Chapas de drywall ST, RU e RF: seleção por ambiente e desempenho

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

O que muda entre ST, RU e RF (e o que não muda)

As chapas de drywall se diferenciam principalmente pelo desempenho (umidade e fogo) e pela formulação do miolo (gesso + aditivos) e do revestimento em cartão. A escolha correta evita patologias típicas como empolamento, mofo, perda de resistência e não atendimento a requisitos de proteção contra incêndio.

  • ST (standard): uso geral em ambientes internos secos. É a referência de custo e disponibilidade.
  • RU (resistente à umidade): indicada para áreas internas com umidade intermitente e risco de respingos/condensação. Não é “à prova d’água”.
  • RF (resistente ao fogo): indicada quando o sistema precisa cumprir resistência ao fogo (tempo de integridade/isolamento conforme projeto e norma aplicável). Pode ser usada em ambientes secos; não substitui RU em umidade.

O que não muda: a chapa, por si só, não resolve desempenho sem o conjunto (quantidade de camadas, estrutura, lã mineral quando prevista, tratamento de juntas, selagens e detalhes de perímetro). A chapa é um elemento do sistema.

Comparativo aplicado: critérios objetivos de seleção

CritérioSTRURF
Ambiente seco (quartos, salas, corredores)RecomendadaPode usar, mas costuma ser desnecessárioSomente se houver exigência de fogo
Umidade intermitente (banheiro residencial, lavabos, cozinhas, lavanderias ventiladas)Evitar em áreas com respingo/condensaçãoRecomendada (com cuidados de impermeabilização e ventilação)Se houver exigência de fogo + umidade, avaliar sistema específico (RF não substitui RU)
Áreas com água direta/constante (box de chuveiro, áreas externas, saunas, locais laváveis com jato)Não indicadaGeralmente não indicada como solução única; requer solução específica (placa cimentícia/sistema apropriado)Não indicada como solução única; requer sistema específico
Exigência de resistência ao fogo (rotas de fuga, shafts, paredes entre unidades, áreas técnicas)Somente se o sistema homologado permitir (menos comum)Somente se o sistema homologado permitirRecomendada quando o projeto exigir tempo de resistência ao fogo
Custo e disponibilidadeMelhor custoIntermediárioMaior custo

Regra prática de decisão (checklist rápido)

  • Há exigência de resistência ao fogo? Se sim, priorize RF e siga o sistema especificado (número de chapas, espessuras, detalhes).
  • Há risco de umidade intermitente (respingos, vapor, condensação)? Se sim, use RU nas faces expostas e detalhe impermeabilização/ventilação.
  • É área seca sem exigência especial? Use ST.
  • Há água direta/constante? Reavalie: drywall comum (ST/RU/RF) pode não ser a melhor solução; considere sistemas próprios para área molhada.

Espessuras mais usuais e quando usar

As espessuras variam por fabricante e mercado, mas na prática de obra as mais comuns são:

  • 12,5 mm: a mais usada em paredes e forros em geral (ST, RU e RF). Bom equilíbrio entre rigidez, peso e custo.
  • 15 mm: usada quando se busca maior robustez, melhor desempenho acústico/impacto superficial e em alguns sistemas com requisitos específicos (inclusive de fogo, conforme ensaio/homologação).
  • 9,5 mm: aparece mais em forros e aplicações específicas; exige maior cuidado com espaçamento/planeza e é menos tolerante a manuseio.

Critério prático: se o ambiente é “normal” e a estrutura está bem dimensionada, 12,5 mm atende a maioria dos casos. Suba para 15 mm quando houver maior solicitação (tráfego, risco de impacto, necessidade de rigidez) ou quando o sistema de fogo/acústica exigir.

Áreas úmidas: limites de uso da RU e cuidados obrigatórios

Entendendo o “resistente à umidade”

A chapa RU tem aditivos que reduzem absorção e melhoram o comportamento em ambientes úmidos, mas ela não foi feita para ficar encharcada nem para receber água direta continuamente. O desempenho depende de impedir que a água atravesse revestimentos e de controlar vapor/condensação.

Continue em nosso aplicativo e ...
  • Ouça o áudio com a tela desligada
  • Ganhe Certificado após a conclusão
  • + de 5000 cursos para você explorar!
ou continue lendo abaixo...
Download App

Baixar o aplicativo

Onde a RU funciona bem (com detalhamento)

  • Lavabos e banheiros fora da área de banho direto.
  • Cozinhas e lavanderias com boa ventilação e sem lavagem com jato.
  • Paredes sujeitas a vapor ocasional (desde que haja exaustão/ventilação).

