Organização de comprovantes e documentos do Caixa: padrões e rastreabilidade

Capítulo 5

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

+ Exercício

Por que a organização documental é parte do controle de Caixa

Organizar comprovantes e documentos do Caixa significa manter evidências completas e rastreáveis de tudo o que foi registrado no PDV e nos meios de pagamento. Na prática, é o que permite: (1) localizar rapidamente um comprovante quando houver dúvida do cliente, auditoria ou conciliação; (2) provar que uma transação ocorreu (ou foi cancelada) com data, hora, operador e valor; (3) reduzir perdas por documentos ilegíveis, misturados ou extraviados.

Rastreabilidade é a capacidade de ligar cada transação a seus documentos correspondentes, seguindo um caminho claro: venda/recebimento no sistema → comprovante do meio de pagamento → documento fiscal/cupom → relatórios do turno/período → arquivo físico/digital.

Tipos de documentos do Caixa e o que cada um comprova

  • Cupons/Comprovantes do PDV: evidenciam a venda/recebimento registrado no sistema (itens, total, descontos, operador, data/hora, número do documento).
  • Vias do cartão (crédito/débito): comprovam a autorização da operadora/adquirente (NSU, autorização, bandeira, valor, data/hora, tipo de transação).
  • Comprovantes PIX: comprovam a transferência instantânea (E2E/ID da transação, valor, data/hora, pagador/recebedor conforme exibido, status).
  • Vales (vale-troco, vale-despesa, vale-funcionário, vale-presente): comprovam saídas/compromissos internos e precisam de identificação e autorização conforme regra da empresa.
  • Notas de cancelamento/estorno: comprovam reversões (motivo, referência ao documento original, operador responsável e, quando aplicável, autorização de supervisor).
  • Relatórios do turno/período: consolidam o movimento (por operador/caixa, por meio de pagamento, cancelamentos, sangrias/suprimentos quando aplicável, totalizadores).

Padrão de organização: por período/turno e por meio de pagamento

O padrão mais eficiente combina duas chaves de organização:

  • 1) Período/turno: manhã/tarde/noite, ou por intervalo definido (ex.: 08:00–14:00; 14:00–20:00). Isso facilita auditoria e busca por data/hora.
  • 2) Meio de pagamento: dinheiro, cartão, PIX, vales e outros. Isso facilita conciliação e conferência de divergências por modalidade.

Dentro de cada meio de pagamento, mantenha ordem cronológica (do primeiro para o último do turno) ou por sequência do PDV (número do cupom/documento). Escolha um padrão e aplique sempre.

Estrutura recomendada de separação (modelo simples)

  • Envelope do turno (um por operador ou por caixa, conforme a operação):
    • Divisória A: Relatórios do turno (no topo, para leitura rápida).
    • Divisória B: Dinheiro (se houver documentos associados, como recibos internos).
    • Divisória C: Cartões (vias do cartão + comprovantes do PDV vinculados, quando aplicável).
    • Divisória D: PIX (comprovantes impressos ou registros internos).
    • Divisória E: Vales (com assinaturas e autorizações).
    • Divisória F: Cancelamentos/estornos (nota de cancelamento + documento original, quando exigido).

Rotina prática de guarda e separação (passo a passo)

1) Preparar materiais e padrão de identificação

Antes de iniciar o turno, garanta disponibilidade de: envelopes, pastas, grampeador, clipes, caneta, carimbo (se usado) e etiquetas.

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Identificação mínima em cada envelope/pasta do turno:

  • Data
  • Loja/PDV (quando houver mais de um)
  • Número do caixa/terminal
  • Turno (horário início/fim)
  • Operador (nome e/ou matrícula)
  • Responsável pela conferência/recebimento (quando aplicável)

2) Separar comprovantes no momento em que saem

Evite “montes” únicos. A cada transação, direcione imediatamente o comprovante para a pilha/compartimento correto (cartão, PIX, vale, cancelamento). Isso reduz erros de mistura e perda.

