Escopo prático do cargo no contexto dos tribunais
O Analista Judiciário – Tecnologia da Informação atua para garantir que a atividade-fim do órgão (tramitação processual, sessões, audiências, comunicações oficiais e serviços ao cidadão) funcione com disponibilidade, integridade, confidencialidade e rastreabilidade. Na prática, o cargo envolve operar e evoluir sistemas corporativos do Judiciário (especialmente o sistema processual eletrônico), administrar infraestrutura (servidores, redes, armazenamento, virtualização e nuvem quando adotada), atender usuários internos e externos, automatizar rotinas e sustentar controles de segurança e conformidade exigidos por normas internas e auditorias.
Em editais e manuais internos, é comum encontrar termos como: sustentação, operação assistida, gestão de incidentes, gestão de mudanças, gestão de configuração (CMDB), catálogo de serviços, SLA/ANS, disponibilidade, continuidade, backup/restore, hardening, IAM (gestão de identidades e acessos), trilha de auditoria, evidências, segregação de funções, logs, SIEM, vulnerabilidade, patching, LGPD, classificação da informação, criptografia, assinatura digital, carimbo do tempo, cadeia de custódia, conformidade.
Atividades típicas no dia a dia
1) Suporte e sustentação de sistemas judiciais
Inclui monitorar, diagnosticar e corrigir falhas em sistemas como processo eletrônico, portais, serviços de integração, barramentos (ESB), serviços de autenticação, módulos de intimação/publicação, e relatórios gerenciais. A sustentação costuma ser organizada por níveis (N1/N2/N3) e por filas (incidentes, requisições, problemas, mudanças).
- Incidentes: indisponibilidade, lentidão, erro de autenticação, falha em integração, fila travada, erro de certificado.
- Requisições: criação/alteração de usuário, habilitação de perfil, liberação de acesso a módulo, cadastro de unidade, reset de senha, emissão de certificado interno.
- Problemas: análise de causa raiz (RCA), recorrência de falhas, correção estrutural, melhoria de monitoramento.
- Mudanças: atualização de versão, ajuste de configuração, implantação de correção, alteração de regra de firewall, mudança de parâmetro de banco.
2) Administração de infraestrutura e serviços essenciais
Envolve manter serviços de rede e datacenter (ou ambiente híbrido), garantindo capacidade, performance e continuidade. É comum lidar com virtualização, containers, balanceadores, DNS, NTP, PKI, storage, backup, replicação, e ferramentas de observabilidade.
- Servidores e virtualização: provisionamento, templates, capacidade (CPU/RAM/IOPS), atualização e hardening.
- Redes: VLANs, roteamento, VPN, QoS, segmentação, regras de firewall, IDS/IPS.
- Banco de dados: rotinas de backup, manutenção, índices, tuning, alta disponibilidade, replicação.
- Continuidade: testes de restore, DRP (plano de recuperação de desastres), RTO/RPO, exercícios simulados.
3) Atendimento a usuários e suporte operacional
O atendimento é parte central do cargo, com foco em registrar, classificar, priorizar e resolver demandas com comunicação clara. Usuários incluem magistrados, servidores, gabinetes, secretarias, áreas administrativas e, em alguns serviços, público externo (advogados, partes, peritos) via canais oficiais.
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- Vocabulário recorrente: chamado/ticket, criticidade, prioridade, impacto, urgência, workaround, escalonamento, base de conhecimento, janela de manutenção.
- Boas práticas: coleta de evidências (prints, logs, horário, usuário, unidade), reprodução do erro, validação pós-correção, registro do que foi feito.
4) Automação de rotinas e melhoria contínua
Automação aparece tanto em scripts de infraestrutura (provisionamento, coleta de logs, verificação de serviços) quanto em rotinas de negócio (extração de relatórios, conciliações, integrações). Em tribunais, automação precisa respeitar governança: versionamento, revisão, homologação e rastreabilidade.
- Exemplos práticos: script para validar expiração de certificados, job para checar filas de mensageria, automação de coleta de logs para incidentes, rotinas de atualização de listas de controle (ACL) a partir de grupos.
