Organização de estoque para reposição rápida: endereçamento, separação e fluxo

Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

+ Exercício

Conceito: estoque orientado à reposição

Um estoque orientado à reposição é estruturado para reduzir o tempo entre “produto disponível no depósito” e “produto na gôndola”, com endereços claros, fluxo sem cruzamentos e regras simples de separação. A lógica central é: cada item tem um lugar padrão, cada movimentação tem um motivo e cada exceção (avaria, quarentena, devolução) tem uma área dedicada. Isso diminui procura, erros de picking, divergências de inventário e atrasos que acabam virando ruptura no salão.

Estrutura física: endereçamento, identificação e áreas de apoio

1) Endereçamento por categoria, corredor e nível

O endereçamento deve permitir que qualquer pessoa encontre um item em poucos segundos, mesmo sem “conhecer o depósito”. Use um padrão único e curto, por exemplo:

DEP-02-B-03-02
  • DEP = área (Depósito)
  • 02 = corredor
  • B = módulo/estante
  • 03 = prateleira/nível
  • 02 = posição (esquerda/centro/direita ou coluna)

Regras práticas:

  • Agrupe por categoria (ex.: mercearia doce, mercearia salgada, bebidas, higiene, limpeza) e, dentro da categoria, organize por corredor de loja quando fizer sentido (facilita picking por rota).
  • Itens de alto giro mais próximos da saída para a loja e em níveis entre joelho e ombro (zona de melhor ergonomia).
  • Itens pesados sempre em níveis baixos; itens leves podem ir mais alto.
  • SKU parecido (mesma marca/embalagem) não deve ficar lado a lado sem separador visual (reduz troca).
  • FIFO/FEFO: se houver validade, posicione para facilitar “primeiro que vence, primeiro que sai” (FEFO), evitando que o picking puxe lote errado.

2) Identificação visual (rápida e à prova de erro)

O objetivo é reduzir leitura e aumentar reconhecimento. Combine:

  • Placas grandes por corredor e categoria (ex.: “Corredor 02 – Limpeza”).
  • Etiquetas de endereço em cada posição (com código e, se possível, QR/Barcode para conferência).
  • Cores por zona (ex.: azul = mercearia, verde = hortifruti/apoio, amarelo = higiene, vermelho = áreas de exceção). Use a cor como “camada extra”, não como único identificador.
  • Foto do produto na posição para SKUs críticos de confusão (opcional, mas muito eficaz).

3) Áreas de cross-docking e apoio de reposição

Crie áreas com função clara e limites físicos (fitas no chão, grades, porta-paletes dedicados):

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  • Cross-docking (CD): área para mercadoria que chega e vai direto para a loja (sem armazenar). Deve ficar perto da saída para o salão e ter tempo máximo de permanência (ex.: 2 horas).
  • Apoio de reposição: área para pré-separação por rota/corredor/planograma. Evita que o repositório “pare” no meio do depósito procurando itens.
  • Buffer de alto giro: posições extras para itens campeões de venda, para reduzir reabastecimentos internos e viagens.

4) Separação de avarias, quarentena e devoluções

Essas áreas evitam contaminação do estoque “vendável” e reduzem divergências.

  • Avarias: produto danificado (embalagem rompida, vazamento, amassado crítico). Deve ter contenção (caixa plástica, bandeja) para evitar sujeira e risco.
  • Quarentena: produto com dúvida (validade, lote, suspeita de violação, divergência de recebimento). Regra: não repor até liberar.
  • Devoluções: itens retornados (cliente/fornecedor/transferência). Devem ser triados: “volta ao estoque vendável”, “vai para quarentena” ou “vai para avaria”.

Boas práticas de controle:

  • Endereços próprios (ex.: QTN-01, AVA-01, DEV-01) e acesso restrito.
  • Registro mínimo obrigatório: data, SKU, quantidade, motivo, responsável.
  • Inventário mais frequente nessas áreas (são fontes comuns de divergência).

Passo a passo: como implementar o endereçamento do zero (ou reorganizar)

Passo 1 — Desenhe zonas e fluxo

  • Marque no chão: entrada (recebimento), armazenagem, cross-docking, apoio de reposição, exceções (avaria/quarentena/devolução) e saída para loja.
  • Defina sentido único de circulação quando possível (reduz cruzamentos e acidentes).

Passo 2 — Crie a lógica de códigos

  • Escolha um padrão curto (ex.: DEP-CC-EST-NIV-POS).
  • Numere corredores de forma sequencial e visível.
  • Padronize letras para estantes/módulos (A, B, C…).

