Padronização de Etiquetas e Identificação: Regras, Conteúdo e Formatos

Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

O que é padronização de etiquetas e por que ela evita erros

Padronização de etiquetas e identificação é a definição de regras únicas para como os endereços, produtos e unidades logísticas serão identificados visualmente e por leitura automática (código de barras/QR). O objetivo é que qualquer pessoa consiga localizar, conferir e movimentar itens com rapidez, reduzindo erros de separação, divergências de inventário e retrabalho.

Um padrão bem feito responde sempre às mesmas perguntas: o que é (produto/unidade), onde está (endereço), qual versão (lote/validade quando aplicável) e como ler (código de barras/QR), com legibilidade e resistência adequadas ao ambiente.

Escopo do padrão: o que será etiquetado

  • Etiqueta de endereço: identifica prateleiras, posições, bins, porta-paletes, chão (pallet position) e áreas de staging.
  • Etiqueta de produto: identifica o item (SKU/código interno) e sua descrição curta; pode estar em bins, caixas fracionadas e locais de picking.
  • Etiqueta de unidade logística: identifica caixas fechadas, volumes, pallets, kits e qualquer unidade movimentada como “um todo”.

Regra prática: endereço identifica lugar; produto identifica item; unidade logística identifica o volume. Evite misturar funções na mesma etiqueta quando isso gerar ambiguidade.

Conteúdo obrigatório de cada etiqueta (e o que evitar)

1) Etiqueta de endereço (prateleira, bin, posição, pallet)

Deve constar:

  • Endereço completo (no formato definido pela empresa, sempre com a mesma ordem e separadores).
  • Código em barras ou QR do endereço (para leitura rápida).
  • Setor/área (opcional, se ajudar na navegação; preferir código curto e padronizado).

Evitar:

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  • Texto longo explicativo (ex.: “Prateleira do fundo perto da porta”).
  • Abreviações não padronizadas (ex.: “MOD”, “MÓD”, “MD” para a mesma coisa).
  • Informações variáveis (ex.: nome do produto) em etiqueta de endereço, pois o endereço não muda quando o item muda.

2) Etiqueta de produto (SKU no picking, bins de fracionado)

Deve constar:

  • SKU/código interno (principal identificador).
  • Descrição curta (máx. 25–35 caracteres, focada em diferenciar itens parecidos).
  • Unidade de armazenagem/retirada (ex.: UN, CX, PCT) quando houver risco de confusão.
  • Código de barras/QR do SKU (ou do SKU+unidade, se o sistema diferenciar).

Quando aplicável:

  • Lote e validade (principalmente em alimentos, cosméticos, químicos, farmacêuticos). Se o lote/validade muda com frequência, prefira etiqueta complementar (removível) na unidade logística, não fixa no local.

Evitar:

  • Descrição longa com especificações completas (isso fica no cadastro/sistema).
  • Informações que mudam muito (preço, promoção, fornecedor do momento).
  • Abreviações ambíguas (ex.: “TAM G” pode ser “Grande” ou “Galão”).

3) Etiqueta de unidade logística (caixa, pallet, volume)

Deve constar:

  • ID da unidade logística (ex.: SSCC, código interno de volume, ou número único sequencial).
  • SKU/código interno e descrição curta (para conferência visual rápida).
  • Quantidade e unidade (ex.: 12 UN, 1 CX, 48 PCT).
  • Lote/validade quando aplicável.
  • Código de barras/QR do ID da unidade logística (prioritário) e, se necessário, do SKU.

Evitar:

  • Colocar apenas o SKU sem quantidade (gera erro na conferência).
  • Usar etiquetas pequenas demais para pallets (ilegível a distância).
  • Imprimir códigos sem “zona de silêncio” (margem em branco) ao redor do código de barras, o que prejudica leitura.

Regras de formato do identificador (padrão de escrita)

Separadores, caixa alta e comprimento

  • Use um único padrão de separador (ex.: hífen “-” ou ponto “.”). Evite misturar.
  • Prefira caixa alta para endereços (melhor leitura em distância).
  • Mantenha comprimento consistente com zeros à esquerda quando necessário (ex.: N01, N02… em vez de N1, N2).