Onde a RU exige solução complementar (ou troca de sistema)

  • Box de chuveiro: se for usar drywall, é indispensável especificar sistema adequado (muitas vezes com placa alternativa e impermeabilização reforçada). Em muitos casos, a solução mais segura é placa cimentícia ou sistema homologado para área molhada.
  • Ambientes com condensação frequente (banheiros sem janela/exaustão, áreas técnicas úmidas): RU ajuda, mas sem ventilação o risco de mofo e degradação aumenta.

Impermeabilização complementar: o que considerar

Em áreas com respingos e revestimento cerâmico, a impermeabilização deve ser tratada como parte do sistema. Diretrizes práticas:

  • Defina a “zona molhada”: áreas próximas a pias, tanques e chuveiros (quando aplicável) precisam de maior proteção.
  • Use impermeabilização compatível com o revestimento (argamassa colante, primer, manta/líquida conforme especificação do fabricante do sistema).
  • Trate pontos críticos: encontros parede/piso, cantos, passagens de tubulação, nichos e ralos (quando houver). São os locais onde infiltrações começam.
  • Selagem de perímetro: evite que água “corra” para trás da chapa por frestas em rodapés, bancadas e encontros com esquadrias.

Ventilação: requisito de desempenho (não opcional)

Em drywall, a umidade que entra por vapor precisa sair. Sem ventilação, a umidade se acumula e pode gerar mofo atrás de revestimentos. Recomendações:

  • Prever exaustão (natural ou mecânica) em banheiros e lavanderias.
  • Evitar “câmaras fechadas” sem respiro em shafts/armários em áreas úmidas.
  • Controlar fontes de vapor: secadoras, duchas quentes e cozinhas sem coifa aumentam o risco.

Resistência ao fogo: quando a RF é necessária (e como não errar)

A chapa RF é escolhida quando há requisito de resistência ao fogo definido em projeto, legislação local, corpo de bombeiros, norma de desempenho ou especificação do cliente. Exemplos típicos:

  • Shafts de instalações (elétrica, hidráulica, gás) com exigência de compartimentação.
  • Rotas de fuga e áreas comuns com requisitos de proteção.
  • Paredes de separação entre unidades/ambientes com exigência de tempo de resistência ao fogo.
  • Salas técnicas (geradores, elétrica, TI) quando especificado.

Ponto crítico: RF não é “uma chapa especial”, é um sistema

Para atingir um tempo de resistência ao fogo, normalmente é necessário combinar:

  • Número de camadas (1 ou 2 chapas por face, por exemplo).
  • Espessura (12,5 mm ou 15 mm, conforme sistema ensaiado).
  • Estrutura e espaçamentos compatíveis.
  • Isolante (lã mineral) quando previsto no sistema.
  • Tratamento de juntas e selagens com materiais compatíveis (inclusive selantes corta-fogo em passagens).

Erro comum: usar chapa RF “só em um lado” ou “só em volta do shaft” sem respeitar o sistema. Isso pode não atender ao requisito e ainda criar pontos fracos em juntas e passagens.

Estocagem e manuseio: como evitar empeno, bordas quebradas e perda de desempenho

Estocagem correta (passo a passo)

  1. Base plana e seca: apoie as chapas em estrados nivelados, longe de umidade do piso.
  2. Empilhamento alinhado: sem “barriga” no meio; apoios distribuídos para não empenar.
  3. Proteção contra água: cubra com lona, mas permita ventilação para não condensar por baixo.
  4. Separar por tipo: ST, RU e RF devem ficar identificadas para evitar troca na montagem.
  5. Evitar sol direto e calor excessivo: pode deformar e ressecar o cartão.

Manuseio e transporte interno

  • Carregar na vertical (de lado), reduzindo risco de quebrar no meio.
  • Evitar arrastar para não danificar o cartão e as bordas.
  • Planejar rotas de transporte (portas, elevadores, corredores) para minimizar batidas.
  • Não instalar chapa úmida: se molhou, avalie substituição; chapa com miolo comprometido perde resistência e pode gerar mofo.

Paginação (planejamento de chapas): menos recortes, menos juntas, menos trincas

Paginação é o planejamento de como as chapas serão distribuídas na parede/forro antes do corte. Uma boa paginação reduz desperdício, acelera montagem e diminui a chance de trincas em juntas.