Passo 3 — Liste SKUs por categoria e prioridade

  • Separe por categoria e identifique alto giro, pesados, frágeis e confundíveis.
  • Defina quais vão para buffer e quais ficam em posições “prime”.

Passo 4 — Posicione e etiquete

  • Coloque primeiro alto giro e pesados nas melhores posições.
  • Evite “endereço misto” (dois SKUs no mesmo espaço) salvo em áreas de fracionados com regra clara.
  • Imprima e fixe etiquetas resistentes (altura dos olhos).

Passo 5 — Crie regras de manutenção

  • Qualquer mudança de SKU de lugar exige: atualizar mapa + atualizar etiqueta + comunicar equipe.
  • Defina um responsável por “governança do endereçamento”.

Picking para reposição: métodos e quando usar

Picking para reposição é a separação de itens no depósito para abastecer o salão. O objetivo é minimizar deslocamento, reduzir erros e atender prioridades (ruptura, promoção, alto giro).

Método 1 — Separação por rota de loja (corredores)

Quando usar: reposição diária com muitos SKUs e equipe que percorre a loja por setores.

Como fazer (passo a passo):

  • Monte “ondas” por corredor (ex.: Onda 1 = Corredores 1 a 4; Onda 2 = 5 a 8).
  • Separe no apoio de reposição em carrinhos/paleteiras identificados por corredor.
  • Ordem de separação no depósito deve seguir a rota física (evita voltar).
  • Na loja, o repositório executa a rota na mesma sequência.

Método 2 — Separação por planograma (famílias e posições)

Quando usar: categorias com exposição rígida e alta sensibilidade a erro (higiene, cosméticos, bebidas premium, infantis).

Como fazer (passo a passo):

  • Tenha uma lista por módulo/trecho (ex.: “Gôndola 3 – Módulo B – Shampoos”).
  • Separe por família e subfamília, respeitando tamanhos/variações.
  • Use conferência por código (barcode/QR) para evitar troca de similar.

Método 3 — Separação por prioridade (ruptura, promoção, validade)

Quando usar: janelas curtas, picos de venda, itens em ruptura iminente, campanhas e produtos com validade curta.

Como fazer (passo a passo):

  • Classifique pedidos em 3 filas: P1 (ruptura/iminente), P2 (alto giro/promo), P3 (complemento).
  • Reserve um espaço no apoio de reposição para P1 (sempre livre).
  • Execute P1 imediatamente, com conferência dupla (separador + conferente) nos SKUs críticos.

Combinação recomendada (prática)

CenárioEstratégiaObservação
Dia normalRota de lojaMenos deslocamento e mais previsibilidade
Promoção/feriadoPrioridade + rotaP1 primeiro, depois ondas por corredor
Categoria sensívelPlanogramaReduz erro de exposição e troca de SKU

Padronização de caixas abertas e fracionados

Fracionados e caixas abertas são fontes comuns de perda de tempo e divergência. Padronize para que qualquer pessoa entenda “o que é”, “quanto tem” e “onde fica”.

Regras de ouro

  • Área dedicada para fracionados por categoria (não misturar com caixas fechadas).
  • Uma caixa = um SKU. Se não for possível, use divisórias rígidas e etiqueta por compartimento.
  • Etiqueta obrigatória na caixa aberta: SKU, descrição curta, endereço, data de abertura, responsável.
  • FEFO/FIFO: fracionado mais antigo na frente.
  • Reposição sempre consome fracionado antes de abrir nova caixa (regra simples que reduz sobras).

Modelo de etiqueta para caixa aberta (exemplo)

SKU: 123456  | Produto: Biscoito 200g Chocolate  | End.: DEP-03-C-02-01  | Aberta em: 12/01  | Resp.: JL

Checklist rápido para evitar divergência em fracionados

  • Se abriu caixa, registrou data e responsável?
  • O fracionado voltou para a área correta (não ficou “solto”)?
  • O endereço do SKU está visível na posição?

Segurança e ergonomia no depósito (aplicado à reposição)

Movimentação e empilhamento

  • Itens pesados abaixo da linha da cintura e nunca acima do ombro.
  • Empilhamento com base estável; não exceder limite da embalagem/palete.
  • Corredores livres: defina largura mínima e proíba “estacionar” carrinhos em rotas de fuga.

Técnica de levantamento (padrão simples)

  • Aproxime a carga do corpo.
  • Dobre joelhos, mantenha coluna neutra.
  • Evite torção: gire com os pés, não com a cintura.

Organização para reduzir risco

  • Produtos líquidos em bandejas/áreas com contenção para evitar escorregões.
  • Escadas/plataformas adequadas para níveis altos (proibir subir em caixas).
  • Separar químicos de alimentos conforme regra interna e legislação aplicável.