- Termos de edital: automação, scripts, pipelines, integração contínua, controle de versão, testes, homologação, produção.
5) Segurança da informação, conformidade e auditoria
Além de proteger o ambiente, o Analista de TI precisa demonstrar conformidade: evidências de controles, trilhas de auditoria e registros de decisões. Isso inclui gestão de acessos, revisão periódica de perfis, segregação de funções, retenção de logs, resposta a incidentes e adequação à LGPD.
- Controles comuns: MFA, menor privilégio, revisão de acessos, logging centralizado, hardening, patch management, criptografia em trânsito e em repouso, backups imutáveis quando aplicável.
- Evidências típicas: relatórios de acesso, logs de alteração, atas de comitê de mudanças, registros de aprovação, prints de configuração, relatórios de vulnerabilidade e correções.
Como os temas do curso se conectam ao trabalho e às provas
Relação direta entre rotina e cobrança em edital
O conteúdo cobrado em concursos costuma refletir situações reais do Judiciário: disponibilidade de sistemas críticos, controle de acesso e auditoria, redes e segurança, banco de dados e infraestrutura, governança e gestão de serviços. A prova tende a exigir que você reconheça termos, aplique conceitos em cenários e identifique a melhor prática.
- Gestão de serviços (ITIL/boas práticas): aparece em questões sobre incidentes, problemas, mudanças, SLA, catálogo, priorização e escalonamento.
- Redes e infraestrutura: questões sobre DNS, TCP/IP, VPN, firewall, balanceamento, alta disponibilidade, backup e DR.
- Segurança: IAM, criptografia, logs, resposta a incidentes, vulnerabilidades, hardening, LGPD e controles.
- Banco de dados e sistemas: transações, concorrência, índices, replicação, tuning, integridade e disponibilidade.
- Auditoria e conformidade: evidências, trilhas, segregação de funções, rastreabilidade e controles de mudança.
Cenários práticos com passo a passo (operação e atendimento)
Cenário 1: Indisponibilidade do sistema processual eletrônico
Situação: usuários relatam que o sistema processual não carrega, com erro HTTP 503 ou timeout. Impacto alto por afetar prazos e atividades cartorárias.
Passo a passo operacional (visão de sustentação):
- 1. Registro e classificação: abrir incidente com horário de início, unidades afetadas, sintomas, mensagens de erro, canal de detecção (usuário/monitoramento) e criticidade (impacto x urgência).
- 2. Verificação de abrangência: confirmar se é geral (todas as unidades) ou segmentado (apenas VPN, apenas internet, apenas rede interna). Testar acesso interno e externo, se aplicável.
- 3. Checagem de monitoramento e métricas: verificar dashboards (CPU, memória, latência, erros 5xx), saúde de balanceadores, status de pods/serviços (se houver), filas de mensageria e conexões de banco.
- 4. Isolamento por camadas: (a) DNS/roteamento; (b) balanceador/reverse proxy; (c) aplicação; (d) integrações; (e) banco de dados; (f) storage. Identificar onde a falha se manifesta.
- 5. Coleta de evidências: capturar logs relevantes (aplicação, proxy, autenticação, banco), IDs de correlação, timestamps, e anexar ao ticket. Registrar comandos/consultas executadas.
- 6. Mitigação (workaround): reiniciar serviço específico, aumentar réplicas, liberar espaço em disco, ajustar pool de conexões, desabilitar funcionalidade degradada, ativar instância de contingência, conforme procedimento aprovado.
- 7. Comunicação: atualizar status em intervalos definidos, com linguagem objetiva (o que ocorre, impacto, ação em andamento, previsão quando possível). Evitar promessas sem base.
- 8. Restauração e validação: confirmar retorno com testes funcionais (login, consulta, peticionamento, movimentação) e com usuários-chave.
- 9. Encerramento com registro técnico: descrever causa provável/confirmada, ações, tempo de indisponibilidade, e abrir problema para RCA se houver recorrência.
Vocabulário usado em ambientes internos: incidente crítico, indisponibilidade, degradação, janela emergencial, escalonamento para N3, RCA, KPI/SLI/SLO (quando adotados), evidência de log, mudança emergencial.
