilação, a umidade se acumula e pode gerar mofo atrás de revestimentos. Recomendações:
- Prever exaustão (natural ou mecânica) em banheiros e lavanderias.
- Evitar “câmaras fechadas” sem respiro em shafts/armários em áreas úmidas.
- Controlar fontes de vapor: secadoras, duchas quentes e cozinhas sem coifa aumentam o risco.
Resistência ao fogo: quando a RF é necessária (e como não errar)
A chapa RF é escolhida quando há requisito de resistência ao fogo definido em projeto, legislação local, corpo de bombeiros, norma de desempenho ou especificação do cliente. Exemplos típicos:
- Shafts de instalações (elétrica, hidráulica, gás) com exigência de compartimentação.
- Rotas de fuga e áreas comuns com requisitos de proteção.
- Paredes de separação entre unidades/ambientes com exigência de tempo de resistência ao fogo.
- Salas técnicas (geradores, elétrica, TI) quando especificado.
Ponto crítico: RF não é “uma chapa especial”, é um sistema
Para atingir um tempo de resistência ao fogo, normalmente é necessário combinar:
- Número de camadas (1 ou 2 chapas por face, por exemplo).
- Espessura (12,5 mm ou 15 mm, conforme sistema ensaiado).
- Estrutura e espaçamentos compatíveis.
- Isolante (lã mineral) quando previsto no sistema.
- Tratamento de juntas e selagens com materiais compatíveis (inclusive selantes corta-fogo em passagens).
Erro comum: usar chapa RF “só em um lado” ou “só em volta do shaft” sem respeitar o sistema. Isso pode não atender ao requisito e ainda criar pontos fracos em juntas e passagens.
Estocagem e manuseio: como evitar empeno, bordas quebradas e perda de desempenho
Estocagem correta (passo a passo)
- Base plana e seca: apoie as chapas em estrados nivelados, longe de umidade do piso.
- Empilhamento alinhado: sem “barriga” no meio; apoios distribuídos para não empenar.
- Proteção contra água: cubra com lona, mas permita ventilação para não condensar por baixo.
- Separar por tipo: ST, RU e RF devem ficar identificadas para evitar troca na montagem.
- Evitar sol direto e calor excessivo: pode deformar e ressecar o cartão.
Manuseio e transporte interno
- Carregar na vertical (de lado), reduzindo risco de quebrar no meio.
- Evitar arrastar para não danificar o cartão e as bordas.
- Planejar rotas de transporte (portas, elevadores, corredores) para minimizar batidas.
- Não instalar chapa úmida: se molhou, avalie substituição; chapa com miolo comprometido perde resistência e pode gerar mofo.
Paginação (planejamento de chapas): menos recortes, menos juntas, menos trincas
Paginação é o planejamento de como as chapas serão distribuídas na parede/forro antes do corte. Uma boa paginação reduz desperdício, acelera montagem e diminui a chance de trincas em juntas.
Dimensões e lógica de aproveitamento
As chapas costumam ter larguras padrão (ex.: 1,20 m) e comprimentos variados. O objetivo é escolher o comprimento que melhor “fecha” o pé-direito ou o vão, reduzindo emendas horizontais.
- Priorize chapas inteiras do piso ao teto quando possível (menos junta horizontal = menos risco de fissura).
- Escolha o comprimento que minimize sobra (ex.: pé-direito 2,70 m pode ser melhor atendido por chapa de 2,70 m do que por 2,40 m + faixa).
- Planeje recortes repetitivos: em paredes com muitas aberturas, padronize alturas de vergas/peitoris para repetir cortes.
Controle de juntas para reduzir trincas
- Desencontro de juntas: evite alinhar juntas verticais em faces opostas da mesma parede e evite “cruzamento” de juntas (formato de “+”). Prefira amarração tipo “tijolinho”.
- Evite juntas em cantos de portas e janelas: não termine a chapa exatamente no canto do vão. Use peças maiores para que o recorte do vão fique “dentro” da chapa (reduz concentração de tensões e trincas).
- Juntas sobre estrutura: toda borda de chapa deve estar apoiada em montante/estrutura adequada. Juntas “no vazio” trincam e fazem som oco.
- Controle de folgas: mantenha folgas perimetrais conforme prática do sistema (para dilatação e evitar contato rígido com laje/piso), e trate depois com selagem/acabamento apropriado.
Passo a passo prático de paginação (parede)
- Meça o pé-direito real em pelo menos 3 pontos (pode variar). Trabalhe com a menor medida para evitar falta.
- Defina orientação: em geral, chapas na vertical reduzem juntas horizontais em paredes; em forros, a lógica muda conforme estrutura e modulação.
- Marque no croqui a posição de portas/janelas, pontos hidráulicos/elétricos e áreas molhadas (para definir ST/RU/RF por trecho).
- Escolha o comprimento da chapa para minimizar emendas. Se houver emenda horizontal inevitável, posicione-a fora de áreas críticas (próximo a vãos e pontos de impacto).
- Planeje amarração: alterne o início das chapas a cada fileira/trecho para desencontrar juntas.
- Revise apoio de juntas: confira se todas as bordas cairão sobre montantes e se haverá reforços onde necessário (ex.: encontros, bordas de vãos, pontos de fixação de cargas).
- Otimize cortes: agrupe paredes com mesma altura para reaproveitar sobras e reduzir lixo.
Exemplos de especificação por ambiente (modelo de decisão)
Exemplo 1: banheiro residencial (fora do box)
- Paredes: RU nas faces internas do banheiro (principalmente próximas a lavatório) + impermeabilização nas zonas de respingo + exaustão/ventilação.
- Teto/forro: RU se houver vapor frequente; caso contrário, avaliar ST com boa pintura e ventilação.
- Paginação: evitar juntas e recortes nos cantos de porta; manter emendas longe de áreas de respingo.
Exemplo 2: cozinha com coifa e boa ventilação
- Paredes: ST em áreas secas; RU atrás de pia e áreas sujeitas a vapor/respingos (dependendo do uso e do revestimento).
- Cuidados: selar encontros com bancada e prever revestimento adequado para limpeza.
Exemplo 3: shaft técnico com exigência de fogo
- Chapas: RF conforme sistema especificado (quantidade de camadas e espessura).
- Detalhes: selagem corta-fogo em passagens, tratamento de juntas conforme sistema, inspeção de continuidade (sem frestas).
- Paginação: reduzir número de juntas e evitar emendas próximas a aberturas de inspeção.