Modelo de mapa de estoque (endereçamento + categorias + fluxo)

Use um mapa simples, impresso e também em arquivo, para orientar novos colaboradores e manter padrão. Abaixo um modelo que pode ser adaptado:

MAPA DO DEPÓSITO (exemplo simplificado) - Sentido do fluxo: Entrada → Armazenagem → Apoio/CD → Saída Loja
ZonaEndereçosCategoria principalObservações operacionais
Entrada/RecebimentoREC-01 a REC-03TodasTriagem rápida: CD vs Armazenar vs Exceção
Cross-dockingCD-01 a CD-04Alto giro / PromoPermanência máxima definida (ex.: 2h)
Apoio de reposiçãoAPO-01 a APO-06Por corredor de lojaSeparação por ondas/rotas
Armazenagem MerceariaDEP-01 a DEP-04MerceariaBuffer de campeões próximo à saída
Armazenagem BebidasDEP-05 a DEP-06BebidasPesados em níveis baixos
Higiene/LimpezaDEP-07 a DEP-08Higiene e LimpezaSeparação de químicos conforme regra
FracionadosFRA-01 a FRA-04Por categoriaUma caixa = um SKU; etiqueta obrigatória
QuarentenaQTN-01ExceçõesBloqueado para reposição
AvariasAVA-01ExceçõesContenção e registro
DevoluçõesDEV-01ExceçõesTriagem: volta/qt/avaria

Rotina de inventário rotativo para reduzir divergências que geram ruptura

Inventário rotativo é a contagem frequente de partes do estoque para corrigir diferenças antes que virem falta na loja. O foco aqui é reduzir divergências operacionais (erros de endereço, fracionados sem controle, perdas em exceções, trocas de SKU).

O que contar primeiro (critérios de seleção)

  • Alto giro (impacto direto em ruptura).
  • SKUs com histórico de divergência (troca, fracionado, similares).
  • Áreas de exceção (quarentena, avaria, devolução).
  • Fracionados (maior risco de erro).

Modelo de agenda semanal (exemplo)

DiaFocoMetaObservação
SegundaAlto giro (Top 30)Contar 30 SKUsPriorizar itens próximos à saída
TerçaFracionados (FRA)Contar 100% das posições FRAConferir etiqueta e data de abertura
QuartaExceções (QTN/AVA/DEV)Contar 100% das áreasChecar registros e status
QuintaCategoria crítica (ex.: bebidas)Contar 1 corredorValidar empilhamento e endereços
SextaAuditoria de endereços20 posições aleatóriasProduto x etiqueta x sistema

Passo a passo da contagem rotativa (padrão operacional)

  • 1) Bloqueio rápido da posição: sinalize “em contagem” para evitar retirada durante a conferência.
  • 2) Contagem física: conte unidades fechadas e fracionados separadamente.
  • 3) Conferência de identidade: valide SKU/código de barras e descrição (evita contar item errado).
  • 4) Conferência de endereço: o produto está no endereço correto? Se não, registre “desvio de endereçamento”.
  • 5) Registro da divergência: anote diferença, provável causa (troca, fracionado, avaria não registrada, CD não baixado).
  • 6) Ação corretiva imediata: corrigir etiqueta/endereço, regularizar fracionado, mover para quarentena/avaria se necessário.
  • 7) Recontagem por amostragem: se a divergência for alta, recontar com segunda pessoa.

Indicadores simples para acompanhar (sem burocracia)

  • % de acuracidade por zona (armazenagem, fracionados, exceções).
  • Top 10 SKUs com divergência recorrente (para atacar causa raiz).
  • Quantidade de “desvios de endereçamento” por semana (mede disciplina do padrão).

Causas comuns de divergência e correções rápidas

CausaSinalCorreção prática
Caixa aberta sem etiquetaFracionado “sem dono”Etiquetar na hora + definir área FRA fixa
SKU parecido no endereço vizinhoTroca recorrenteSeparador visual + distância mínima + foto na posição
Produto em quarentena misturadoEstoque “some”Área QTN fechada + regra de não reposição
Cross-docking sem controleEntrada não vira saldoTempo máximo + responsável + conferência por onda
Movimentação sem atualizar endereçoProcura longaGovernança: ninguém muda sem atualizar mapa/etiqueta

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Ao organizar o depósito para reposição rápida, qual prática ajuda diretamente a evitar contaminação do estoque vendável e reduzir divergências de inventário?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Separar avarias, quarentena e devoluções em áreas próprias, endereçadas e com registro (data, SKU, quantidade, motivo e responsável) evita mistura com itens vendáveis e reduz divergências e erros de reposição.

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