Dimensões e lógica de aproveitamento

As chapas costumam ter larguras padrão (ex.: 1,20 m) e comprimentos variados. O objetivo é escolher o comprimento que melhor “fecha” o pé-direito ou o vão, reduzindo emendas horizontais.

  • Priorize chapas inteiras do piso ao teto quando possível (menos junta horizontal = menos risco de fissura).
  • Escolha o comprimento que minimize sobra (ex.: pé-direito 2,70 m pode ser melhor atendido por chapa de 2,70 m do que por 2,40 m + faixa).
  • Planeje recortes repetitivos: em paredes com muitas aberturas, padronize alturas de vergas/peitoris para repetir cortes.

Controle de juntas para reduzir trincas

  • Desencontro de juntas: evite alinhar juntas verticais em faces opostas da mesma parede e evite “cruzamento” de juntas (formato de “+”). Prefira amarração tipo “tijolinho”.
  • Evite juntas em cantos de portas e janelas: não termine a chapa exatamente no canto do vão. Use peças maiores para que o recorte do vão fique “dentro” da chapa (reduz concentração de tensões e trincas).
  • Juntas sobre estrutura: toda borda de chapa deve estar apoiada em montante/estrutura adequada. Juntas “no vazio” trincam e fazem som oco.
  • Controle de folgas: mantenha folgas perimetrais conforme prática do sistema (para dilatação e evitar contato rígido com laje/piso), e trate depois com selagem/acabamento apropriado.

Passo a passo prático de paginação (parede)

  1. Meça o pé-direito real em pelo menos 3 pontos (pode variar). Trabalhe com a menor medida para evitar falta.
  2. Defina orientação: em geral, chapas na vertical reduzem juntas horizontais em paredes; em forros, a lógica muda conforme estrutura e modulação.
  3. Marque no croqui a posição de portas/janelas, pontos hidráulicos/elétricos e áreas molhadas (para definir ST/RU/RF por trecho).
  4. Escolha o comprimento da chapa para minimizar emendas. Se houver emenda horizontal inevitável, posicione-a fora de áreas críticas (próximo a vãos e pontos de impacto).
  5. Planeje amarração: alterne o início das chapas a cada fileira/trecho para desencontrar juntas.
  6. Revise apoio de juntas: confira se todas as bordas cairão sobre montantes e se haverá reforços onde necessário (ex.: encontros, bordas de vãos, pontos de fixação de cargas).
  7. Otimize cortes: agrupe paredes com mesma altura para reaproveitar sobras e reduzir lixo.

Exemplos de especificação por ambiente (modelo de decisão)

Exemplo 1: banheiro residencial (fora do box)

  • Paredes: RU nas faces internas do banheiro (principalmente próximas a lavatório) + impermeabilização nas zonas de respingo + exaustão/ventilação.
  • Teto/forro: RU se houver vapor frequente; caso contrário, avaliar ST com boa pintura e ventilação.
  • Paginação: evitar juntas e recortes nos cantos de porta; manter emendas longe de áreas de respingo.

Exemplo 2: cozinha com coifa e boa ventilação

  • Paredes: ST em áreas secas; RU atrás de pia e áreas sujeitas a vapor/respingos (dependendo do uso e do revestimento).
  • Cuidados: selar encontros com bancada e prever revestimento adequado para limpeza.

Exemplo 3: shaft técnico com exigência de fogo

  • Chapas: RF conforme sistema especificado (quantidade de camadas e espessura).
  • Detalhes: selagem corta-fogo em passagens, tratamento de juntas conforme sistema, inspeção de continuidade (sem frestas).
  • Paginação: reduzir número de juntas e evitar emendas próximas a aberturas de inspeção.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao selecionar chapas ST, RU e RF para um projeto, qual afirmação representa corretamente como escolher a chapa e o que é indispensável para atender ao desempenho exigido?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

ST é para áreas secas, RU para umidade intermitente (não é à prova d’água) e RF quando há requisito de fogo (não substitui RU). Em todos os casos, o desempenho depende do conjunto do sistema, incluindo camadas, estrutura, tratamento de juntas e selagens.

Próximo capitúlo

Marcação, níveis e alinhamento em drywall: locação precisa para evitar empenos

Arrow Right Icon
Capa do Ebook gratuito Drywall do Zero: Sistemas, Perfis, Chapas, Tratamento de Juntas e Desempenho
31%

Drywall do Zero: Sistemas, Perfis, Chapas, Tratamento de Juntas e Desempenho

Novo curso

13 páginas

Baixe o app para ganhar Certificação grátis e ouvir os cursos em background, mesmo com a tela desligada.