  • Cartão: mantenha as vias do cartão juntas e, quando o procedimento interno exigir, anexe o cupom do PDV correspondente.
  • PIX: se houver impressão, guarde o comprovante; se for apenas tela/registro, gere o documento interno (ver seção de ocorrências).
  • Cancelamentos: guarde em uma pilha separada, nunca misturada com vendas normais.

3) Ordenar cronologicamente e fixar corretamente

No fechamento do turno (ou em intervalos definidos), organize cada pilha em ordem cronológica (por hora) ou por sequência do documento do PDV.

Grampeamento correto (boas práticas):

  • Grampeie no canto superior esquerdo, sem cobrir dados críticos (valor, data/hora, NSU, autorização, E2E).
  • Evite grampear papel térmico muito próximo do texto (pode rasgar e apagar).
  • Quando houver muitos comprovantes, prefira clipes ou envelopes internos para não danificar.

4) Vincular documentos que precisam “andar juntos”

Alguns eventos exigem que documentos fiquem anexados para rastreabilidade:

  • Cancelamento: nota de cancelamento + cópia/identificação do documento original + justificativa/assinatura (se exigido).
  • Estorno de cartão: comprovante do estorno + referência ao NSU/autorização da venda original.
  • Vale: vale preenchido + assinatura do recebedor + autorização do responsável + documento de suporte (quando houver).

5) Inserir relatórios e montar o “pacote do turno”

Coloque os relatórios do turno no topo do envelope/pasta, na seguinte ordem sugerida:

  1. Relatório resumo do operador/turno (total por meio de pagamento)
  2. Relatório de cancelamentos/estornos
  3. Relatório de transações de cartão (quando disponível)
  4. Relatório de PIX (quando disponível)
  5. Outros relatórios internos exigidos

Em seguida, inclua as pilhas de comprovantes por meio de pagamento, cada uma em sua divisória/envelope interno.

Critérios de qualidade documental (checklist)

Um documento “bom” é aquele que permite comprovar a transação sem interpretação ou suposições. Use este checklist:

  • Legibilidade: valor, data/hora, identificadores (NSU/autorização/E2E), e identificação do PDV/loja precisam estar nítidos.
  • Integridade: sem rasgos que removam dados essenciais; sem cortes; sem manchas que apaguem texto.
  • Correspondência: o comprovante precisa bater com a transação (valor, modalidade, data/hora aproximada, status aprovado/cancelado).
  • Identificação do operador: quando o documento não trouxer operador, inclua identificação no envelope do turno e, se necessário, em folha de controle.
  • Sequência/ordem: documentos do turno devem permitir reconstruir a linha do tempo.

Exemplo prático de correspondência (cartão)

Item a conferirNo cupom do PDVNa via do cartão
ValorTotal da vendaValor aprovado
Data/horaData/hora do documentoData/hora da autorização
IdentificadorNúmero do documento/controle internoNSU e código de autorização
StatusVenda concluída/canceladaAprovado/negado/estornado

Como proceder quando o comprovante não imprime, sai ilegível ou é extraviado

1) Quando o comprovante não imprime

Objetivo: não deixar a transação sem evidência.

  1. Verifique o básico: papel, tampa, atolamento, conexão e se a impressora está selecionada corretamente.
  2. Confirme no sistema se a transação foi concluída (evite duplicidade).
  3. Registre uma ocorrência imediatamente (modelo abaixo), informando: data/hora, operador, PDV, tipo de transação, valor e motivo (ex.: “sem papel”, “falha de impressão”).
  4. Reimprima quando possível:
    • PDV: reimpressão do cupom/recibo, se o sistema permitir.
    • Cartão: reimpressão/2ª via pela função do TEF/terminal, quando disponível.
    • PIX: reemissão do comprovante pelo sistema/banco/app corporativo, quando permitido.
  5. Anexe a ocorrência ao envelope do turno, no meio de pagamento correspondente.