Exemplos de endereços (modelo de escrita)

Exemplo de convenção (ajuste aos seus campos):

SETOR-RUA-MOD-NIV-POS

Exemplos:

  • PA-A03-M02-N04-P01
  • FR-A01-M01-N01-P12

Regras recomendadas:

  • Não use espaços no identificador.
  • Não use caracteres que confundem (O/0, I/1) se houver risco; quando inevitável, aumente contraste e use fonte adequada.
  • Se houver leitura por coletor, garanta que o código impresso represente exatamente o texto do endereço.

Guia prático: passo a passo para criar e implantar o padrão

Passo 1 — Defina os “tipos” de etiqueta e seus campos

Crie uma tabela simples com os tipos e campos obrigatórios. Exemplo:

TipoObrigatórioOpcionalNão usar
EndereçoEndereço completo + código barras/QRSetor/áreaProduto, quantidade, observações
ProdutoSKU + descrição curta + código barras/QRUnidadeTextos longos, preço
Unidade logísticaID volume + SKU + qtd + unidade + códigoLote/validadeSomente descrição sem código

Passo 2 — Padronize a descrição curta (para diferenciar itens parecidos)

Crie uma regra de composição da descrição curta. Exemplo (ordem sugerida):

FAMÍLIA + PRINCIPAL ATRIBUTO + VARIANTE + TAMANHO/VOLUME

Exemplos:

  • LUVA NITRÍLICA AZUL M
  • FITA ADESIVA TRANSP 48MM
  • DETERGENTE NEUTRO 500ML

Regras para evitar confusão:

  • Evite siglas internas sem legenda.
  • Se existirem itens “quase iguais”, force um atributo diferenciador (cor, voltagem, tamanho, fragrância, modelo).

Passo 3 — Defina tamanhos e hierarquia visual (o que aparece maior)

Hierarquia recomendada:

  • Etiqueta de endereço: o texto do endereço deve ser o maior elemento; o código de barras/QR logo abaixo.
  • Etiqueta de produto: SKU em destaque; descrição curta em segundo; unidade menor.
  • Etiqueta de unidade logística: ID do volume e código em destaque; SKU e quantidade bem visíveis.

Dimensões práticas (referência; ajuste ao seu ambiente):

  • Bins e prateleiras de picking: 50×30 mm a 80×50 mm.
  • Endereço em porta-paletes: 100×50 mm a 150×100 mm (para leitura a distância).
  • Pallet/volume: 100×150 mm (ou A6) para conter ID, SKU, qtd e lote/validade.

Passo 4 — Escolha fonte, contraste e materiais (durabilidade)

Fonte: use fonte sem serifa (ex.: Arial, Helvetica) por legibilidade. Evite fontes “estreitas” demais.

Tamanho mínimo:

  • Endereço em porta-paletes: texto principal preferencialmente ≥ 24 pt (dependendo da distância).
  • Bins/picking: texto principal preferencialmente ≥ 14–18 pt.

Contraste: preto no branco é o padrão mais robusto. Se usar cores, mantenha alto contraste (ex.: texto preto em fundo amarelo claro).

Materiais:

  • Papel térmico: barato, porém pode desbotar com calor/atrito; use apenas em áreas controladas e com reposição fácil.
  • Térmico com laminação ou poliéster: recomendado para prateleiras e áreas de maior atrito.
  • Resistência: avalie umidade, poeira, frio (câmara), contato com químicos e abrasão.

Laminado: use quando houver limpeza frequente, atrito de caixas, ou risco de rasgo. Evite laminar por cima de códigos se isso gerar reflexo forte; prefira laminados foscos quando possível.

Passo 5 — Padronize o tipo de código (barras vs QR) e como imprimir

  • Código de barras (1D): excelente para leitura rápida e simples; ideal para endereços e SKUs curtos.
  • QR code (2D): comporta mais dados; útil para unidade logística com ID + informações adicionais, quando o processo exigir.

Regras de impressão:

  • Garanta margem (zona de silêncio) ao redor do código.
  • Não distorça o código (evite “esticar” na impressão).
  • Teste leitura com o dispositivo real (coletor/câmera) em diferentes ângulos e iluminação.