Cenário 2: Gestão de acessos e perfis (IAM) para unidade judicial
Situação: um servidor é removido de uma unidade e outro assume a função. É necessário ajustar perfis no sistema processual e em pastas/repositórios, respeitando segregação de funções e trilha de auditoria.
Passo a passo prático (requisição de acesso):
- 1. Recebimento formal: exigir solicitação por canal oficial com identificação do solicitante e autorização (chefia/unidade responsável), conforme norma interna.
- 2. Validação de identidade e vínculo: confirmar matrícula, lotação, função e necessidade de acesso (princípio do menor privilégio).
- 3. Definição de perfis: mapear perfis do sistema (ex.: operador de secretaria, gabinete, administrador local) e permissões em recursos (pastas, sistemas satélites, BI).
- 4. Segregação de funções: evitar combinações incompatíveis (ex.: perfil que autoriza e executa a mesma operação sensível), conforme matriz de SoD.
- 5. Implementação e registro: aplicar alterações via ferramenta de IAM/AD/sistema, registrando data/hora, responsável técnico, perfis concedidos/removidos e justificativa.
- 6. Evidências: anexar prints/relatórios de grupos e perfis, logs de alteração e aprovação. Garantir rastreabilidade para auditoria.
- 7. Validação com usuário: confirmar acesso mínimo necessário e testar operação crítica (ex.: assinatura, movimentação, consulta restrita).
- 8. Revisão periódica: incluir o acesso em rotinas de recertificação (revisão trimestral/semestral, conforme política).
Vocabulário de edital/manual: IAM, RBAC (controle de acesso baseado em papéis), recertificação de acessos, trilha de auditoria, segregação de funções, menor privilégio, MFA, gestão de contas privilegiadas.
Cenário 3: Solicitação de evidências para auditoria (logs e mudanças)
Situação: auditoria interna/externa solicita evidências de que uma mudança em produção foi aprovada, testada e registrada, e que há logs suficientes para rastrear acessos administrativos.
Passo a passo prático (montagem de evidências):
- 1. Identificar o escopo: qual sistema/serviço, período, tipo de evidência (mudança, acesso privilegiado, backup, vulnerabilidade, incidente).
- 2. Localizar registros de mudança: ticket de mudança com justificativa, análise de risco, plano de rollback, janela, aprovadores, e resultado da implantação.
- 3. Evidenciar testes/homologação: anexar evidência de testes (casos executados, logs de pipeline, checklist de validação) e autorização de promoção para produção.
- 4. Coletar trilhas de auditoria: logs de administração (ex.: comandos, login, alteração de configuração), logs de aplicação (ações do usuário), e logs de banco (quando aplicável), com timestamps e identificação.
- 5. Garantir integridade e retenção: demonstrar política de retenção, centralização (syslog/SIEM), controle de acesso aos logs e, quando aplicável, mecanismos de imutabilidade.
- 6. Organizar e entregar: compilar em pasta/relatório com índice, explicando a relação entre evidência e controle (ex.: “controle de mudanças”, “controle de acesso”, “monitoramento e logging”).
Vocabulário recorrente: evidência objetiva, trilha de auditoria, controle compensatório, change record, aprovação, rollback, retenção de logs, integridade, cadeia de custódia (quando aplicável a evidências digitais).
Rotina de operação: checklists úteis (sem depender de ferramenta específica)
Checklist rápido para incidentes em serviços críticos
- Confirmar impacto (quantos usuários/unidades; serviço interno/externo).
- Registrar horário, sintomas e mensagens de erro.
- Verificar saúde de rede (DNS, rota, VPN), aplicação e banco.
- Coletar logs com timestamps e IDs de correlação.
- Aplicar mitigação aprovada e comunicar status.
- Validar retorno ponta a ponta e documentar.
Checklist rápido para mudanças em produção
- Ter ticket com justificativa, risco, plano de rollback e aprovadores.
- Executar em janela definida e registrar passo a passo.
- Validar serviço após mudança (testes funcionais e métricas).
- Guardar evidências (logs, prints, relatórios) para auditoria.