2) Quando o comprovante sai ilegível (papel térmico falhando)

  1. Tente reimprimir imediatamente (antes de perder a referência da transação).
  2. Se reimprimir não resolver, registre ocorrência e anexe o comprovante ilegível mesmo assim (ele ajuda a provar que houve tentativa/saída de papel).
  3. Complemento manual controlado: em uma folha de ocorrência, registre os dados essenciais (valor, data/hora, identificador, meio de pagamento, operador). Não escreva por cima do texto térmico apagado; use folha separada.

Atenção: papel térmico pode apagar com calor/atrito. Evite deixar comprovantes expostos ao sol, dentro de sacolas plásticas quentes ou próximos a fontes de calor.

3) Quando o comprovante é extraviado

Extravio é falha de controle e deve ser tratado com registro formal para manter rastreabilidade.

  1. Interrompa a busca “informal” após um tempo curto e controlado (ex.: 5–10 minutos) para não comprometer o atendimento.
  2. Registre ocorrência com o máximo de detalhes (turno, operador, PDV, valor, meio de pagamento, número do documento/NSU/E2E).
  3. Reimprima/recupere a evidência quando possível (2ª via, relatório do TEF, extrato PIX, logs do sistema).
  4. Anexe a evidência substituta ao pacote do turno, junto com a ocorrência.
  5. Se houver risco de contestação (ex.: cartão), priorize anexar relatório do meio de pagamento com o identificador (NSU/autorização) e status.

Modelo de Registro de Ocorrência (para anexar ao turno)

REGISTRO DE OCORRÊNCIA – DOCUMENTAÇÃO DE CAIXA  Data: ____/____/______  Hora: ________  Loja/PDV: ________  Caixa/Terminal: ________  Operador: __________________ (matrícula: ________)  Tipo de ocorrência: ( ) Não imprimiu  ( ) Ilegível  ( ) Extraviado  ( ) Outro: __________  Meio de pagamento: ( ) Dinheiro  ( ) Cartão  ( ) PIX  ( ) Vale  ( ) Cancelamento/Estorno  Valor: R$ __________  Identificadores disponíveis:  - Nº documento PDV: __________________  - NSU/Autorização (cartão): __________________  - E2E/ID PIX: __________________  Descrição objetiva do ocorrido: ____________________________________________________________  Ação tomada: ( ) Reimpressão realizada  ( ) Reimpressão não disponível  ( ) Evidência substituta anexada  Evidência anexada: ____________________________________________________________  Responsável pelo registro: __________________  Assinatura: __________________

Padrão de arquivamento: envelopes, pastas e ordem cronológica

Arquivamento diário (curto prazo)

  • Use envelopes por turno (ou por operador) e guarde em pasta do dia.
  • Na pasta do dia, organize os envelopes em ordem de horário (Turno 1, Turno 2, Turno 3).
  • Mantenha a pasta em local restrito, seco e sem calor.

Arquivamento mensal (médio prazo)

  • Transfira as pastas diárias para uma pasta/caixa arquivo do mês.
  • Organize por data (01 a 31) e, dentro de cada data, por turno.
  • Se houver auditorias recorrentes, crie uma aba separada para ocorrências (não para misturar, mas para facilitar localização).

Erros comuns e como evitar

  • Misturar cancelamentos com vendas: mantenha uma divisória exclusiva para cancelamentos/estornos.
  • Grampeamento cobrindo NSU/E2E: sempre confira antes de fixar.
  • Comprovantes soltos no caixa: adote pilhas/compartimentos por meio de pagamento desde o início do turno.
  • Documentos sem identificação do operador/turno: envelope sem identificação perde rastreabilidade; padronize etiqueta obrigatória.
  • Guardar papel térmico em condições ruins: evite calor, luz direta e atrito; priorize pastas fechadas.

Agora responda o exercício sobre o conteúdo:

Qual prática garante melhor rastreabilidade e facilita a conciliação ao organizar comprovantes e documentos do caixa?

Você acertou! Parabéns, agora siga para a próxima página

Você errou! Tente novamente.

Separar por turno e por meio de pagamento, mantendo ordem cronológica ou por sequência do PDV, cria um caminho claro entre transação, comprovantes e relatórios, facilitando busca, auditoria e conciliação.

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