Passo 6 — Defina posicionamento das etiquetas (onde colar para não sumir)

Prateleiras (endereços):

  • Colar na borda frontal, alinhado à posição.
  • Evitar áreas onde a mão/caixa raspa constantemente; use porta-etiquetas quando possível.
  • Se houver níveis, repetir o endereço em cada nível (não depender de “um por coluna”).

Bins/caixas de picking (produto e/ou endereço):

  • Etiqueta voltada para o corredor, no mesmo lado em todos os bins.
  • Se o bin for removível, etiqueta no bin e no local (para evitar troca de bins sem atualização).

Caixas (unidade logística):

  • Aplicar em superfície plana, sem dobras, sem lacres por cima.
  • Preferir duas faces adjacentes (frente e lateral) para leitura em pilhas.

Pallets:

  • Aplicar em pelo menos duas faces adjacentes, em altura visível (evitar muito baixo, onde empilhadeira danifica).
  • Se usar filme stretch, aplicar etiqueta por fora em porta-documento ou etiqueta própria para filme, garantindo leitura.

O que evitar no padrão (erros comuns que geram retrabalho)

  • Excesso de texto para “compensar” falta de regra: etiqueta vira um mini manual e ninguém lê.
  • Abreviações diferentes por pessoa: cada um escreve de um jeito e o estoque vira “dialeto”.
  • Mesma cor para tudo ou cores sem significado: cor deve ser convenção, não decoração.
  • Etiquetas pequenas demais em locais de leitura a distância.
  • Material inadequado (desbota, descola, rasga) em áreas de atrito/umidade/frio.
  • Posicionamento inconsistente: cada rua com etiqueta em um lugar diferente aumenta tempo de procura.

Guia de padronização visual: layouts e convenções de cores

Layouts sugeridos (modelos)

Layout A — Endereço (porta-paletes/prateleira)

[ENDEREÇO EM TEXTO GRANDE]  PA-A03-M02-N04-P01 [CÓDIGO DE BARRAS/QR DO ENDEREÇO] (opcional) SETOR: PA

Layout B — Produto (picking/bin)

SKU: 123456 DESCRIÇÃO: FITA ADESIVA TRANSP 48MM UNIDADE: UN [CÓDIGO DE BARRAS/QR DO SKU]

Layout C — Unidade logística (caixa/pallet)

ID VOLUME: UL00084527 SKU: 123456  QTD: 12 UN DESCR: FITA ADESIVA TRANSP 48MM LOTE: L2409  VAL: 2026-09 [CÓDIGO DE BARRAS/QR DO ID VOLUME]

Convenções de cores (use poucas e com significado fixo)

Escolha uma paleta curta (3 a 6 cores) e documente o significado. Exemplo de convenção:

  • Branco: padrão geral (endereços e produtos).
  • Amarelo: áreas de picking (alta frequência) para destacar rapidamente.
  • Azul: armazenagem reserva (pulmão).
  • Vermelho: quarentena/bloqueado/não utilizar (apenas para status restritivo).
  • Verde: staging de expedição/liberado para saída (se fizer sentido no seu fluxo).

Regras para cores:

  • Cor não substitui texto/código: ela ajuda, mas o identificador deve ser lido sozinho.
  • Evite usar vermelho para “normal” (perde o significado de alerta).
  • Garanta contraste: fundo colorido claro com texto preto costuma funcionar melhor.

Checklist de implantação e controle do padrão

  • Existe um documento de padrão com exemplos (endereços, produto, unidade logística)?
  • Todos os modelos usam mesma fonte, mesma hierarquia e mesmos separadores?
  • Foi feito teste de leitura (código) no local real, com iluminação e distância reais?
  • Material e adesivo são adequados ao ambiente (umidade, frio, atrito)?
  • Posicionamento está definido por tipo (prateleira, bin, caixa, pallet) e é repetido em todo o estoque?
  • Existe regra de substituição (quando etiqueta danificar) e responsável por auditoria visual periódica?

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao definir o padrão de etiquetas no estoque, qual combinação de informações é mais adequada para uma etiqueta de endereço (local) e ajuda a evitar ambiguidades?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

A etiqueta de endereço deve identificar o lugar: endereço completo e código para leitura rápida. Incluir produto/quantidade ou textos longos cria ambiguidade e gera retrabalho quando o item muda.

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Cadastro e Controle Mestre: Produto, Unidade, Lote, Validade e Localização

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