Este capítulo foca no uso prático de ortografia, pontuação e acentuação em situações típicas de prova: reescrita, correção, identificação de erro e escolha da alternativa “mais adequada”. A meta é reconhecer padrões e aplicar regras com rapidez, sem depender de “ouvido”.
Ortografia na prática
O que é e como cai em prova
Ortografia é o conjunto de convenções de escrita das palavras. Em concursos, costuma aparecer em: (a) troca de letras (s/ss/ç/x/ch; g/j; z/s), (b) uso do hífen, (c) grafia de porquês, (d) palavras parônimas (grafia parecida, sentido diferente), (e) emprego de maiúsculas/minúsculas em nomes próprios e instituições.
Passo a passo para resolver questões de ortografia
- 1) Localize o “ponto de risco”: em reescritas, sublinhe mentalmente palavras com sibilantes (s, ss, ç, x), com g/j, com h inicial, com encontros “ch/x”, e termos com hífen.
- 2) Verifique se a palavra é de família conhecida: muitas grafias seguem o padrão do radical. Ex.: “análise” → “analisar”; “pesquisa” → “pesquisar”.
- 3) Teste a palavra em outra forma: plural, feminino/masculino, verbo derivado. Ex.: “exceção” → plural “exceções” ajuda a fixar o “ç”.
- 4) Se houver dúvida, elimine alternativas por incoerência: em múltipla escolha, opções com erro ortográfico evidente costumam ser descartadas rapidamente.
Casos recorrentes (com exemplos de prova)
1) “Por que / porque / por quê / porquê”
- por que (separado): em perguntas diretas ou indiretas. Ex.: “Por que você faltou?” / “Não sei por que ele faltou.”
- porque (junto): explicação/causa. Ex.: “Ele faltou porque estava doente.”
- por quê (separado e com acento): no fim da frase (antes de pausa). Ex.: “Você faltou por quê?”
- porquê (junto e com acento): substantivo (= motivo), geralmente com artigo. Ex.: “Não explicou o porquê da ausência.”
2) Parônimos frequentes
- descrição (ato de descrever) × discrição (reserva, prudência). Ex.: “Fez a descrição do suspeito.” / “Agir com discrição.”
- ratificar (confirmar) × retificar (corrigir). Ex.: “Ratificar o depoimento.” / “Retificar o relatório.”
- eminente (ilustre) × iminente (prestes a ocorrer). Ex.: “Autoridade eminente.” / “Risco iminente.”
3) Grafias que costumam confundir
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- exceção, excesso, exceder (família “exce- / exce- / exce-” varia; memorize por uso recorrente em prova).
- haja (verbo haver) × aja (verbo agir). Ex.: “Haja vista...” / “Aja com cautela.”
- sessão (reunião) × seção (divisão) × cessão (ato de ceder). Ex.: “Sessão solene.” / “Seção de pessoal.” / “Cessão de uso.”
Hífen: uso prático em questões
Em prova, o hífen aparece sobretudo em compostos e prefixos. O caminho mais seguro é identificar o prefixo e observar a letra inicial do segundo elemento.
- Prefixo terminado em vogal + segundo elemento começando com a mesma vogal: usa hífen. Ex.: “anti-inflamatório”, “micro-ondas”.
- Prefixo terminado em vogal + segundo elemento começando com r ou s: geralmente não usa hífen e dobra a consoante. Ex.: “antirreligioso”, “ultrassom”.
- Prefixo terminado em vogal + segundo elemento começando com outra consoante: geralmente sem hífen. Ex.: “autoescola”, “infraestrutura”.
- Com “h”: usa hífen. Ex.: “anti-higiênico”, “pré-história”.
Em itens de reescrita, a banca pode trocar hífen por aglutinação ou vice-versa; compare com as regras acima e desconfie de formas “estranhas” como “antiinflamatório” (tende a estar errado em muitas normas de referência) ou “ultra-som” (tende a estar errado).
Pontuação na prática
O que é e como cai em prova
Pontuação organiza a leitura e evidencia relações sintáticas e de sentido. Em concursos, é comum: (a) inserir/retirar vírgula e perguntar se muda o sentido, (b) identificar erro por vírgula indevida, (c) substituir pontuação mantendo correção e sentido, (d) justificar uso de dois-pontos, ponto e vírgula e travessões.
Passo a passo para decidir sobre vírgula
- 1) Ache o verbo principal e identifique sujeito e complementos. A vírgula não deve separar núcleo do sujeito do verbo, nem verbo de complemento essencial.
- 2) Procure “elementos deslocados” (adjuntos adverbiais no início, termos intercalados, orações adjetivas explicativas). Esses costumam pedir vírgula.
- 3) Verifique se há enumeração (lista de termos da mesma função). A vírgula separa itens equivalentes.
- 4) Teste a retirada do trecho entre vírgulas: se a frase continua estruturalmente completa, o trecho é acessório (explicativo/intercalado) e a vírgula tende a ser adequada.
Erros clássicos com vírgula (com exemplos)
1) Vírgula entre sujeito e verbo (erro frequente)
- Errado: “Os candidatos do concurso, devem apresentar documento.”
- Certo: “Os candidatos do concurso devem apresentar documento.”
2) Vírgula entre verbo e complemento (erro frequente)
- Errado: “A equipe analisou, o relatório.”
- Certo: “A equipe analisou o relatório.”
3) Adjuntos adverbiais deslocados (geralmente com vírgula)
- Certo: “No início da operação, a equipe isolou a área.”
- Observação prática: adjunto curto pode aparecer sem vírgula em alguns estilos, mas em prova a banca costuma preferir a vírgula quando há deslocamento claro.
4) Orações explicativas (com vírgulas) × restritivas (sem vírgulas)
- Explicativa (informação acessória): “Os policiais, que chegaram cedo, organizaram o fluxo.” (todos chegaram cedo; comentário adicional)
- Restritiva (delimita o grupo): “Os policiais que chegaram cedo organizaram o fluxo.” (apenas os que chegaram cedo)
5) Vocativo e aposto
- Vocativo: “Senhores candidatos, atenção ao horário.”
- Aposto: “A banca, responsável pela prova, divulgou o edital.”
Dois-pontos, ponto e vírgula e travessão: quando usar
Dois-pontos introduzem explicação, enumeração, citação ou consequência. Ex.: “A regra é simples: não se separa sujeito do verbo por vírgula.”
Ponto e vírgula separa itens longos em enumeração ou orações coordenadas extensas com vírgulas internas. Ex.: “Foram convocados os candidatos da ampla concorrência, conforme o edital; os candidatos da reserva legal, conforme a lista específica; e os candidatos em cadastro de reserva.”
Travessão destaca intercalações ou marca fala em diálogo (quando aplicável). Em prova, aparece muito como alternativa à vírgula/parênteses para isolar explicações. Ex.: “O relatório — já revisado pela chefia — foi encaminhado.”
Questões de reescrita: como checar se a pontuação alterou o sentido
- 1) Compare o que ficou “restritivo” ou “explicativo”: troca de vírgulas em “que” pode mudar o grupo a que se refere.
- 2) Observe advérbios como “somente”, “apenas”, “principalmente”: mudança de posição pode alterar foco.
- 3) Verifique ambiguidade: pontuação pode eliminar dupla interpretação. Ex.: “Vamos prender, não soltar” ≠ “Vamos prender não, soltar”.
Acentuação na prática
O que é e como cai em prova
Acentuação gráfica marca a sílaba tônica e diferencia palavras. Em concursos, é comum: (a) identificar palavra acentuada pela mesma regra, (b) apontar erro de acento em reescrita, (c) justificar acento diferencial e acento em hiatos.
Passo a passo para acentuar corretamente
- 1) Separe em sílabas e encontre a sílaba tônica (a mais forte).
- 2) Classifique: oxítona (última), paroxítona (penúltima), proparoxítona (antepenúltima).
- 3) Aplique a regra do grupo (oxítonas, paroxítonas, proparoxítonas, hiatos, ditongos).
- 4) Cheque casos especiais: terminações, hiato com “i/u”, e acentos diferenciais que ainda existem.
Regras mais cobradas (com exemplos)
1) Proparoxítonas: todas são acentuadas. Ex.: “tática”, “público”, “jurídico”, “médico”.
2) Oxítonas: acentuam-se quando terminam em a(s), e(s), o(s), em(ens). Ex.: “café”, “também”, “avó”, “parabéns”.
3) Paroxítonas: acentuam-se quando não terminam em a(s), e(s), o(s), em(ens). Terminações comuns que pedem acento: l, n, r, x, i(s), us, um(uns), ã(s), ão(s), ps, ditongo. Ex.: “fácil” (l), “hífen” (n), “tórax” (x), “júri” (i), “vírus” (us), “álbum” (um), “órfãs” (ãs), “órgãos” (ãos), “bíceps” (ps), “história” (ditongo).
4) Hiato com “i” e “u” tônicos: acentuam-se quando formam sílaba sozinhos ou com “s” e não são seguidos de “nh”. Ex.: “sa-í-da”, “ba-ú”, “pa-ís”, “ju-í-zo”. Não acentua: “rainha” (i antes de nh).
5) Ditongos abertos em oxítonas: “herói”, “chapéu”, “anéis”.
Acento diferencial: o que ainda vale
Em geral, muitos acentos diferenciais foram eliminados, mas alguns permanecem e são alvo de prova.
- pôde (passado de poder) × pode (presente). Ex.: “Ontem ele pôde sair.” / “Hoje ele pode sair.”
- pôr (verbo) × por (preposição). Ex.: “Vou pôr o documento na pasta.” / “Passei por aqui.”
- têm (plural) × tem (singular); vêm × vem. Ex.: “Eles têm razão.” / “Ele tem razão.”
Checklist rápido para revisar acentuação em alternativas
- Palavra com cara de proparoxítona? Deve ter acento: “público”, “técnica”.
- Terminou em “-em/-ens” e é oxítona? Provável acento: “também”, “parabéns”.
- Paroxítona terminada em “-l, -n, -r, -x, -um, -us”? Provável acento: “fácil”, “hífen”, “caráter”, “tórax”, “álbum”, “vírus”.
- Há hiato “i/u” tônico? Verifique: “saída”, “país”, “juízo”.
Treino dirigido (modelo de aplicação em prova)
1) Correção ortográfica em frase
Enunciado-modelo: “O candidato deve agir com descrição durante a entrevista.”
Aplicação: “descrição” (ato de descrever) não combina com “agir com...”. O correto é “discrição” (reserva). Frase corrigida: “O candidato deve agir com discrição durante a entrevista.”
2) Pontuação e mudança de sentido
Enunciado-modelo: “Os policiais que estavam de folga foram chamados.”
Teste: sem vírgulas, a oração “que estavam de folga” restringe: apenas os de folga. Se virar “Os policiais, que estavam de folga, foram chamados.”, vira explicativa: todos estavam de folga. Em prova, isso costuma ser cobrado como alteração de sentido.
3) Acentuação por regra
Enunciado-modelo: assinale a palavra acentuada pela mesma regra de “tórax”.
Aplicação: “tórax” é paroxítona terminada em “x”. Procure paroxítonas terminadas em “x”: “fênix”, “látex” (dependendo do vocabulário apresentado). Elimine oxítonas e proparoxítonas.
4) Mini-roteiro de revisão final (1 minuto por questão)
- Ortografia: porquês, hífen, parônimos, s/ss/ç/x, g/j.
- Pontuação: não separar sujeito/verbo; não separar verbo/complemento; deslocamentos; explicativa × restritiva; vocativo/aposto.
- Acentuação: proparoxítonas; oxítonas (a/e/o/em/ens); paroxítonas (terminações “diferentes”); hiato i/u; acento diferencial (pôde/pode; pôr/por; têm/tem).